Por Edição MMA Brasil | 28/06/2019 00:25

O norte dos Estados Unidos volta a receber o octógono mais famoso do mundo neste sábado. O Target Center, casa do Minnesota Timberwolves (NBA), será palco do UFC Minneapolis, a terceira empreitada da organização na ESPN americana. O evento tem combates bem mais interessantes do que o da semana passada e serve como bom aperitivo para o UFC 239 da semana seguinte.

O combate mais importante da noite deveria ser a revanche entre os ex-campeões Robbie Lawler e Tyron Woodley, mas a lesão do último mudou os planos. Dois artistas do nocaute foram então escalados, no encontro entre os pesados Francis Ngannou e Junior Cigano.

Ninguém sabe se a divisão dos moscas vai acabar, mas o UFC alinhou uma clara eliminatória neste evento. Jussier Formiga, que vem de quatro vitórias seguidas, tem a chance de vingar a dura derrota sofrida para Joseph Benavidez, que venceu oito das nove mais recentes e foi o último a superar o atual campeão.

Uma clássica tentativa de passagem de bastão acontece no peso meio-médio quando o veterano Demian Maia encarar Anthony Rocco Martin. Antes, Drew Dober pega Marco Polo Reyes e Alonzo Menifield mede forças com Paul Craig.

O UFC Minneapolis terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate. As divertidas preliminares estão marcadas para começar às 19:00h, enquanto o card principal deve ir ao ar a partir das 22:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Pesado: #2 Francis Ngannou (CAM) vs. #3 Júnior Cigano (BRA)

Por Alexandre Matos

O caminho de Ngannou (13-3 no MMA, 8-2 no UFC) até a disputa do cinturão dos pesados deixou um rastro de corpos para trás – a vitória que valeu o posto de desafiante quase decapitou Alistair Overeem. No entanto, duas atuações desastrosas seguidas fizeram o hype do camaronês desabar. Pressionado, ele se recuperou do jeito que mais sabe: levou pouco mais de um minuto somado para obliterar Cain Velasquez e Curtis Blaydes.

“O Predador” é um dos atletas mais polarizadores do UFC. Há quem diga que é o maior pegador da história da organização, o que eu tendo a concordar, mas também tem quem defenda que ele é fraco como mostrou as derrotas para Stipe Miocic e Derrick Lewis. Ainda que esta última seja tranquilamente uma das cinco piores lutas já disputadas no octógono, ele certamente não é um lutador ruim. A defesa de quedas não serve contra os melhores wrestlers, mas eles são poucos nos pesados. O condicionamento físico não aguenta mais que dez minutos – os únicos que passaram desse patamar venceram. Porém, o dim-mak, o toque da morte, normalmente resolve as paradas antes desse limite. Ngannou adiciona cada vez mais talento no boxe e tem feito cada vez melhor o trabalho de abrir espaço para suas bigornas promoverem o encontro dos adversários com a vala.

Já é conhecida pelos leitores do MMA Brasil a triste história de Cigano (21-5 no MMA, 15-4 no UFC) pós-Velasquez. Duas surras antológicas estragaram a carreira do catarinense – e provavelmente lhe custaram alguns anos de vida. A seguir, Junior entrou em gangorra de resultados, alternando derrotas por nocaute com vitórias sofridas. Ainda assim, conseguiu nova disputa de cinturão, quando foi nocauteado por Miocic. Desde então, são três vitórias seguidas, duas por nocaute, mas nenhuma delas sem pelo menos algum momento de drama.

Em seu auge, Cigano era o melhor boxeador do MMA mundial. Ele tinha muita agilidade e velocidade para criar ângulos e causar destruição. Porém, Velasquez arrancou-lhe essas duas características, tornando Dos Santos um lutador mais lento e menos móvel. Quando isso aconteceu, ficou latente que o jogo era incompleto, ainda que ele tenha adicionado chutes eventuais. O wrestling e o jiu-jítsu, que poderiam estender sua carreira, praticamente inexistem. A técnica de combinar socos ainda existe, mas ele se tornou mais vulnerável e mais acertável.

Francis Ngannou vs Junior Dos Santos odds - BestFightOdds

Nem é preciso reforçar o quão desastroso é alguém ser acertável contra Ngannou. As brechas que Cigano deu contra Lewis e Tuivasa seriam capitalizadas com requintes de crueldade pelo africano.

Há um caminho muito claro para o brasileiro: controlar a distância sem errar e fazer Ngannou se deslocar até encerrar seu compartimento de gás. Contra o rival cansado, aumentariam as chances de Cigano conseguir um nocaute. Mas alguém acredita que, nas condições físicas atuais, Junior consiga executar esta estratégia por 15 minutos sem dar uma brecha? Eu não acredito e basta uma brecha para arruinar a noite de Dos Santos. A aposta é em nocaute de Ngannou até a metade do segundo assalto.

Peso Mosca: #1 Jussier Formiga (BRA) vs. #2 Joseph Benavidez (EUA)

Por Gustavo Lima

Após as demissões em massa nos últimos meses, cresceram cada vez mais os rumores de que a divisão dos moscas chegaria ao fim no UFC, com a situação dos atletas se tornando cada vez mais confusa e complicada. Contudo, após a conquista do cinturão dos galos pelo campeão Henry Cejudo, o UFC contraria a lógica e anuncia que a classe de peso, agora defasada e cadavérica, continuará funcionando normalmente.

Em meio a esse cenário, Jussier Formiga (23-5 no MMA, 12-4 no UFC) e Joseph Benavidez (27-5 no MMA, 14-3 no UFC) se enfrentam para definir, em tese, o próximo desafiante. A manutenção da categoria dos moscas pode ser indicativo de um campeão duplo que ao menos esboça o desejo de defender os dois títulos de maneira rotativa, o que não empacaria tanto uma divisão enxuta e que já não conta com grandes nomes e bons prospectos como outrora.

Com sequência de quatro vitórias e uma das maiores bagagens da categoria, Jussier Formiga nunca esteve tão perto do cinturão do UFC ao longo de suas treze lutas dentro da organização. Se outrora o potiguar parecia ter limitações técnicas que o impediam de chegar ao topo da divisão (apesar do bom jiu-jitsu), uma série de casamentos oportunos aliados ao processo de desertificação da categoria ajudaram o brasileiro a conquistar a primeira posição do ranking.

Competente na luta agarrada e com striking de nível satisfatório, Formiga freou os embalados Deiveson Figueiredo e Sergio Pettis nas duas últimas vezes que pisou no octógono. Com decisões unânimes consistentes, Jussier tem se mostrado com um competente estrategista, visando amplificar suas valências e minimizar as deficiências que possam ser exploradas pelo oponente.

No outro corner estará um dos atletas mais regulares na história da divisão dentro do UFC. Detentor de cartel 11-3 na categoria até 58kg, “Joe Jitsu “busca chegar a sua terceira chance pelo cinturão após ser despachado por Demetrious Johnson nas outras duas tentativas. Detentor de vitória por decisão dividida sobre o atual campeão há pouco mais de três anos, Benavidez é um daqueles atletas completos que deu o azar de ser contemporâneo de um monstro imparável em sua categoria. Agora com um novo rei na categoria, Joseph busca ter mais uma chance para espantar o fantasma do quase e se eternizar na lista de campeões do UFC.

Mesmo com o confronto co-principal do UFC Minneapolis sendo teoricamente um duelo entre os dois melhores e mais gabaritados atletas da divisão atualmente, Benavidez aparece no papel com vantagem técnica sobre Formiga. Com nível equivalente de luta agarrada, é difícil acreditar que a luta não transcorrerá na trocação pela maior parte. Com boa parte do jogo de quedas baseado na força e na insistência, não parece uma estratégia sólida para Jussier queimar o seu já limitado tanque de combustível em um jogo onde sua vantagem é minimizada pela caixa de ferramentas que o oponente tem no jiu-jitsu.

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Em pé, a força e a envergadura de Formiga podem garantir alguma vantagem no início do combate, mas a velocidade e longevidade de Benavidez podem lhe garantir terreno favorável para sair com a vantagem nos dois últimos rounds. O caminho para o brasileiro diminuir essa disparidade seria dosar a energia ao longo do combate e jogar com o regulamento debaixo do braço, com a ressalva de que isso pode ser um pouco mais complicado dependendo do volume impresso pelo “Beefcake”. Minha predição: Josephn Benavidez por decisão.

Peso Meio-Médio: #12 Demian Maia (BRA) vs. Anthony Martin (EUA)

Por Matheus Costa

Demian Maia (26-9 no MMA, 20-9 no UFC) terá uma missão bastante complicada ao entrar no octógono na noite de sábado. O veterano brasileiro, que já dá os últimos passos em sua carreira, enfrenta um talento ascendente na categoria dos meios-médios, que possui um estilo muito complicado para o seu jogo. Após somar três derrotas para lutadores de elite da categoria – Woodley, Covington e Usman -, o ex-desafiante dos meio-médios e médios respirou aliviado ao dominar Lyman Good com facilidade no UFC Fortaleza. Naquele que pode ser o último ano de sua carreira e com apenas duas lutas restantes em seu contrato, Maia tornou-se um porteiro de luxo na categoria.

Aos 40 anos de idade, Demian Maia é cada vez mais dependente de seu jiu-jítsu. A trocação é nula e, no máximo, aparece quando o brasileiro usa jabs para encurtar a distância para buscar a queda. E sim, houve uma fase onde o atleta tentou evoluir na luta em pé, mas resolveu voltar ao básico e focar na sua especialidade após falhar no objetivo, nadando contra a maré do esporte. O wrestling do faixa-preta não costuma funcionar contra lutadores com boas defesas de queda, até pela falta de variedade e explosão muscular. E eu nem preciso entrar no mérito de comentar sobre o jogo de chão do veterano. No chão, Demian é basicamente incrível e provavelmente o melhor jiujiteiro da história do MMA.

Anthony Rocco Martin (16-4 no MMA, 8-4 no UFC) se reinventou completamente ao subir para a categoria dos meios-médios. Se antes era um peso leve de escalão razoável, o atleta da Team Lloyd Irvin evoluiu bastante e, assim, somou quatro triunfos consecutivos com atuações convincentes perante nomes de certa credibilidade: Keita Nakamura, Ryan LaFlare, Jake Matthews e Sergio Moraes. O confronto contra o brasileiro acaba sendo importante para a carreira de Martin, pois em caso de um triunfo, ele deve alçar voos maiores na divisão.

Martin usa o boxe com maestria, usando controle de distância com sua envergadura avantajada. Outro fator que contribui para sua estratégia são as variações de chutes, que costumam minar a movimentação de seus adversários, algo que pode ser vital contra o brasileiro. E o grande trunfo de Rocco Martin a ser ressaltado para esta luta é a defesa de quedas, que costuma lhe garantir tranquilidade contra a maioria de seus adversários que possam levá-lo ao chão.

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Vale frisar que Anthony Martin não é um wrestler de alto gabarito, então a fatídica cena de Maia finalizando com facilidade pode ocorrer novamente. Todavia, este não é o cenário mais racional ao analisar o duelo de estilos, já que o americano possui todas as armas necessárias para anular e controlar Demian. Martin deve manter a luta em pé com sua boa defesa de quedas e, assim, controlar o ritmo perante o veterano brasileiro. A aposta é pela vitória de Anthony Rocco Martin por decisão unânime dos juízes, provando que o atleta está pronto para subir mais um degrau.

Peso Leve: Drew Dober (EUA) vs. Marco Polo Reyes (MEX)

Por Bruno Costa

Drew Dober (20-9, 1 NC no MMA, 6-5, 1 NC no UFC) chegou ao UFC como striker unidimensional com condicionamento físico discutível, e melhorou a ponto de conseguir ter uma carreira estável e duradora na categoria mais dura do MMA. Após engrenar uma sequencia excelente de três vitórias consecutivas, chegou perto de vencer uma peleja contra o ex-integrante do ranking Beneil Dariush, mas sucumbiu ao grapping de elite do rival.

Um competente kickboxer quando iniciou sua trajetória no UFC, Dober teve sua troca de golpes refinada e melhorou a capacidade de pressionar os adversários, com potentes chutes baixos e boas combinações curtas, levando perigo aos oponentes principalmente na curta distância. O wrestling ofensivo, quase inexistente no início da carreira, melhorou e passou a ser arma constantemente explorada em suas lutas, com boas quedas trabalhadas inclusive partindo do clinch. Contudo, defensivamente Dober ainda demonstra falhas na luta agarrada, que acabaram por lhe custar finalizações nas últimas derrotas sofridas no UFC, mesmo em seu último combate, quando parecia perto de conquistar a maior vitória da carreira contra Beneil Darisuh e acabou sofrendo uma virada após um excelente primeiro round.

O porradeiro Marco Polo Reyes (8-5 no MMA, 4-2 no UFC) volta ao octógono com o objetivo exclusivo de entregar muita ação em mais um dos seus combates. Um lutador com defesa quase nula, pouca polidez e uma grande tendência de transformar as lutas em pancadaria desenfreada, Reyes aposta na sua capacidade de nocautear os oponentes com um golpe derradeiro para sair vitorioso.

Quando colocado de frente a oponentes com alguma inteligência para executar plano de luta e nível técnico ao menos razoável, o mexicano teve diversos problemas para manter competitivos os embates. Quando não transforma as lutas em pancadarias mais baseadas em instinto do que técnica, Reyes demonstra inabilidade em encontrar a distância ideal para manter um bom volume de golpes, além de pouca variação em seus golpes, que não vão muito além de overhands e cruzados jogados com muita potência.

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Em uma provável luta cheia de ação, a aposta é que Dober demonstre sua evolução como lutador e consiga evitar os contragolpes letais de Reyes por 15 minutos, variando suas ações e utilizando-se da caixa de ferramentas mais vasta do que a de seu duro oponente, levando a vitória por decisão em um embate cheio de entretenimento.

Peso Meio-Pesado: Alonzo Menifield (EUA) vs. Paul Craig (ESC)

Por Idonaldo Filho

Invicto nas oito lutas que fez como profissional, o americano Alonzo Menifield (8-0 no MMA, 1-0 no UFC) é mais uma revelação do LFA a chegar no UFC. O meio-pesado estreou profissionalmente atuando pelo Bellator. Como não foi contratado efetivamente, acabou indo para o RFA e passou a atuar exclusivamente pela organização americana – e, posteriormente, por sua fusão com o Legacy.

Em 2017, chegou ao Contender Series, por onde teve que passar duas vezes até ser contratado de fato. E quando enfrentou Daniel Jolly, possuía apenas três lutas e venceu através de uma lesão do adversário. No ano passado, finalmente capitalizou em cima da oportunidade, acabando com Dashawn Boatwright em oito segundos, conquistando a assinatura com o líder do mercado. Na estreia no UFC, atropelou o brasileiro Vinicius Mamute, que lutará nesse mesmo evento.

Menifield é um lutador muito forte e atlético, com muito poder nos punhos e quase sempre garante o entretenimento dos fãs pelo fato de ser muito agressivo. É notório que falta refino técnico e habilidade para dosar o ritmo contra adversários de maior nível, que podem usar contragolpes ou resistência para aproveitar a queda de rendimento do lutador. Se ofensivamente ele é bom, defensivamente ainda é problemático, pois apresenta falhas na defesa de quedas e em disputas de clinch, onde se deixa ser dominado por adversários mais fracos do que ele. Se não for jogado aos leões rapidamente – o que deve acontecer, infelizmente  –, certamente Menifield tornará-se um dos preferidos dos fãs, com nocautes e atuações empolgantes.

O escocês Paul Craig (11-3 no MMA, 3-3 no UFC) é um personagem. Provocador, Craig entrou no UFC após tornar-se campeão do BAMMA – antes do Bellator falir o evento britânico -, e estreou bem com uma vitória sobre Henrique Frankenstein. O que se viu depois, foi um lutador que, quando todos achavam que seria demitido, tirava algum milagre da cartola.

Após uma sequência de duas derrotas avassaladoras ainda no primeiro assalto, ele finalizou Magomed Ankalaev literalmente no último segundo da luta. Depois, perdeu para Jim Crute em uma lutinha tosca, e contra o favorito Kennedy Nzechukwu, arrancou a virada mais uma vez, finalizando com menos de um minuto para o fim do duelo.

Craig é um pereba total na trocação. O “Bearjew” não tem nenhuma habilidade defensiva, mantém o queixo alto e descoberto, e o não defende o corpo e nem as pernas. Em pé, o seu boxe é deplorável, mas ele tem alguns chutes. Unidimensional, seu wrestling também é pouco eficiente, e ele se aproveita de um grappling extremamente oportunista, junto a um coração gigante, para vencer os seus combates. Faixa marrom de jiu-jítsu, Craig geralmente trabalha bem da guarda, e, como a categoria dos meios-pesados é recheada de gente burra, isso é um ponto positivo e que ele já mostrou ser bastante útil. Pouco atlético, não tem lá muita habilidade no clinch, mas aplica algumas cotoveladas bacanas quando está na grade.

Alonzo Menifield vs Paul Craig odds - BestFightOdds

Temos uma gritante diferença de nível atlético neste duelo. Craig é magro e até mesmo desengonçado, enquanto Menifield é fisicamente bem forte e explosivo. O combate tem dois panoramas: no primeiro assalto, a chance de nocaute de Menifield é altíssima, principalmente porque Craig oferece muitas brechas defensivas. Se passar do primeiro round e cansar, existe a chance de Craig conseguir levar Menifield pro solo, aproveitando a defesa de quedas ruim do americano, e, no solo, ele é melhor. O primeiro cenário deve ser o que veremos. Agressivo e adepto de começos rápidos, Menifield deve conquistar um nocaute ainda no primeiro assalto. Craig pode resistir um pouco pois tem muita garra, mas, se o americano não vacilar como Nzechukwu e Ankalaev, leva tranquilamente.