Por Edição MMA Brasil | 15/03/2019 01:42

Mal o octógono levantou voo de Praga e já está de volta ao Velho Continente. Neste sábado, a O2 Arena, localizada na península de Greenwich, em Londres, será palco do UFC Fight Night 142, a quinta incursão do UFC no canal de streaming da ESPN americana.

O UFC Londres será liderado pelo atual ídolo local. Darren Till tenta se recuperar da derrota na disputa do cinturão. Quem estará do outro lado para impedir será o americano Jorge Masvidal.

Na mesma categoria dos meios-médios, o jamaicano radicado na Inglaterra Leon Edwards vai atrás da sétima vitória consecutiva, desta vez contra o talentoso islandês Gunnar Nelson. Pelos meios-pesados, o principal prospecto da divisão, Dominick Reyes, encara o ex-desafiante Volkan Oezdemir.

Pelo peso galo, Nathaniel Wood encara José Quiñónez. No meio-médio, Danny Roberts bate de frente com o brasileiro Cláudio Hannibal. Abre o card principal a promessa de pancadaria entre Jack Marshman e John Phillips.

O UFC Londres terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate a partir das 14:00h. O card principal está previsto para iniciar às 17:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Meio-Médio: #3 Darren Till (ING) vs. #11 Jorge Masvidal (EUA)

Por Diego Tintin

Darren Till (17-1-1 no MMA, 5-1-1 no UFC) foi um achado para liderar os eventos ingleses e substituir o histórico Michael Bisping no coração de seus compatriotas. Sua trajetória na organização foi fulminante, com sólidas vitórias sobre as castas mais baixas da divisão. Nos seus combates mais importantes, um grande nocaute sobre Donald Cerrone e um triunfo sobre Stephen Thompson – quando falhou na pesagem – o lançaram para a disputa de cinturão, substituindo Colby Covington contra Tyron Woodley. No combate, ficou claro a superioridade do agora ex-campeão, que, em um passeio avassalador, trouxe a desconfiança de que Darren chegou neste estágio sem ainda estar no nível de competição ideal.

O “Gorila” tem sua maior qualidade no boxe, preciso e de muita potência. A capacidade de acertar os golpes enquanto encurrala seus oponentes é uma virtude flagrante do inglês. Além disso, ele consegue se defender de forma satisfatória mesmo quando está avançando e golpeando. A luta agarrada, apesar do passeio que levou de T-Wood, é de bom nível, com qualidades ofensivas e defensivas, desde que não trombe com um especialista de elite como vimos no seu último combate.

Till passou um bom tempo treinando na Astra Fight Team, de Santa Catarina, com o treinador Marcelo Brigadeiro, que já conhecia do Team Kaobon de seu país natal. Com isso, adicionou alguns interessantes movimentos de luta-livre esportiva em seu arsenal.

Jorge Masvidal (32-13 no MMA, 9-6 no UFC), veterano de Bellator e Strikeforce, é hoje um bom valor da organização, daqueles a quem se pode confiar lutas importantes. O filho de cubano com peruana cresceu em Miami e chegou a participar das lutas de quintal promovidas por Kimbo Slice. Praticou wrestling no ensino médio e logo passou a treinar MMA, desenvolvendo um boxe muito bem ajustado e uma luta agarrada de bons momentos. Lutador de boa técnica, costuma pecar pela falta de volume quando precisa tomar a iniciativa e fazer o papel de agressor.

Masvidal disputou o torneio inaugural do Bellator, que coroou Eddie Alvarez campeão do peso leve, mas somente conquistou o reconhecimento no Strikeforce. Com a vitória contra KJ Noons, desafiou o cinturão de Gilbert Melendez e vendeu caro uma derrota por decisão. Chegou ao UFC com boas apresentações e rumou ao peso meio-médio após uma injusta derrota para Al Iaquinta. Depois de um começo instável, emendou três vitórias consecutivas, sendo a última sobre o sempre bem ranqueado Donald Cerrone, que o alçou a um title eliminator contra Demian Maia. Derrotado pelo brasileiro, teve novamente problemas contra Stephen Thompson por conta da falta de intensidade de seu jogo.

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Apesar de Masvidal se sentir mais à vontade quando faz o papel de contragolpeador, Darren Till pode ser um pesadelo para um lutador de pouco volume, como o americano se apresentou no combate contra Thompson. O segredo para Masvidal é baixar a temperatura da peleja e buscar algumas quedas pontuais para abrir vantagem nas papeletas, apostando em queda de rendimento do atleta da casa. Já para o Gorila britânico, pressionar é a palavra-chave. Quanto mais seu oponente se sente sufocado, a confiança do inglês aumenta e suas combinações de mãos acabam fazendo um estrago contundente. O palpite é vitória de Till, por interrupção.

Peso Meio-Médio: #10 Leon Edwards (ING) vs. #13 Gunnar Nelson (ISL)

Por Pedro Carneiro

Leon Edwards (16-3 no MMA, 8-2 no UFC) foi um dos selecionados como top 10 do futuro do MMA Brasil, e suas seis vitórias seguidas no peso meio-médio são quase um carimbo do apontamento feito dois anos atrás. O inglês completará o quinto ano no UFC com uma evolução nítida, desde a estreia com derrota para Cláudio Hannibal até a última vitória contra o interminável Donald Cerrone. No meio do caminho, Edwards venceu oito adversários, com o destaque para as vitórias sobre Bryan Barberena, Vicente Luque e Albert Tumenov e uma derrota contra o atual campeão da categoria Kamaru Usman.

A potência dos socos é um destaque do seu jogo em pé, que também é incrementado com chutes e joelhadas pontuais. Leon gosta de trabalhar pressionando os adversários, tentando os encurralar soltando golpes enquanto anda para frente. O jogo de quedas é eficiente e geralmente usado após o clinch, situação em que o inglês se sente confortável, até mesmo por possuir uma boa capacidade de absorver golpes. Essas características também o colocam em dificuldades, já que Edwards tem problemas contra adversários que tentem mantê-lo distante, principalmente usando jabs, diretos ou chutes frontais.

A interessante combinação de caratê com jiu-jítsu levou Gunnar Nelson (17-3-1 no MMA, 8-3 no UFC) ao ranking da categoria mesmo com a tão falada desvantagem no tamanho que o islandês possui para a maioria de seus adversários. O companheiro de treinos de McGregor chegou no UFC finalizando três dos quatro primeiros adversários que enfrentou, até que se deparou com a primeira derrota no embate contra Rick Story. Na sequência, colaborou com o objetivo de tornar Brandon Thatch o lutador com mais derrotas por finalização em sequência da história do UFC e provou do mesmo veneno ao ser obliterado pelo jiu-jítsu de Demian Maia. Duas vitórias contra Albert Tumenov e Alan Jouban o levaram a ser confrontado novamente com a diferença física que tem na categoria, na derrota para Santiago Ponzinibbio. Por fim, no seu último compromisso finalizou Alex Cowboy e provou que o seu talento ainda o deixa relevante na faixa de peso.

Nelson é um carateca que trabalha muito bem os golpes retos e a manutenção da distância, características desenvolvidas com sucesso por John Kavanagh. A movimentação também é um destaque, e ajuda na manutenção da distância e no uso de golpes precisos e fortes, principalmente o direto. Seu jiu-jítsu foi modelado por Renzo Gracie, que o tornou um exímio finalizador. Seus pontos fortes na arte suave são as transições, que costumam abrir o espaço necessário para que as finalizações apareçam.

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Vamos assistir aqui a mais um capitulo do livro “Gunnar Nelson é muito pequeno para a categoria”. Leon Edwards é mais alto e mais forte, além de sabe muito bem usar da pujança para se impor nas situações, principalmente o clinch. Por outro lado, tudo que Nelson quer é que Leon use suas investidas ofensivas andando reto em sua direção, para que o islandês use o domínio da distância para frustra-lo e eventualmente nocauteá-lo. A diferença de força dificulta as tentativas de queda de Nelson, mas estas podem ser usadas nas situações de clinch e troca de pegada. O problema para Gunnar é que essa mesma situação pode ser usada por Leon para desgastar e se impor na força física. E essa última é a nossa aposta, culminando em uma vitória por decisão dos juízes para Leon Edwards.

Peso Meio-Pesado: #6 Volkan Oezdemir (SUI) vs. #8 Dominick Reyes (EUA)

Por Alexandre Matos

Ninguém deu a menor bola para a chegada de Volkan Oezdemir (15-3 no MMA, 3-2 no UFC) à maior organização do MMA mundial – isso de quem o conhecia depois da passagem sem graça pelo Bellator. Pois em seis meses de UFC, ele venceu três vezes, com dois nocautes brutais em menos de um minuto, e caiu no gosto dos fãs, que não demoraram para esquecer a estreia insossa contra Ovince St. Preux. Precipitadamente, jogaram o suíço numa disputa de cinturão contra Daniel Cormier. O resultado foi o esperado: passeio no parque do então campeão. No combate seguinte, faltou gás na derrota para Anthony Smith.

A pergunta que agora paira sobre a comunidade do MMA é: Oezdemir é muito bom, passando por um momento de baixa, ou é muito ruim, que teve uma fase iluminada? Como de costume, nenhum dos dois.

Volkan é um kickboxer dinâmico, com excelente capacidade de criar momentos favoráveis e capitalizá-los. Esta faceta está em constante desenvolvimento nas mãos do treinador Henri Hooft, mas lhe falta um trabalho mais consistente nas demais áreas do jogo. Apesar de saber se virar no clinch – situação que rendeu a vitória sobre OSP e deu vantagem inicial contra Smith – Oezdemir mostra imensa dificuldade quando vai ao chão com alguém minimamente capaz e precisa dosar o cardio para não ter quedas bruscas de rendimento, ficando assim suscetível a ser nocauteado ou finalizado.

Quem também chegou longe dos holofotes ao UFC foi Dominick Reyes (10-0 no MMA, 4-0 no UFC). Porém, diferentemente de Oezdemir, sua trajetória foi tratada com mais carinho, com subidas gradativas na qualidade dos oponentes e sem apressar o ritmo. Depois de três nocautes avassaladores no primeiro assalto, ele foi confrontado com St. Preux e, assim como Volkan, durou toda a luta. A diferença é que o “Detonador” espancou o descendente de haitianos e deveria ter saído com um nocaute monstruoso no estouro do cronômetro, num combate em que mostrou capacidade de controlar o ritmo das ações e provar que não é um nocauteador precipitado.

Reyes é um belo acerto do Top 10 do Futuro, ainda que quase ninguém o conhecesse direito na época. Um cavalão de 1,93m de altura e 1,96m de envergadura, ele se destaca pelo kickboxing de chutes violentos, que renderam seu apelido. No entanto, a origem do californiano nas lutas é o wrestling, arte que costuma se apresentar em suas atuações no sistema defensivo e no clinch, mas também em algumas quedas pontuais. Ele treina na academia do irmão, o peso leve do UFC Alex Reyes.

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Reyes é mais lutador que Oezdemir em qualquer ramo do jogo, mas o suíço pode lhe dar problemas se conseguir descambar a luta para a pancadaria. Como o americano é tecnicamente superior no kickboxing e é fisicamente maior e mais forte, além de equilibrado mentalmente, o mais provável é Reyes controlar o ritmo e a distância. Optar pelo clinch será um erro grave do suíço, que dificilmente conseguirá manter o rival preso contra a grade. Pelo contrário, dali será mais provável que Dominick o coloque para baixo e despeje um ground and pound severo.

Fosse uma luta de cinco rounds e eu apostaria em nocaute a favor de Reyes sem muita dúvida. Porém, com menos tempo, é capaz de o suíço resistir até o fim e acabar derrotado na decisão dos juízes.

Peso Galo: Nathaniel Wood (ING) vs. José Quiñónez (MEX)

Por Rafael Oreiro

Se você ainda não conhece o nome de Nathaniel Wood (15-3 no MMA, 2-0 no UFC), é hora de conhecer. Fazendo sua primeira participação em um card principal do UFC, o ex-campeão do Cage Warriors foi contratado no primeiro semestre de 2018 e, desde então, demonstrou sua habilidade ao conquistar boas vitórias sobre Johnny Eduardo e Andre Ewell, ambas por finalização. Agressivo e com instinto para interromper lutas, o “Prospecto” só foi para a decisão em duas de suas dezoito lutas profissionais.

Wood lutará em casa, sendo natural de Londres e treinando na cidade sob a tutela de Brad Pickett, na Titan Fighter MMA. Tendo iniciado sua carreira nas artes marciais mistas bem cedo, o londrino veio a se tornar um lutador já bem completo aos 25 anos. Com uma postura tradicional de boxeador inglês, ele possui um trabalho de mãos bastante rápido, tendo bastante qualidade em combinações velozes quando entra no pocket. Na distância, sabe alternar bem o destino de seus ganchos entre o corpo e a cabeça, além de abusar de chutes baixos para minar a movimentação de seu oponente. Wood por vezes já se perdeu e deixou grandes brechas quando entrou no tiroteio ao encurtar a distância, mas tem mostrado mais cautela em seus últimos combates. No chão, Nathaniel possui um jiu-jítsu bem desenvolvido, tendo facilidade em dar diversos botes de finalização ou dominar posições por cima usando o ground and pound. Porém, ainda não mostrou ter um jogo de quedas muito confiável, nem foi testado defensivamente no tablado contra oposição de bom nível.

Vice-campeão da temporada inicial do TUF América Latina, José “Teco” Quiñónez (7-2 no MMA, 4-1 no UFC) tem tido sua carreira bem atrasada pela baixa média de uma luta por ano que mantém desde que chegou no UFC em 2014. Depois de perder para o atual top 15 Alejandro Perez na final do reality show, o mexicano emendou vitórias sobre Leonardo Morales, Joey Gomez, Diego Rivas e Teruto Ishihara, sendo impedido de finalmente conseguir fazer duas lutas em um mesmo ano em 2018, após Sean O’Malley se retirar do combate que fariam no UFC 229 por ter testado positivo em exame da USADA.

Dono de um dos bigodes mais vistosos do UFC, Quiñónez evoluiu tecnicamente nos anos desde o TUF. Viajando para a Alliance MMA, ele tentou se inspirar em Dominick Cruz para buscar tornar um lutador mais completo, que passou a capitalizar melhor nas oportunidades de levar a luta para o chão e trabalhar de forma segura no grappling. Porém, para este camp, o mexicano voltou a fazer seus treinamentos na Entram Gym, em Tijuana, na companhia de compatriotas como Henry Briones e Brandon Moreno.

Apesar da ótima envergadura para a divisão, Teco não tem habilidade para usar sua vantagem de tamanho na trocação, tendo um repertório de golpes lento e previsível, apesar da potência nos punhos. A estratégia mais comum que utiliza em seus combates é aproveitar sua força física para levar o combate para o chão – na maioria das vezes sem tanta técnica – e lá dominar posições. Sem demonstrar grande capacidade para finalizações, o mexicano normalmente se mantém em vantagem por cima para, no final, levar a vitória nas papeletas dos juízes.

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Este é um teste bastante interessante para se avaliar o estado atual de evolução de Nathaniel Wood, já que Teco Quiñónez é o tipo de lutador que pode testar tanto a defesa de quedas quanto o jogo de grappling por baixo do inglês, fatores que não teve que usar até agora em sua caminhada na organização.

Em pé, o provável é que vejamos vantagem de Wood, que deve utilizar bem os chutes nas pernas para quebrar a postura do mexicano, abrindo caminho para suas combinações rápidas. Quiñónez – bem mais lento na trocação – buscará o jogo mais físico, jogando Nathaniel na grade para cansa-lo e tentar criar aberturas no solo.

Mais talentoso, no final o inglês deve conseguir se manter em vantagem em pé e, caso seja levado pro chão, pode usar sua facilidade em tentar finalizações para se levantar ou continuar pontuando no combate. Assim, espero que vejamos uma vitória de Wood na decisão, ou até em uma finalização na reta final do combate após atordoar um Teco mais cansado em pé.

Peso Meio-Médio: Danny Roberts (ING) vs. Cláudio Hannibal (BRA)

Por Bruno Costa

O inglês Danny Roberts (16-3 no MMA, 5-2 no UFC) já demonstrou seu valor como lutador de ação protagonizando excelentes combates e alguns nocautes brutais, mesmo que tenha saído do lado perdedor em duas ocasiões.

Um trocador de boas qualidades ofensivas, técnico e com poder de nocaute, mas cheio de buracos na defesa, “Hot Chocolate” é um canhoto longilíneo e explosivo, que trabalha bem os golpes retos e chutes frontais. Ele enfrentou problemas quando teve pela frente adversários capazes de efetuar pressão constante e demonstraram resistência à sua violência.

O grappling defensivo carece de ser testado por adversários de maior competência na área, o que deve acontecer no próximo combate. Contudo, seu queixo já deu amostras de não conseguir segurar o tranco contra oponentes de grande potência, e o inglês necessita com urgência se resguardar com mais cuidados para evitar superexposição na troca de golpes.

Cláudio Hannibal (12-1 no MMA, 3-0 no UFC) estreou no UFC como um peso médio lento, aparentando estar longe do que se espera da preparação física de um atleta de ponta do MMA. Ainda assim, saiu vitorioso contra Brad Scott, demonstrando a dureza habitual. No segundo compromisso, conquistou uma surpreendente e ótima vitória (que com o tempo melhorou ainda mais diante da evolução do adversário) diante de Leon Edwards, mesmo que controversa, tendo apresentado avanços físicos e técnicos já no peso meio-médio.

Duras lesões afastaram Hannibal do octógono por longínquos quatro anos e, contra um Nordine Taleb claramente em evolução, o brasileiro conseguiu sair vitorioso demonstrando um jogo de chão justo e oportunista. Mesmo que não seja dos melhores atletas na divisão, o brasileiro persevera muito em busca de quedas e tenta exercer pressão nos oponentes baseando as aproximações na ameaça de poderosos mas previsíveis overhands.

O wrestling ofensivo não é exatamente de ponta, mas Cláudio costuma insistir nas tentativas de quedas com agressividade e afinco a fim de colocar os adversários de costas para o solo. Uma vez no chão, demonstra consegue conquistar boas posições para trabalhar o ground and pound e buscar finalizações.

Claudio Silva vs Danny Roberts odds - BestFightOdds
 

Roberts leva clara vantagem na troca de golpes e precisa ser metódico para manter a distância, utilizando de chutes baixos e contragolpes potentes, inclusive minando o corpo do brasileiro. Hannibal depende das quedas para sair vitorioso no combate, configurando um clássico duelo de estilos.

A aposta é que Roberts consiga manter a compostura, principalmente por não sofrer tantas ameaças na troca de golpes na curta distância contra o brasileiro. Sem permitir aproximações e quedas, Roberts deve conseguir levar a luta numa decisão ou até um nocaute na parte final do combate.

Peso Médio: Jack Marshman (WAL) vs. John Phillips (WAL)

Por Idonaldo Filho

Em um encontro de dois pioneiros do MMA galês, com cartéis quase idênticos, estilos de luta muito parecidos e que sempre entregam pancadarias de altíssimo estilo, a tendência é não decepcionar absolutamente ninguém. Dentre os dois, o com mais lutas no UFC é Jack Marshman (22-8 no MMA, 2-3 no UFC), ex-campeão dos médios no Cage Warriors e no BAMMA – as duas principais organizações na Grã-Bretanha. No UFC, ele estreou muito bem contra Magnus Cedenblad e, posteriormente ao enfrentar Thiago Marreta, chegou a aplicar um knockdown, mas logo virou estatística na lista gigante de nocautes do brasileiro. Atualmente, a fase é ruim e a luta pode valer pelo emprego, já que vem de duas derrotas seguidas.

O “Martelo” é um boxeador com muito poder nos punhos e que gosta de lutar no pocket, mostrando além da dureza de sua mão, um queixo resistente. Marshman é um típico brawler que foca no ataque e peca na defesa – assim como seu oponente – embora tenha mais habilidade que Phillips. No grappling, Jack defende mal quedas e não mostra tanta habilidade na defesa de submissões. Outro ponto é que Marshman não é grande para a divisão e chegou a tentar descer para os meios-médios, mas falhou na missão ao ter problemas com o corte de peso.

Ex-campeão do BAMMA, John Phillips (21-8 no MMA, 0-2 no UFC) é figura folclórica no circuito regional britânico, com longa história em eventos nanicos por lá, além de algumas lutas nos grandes. O atleta, que já foi chamado de Mike Tyson Branco – o original choraria vendo a cópia lutar – até disputou o cinturão do Cage Warriors contra o não menos excêntrico Jesse Taylor, mas acabou finalizado – como costume em suas derrotas. Ao entrar no UFC, Phillips decidiu trocar o apelido para “Máquina de Demolição Galesa”, e isso aparentemente não lhe trouxe muita sorte, já que foi derrotado em ambas lutas que fez no evento do mesmo jeito, sendo estrangulado.

Temos outro estereótipo de brawler em Phillips. Ele basicamente só usa os punhos, querendo incessantemente arrancar a cabeça de seu adversário, andando pra frente toda hora. O galês também é péssimo defendendo todo tipo de agressividade do adversário, não tem mobilidade nenhuma e morre no gás rapidamente. Para o nível do UFC isso é muito insuficiente e, por isso, seus resultados até agora foram pífios, mostrando além do mais um total desconhecimento da luta de solo. Conta a favor que John é um cara muito resiliente e grosseiro, que caso aconteça da mão entrar – e é possível neste casamento em específico – as chances de nocaute são imensas.

Jack Marshman vs John Phillips odds - BestFightOdds
 

Esse casamento é absurdo de tão bom, colocando para se enfrentar dois dos caras mais sedentos por pancadarias que existem não só no peso médio, mas no próprio UFC como um todo. O pessoal em Cardiff e arredores deve estar esperando muito este duelo, no qual há grandes chances de vermos a luta da noite, salvo algumas exceções. A primeira é que ambos possuem um tanque limitado e existe chance do nível cair bastante e vermos uma briga de bar e, a segunda, é de acontecer um nocaute rápido. Aposto em uma opção intermediária, com Jack Marshman nocauteando no segundo assalto.