Por Rodrigo Rojas | 12/05/2020 15:01

Quatro dias depois de seu primeiro evento em meio à pandemia, o UFC 249, a maior organização de MMA do mundo segue tentando compensar o hiato com mais um card na Flórida. O UFC Fight Night: Smith vs. Teixeira não tem nomes com o mesmo peso que os protagonistas do pay per view do último sábado, mas deve entregar alguns nocautes e finalizações divertidas para os fãs que gastarem sua noite de quarta-feira para assistir. O evento será transmitido a partir das 19h, no horário de Brasília.

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Na luta principal, uma batalha de ex-desafiantes entre o ascendente Anthony Smith e o veterano de guerra Glover Teixeira deve deixar o vencedor mais próximo de uma nova disputa de cinturão na rasa categoria dos meio-pesados. A luta coprincipal marca a estreia de Ovince St. Preux entre os pesos pesados, enfrentando o também veterano “Big” Ben Rothwell. O card também conta com duas disputas de bons nomes entre os pesos-leve, com Alexander Hernandez pegando Drew Dober e Michael Johnson enfrentando o brasileiro Thiago Moisés para abrir o card principal.

Peso meio-pesado: #3 Anthony Smith (EUA) vs. #8 Glover Teixeira (BRA)

Por Rodrigo Rojas

Anthony “Lionheart” Smith (33-14 no MMA, 8-4 no UFC) teve uma ascensão improvável entre os meio-pesados no UFC. O americano, que não passava de um peso médio medíocre, aproveitou a má fase da categoria até 93kg para galgar uma disputa de cinturão após dois nocautes brutais sobre os (decrépitos) veteranos “Shogun” Rua e Rashad Evans e uma finalização sobre o ex-desafiante Volkan Oezdemir. Na disputa, resistiu mais do que o esperado contra Jon Jones, mas saiu derrotado de maneira dominante. Para se recuperar, recebeu o  excelente Alexander Gustafsson, que também vinha de uma chance pelo cinturão, e conquistou a maior vitória de sua carreira ao finalizar o sueco no quarto round.

Smith nunca foi um lutador de elite na parte técnica, mas tem grande talento para aproveitar brechas e poder de definição para capitalizar em cima das oportunidades. “Lionheart” mistura momentos de agressividade excessiva com intervalos em que espera pelas brechas dos adversários. Na distância, ele trabalha socos retos em combinação e alguns chutes, mas prefere lutar no alcance do clinch, de onde acha espaço para acertar boas cotoveladas e joelhadas. A capacidade de manter os olhos abertos para encontrar oportunidades no meio do fogo cruzado também é uma virtude explorada pelo americano.

O mesmo oportunismo é mostrado na luta agarrada, onde o faixa preta de jiu-jitsu encontra estrangulamentos inesperados, caso as brechas se apresentem. Por outro lado, a defesa é das mais esburacadas – seja em pé, seja no chão – e Smith costuma ser presa fácil para adversários mais técnicos nessas áreas, tanto para as quedas, ground and pound e finalizações quanto para os contragolpes em pé.

Glover Teixeira (30-7 no MMA, 13-5 no UFC) chegou no UFC como um grande candidato ao cinturão de Jon Jones, conquistando cinco vitórias dominantes até ter a oportunidade de ser dominado pelo campeão. Desde então, Glover permeia a elite da divisão, vencendo nomes do top 10, mas perdendo sempre que busca alçar voos mais altos. Nos últimos anos, tem mostrado um declínio físico bastante acentuado, mesmo nas vitórias mais recentes.

Teixeira é um dos lutadores mais completos da rasa categoria, compensando a falta de velocidade com muito poder de nocaute, especialmente em contragolpes de ganchos e cruzados baseados em boa movimentação de cabeça. Com medalha de ouro na etapa sul-americana do ADCC, maior competição de luta agarrada do mundo, Glover tem uma base no grappling acima da média, com um forte jogo por cima, ground and pound forte e bons estrangulamentos. As quedas são de bom nível, mas vêm decaindo junto com seu físico, que pode ser um problema para o duelo de sábado.

Anthony Smith vs Glover Teixeira odds - BestFightOdds
 

O brasileiro é muito superior tecnicamente em todas as áreas do jogo, e tem habilidade tanto para nocautear com contragoles em pé quando para derrubar e trabalhar o jogo por cima em busca de uma finalização. Fosse há alguns anos, eu seria louco de apostar em Anthony Smith vencendo Glover Teixeira. Porém, Glover, em seus mais de 40 anos de idade, já não parece ter o físico para acompanhar os atletas mais jovens. Ele acaba dando muitas brechas por não ter a proeza física para executar as técnicas a que se propõe. Por isso, o mais provável é vermos um nocaute de Smith ainda na primeira metade da luta, depois de alguns bons momentos do brasileiro, explorando alguma brecha do mineiro em pé.

Peso pesado: Ben Rothwell (EUA) vs. Ovince St. Preux (EUA)

Por Idonaldo Filho

Estereótipo de físico clássico de peso pesado, Ben Rothwell (37-12 no MMA, 7-6 no UFC) é dono de mãos pesadas e um estilo difícil de se explicar. O americano nunca foi um lutador impressionante, mas já nocauteou Alistair Overeem e finalizou Josh Barnett, dois lutadores  de alto nível na trocação e no jiu-jítsu, respectivamente. Rothwell teve, em 2016, complicações com a USADA, e só voltou ao octógono no ano passado, passando vergonha em atuações lamentáveis contra Blagoy Ivanov e Andrei Arlovski. Em sua última aparição, derrotou Stefan Struve em um combate marcado por golpes baixos.

Ben costuma sempre ser o atleta que anda para a frente, mas não golpeia com frequência e, quando o faz, utiliza golpes singulares, dotados de poder mas sem muita técnica e quase nada de velocidade, se limitando apenas ao boxe. Como é um peso pesado grande, Rothwell geralmente tem vantagem em disputas de clinch, onde mostra um dirty boxing decente. É sempre um oponente muito duro, tem uma absorção de golpes acima da média – só foi nocauteado na estreia, contra Cain Velasquez – e há uma certa movimentação, ainda que mínima. Como não é um lutador agressivo, a receita para vencer Rothwell é possuir um ritmo ao menos razoável, que costuma ser o suficiente para obter a vitória sobre ele.

Ovince St.Preux (24-13 no MMA, 12-8 no UFC) é americano filho de haitianos, e veio ao MMA com um background atlético no wrestling e no futebol americano. No UFC, teve uma carreira irregular, mas sempre se mantendo no ranking, chegando a conquistar algumas sequências positivas – que renderam uma disputa de cinturão interino – e também a amargar reveses. Atualmente, Ovince vem de vitória sobre o polonês Michal Oleksiejczuk por finalização, surpreendendo com essa inesperada subida para os pesados.

Um lutador que possui bom atleticismo e poder de nocaute, Ovince tem problemas defensivos consideráveis que nunca conseguiu ajustar em sua carreira. Muito grosseiro, não conta com boa técnica, realiza muitas vezes movimentações pouco ortodoxas na trocação e o boxe não empolga, apesar de possuir bons chutes altos. Como fisicamente é acima da média, consegue ter vantagem no clinch, porém, agora nos pesados, a situação é completamente oposta e ele não deve ter facilidade nessa área. O jiu-jítsu é resumido por um termo: Von Flue Choke. Ovince é mestre na posição e consegue aplicar esse estrangulamento com facilidade e a toda hora, finalizando vários adversários que não têm a mínima noção de como se defender.

Ben Rothwell vs Ovince Saint Preux odds - BestFightOdds
 

Não acho que Ovince St. Preux vai se dar bem nos pesados. Por ser um meio-pesado grande e fisicamente privilegiado, muitas vezes consegue vitórias com isso, apesar da parca técnica. Como pesado, ele não é mais o maior no cage, não deverá ser o mais forte, mas ganha velocidade. Rothwell certamente buscará levar a luta para a grade e fazer um jogo feio para tentar levar ao menos dois rounds e ganhar a decisão. Nesse casamento extremamente curioso, acredito que St.Preux consegue se movimentar o suficiente para impedir os avanços de Rothwell e conquistar uma decisão unânime em duelo pouco empolgante.

Peso leve: #15 Alexander Hernandez (EUA) vs. Drew Dober (EUA)

Por Gabriel Fareli

Alexander Hernandez (11-2 no MMA, 3-1 no UFC) tem sido uma grata surpresa no maior evento do planeta. Estreou de última hora enfrentando o então ranqueado Beneil Dariush: venceu por nocaute em menos de um minuto e ainda por cima levou bônus de perfomance da noite. Em seguida, venceu Olivier Aubin-Mercier e embarcou no trem do hype com destino a uma luta contra o veterano Donald Cerrone.

A viagem foi turbulenta e o nocaute sofrido no segundo round mostrou que Hernandez ainda não está pronto para chegar a estação final. A vitória recente sobre Francisco Massaranduba manteve o texano no ranking dos lutadores até 70 kg.

“The Great” é um lutador com muitas valências: é muito atlético, explosivo, gosta de encurtar a distância para poder usar seus potentes golpes de direita, costuma se movimentar bastante e usa muito os chutes para pontuar. Sente muita dificuldade quando é pressionado (Massaranduba que o diga) e deixa muitos espaços na sua guarda.

Drew Dober (22-9 no MMA, 8-5 no UFC) tinha um cartel bem irregular no UFC e não parecia que ainda teria vida longa dentro da organização. Mas, desde a luta contra Josh Burkman, a maré virou, as boas atuações vieram e se tornaram regulares: vitórias sobre Frank Camacho e Jon Tuck fizeram Dober ser escalado para uma luta contra Beneil Dariush.

A derrota para o sírio, que veio com uma boa atuação, mostrou que o atleta da Elevation Fight Team ainda poderia mostrar mais, e outras duas vitórias contundentes contra Polo Reyes e Nasrat Haqparast aproximaram novamente Drew do ranking.  Dober é um atleta oriundo do kickboxing, que conta com bons chutes baixos e combinações potentes de golpes, e costuma pressionar os adversários.

O seu wrestling ofensivo é decente e tem sido bem utilizado, já o wrestling defensivo sempre foi esburacado, visto que foi por ali que Dariush se aproveitou para virar a luta que, até então, perdia tranquilamente. O preparo físico é uma incógnita atualmente, visto que faz praticamente dois anos que Drew não luta mais do que um round e meio. Por isso, será interessante ver como ele se comportará caso a luta se estenda um pouco mais.

Alex Hernandez vs Drew Dober odds - BestFightOdds
 

O duelo desta quarta-feira promete ser animado. Os dois atletas devem fazer uma luta bem movimentada, com boas trocas de golpes e bastante movimentação. A aposta aqui é que Drew Dober use do mesmo jogo de pressão em pé usado por Massaranduba só que com mais vitalidade, mais golpes e mais velocidade e com seu kickboxing consiga um nocaute no segundo round.

Peso galo: Ricky Simón (EUA) vs. Ray Borg (EUA)

Por Bruno Costa

Ricky Simón (15-3 no MMA, 3-2 no UFC) chegou ao UFC com notáveis desempenhos contra oponentes de bom nível, conquistando rapidamente uma posição no ranking da categoria após a vitória sobre o veterano grappler brasileiro Rani Yahya. Contudo, enfrenta a primeira sequência de derrotas na carreira após ser nocauteado na “desaposentação” de Urijah Faber e fazer dura luta contra Rob Font.

Em sua estreia na organização, conquistou uma virada espetacular contra o duríssimo wrestler Merab Dvalishvili, demonstrando ótimo senso de oportunismo ao encaixar uma guilhotina nos segundos finais do combate. Na luta seguinte, contra um dos strikers mais altos da categoria, teve capacidade para entrar no raio de ação do oponente encurtando a distância e conseguir quedas pontuais para vencer a luta com uma folgada decisão. Já contra Rani Yahya, demonstrou ótima defesa de quedas típica de lutadores oriundos do wrestling e venceu com folga a batalha no striking para fechar a sequência de três vitórias.

A primeira derrota no UFC veio na oportunidade de protagonizar uma das principais lutas do evento realizado em Sacramento, casa de Urijah Faber, lutador histórico da categoria e que retornava ao esporte após dois anos e meio de aposentadoria. Na ocasião, Simón até teve um início interessante, se aproveitando da vantagem de velocidade e da falta de ritmo do oponente. Contudo, demonstrou uma falha comum aos jovens lutadores: a defesa no striking ainda deixa muitos espaços para ser acertado. Isso considerando que Faber tem como golpe importante quase que unicamente o overhand de direita que acertou em cheio Simón. Contra Font, oponente com bom nível de boxe e mãos rápidas, novamente acabou traído pelo sistema defensivo.

Ray Borg (13-4 no MMA, 7-4 no UFC) busca a terceira vitória consecutiva para retomar definitivamente o caminho que trilhava até ser precocemente alçado a uma disputa de cinturão no peso mosca contra Demetrious Johnson. Após sair derrotado do combate, Borg acabou cercado de infortúnios, com diversos compromissos cancelados e um drama pessoal com o filho, que precisou de diversos procedimentos cirúrgicos nos primeiros meses de vida, dificultando inclusive o nível de concentração para que o lutador nativo de Albuquerque conseguisse treinar com constância.

Quando retornou ao octógono, 18 meses após a disputa contra Johnson, o fez no peso galo (não alcançando o limite da categoria, inclusive) e acabou derrotado por Casey Kenney, aparentando sentir muito a falta de ritmo e diferença de força física. A recuperação veio contra Gabriel Silva, mas passando muito mais dificuldades do que se esperaria. Contra Rogério Bontorin, mais uma vez a falha em tentar atingir o peso, mas agora na categoria dos moscas, o que traz Borg de volta ao peso galo para o duelo de sábado.

A última atuação deu esperanças de retorno à melhor forma do “Tazmexican Devil”. Borg sempre teve mais sucesso com um jogo agressivo no grappling, brilhando em scrambles e com ótimo senso defensivo no solo. O jogo de boxe é bom e natural o suficiente para garantir bom volume de ações mesmo contra oponentes de bom nível. A força física e boa resistência também fazem parte do arsenal quando a preparação é bem feita, mas a migração ao peso galo deve tirar alguma vantagem de força que costuma ter sobre os adversários.

Ray Borg vs Ricky Simon odds - BestFightOdds
 

Para o duelo de sábado, a chave para a vitória para ambos passa pela capacidade de ditar onde o duelo deve acontecer. Simon terá vantagem de força física e talvez até mesmo de agilidade. Borg provavelmente buscará o jogo de solo com mais afinco para trabalhar onde sente mais conforto.

A tendência, contudo, é que Simon deve conseguir se manter afastado, controlando a distância com movimentação, entrando e saindo para golpear o oponente e eventualmente até mesmo buscando quedas ao final dos rounds para garantir vantagem na pontuação, para sair vitorioso ao final de três intensos assaltos.

Peso pesado: Andrei Arlovski (BLR) vs. Philipe Lins (BRA)

Por Gustavo Lima

O bom e velho Andrei Arlovski (28-19, 2 NC na carreira, 17-13 1 NC no UFC) parece não ter fim. A cada prévia de suas lutas que me recordo ter feito, tenho a impressão de que o final está bem próximo para o ex-campeão do UFC. Todavia, Andrei sempre consegue alguma sobrevida e vence um ou outro combate que prolongam sua estadia no esporte. Com cartel 5-9 (mais uma luta sem resultado) em suas últimas 15 aparições na jaula, fica claro que o tempo do “Pitbull” já passou, mas ele continua possuindo certa habilidade para surpreender os oponentes mais incautos e limitados, apesar da decadência.

Graças ao grande nome que construiu, o ex-campeão está sempre enfrentando atletas que rondam o top 15, geralmente fazendo parte do terço debaixo da lista. Não levando em consideração os danos causados ao atleta, Arlovski tem sido um bom porteiro no que diz respeito a testar como alguns atletas podem se sair no grupo mais refinado da divisão, visto que não é tecnicamente grosseiro e tem alguns recursos pra evitar expor seu queixo contra os oponentes.

Já Philipe “Monstro” Lins (14-3) debuta no UFC com a moral de ter copado a temporada 2018 do PFL invicto. Apesar do nível de competição encarado em sua última empreitada ter sido tenebroso, a regularidade e poder de conclusão que o brasileiro demonstrou soam interessantes no contexto da divisão dos pesados da maior companhia do globo, que se vê praticamente obrigada a recrutar destaques de fora ao perceber sinais que possam elevar a qualidade média da categoria.

Lins é rodado e teve passagem 3-3 pelo Bellator antes de capotar alguns ex-UFC lá no PFL. O brasileiro é relativamente pequeno para um peso-pesado, mas conta com movimentação decente e parte física superiores a boa parte dos atletas que vemos nesta classe de peso. Importante salientar que o atleta também não é dos mais pesados, flutuando geralmente entre 103 e 106kg nas suas aparições. Ainda que a desvantagem de peso tenha sua influência, “Monstro” não ostenta muitos quilos desnecessários, nem a famosa “pancinha de chopp” que costuma ser moda entre os atletas menos gabaritados da divisão pelo mundo.

Fazer uma projeção desta luta fica interessante quando colocamos frente a frente as abordagens que ambos os competidores têm tomado em seus duelos mais recentes. Andrei se tornou um atleta significativamente mais lento e guardou o “Pitbull” pra momentos mais pontuais. O pegador de outrora só sai quando sente o cheiro de sangue e sua ofensa mais significativa vem dos contragolpes e power-moves jogados sobre erros provocados ou sucessivamente cometidos pelo adversário – uma estratégia mais cadenciada e ciente de suas limitações nessa altura da carreira.

Algo que ainda vemos em Andrei é o uso oportuno de sua habilidade no sambo. Não é raro ver um jogo de clinch ou isometria da grade se transformar num outside trip e, nesse aspecto do jogo, Arlovski ainda consegue ser um pesadelo pra muita gente na divisão. Philipe possui um grappling bem decente, executando bem um pouco de tudo das quedas as finalizações, mas o jogo que este oponente oferece traz a barra um pouco mais alta do que costumamos ver.

Na luta em pé, o ritmo deve ser mais lento, com cautela o suficiente de ambos os lados pra transformar isso numa luta chatíssima. Tenho a impressão de que todos esses dados apontam pra Arlovski mantendo Lins longe, visto que o brasileiro não costuma ser tão propositivo apesar de ter condições – na teoria – de conseguir ter sucesso sem se expor demais.

Andrei Arlovski vs Philipe Lins odds - BestFightOdds

O principal problema de “Monstro” é que definitivamente não sabe se comportar sob pressão. Não é necessário muito para vê-lo recuando em linha reta até parar na grade e ligar o ventilador de golpes, cenário que apareceu algumas vezes na última temporada que fez na PFL e, contra um sujeito do calibre de Arlovski, é letal. Tão fácil quanto tombar o bielorusso ao capitalizar sobre seu frágil queixo é ser tombado por ele ao ceder espaço para que utilize suas mãos.

O estilo de ambos os atletas me faz acreditar que a habilidade de Arlovski será favorecida em detrimento das fragilidades que os anos de carreira o trouxeram. Philipe é até mais técnico que alguns dos atletas que bateram Andrei, mas os detalhes dessa equação me fazem acreditar numa ligeira vantagem do “Pitbull”. Todavia, o brasileiro possui técnica de boxe efetiva e pode surpreender, especialmente se não respeitar tanto o pedigree do oponente e soltar os cachorros pra cima dele. Vou de Arlovski, mas nessa altura, jamais apostaria dinheiro num combate como esse.

Peso leve: Michael Johnson (EUA) vs. Thiago Moisés (BRA)

Por Matheus Costa

Com apenas duas vitórias em suas últimas sete lutas, o veterano Michael Johnson (19-15 no MMA, 11-11 no UFC) tentou se aventurar na categoria dos penas e até conseguiu algum sucesso, com duas vitórias, mas o corte de peso foi desgastante demais ao seu corpo e ele voltou para a divisão dos leves. Agora, precisa de uma vitória para não complicar sua situação na organização de vez.

O atleta de 33 anos tinha como base um estilo explosivo com muita agilidade e velocidade nos momentos de auge da sua carreira. Entretanto, os cortes de peso acabaram sendo danosos demais ao seu corpo, e a conta chegou. O “The Menace” é um boxer habilidoso, com boas combinações e mãos ágeis e pesadas. Outro ponto positivo de Johnson é a capacidade de se adaptar, já que pode pressionar seus adversários ou jogar no contra-ataque.

Longe de ser um lutador inteligente, as estratégias de Johnson costumam não ser das melhores. Além disso, sua defesa, tanto na luta em pé quanto na luta agarrada, é terrível, sempre sendo explorada por seus adversários.

Ex-campeão dos leves do finado RFA, o brasileiro Thiago Moisés (12-4 no MMA, 1-2 no UFC) possui um currículo bem competente no cenário regional americano, assinando com o UFC através do Contender Series, onde impressionou com uma grande atuação. Em sua estreia, deu o azar de enfrentar o ótimo Beneil Dariush e foi completamente anulado. Depois, bateu Kurt Holobaugh, mas acabou superado pelo russo Damir Ismagulov, na aparição mais recente.

O atleta da American Top Team é especialista em jiu-jítsu. Bastante técnico e agressivo, Moisés possui um senso de oportunidade importante na hora de buscar finalizações. Em pé, o brasileiro é um striker competente e se destaca com ótimos chutes, mas a falta de volume acaba limitando seu potencial.

Dois pontos que Thiago precisa mostrar uma evolução são o wrestling e a parte defensiva. Na luta agarrada, Moisés não consegue desenvolver um jogo de quedas competente e sua defesa acaba sendo vazada. Enquanto isso, ele não consegue se impor de forma consistente contra adversários que lhe pressionam, ficando acuado com certa facilidade.

Michael Johnson vs Thiago Moises odds - BestFightOdds
 

Esta é uma luta perigosa para os dois, que correm risco de serem demitidos da organização em caso de derrota. Moisés precisa mostrar uma certa evolução para bater Johnson, já que, quando enfrentou adversários competentes, não conseguiu impor seu jogo. Caso o brasileiro consiga levar a luta para o chão, suas chances saltam.

Em um combate estratégico, eu aposto na vitória de Michael Johnson, que mesmo longe de seus dias de glória, deve conseguir colocar Moisés acuado em sua defesa com pressão, controle de distância e agilidade de suas mãos para uma vitória por decisão unânime.