UFC impõe acordo e proíbe críticas sobre COVID-19 de lutadores e jornalistas no UFC 249

Por Edição MMA Brasil | 10/05/2020 18:11

Depois de mais de 50 dias parado por conta da pandemia do COVID-19, o UFC retomou suas atividades no último sábado com o UFC 249. Com uma postura autoritária e ignorando os riscos de contaminação, o presidente Dana White enfrentou inúmeras críticas para garantir que a organização fosse o primeiro evento esportivo de alto nível a retornar durante a crise de saúde que o mundo enfrenta. Com a flexibilização das regras do isolamento social no estado da Flórida, a cidade de Jacksonville foi a sede do evento.

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Com um esquema de segurança para proteger os envolvidos no evento, incluindo dois testes para cada pessoa, incluindo lutadores, treinadores e staff. Entretanto, nos bastidores, as coisas não foram tão transparentes assim quanto o UFC quis transparecer.

Segundo o “The New York Times“, o UFC impôs uma cláusula de censura aos lutadores, impedindo qualquer comentário de cunho crítico sobre o esquema de segurança da organização para o COVID-19 ou qualquer outro assunto. Caso o acordo fosse violado, a empresa teria direito de revogar o pagamento da bolsa do evento, bônus de vitórias, bônus de lutas e até mesmo royalties de merchandising. Mas não parou por aí.

Pouco depois, a “ESPN” confirmou a informação, acrescentando que não foram apenas os lutadores que assinaram o termo. Além dos atletas, qualquer pessoa que fizesse parte do evento foi submetida a assinar o acordo, incluindo treinadores, funcionários da organização e, por mais incrível que seja, os jornalistas que estavam na arena para cobrir os acontecimentos in-loco.

Não só para evitar críticas, o termo também serve para eximir o UFC de qualquer responsabilidade caso qualquer participante do evento contraísse o COVID-19. Ou seja, trata-se de um medida de precaução, evitando qualquer possibilidade da empresa ser processada pelos riscos iminentes. Segundo a reportagem, o contrato inclui situações como a viagem, transporte e até mesmo alimentação para os funcionários. Para os lutadores, a situação tira a responsabilidade da organização até mesmo durante os treinamentos nas academias.

Os três primeiros casos de participantes do evento que contraíram COVID-19 já foram confirmados, com o brasileiro Ronaldo Jacaré e dois treinadores testando positivo para o coronavírus horas depois da pesagem em exame realizado dois dias antes. O lutador dos médios, que estava escalado para enfrentar Uriah Hall no card preliminar do UFC 249, ficou dois dias no hotel e teve contato com outros lutadores.

Durante a coletiva de imprensa realizada após o UFC 249, Dana White negou em duas oportunidades a existência do acordo, afirmando que a cláusula já faz parte de todos os contratos padronizados dos lutadores. Entretanto, o jornalista Erik Magraken obteve uma foto da cláusula do acordo imposto pela organização, desmentindo a versão do presidente da empresa. Confira:

“7. Não Depreciação: O indivíduo não deve, e deve influenciar seus afiliados, agentes e representantes a não fazer, difamar ou depreciar qualquer um das partes envolvidas em qualquer situação que tenha conexão com as atividades. Sem limitar a natureza dos termos expostos acima, o indivíduo não deve sugerir ou se comunicar com qualquer pessoa ou empresa que as atividades aconteceram ou irão acontecer sem os requisitos apropriados de saúde, segurança ou outras precauções relacionada sobre o COVID-19 ou qualquer outro assunto. Se o indivíduo for um lutador, o indivíduo aqui reconhece e concorda que em caso do participante quebrar a cláusula deste parágrafo, a organização pode revogar toda ou qualquer parte de qualquer premiação monetária ou bônus recebido pelo indivíduo que esteja ligado as atividades, incluindo, mas não somente à bolsas salariais, bônus de vitória, outros bônus relacionados a luta e lucros relacionados a royalties de merchandising.”