Por Edição MMA Brasil | 31/01/2019 13:10

A primeira edição do UFC no Brasil em 2019 acontecerá em Fortaleza, no próximo sábado (2). O card principal do UFC Fortaleza é um dos melhores já montados para um evento em território brasileiro, e as preliminares também trazem diversos combates interessantes, incluindo estreias, nomes talentosos e até ex-desafiante ao cinturão.

Peso Médio: Markus Maluko (BRA) VS. Anthony Hernandez (EUA)

Por Idonaldo Filho

Markus Perez (10-2 no MMA,  1-2 no UFC) é dono de um de um apelido que reflete bastante sua personalidade dentro do cage. O “Maluko” admite se inspirar em Bruce Lee e sempre garante entretenimento em seus combates, utilizando movimentos nada ortodoxos. Em seus sete combates feitos no Brasil, conquistou vitórias em todos, enfrentando lutadores como Paulo Thiago e Ildemar Marajó. Convidado para a LFA, chegou a disputou o cinturão quando finalizou o bom Ian Heinisch – atualmente lutador do UFC.  A estréia na maior organização de MMA do mundo aconteceu no UFC Fight Night 123, mas naquela oportunidade Eryk Anders conseguiu impôr seu jogo físico para cima de Markus, que perdeu o confronto. Posteriormente, o brasileiro derrotou o fraco James Bochnovic e, em seu último compromisso, perdeu para Andrew Sanchez em um combate competitivo.

O brasileiro adora enfeitar nos golpes, mesmo que isso muitas vezes acabe atrapalhando seu rendimento. Maluko gosta de chutes estranhos – já arriscou showtime kick – e de fintas, buscando mais dar show do que ser realmente efetivo e pontuar no combate. Sua trocação tem como backgroundmuay thai, sendo baseada nos poderosos chutes que miram o corpo e contragolpes. Por outro lado, ele não utiliza muito seu socos, tendo um nível limitado no boxe. O ex-campeão da LFA também é habilidoso no chão e dispõe de faixa preta na arte suave, possuindo uma guarda ativa e bons estrangulamentos. Entretanto, alguns problemas sempre aparecem em seus combates, como o volume muito baixo de golpes, uma ausência de combinações, o condicionamento físico abaixo da média e a propensão de ser encurralado e colocado de costas para a grade.

Uma promessa contratada por meio do Contender Series, Anthony Hernandez (6-0, 1NC no MMA, 0-0 no UFC) é mais peso médio que conseguiu vaga no UFC após conquistar o título do LFA. “Fluffy” fez a maior parte de sua carreira no Global Knockout, tendo vencido quatro lutas aplicando guilhotinas em seus adversários, incluindo um participante do TUF 17 em Mike Persons. Quando pôde atuar em frente à Dana White, não decepcionou,  conseguindo um rápido e cruel nocaute sobre Jordan Wright – que apagou em meio a uma chuva de socos no chão. Sua estreia no UFC demorou a acontecer pois o americano testou positivo para metabólitos da maconha, fato que também transformou sua vitória no Contender Series em no contest.

Temos um legítimo representante da nova geração de lutadores em Hernandez. Ele treina desde os 15 anos especificamente no MMA e não tem um background em nenhuma luta em específico. O “Fluffy” sabe muito bem quando tem que atuar na longa distância utilizando alguns chutes baixos, entretanto tem predileção por utilizar seu bom poder de nocaute e a boa velocidade de seu boxe no pocket. Ainda que consiga aplicar bem seu striking, a principal ferramenta de seu jogo é a guilhotina, estrangulamento que já lhe rendeu quatro vitórias e que ele aplica com facilidade tanto em pé quanto no solo. Anthony também faz muito bem as transições e mostra habilidade no wrestling, sem falar que aos 25 anos de idade ainda tem muito tempo para se desenvolver e crescer na divisão.

Anthony Hernandez vs Markus Perez odds - BestFightOdds
 

Este já é o segundo combate que Maluko faz contra um ex-campeão da LFA, assim como ele. Hernandez pode não ter os atributos físicos privilegiados de Eryk, mas é bem mais habilidoso, sem falar que possui muito mais ferramentas e tem um futuro mais promissor. Se o brasileiro não demonstrar evolução nos buracos do seu jogo, a tendência é que o resultado não lhe seja favorável, uma vez que o americano é o tipo de lutador que aproveitaria bastante suas brechas. Hernandez deve conquistar a vitória na decisão dos juízes.

Peso Mosca: #13 Mara Romero Borella (ITA) VS. Taila Santos (BRA)

Por Matheus Costa

Uma das principais lutadoras no cenário brasileiro de MMA dos últimos três anos, Taila Santos terá o maior teste de sua carreira contra a italiana Mara Romero Borella. Não que Borella seja uma lutadora de elite, mas que, basicamente, o nível de competição que Taila enfrentou até hoje é algo que pode ser definido como pífio.

Romero Borella (11-5 no MMA, 1-1 no UFC) possui as armas para jogar água no chope da brasileira. Em sua estreia, dominou a brasileira Kalindra Faria e a finalizou com facilidade. Entretanto, sofreu um choque de realidade ao enfrentar Katlyn Chookagian em sua luta seguinte, saindo derrotada após ser anulada durante todo o combate. Em seguida, ainda recebeu uma punição de 26 anos da agência italiana antidoping por tráfico de maconha e cocaína, ficou algum tempo presa, mas não recebeu nenhum tipo de suspensão do UFC.

O jogo de Borella se baseia muito em sua força física. Ela teve alguns avanços técnicos na luta em pé, mas ainda a usa de modo rudimentar, no geral. Sua abordagem em muitas vezes passa por lançar algum golpe mais potente e alguns chutes para depois tentar levar o embate para o clinch. Com habilidades sólidas no judô, ela tem sucesso ocasional em colocar as adversárias de costas para o solo. Os treinos na American Top Team lhe fizeram evoluir na luta agarrada, desenvolvendo um bom controle posicional.

Sem desmerecer a lutadora de forma alguma, mas Taila Santos (15-0 no MMA e 0-0 no UFC) é mais uma atleta que passou por uma fabricação de cartel. Com 15 vitórias e nenhuma derrota, a brasileira passou o carro contra todas suas adversárias, geralmente vencendo no primeiro round por nocaute, mas sem enfrentar concorrência de nível mais forte. Após algum tempo afastada, foi escalada para participar da edição brasileira do Contender Series. Lá superou Estefani Almeida por decisão unânime e conquistou o contrato com o UFC.

Especialista em muay thai, ela se destaca pela técnica na trocação, principalmente por seu ótimo jab e fortes chutes nas pernas de suas adversárias. No chão, Taila não é uma grande grappler, mas possui um nível decente trabalhando por cima e possui um bom ground and pound. Contudo, a pouca experiência contra oponentes mais qualificada deixa diversas dúvidas quanto ao seu processo de evolução e, principalmente, sobre qual será o nível defensivo apresentado, o que pode ser importante nesse sábado, sobretudo se cair de costas pro chão.

Mara Romero Borella vs Taila Santos odds - BestFightOdds
 

Levando em conta o nível de adversárias das duas lutadoras, Borella sai em vantagem no confronto. Entretanto, o MMA não é uma ciência exata e acredito no talento e no potencial de Taila Santos. Seu jab deve ditar o ritmo para a vitória da brasileira por decisão unânime dos juízes laterais.

Peso Meio-Médio: Thiago Pitbull (BRA) VS. Max Griffin (EUA)

Por Diego Tintin

O veterano Thiago Alves (22-13 no MMA, 14-10 no UFC) já foi uma grande ameaça entre os meios-médios do UFC. Contudo, faz tanto tempo que os sete lutadores que derrotou em sequência até conquistar o posto de desafiante já estão aposentados. Hoje, o Pitbull ainda é um lutador que pode oferecer lutas empolgantes, mas em um nível competitivo muito abaixo da elite da divisão. Nas últimas cinco lutas que fez, o cearense só venceu uma, contra o (vejam só vocês) hoje aposentado Patrick Coté.

Nos bons tempos, Thiago era um trocador de alto calibre, tão agressivo quanto habilidoso. Era um terror nos chutes e joelhadas nos três níveis, além de eficiente na movimentação defensiva de tronco e cabeça e na defesa de quedas, só vazada por seus algozes GSP e Jon Fitch. Entretanto, naturalmente, o tempo fez com que a velocidade e condicionamento passassem a ser objeto de nostalgia, assim como a resistência aos ataques mais contundentes.

Max Griffin (14-5 no MMA, 2-3 no UFC) não teve vida fácil em sua estreia pela organização, sucumbindo ao ground and pound do então ascendente Colby Covington. Em seguida, entrou em uma gangorra de resultados, com vitórias sobre Erick Montaño e Mike Perry intercaladas por derrotas para Elizeu Capoeira e Curtis Millender.

A história de como Max iniciou nas artes marciais é maravilhosa: aos quatro anos de idade ele pediu para começar a lutar porque queria ser uma Tartaruga Ninja. Obteve destaque na arte do bok-fu-do, uma reunião de aspectos de kung-fu, taekwondo e jiu-jítsu.

Griffin não é o lutador mais versátil do plantel do UFC. Tem deficiências na luta agarrada, é pouco ameaçador quando em posição de desvantagem no solo e a defesa de quedas é apenas ok. Na luta em pé, apresenta uma boa técnica, mas sua maior virtude está na potência, com um poder de nocaute respeitável. Tem ainda bom condicionamento físico, resistência grande a castigos e força mental para buscar reviravoltas difíceis.

Max Griffin vs Thiago Alves odds - BestFightOdds
 

A situação aqui não é muito fácil para o brasileiro. Thiago é um lutador melhor, mas a atual diferença de atleticismo é tão significativa, que pode deixar a técnica em segundo plano. Griffin é mais veloz e mais resistente, o que faz uma tremenda diferença, principalmente pelo provável quebra-pau que deve ocorrer neste duelo. A aposta é que os dois troquem muita pancada, até que Thiago peça a conta na metade final do combate.

Peso Pesado: Júnior Albini (BRA) VS. Jairzinho Rozenstruik (SUR)

Por Idonaldo Filho

Ex-campeão do Aspera FC, Júnior Abini (14-4 no MMA, 1-2 no UFC) é um nome promissor na rasa divisão dos pesados, embora já tenha mostrado em duas oportunidades uma falta de malandragem contra adversários mais experientes. Em sua primeira luta no UFC, “Baby” aniquilou Tim Johnson em pouco menos de três minutos, em um desempenho animador que o levou imediatamente para o top 15. Porém atualmente, sua carreira na organização pode chegar ao fim caso saia derrotado neste combate, pois o brasileiro vem atualmente em uma sequência de duas derrotas. Contra Arlovski, se mostrou um lutador assustado e que não acelerou no combate e, enfrentando Oleinik, caiu de forma inocente no manjado – mas efetivo – ezequiel do russo.

Albini é bem competente no boxe, mostrando habilidade em socos retos e sequências bacanas, evitando o uso do famoso mata-cobra que é frequentemente visto em sua categoria. Ele também é bom utilizando chutes baixos e joelhadas no clinch, possuindo boa movimentação e condicionamento digno. Como Baby é um cara muito grande e pesado, ele consegue vantagem quando a disputa vai para a grade, onde busca cansar o adversário e segurar o combate quando necessário. Sua habilidade no chão foi reprovada quando testada, juntamente com a sua inteligência conforme demonstrado em seu último combate.

O primeiro representante de Suriname a pisar no octógono, Jairzinho Rozenstruik (6-0 no MMA, 0-0 no UFC) tem seu nome inspirado no astro do futebol brasileiro da copa de 70, embora não seja tão genial quanto o homônimo. Kickboxer profissional, o “Bigi Boy” assinou com o UFC recentemente e entrou no combate de última hora devido a mais uma lesão de Dmitry Sosnovskiy. O início de sua carreira no MMA foi em 2012, conquistando vitórias em duas lutas, mas ele só foi retornar ao MMA em 2017, dois anos após ser preso envolvido em um caso de tráfico de drogas. A oportunidade de lutar em um evento maior surgiu no início do ano passado, quando o Rizin o contratou. Na organização japonesa, Rozenstruik venceu um feio duelo contra Andrey Kovalev por decisão dividida, mas não antes de ser pego trapaceando com lubrificante no corpo perder parte de sua bolsa.

Jairzinho começou no muay thai em seu país natal, mas logo passou para o kickboxing, tendo uma carreira de sucesso na modalidade – inclusive nocauteando o atual número 2 do Glory, Benjamin Adegbuyi. Dono de mãos rápidas e potentes, Rozenstruik é um cara perigoso em pé e que pode complicar bastante para lutadores que desconhecem suas credenciais no striking. Por outro lado, sua adaptação no MMA ainda não está completa, sendo que deve muito no grappling,, já que se defende só na base da força e com quase nenhuma técnica de jiu-jítsu ou defesa de quedas. O cardio do Bigi Boy também é bastante ruim, daqueles que deixam o atleta na mão rapidamente, quando não conseguem um nocaute.

Jairzinho Rozenstruik vs Junior Albini odds - BestFightOdds

Se por um lado agora Albini enfrentará um lutador menos experiente no MMA, por outro existe a pressão para um bom desempenho em sua última luta do contrato com o UFC. Em um duelo que existe muito equilíbrio – como mostram as odds – Rozenstruik pode muito bem acabar com a luta rapidamente e frustrar os fãs locais, mas Baby é mais versátil e leva vantagem no grappling em geral. A aposta é em uma luta lamentável, com muita amarração na grade e um terceiro assalto sofrido, acabando com vitória do brasileiro nas papeletas.

Peso Pena: Geraldo de Freitas (BRA) vs. Felipe Cabocão (BRA)

Por João Gabriel Gelli

Depois de um começo inconsistente na carreira, na qual acumulou retrospecto de 5-4, Geraldo de Freitas (11-4 no MMA, 0-0 no UFC) conseguiu se recuperar com três vitórias. Ele então chegou ao Shooto Brasil e dominou o ex-Bellator Zeilton Nenzão, o que foi suficiente para lhe dar uma chance de disputar o cinturão do peso galo contra Luciano Benício. Mais um triunfo confortável o rendeu o título de uma das mais importantes organizações do cenário nacional. Em seguida, defendeu seu posto com uma finalização sobre Rafael Apocalipse e assim veio o chamado do UFC.

O “Espartano” é, acima de tudo, um grappler. Ele demonstra a habilidade de calcular o tempo certo para as entradas de queda e, quando coloca os oponentes de costas para o chão, faz um forte trabalho de estabilizar as posições. Geraldo poderia usar mais o ground and pound como ferramenta para abrir espaços na luta agarrada, mas tem boa técnica para avançar por cima e ameaçar com finalizações. Já na parte em pé, mostra um uso consciente dos jabs e tem uma abordagem cautelosa, mas de boa precisão, que minimiza os riscos. Ainda pode aumentar o volume de golpes e integrar melhor os chutes ao resto do jogo. Resta saber como a recente mudança de academia para a Nova União afetará sua evolução e quais serão as melhorias apresentadas.

Ao contrário de seu adversário, Felipe Cabocão (8-0 no MMA, 0-0 no UFC) não passou por altos e baixos na carreira no MMA. Profissional há cerca de cinco anos e meio, o atleta da Team Nogueira começou sua trajetória com cinco vitórias sobre adversários que somavam um retrospecto de 2-4 na época das lutas e nenhum com cartel positivo atualmente. Este início avassalador sobre concorrência de nível mais baixo lhe rendeu uma chance no Jungle Fight. Lá, passou aperto contra Thiago Manchinha, mas venceu após desistência do oponente por conta de lesão, e finalizou Jordano Marajó para garantir uma chance de lutar pelo título vago dos pesos penas contra Caio Gregório, em duelo no qual venceu por decisão clara.

A principal definição para se dar a Cabocão é agressivo. Em pé, ele usa sua velocidade para acuar os oponentes com um volume elevado de golpes sempre efetuados com mais potência do que técnica. No solo, também tem mentalidade ofensiva, com busca constante por finalizações, independente da posição e aplica uma boa dose de ground and pound para conseguir seus objetivos. O wrestling não é muito desenvolvido, mas já executou algumas plásticas quedas de judô ao longo da carreira.

Felipe Colares vs Geraldo De Freitas odds - BestFightOdds
 

Este duelo foi casado de última hora para o evento e coloca dois ainda jovens campeões de duas das mais importantes organizações do cenário nacional de MMA frente a frente. Cabocão deve atuar da mesma maneira que no resto de sua carreira ao sufocar o adversário com volume de golpes e pressão em pé. Este contraste com a abordagem mais cautelosa de Geraldo pode fazer com que tenha sucesso em acuar o oponente, mas também pode deixá-lo suscetível a quedas bem calculadas. Dessa forma, a expectativa é que o Espartano consiga derrubar Felipe em momentos importantes da luta e consiga lidar com a guarda do adversário para controlar o duelo no solo. Assim, o palpite é que teremos um duelo disputado na luta agarrada pela maior parte do tempo e Freitas sairá vitorioso por decisão.

Peso Galo: Ricardo Carcacinha (BRA) VS. Said Nurmagomedov (RUS)

Por Matheus Costa

Um duelo de bons trocadores em pé marca a conjuntura do confronto entre Ricardo Carcacinha e Said Nurmagomedov, que se enfrentam no card preliminar do evento em Fortaleza.

Ricardo Carcacinha (12-1 no MMA, 3-0 no UFC) é um jovem talento da categoria dos galos, que se destaca pelo volume ofensivo em diversas áreas e que pode ir longe caso consiga evoluir em certos aspectos. Desde que chegou ao UFC, Carcacinha soma três boas vitórias sobre Michinori Tanaka, Aiemann Zahabi e Kyung Ho Kang, somando um cartel de 12 vitórias e apenas um revés na carreira.

Em pé, o atleta de 24 anos é bastante astuto e possui um bom senso de oportunidade. Tecnicamente, Ricardo gosta de chutar bastante para controlar a distância, além de possuir um bom arsenal técnico na hora de combinar ganchos, cruzados, cotoveladas e joelhadas. No chão, Carcacinha é um pouco acima da média e possui ótimo nível, sempre buscando boas finalizações e tendo facilidade para realizar raspagens. Seu principal problema é o wrestling, que precisa evoluir ofensivamente e, principalmente, defensivamente. Espera-se que Carcacinha tenha trabalhado isso na Team Alpha Male, onde vem treinando desde o início de 2018.

Ao invés de seus primos Khabib e Abubakar, Said Nurmagomedov (12-1 no MMA, 1-0 no UFC) não é um especialista em luta agarrada. Muito pelo contrário, porque por mais que seja bastante competente na área, a especialidade da casa é a luta em pé, onde talento não falta para o lutador oriundo do Daguestão. Com um cartel idêntico ao do brasileiro, Said possui apenas três nocautes e duas finalizações na carreira. O atleta assinou com o UFC em janeiro de 2018, mas lutou apenas uma vez, quando derrotou Justin Scoggins por decisão dividida em uma luta equilibrada.

Said possui um vasto arsenal de chutes e a habilidade de controlar a distância como poucos e, mesmo com um volume muito acentuado, ele geralmente acerta a maioria das tentativas. Os principais pontos de seu jogo são justamente o volume de golpes e o ritmo elevado e constante, que fazem com que ele controle as ações por toda a duração da luta. Seu wrestling é de bom nível e a defesa de quedas é boa o suficiente para não lhe fazer passar vergonha contra atletas de bom nível. Entretanto, o atleta possui dificuldades quando é pressionado contra a grade para jogar na curta distância, pois parece não saber lidar muito bem com este tipo de cenário.

Ricardo Ramos vs Said Nurmagomedov odds - BestFightOdds
 

Este é um confronto complicado de apostar por ter muitas variáveis, devido ao arsenal vasto dos dois lutadores. Na verdade, a luta pode se desenhar de muitas formas, mas tenho a crer que Said deve controlar as ações, pressionando desde o início e, claro, chutando bastante.
O ideal para Carcacinha é jogar na curta distância e tentar a queda, algo que já aconteceu na carreira de Said. Entretanto, creio que Said deve vencer o confronto por decisão unânime dos juízes.

Peso Mosca: #11 Magomed Bibulatov (RUS) vs. Rogério Bontorin (BRA)

Por Bruno Costa

Magomed Bibulatov (14-1 no MMA, 1-1 no UFC) chegou, com justiça, com pinta de maior prospecto do peso mosca atuando fora do UFC. Em sua estreia no octógono, não teve qualquer tipo de dificuldade contra o fraco Jenel Lausa, dominando as ações sem correr risco durante os três rounds do combate apostando em quedas e controle posicional. Em um salto de nível gigantesco de competição, foi então escalado para enfrentar o ex-desafiante e porteiro do top 10 da categoria John Moraga, e acabou nocauteado de maneira brutal com menos de dois minutos de luta.

O “Gladiador” é um lutador de diversas ferramentas ofensivas, com estilo pouco usual na troca de golpes. Muitos chutes retos, golpes rodados, joelhadas voadoras dão o tom na luta em pé. Ainda, é um ótimo wrestler, com excelente controle posicional e ground and pound consciente, além de boas finalizações de diferentes posições, capaz, portanto, de diversificar as ações durante a luta.

A primeira derrota da carreira veio contra um adversário mais experiente e de muita potência, mas demonstrou que o russo precisa melhorar a parte defensiva, não apostando unicamente no controle de distância para barrar as ações rivais. No grappling defensivo, Bibulatov é muito seguro por deixar poucos espaços para os adversários mesmo quando em busca de avanço nas posições.

Rogério Bontorin (14-1 no MMA) chega ao UFC após um empolgante duelo de muita ação contra Gustavo Gabriel no Contender Series, provavelmente o melhor combate das edições brasileiras do programa.

O brasileiro chega como um valor interessante para a quase extinta e aparentemente renovada categoria. Um finalizador nato e oportunista com vocação ofensiva no grappling, Bontorin baseia muito do seu jogo na potência e explosão física, mas parece num caminho de necessária evolução na trocação – muito embora ainda sofra com o baixo volume de golpes e velocidade abaixo da média para o peso mosca. O jogo de quedas é explorado contra oponentes de menor nível técnico, e parte na maioria das ocasiões de cinturadas do clinch.

Defensivamente, demonstrou em seu último compromisso que necessita de mais cuidados no controle da distância e na altura da guarda. Contudo, parece ter coração e capacidade mental o suficiente pra enfrentar adversidades em meio à luta. No grappling defensivo, acabou dominado por Michinori Tanaka, veterano do UFC e mais capacitado adversário enfrentado por Bontorin nesse fundamento.

Magomed Bibulatov vs Rogerio Bontorin odds - BestFightOdds
 

Bibulatov leva vantagem na velocidade, troca de golpes, wrestling e experiência. A verificar como será a volta após mais de um ano afastado, e se o queixo pode ser um problema que contenha o avanço do russo rumo ao top 10 da categoria. Bontorin precisa iniciar bem o combate, evitando as tentativas de quedas e tentando encurtar a distância na troca de golpes para eventualmente explorar a falta de ritmo do oponente, buscando um knockdown e finalização.

A aposta é que Bibulatov inicie o combate com ações mais conservadoras, buscando quedas e controle posicional com ground and pound, tendo gradualmente o ritmo e potência aumentados até que seja interrompida a contenda a partir dos minutos finais do segundo round.