Por Edição MMA Brasil | 14/03/2019 13:32

Com o melhor card europeu em muito tempo, o UFC desembarcará neste sábado na O2 Arena, em Londres, no Reino Unido, para continuar sua maratona de eventos de março. Mais uma vez na plataforma de streaming da ESPN+, o fã que decidir assistir o UFC Londres desde o seu início será premiado com uma série de boas lutas na porção preliminar da noite, que trará uma série de nomes conhecidos e prospectos interessantes.

Um dos melhores prospectos ingleses na atualidade, o peso pena Arnold Allen buscará sua quinta vitória no octógono ao enfrentar Jordan Rinaldi, na luta responsável por fechar a parte preliminar do evento. Antes disso, o irlandês Joe Duffy – antigo integrante do top 15 dos leves – buscará voltar a elite da divisão no confronto contra o criativo Marc Diakiese, atleta que corre risco alto de demissão por vir em uma grande sequência de derrotas.

Outra luta que envolve nomes que ainda podem fazer barulho em sua divisão será entre Tom Breese e Ian Heinisch, que farão combate no peso médio. Enquanto isso, no princípio da porção preliminar, Molly McCann e Priscila Pedrita buscam se recuperar após sofrerem derrotas em suas estreias no UFC.

Peso Pena: Arnold Allen (ING) vs. Jordan Rinaldi (EUA)

Por Gustavo Lima

Num duelo de lutadores que ocupam posições um pouco diferentes dentro do plantel do UFC, o ainda muito promissor Arnold Allen (13-1 no MMA, 4-0 no UFC) busca prosseguir com sua excelente sequência de vitórias dentro da organização. Tendo alguns problemas extra-octógono com a justiça britânica como únicos algozes em sua jornada na companhia, o “Almighty” já soma quatro vitórias consecutivas – com uma média muito econômica de uma luta por ano desde seu debute em 2015. Se recuperando de lesão que adiou seu retorno ao cage do UFC no fim do ano passado, o ainda promissor atleta de só 25 anos de idade tem a árdua missão de subir um degrau e provar que já é uma realidade dentro da categoria.

Bom finalizador, Allen – pupilo de Firas Zahabi na Tristar Gym – vem de bela vitória por submissão sobre Mads Burnell, em luta na qual passou por alguns maus bocados. Em seu combate anterior, venceu Makwan Amirkhani de forma apertada em uma decisão dividida, mostrando maturidade e técnica para superar situações desfavoráveis.

Jordan Rinaldi (14-6 no MMA, 2-2 no UFC) pode não ser o oponente que irá proporcionar a Allen uma evolução de status rápida dentro do tanque de tubarões que é a categoria dos penas, mas parece um passo adequado dentro da curva evolutiva que o mesmo tem apresentado. O atleta “visitante”, que recentemente se recuperou dentro da organização despachando o outrora prospecto Jason Knight em vitória convincente, já fora derrotado em duas ocasiões desde que chegou a companhia da WME-IMG – por Abel Trujillo e Gregor Gillespie, dois wrestlers notáveis.

Com habilidade notável em seu jiu-jítsu, mas limitações aparentes em diversos aspectos de seu jogo, Rinaldi não passa a sensação de confiança quando confrontamos seu conjunto de habilidades com a consistência de striking e capacidade de superar adversidades na luta agarrada que Allen demonstrou até agora no UFC. Isso ainda que o nível de competição encontrado pelo americano até aqui tenha sido mais elevado que o de seu oponente.

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Rinaldi tem como tarefa de casa mostrar que tem aparado as arestas e fortalecido seu jogo em pé, especialmente por ter tamanho e envergadura como vantagens agora que retornou para a categoria até 66kg. O background de ambos em termos técnicos, todavia, nos aponta um favoritismo moderado para Arnold Allen, em confronto que deverá transcorrer em pé na maior parte dos 15 minutos.

Peso Leve: Marc Diakiese (ING) vs. Joseph Duffy (IRL)

Por Pedro Carneiro

Marc Diakiese (12-3 no MMA, 3-3 no UFC) provavelmente irá lutar pelo seu emprego, já que vem de um retrospecto de três derrotas seguidas, para Drakkar Klose, Dan Hooker e Nasrat Haqparast. Apontado anteriormente como um prospecto da American Top Team, o inicio do congolês naturalizado inglês foi excelente, com uma vitória na decisão dos juízes contra Frankie Perez entre os nocautes sobre Lukasz Sajewski e Teemu Packalen. A expectativa era de que Marc estivesse pronto para o próximo nível, mas as derrotas recentes colocaram o atleta de 25 anos em um momento bastante delicado em sua carreira.

Diakiese é um striker criativo, possui uma enorme envergadura – 191 cm com 1,78m de altura – e usa muito bem os golpes no tronco do adversário. Também são frequentes os usos de ganchos e cruzados no jogo de mãos, somados com chutes que variam bem entre o corpo e a cabeça dos oponentes. Seu calcanhar de Aquiles é o wrestling, modalidade que tem sido usada pelos adversários para deixá-lo inoperante. O jiu-jítsu também precisa de muita melhora, o que ficou exposto na derrota para Hooker.

Irlandês conhecido por já ter sido algoz de Conor McGregor, Joseph Duffy (16-3 no MMA, 4-2 no UFC) tem obtido uma carreira interessante no UFC. Derrotado apenas pelos ótimos Dustin Poirier e James Vick, o “Irish” só foi a decisão dos juízes em uma das suas vitórias – em cima do resistente Reza Madadi. Os incautos Mitch Clarke, Ivan Batman e Jake Lindsey foram nocauteados ou finalizados por Joe, e nenhum deles passou do primeiro round.

Como um bom irlandês, Duffy usa o boxe como sua principal arma, apostando em movimentação constante e próxima do adversário para acertar golpes potentes e criar ângulos que permitam atingir limpamente seu alvo. Joe também usa bem os chutes no seu arsenal ofensivo e possui um wrestling que, apesar de não ser de elite, é razoável e é um elemento a mais no seu jogo. Acostumado a trocar sopapos na curta distância, a resistência de Joe é outro ponto forte. Seu jiu-jítsu é de bom nível e pode ser um trunfo no combate desse sábado.

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Apesar dos dois lutadores gostarem da luta em pé, suas propostas são completamente diferentes. Marc prefere manter a luta em sua zona de conforto, se aproveitando de golpes isolados e fortes, enquanto Duffy gosta de entrar na zona de ação do oponente e ver quem tem mais garrafas pra vender. Diakiese tem capacidade de conseguir um nocaute plástico ou minar a resistência de Duffy com golpes no corpo, mas o casamento de estilos é bem ruim para o congolês. É possível que Joe entre na curta distância disposto a encurralar e nocautear ou, ao menor sinal de perigo, derrubar e encerrar o combate com uma finalização. E esse último cenário é a nossa aposta.

Peso Médio: Tom Breese (ING) vs. Ian Heinisch (EUA)

Por Rafael Oreiro

Apesar do potencial, Tom Breese (11-1 no MMA, 4-1 no UFC) vem caminhando de forma bastante lenta no UFC. Isso se deve bastante ao fato de que o inglês lutou somente uma vez em quase três anos, tendo nocauteado o idoso Dan Kelly ao fazer sua estreia no peso médio. Nesse meio tempo, Breese sofreu com diversas lesões, incluindo um problema cardíaco que o tirou de luta contra Oluwale Bamgbose em 2017. Com isso, viu se interromper a empolgação que havia gerado em cima de seu nome depois de mandar para a vala Luiz Besouro e Cathal Pendred, em suas primeiras lutas no octógono.

Breese é um lutador bem frio emocionalmente, que mostra boa qualidade na troca de golpes, tendo preferência pelo uso das mãos para distribuir precisos jabs e diretos, além de ter um bom timing para achar uppercuts de encontro. Com boa potência nos punhos – quatro de suas onze vitórias foram pela via rápida – o inglês somente peca por vezes ao ficar plantado demais no cage, facilitando o trabalho de seus oponentes, tanto no striking quanto ao buscar quedas. Faixa preta de jiu-jítsu, seu jogo de chão por cima é bastante ofensivo, com ele tendo uma predileção por chegar na pegada de costas e tentar estrangulamentos. A defesa de quedas é decente, mas deve ser testada de forma ainda mais incisiva no peso médio.

Mais um campeão da LFA recentemente contratado pelo UFC, o wrestler Ian Heinisch (12-1 no MMA, 1-0 no UFC) possui uma história de vida bastante conturbada. Desistindo da educação no meio da faculdade, ele fugiu de acusação de tráfico de drogas nos Estados Unidos e acabou preso na Espanha, onde serviu três anos de pena. Lá, descobriu na luta um meio de não retornar ao mundo do crime, competindo e treinando a Lucha Canaria durante seu encarceramento. Voltando a seu país de origem após ser liberado – com o objetivo de ser lutador – ele passou por mais algum tempo atrás das grades por ter fugido antes de seu julgamento.

Resolvidas suas pendências com a justiça, Heinisch iniciou sua carreira no MMA em 2015, quando já tinha 27 anos. Dois anos e oito lutas depois, já estava disputando o cinturão da LFA contra Markus Maluko, quando acabou finalizado na única derrota que sofreu profissionalmente. Recebendo uma nova chance algum tempo depois, não hesitou e, com um rápido nocaute, derrotou Gabriel Checco para conquistar o título e, na sequência, ser chamado para o Contender Series – onde ganhou o contrato com o UFC após atropelar completamente Justin Sumter. Em sua estreia no octógono, recebeu a complicada missão de enfrentar o experiente Cezar Mutante com pouco tempo de preparação, mas em ótima performance, levou a vitória na decisão dos juízes.

Fazendo jus ao apelido de “Furacão”, Heinisch é um lutador extremamente ofensivo, que busca sempre andar pra frente e tentar encurralar seu oponente na grade, sempre levando perigo com a potência de sua mão esquerda. Muito explosivo, tem qualidade nas entradas de queda e trabalha o ground and pound por cima de forma violenta. Porém, ainda com poucos anos como profissional, ele por vezes deixa grandes brechas, tanto ao tentar uma troca de golpes muito franca, quanto ao se apressar demais ao fazer transições no chão.

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Escondido nas lutas preliminares, este será um combate muito interessante entre dois atletas que, no futuro, podem integrar o top 15 da divisão. Teremos aqui um duelo entre dois lutadores que estão em fases bastante distintas de desenvolvimento. Apesar de Heinisch ter mais lutas até aqui em sua carreira, ele vem treinando MMA em alto nível a muito menos tempo se compararmos com Breese, que está na academia a mais de 11 anos. Além disso, será também um confronto de estilos de luta. Enquanto o americano é ofensivo e busca sempre manter a pressão, o inglês é mais passivo, e pode sofrer caso se mantenha muito hesitante durante o combate.

Tom Breese é o lutador mais técnico entre os dois, e tem total capacidade de explorar as brechas que Heinisch dá por ainda ser cru no esporte, tanto em pé quanto no solo. A expectativa é que o inglês vença a luta na decisão, mas não se surpreenda caso Tom tenha dificuldades ao lidar com a pujança física de um peso médio forte e acabe derrubado pela potente mão direita de Ian.

Peso Mosca: Molly McCann (ING) vs. Priscila Cachoeira (BRA)

Por Diego Tintin

Molly McCann (7-2 no MMA, 0-1 no UFC) fez sua carreira em eventos ingleses, desde os menores regionais até o Cage Warriors, que hoje é a promoção mais importante do Reino Unido. Conquistou o cinturão deste último em uma pancadaria animada contra Bryony Tyrell e chamou a atenção do UFC. Foi escalada para o primeiro evento do UFC realizado em Liverpool, sua cidade natal. Molly estava bem na luta em pé, mas bastou Gillian Robertson levar a luta para o chão para que o duelo virasse um tranquilo passeio, terminando com McCann dormindo em um justo mata-leão.

Dona do singelo apelido de “Almôndega”, a inglesinha tem mãos velozes e algumas combinações curtas, mas até que interessantes. Não costuma chutar, talvez para não dar oportunidades de quedas às adversárias. Isso porque o jogo de solo é o seu grande ponto fraco, com poucas técnicas eficientes de defesa e nenhuma orientação ofensiva. O condicionamento é satisfatório, mas o fato de ter pouco alcance pode ser um dificultador em lutas mais movimentadas, como costuma ser no peso mosca do UFC.

Me perdoem pelo clichê, mas Priscila Cachoeira (8-1 no MMA, 0-1 no UFC) é uma vencedora, não importam os seus resultados esportivos. Venceu o trauma de ser abusada por um cunhado. Venceu a depressão, que se manifestou na adolescência, após uma grande decepção nos tempos de jogadora de vôlei. E venceu o terrível vício em cocaína e crack que poderia acabar com a sua vida. A moça de Bangu conquistou outras oito vitórias no MMA profissional para conseguir um contrato com o maior evento do mundo.

Em um inexplicável casamento de luta, Pedrita estreou no UFC levando uma sonora e constrangedora surra da melhor lutadora do mundo no peso, a hoje campeã, Valentina Shevchenko. Completando o desastre, sofreu uma lesão ligamentar que a afastou por mais de um ano do octógono.

A pupila do mestre Gilliard Paraná – e companheira de treinos de Jéssica Andrade na PRVT – tem poder de nocaute acima da média, mas tecnicamente ainda precisa de muito refinamento. Priscila tenta compensar a falta de experiência com garra, espírito e coração de quem usou o esporte para salvar a própria vida. Na luta agarrada, foi reprovada no teste com Valentina, mas não se pode negar que, ali, o sarrafo estava em altura inalcançável para boa parte dos mortais.

Molly McCann vs Priscila Cachoeira odds - BestFightOdds
 

São duas lutadoras com pouco prestígio na organização depois de estreias traumáticas, mas que podem oferecer um bom divertimento aos espectadores. Pedrita vai tentar transformar o duelo em uma pancadaria, para que prevaleça sua mão mais pesada e seu queixo resistente. Para McCann, o ideal é impor um ritmo mais lento com movimentação e controle de distância. Fazendo a badalada ponte-aérea Bangu-Londres, a previsão é que Priscila tenha um combate difícil contra a dona da casa, esta com o apoio de uma plateia sempre muito participativa.