Por Edição MMA Brasil | 01/02/2019 10:50

O primeiro evento no Brasil da maior organização do MMA em 2019 acontece no próximo sábado, no Ceará. O UFC Fortaleza tem um dos melhores cards montados no país nos últimos tempos e promete entregar muitas lutas empolgantes para manter o números já bem sucedidos no novo contrato do UFC com a ESPN americana.

No duelo principal, Raphael Assunção segue em sua via-crucis na busca pela chance de disputar o título do peso galo ao ceder a revanche para Marlon Moraes, que busca vingar a derrota sofrida em sua estreia no evento.

No segunda luta de maior importância do evento estará o principal nome em ação, José Aldo, que encara o ascendente Renato Moicano, atrás de carimbar de uma vez por todas o seu passaporte para a luta de cinturão da categoria até 66 quilos. A luta sucederá o retorno de Demian Maia, que tenta voltar à coluna das vitórias contra o ex-campeão do Bellator Lyman Good.

Completando a ótima escalação de lutas, três combates que devem deixar o público de pé. O recordista de submissões, Charles do Bronx, quer ampliar a série de vitórias contra David Teymur no peso leve. Johnny Walker enfrenta Justin Ledet pelo meio-pesado e, na abertura da porção principal do evento, as agressivas Livinha Souza e Sarah Frota prometem um combate intenso para levantar o público cearense.

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O UFC Fortaleza terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate com o card preliminar estando marcado para se iniciar as 20:00h, enquanto a porção principal irá ao ar as 23:00h, no Horário de Brasília. A Rede Globo transmitirá o card principal, com atraso, na madrugada do domingo (03).

Peso Galo: #3 Raphael Assunção (BRA) VS. #4 Marlon Moraes (BRA)

Por Bruno Costa

Raphael Assunção (27-5 no MMA, 11-2 no UFC) novamente se aproxima de uma oportunidade de virar desafiante pelo cinturão do peso galo após emendar boa sequência de vitórias. Contudo, após o campeão TJ DIllashaw ser derrotado por Henry Cejudo em uma superluta na categoria de baixo, o que parecia uma clara eliminatória pelo título tem agora consequências questionáveis para os protagonistas da revanche que servirá como luta principal da noite.

A única derrota sofrida pelo legítimo faixa preta de jiu-jítsu – depois de iniciar a carreira como peso galo – aconteceu exatamente contra o campeão TJ Dillashaw. Assunção é um lutador que prima pelos cuidados defensivos e contragolpeia tanto com precisão quanto com potência, o que aos poucos desencoraja os adversários a buscarem bom volume de ações. Uma boa amostra desse exemplo se deu em seu último combate, quando conseguiu se adaptar em meio à luta para diminuir o ritmo de Rob Font após um início no qual as ações eram controladas pelo adversário.

O wrestling, tanto na parte ofensiva quanto, principalmente, na defensiva, é muito sólido. Uma característica que acaba por não ajudar as pretensões de Raphael de eventualmente lutar pelo título é a falta de procura por encerrar seus compromissos antes do último soar da buzina. A predileção é sempre pela maior segurança e valorização das posições conseguidas quando leva a luta ao solo, com raras tentativas de finalização.

Marlon Moraes (21-5-1 no MMA, 3-1 no UFC) teve uma dura estrada desde sua contratação pelo UFC, e com justiça. Após duas lutas muito equilibradas contra o mesmo adversário de sábado e John Dodson, ele aplicou lindos e rápidos nocautes contra os ótimos Aljamain Sterling e Jimmie Rivera.

Marlon é um dos chutadores mais eficientes do MMA, capaz de utilizar a ferramenta como contragolpe, caminhando para trás e atingindo qualquer região do corpo dos seus oponentes. Um excelente condicionamento físico e jogo de boxe mais bem polido desde o início dos treinamentos com Mark Henry permitiram a Marlon melhorar seu ritmo, permeando seu jogo com muito bom volume de golpes. Seu sistema defensivo é sólido em todos os aspectos, com destaque para a melhora exponencial da antes vazada defesa de quedas.

O primeiro fator a ser observado de mudança entre a primeira luta entre ambos e o duelo do sábado é que aquela foi a luta de estreia de Marlon, e não com baixa frequência bons lutadores tem dificuldades em se soltar logo nos seus primeiros momentos no octógono.

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Raphael ainda tem boa capacidade de contra-atacar com potência e de derrubar seu oponente para trabalhar por cima, ameaçando o rival a ponto de tentar diminuir à base da intimidação o alto volume em que Marlon gosta de trabalhar – que está longe de ser uma predileção de Assunção. Porém, Moraes tem velocidade o suficiente para executar suas ações com cuidados defensivos, se utilizando de chutes potentes que tragam dano acumulado ao rival, além de selecionar seus ataques no boxe evitando pesadas retaliações do adversário.

A tendência é que Marlon consiga impor seu jogo, principalmente nos assaltos finais, em uma dura batalha de cinco rounds, e saia vitorioso numa decisão, baseada no maior volume de ações ao longo da luta.

Peso Pena: #2 José Aldo (BRA) VS. #5 Renato Moicano (BRA)

Por Pedro Carneiro

Apesar de uma diferença de idade de apenas 3 anos, José Aldo (27-4 no MMA, 9-3 no UFC) e Renato Moicano (13-1-1 no MMA, 5-1 no UFC) irão se enfrentar em momentos diferentes da carreira. José é um dos maiores lutadores da história do esporte, ex-campeão, maior lutador da história da categoria e na reta final da carreira, enquanto Renato começou a sua escalada rumo ao topo no UFC em dezembro de 2014, quando Aldo já reinava na categoria a mais de cinco anos e já tinha vencido sete lutas no UFC, sendo a última a segunda luta contra Chad Mendes no UFC 179.

José Aldo é um lutador completo e tem um dos melhores arsenais ofensivos já vistos. Ele possui um boxe poderoso e veloz; suas combinações são extremamente rápidas e sua precisão beira o estado da arte. Aldo esconde seus golpes com maestria, atrapalhando a defesa dos adversários, e seus chutes baixos funcionam como uma britadeira para a base e a movimentação dos oponentes. O muay thai agudo faz com que seu clinch seja bastante perigoso e ainda pode ser um catalisador para o jogo de quedas. Aldo derruba relativamente bem e é um lutador que sabe controlar as posições no solo.

O ex-campeão já foi uma fortaleza defensiva, com jogo de pernas, quadril e movimentação excelentes impedindo que se torne um alvo fixo para os adversários. Os contragolpes com muita força também impediam avanços com combinações muito longas da concorrência. A defesa de quedas é de ótimo nível e, mesmo quando transpassada, José se levanta com rapidez. O jiu-jítsu é de nível bom, principalmente quando precisa de defender de costas para o chão. Nos últimos anos vem ocorrendo uma perda de movimentação e um uso excessivo de pivôs de boxe, o que não é de se espantar, dada a quantidade de lutas que a lenda já fez. É bem provável que as derrotas para Max Holloway em 2017 também tenham influenciado nesse cenário, mas em seu último compromisso contra Jeremy Stephens, Aldo deixou nítido que ainda é um dos melhores lutadores da categoria.

Apesar de Renato Moicano chegar para fazer a maior luta da carreira, o brasiliense já está mais do que acostumado a grandes desafios. Depois de uma excelente carreira no circuito nacional, Moicano estreou no UFC finalizando Tom Niinimaki e depois enfileirou Zubaira Tukhugov e Jeremy Stephens até ser mais um dos vitimados pela guilhotina de Brian Ortega. O reencontro com as vitórias veio com uma decisão unânime contra Calvin Kattar e, posteriormente, uma finalização sobre Cub Swanson.

Renato mescla bem o jiu-jítsu e o muay thai, usando combinações curtas e precisas, sua envergadura e sua movimentação para buscar ângulos e brechas para utilizar contragolpes. Os braços longos facilitam o controle de distância, que é recheada com jabs e chutes baixos que permitem ditar o ritmo da peleja. Outro ponto forte é o volume de golpes alto que funcionam tanto ofensivamente quanto defensivamente, já que os adversários tem dificuldade de se aproximar, pois o risco de receber um contragolpe ou ser surpreendido pela movimentação e serem flagrados expostos é grande. Seu wrestling é razoável, usado basicamente como um meio de implementar um jiu-jítsu eficiente que é objetivo, sempre buscando a finalização, principalmente o mata-leão.

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A luta coprincipal do evento é considerada a mais equilibrada e difícil de se apostar na noite. É possível acordar pensando que um vai vencer, achar que o vencedor será o outro no meio da tarde e voltar ao primeiro palpite no momento de reflexão antes de dormir.

Aldo deve vir com a proposta de acabar com a luta usando sua potência e agressividade, apostando em no seu boxe e chutes baixos. Contudo, para vencer, o ex-campeão precisa misturar mais o boxe com o muay thai, áreas de domínio absoluto dele. Um outro ponto estratégico importante é ser sempre o agressor, para impedir que Moicano dite o ritmo da luta e seja o proponente do combate. Renato provavelmente apostará na movimentação lateral, controle da distância e nos contragolpes para frustrar Aldo e acertá-lo, não recebendo golpes após as investidas. O jiu-jítsu do brasiliense é muito bom, mas é difícil imaginar o cenário onde Aldo seja derrubado e permaneça muito tempo no chão.

Como o MMA Brasil não fica em cima do muro, visualizamos que José Aldo seguirá apostando no seu jogo de boxe e irá aproveitar a duração de apenas três rounds da luta para lançar todos os golpes com muita força, buscando o nocaute em cada ação ofensiva, enquanto Renato tentará usar o controle para dominar até o final. É possível que Aldo consiga o nocaute, mas a aposta é de que Moicano irá usar sua movimentação e volume para vencer na decisão dos juízes.

Peso Meio-Médio: #8 Demian Maia (BRA) vs. Lyman Good (EUA)

Por Thiago Kühl

Depois de aceitar uma luta de última hora para enfrentar um terceiro wrestler em sequência, Demian Maia (25-9 no MMA, 19-9 no UFC) chega à vigésima nona luta de sua carreira no maior evento do mundo com um desafio bem mais acessível que aqueles apresentados a ele nos últimos dois anos. Com três lutas no contrato renovado após o combate contra Usman, Demian vai para o – provável – último ano de sua carreira.

Há 7 anos atrás, após perder para Chris Weidman e descer de categoria, pouco se esperava de um lutador que não conseguia evoluir no striking para fazer frente à concorrência que se renovava. Demian decidiu nadar contra a maré e voltou a focar em seu jiu-jítsu de elite, conseguindo 10 vitórias em 12 lutas e até disputando o cinturão contra Tyron Woodley. A arte suave estelar tem auxílio de um sólido jogo de quedas, que se não foi suficiente para derrubar wrestlers de bom nível, consegue fazer a diferença contra oponentes não tão qualificados na defesa de quedas.

Lyman Good (20-4 no MMA, 2-1 no UFC) chegou no UFC já com bastante rodagem, tendo sido campeão inaugural da categoria até 77kgs do Bellator e detentor do cinturão do peso no Cage Fury antes de ser contratado pelo maior evento do mundo, em 2015. Após uma vitória contra Andrew Craig, uma lesão e uma suspensão por dopping deixaram Good fora de atividade por dois anos. No retorno ao octógono em 2017, sofreu uma derrota para Elizeu Capoeira. Depois de mais 18 meses parado, Lyman voltou no fim de 2018 para vencer Ben Saunders e, agora, pela primeira vez desde 2015 fará uma segunda luta em um intervalo razoável.

O novaiorquino é um lutador com estilo bem interessante. Muito explosivo e com striking bem alinhado, ele poderia ter tido um bom desenvolvimento na divisão se não fossem os grandes períodos sem lutar. Seu poder de nocaute é alto, tanto no clinch – onde consegue causar muito dano – quanto com chutes potentes. No grappling por sua vez não há muito espaço para ofensividade mas, de costas para o chão, Good consegue se defender razoavelmente bem.

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Inicialmente, este parece um casamento bem ao feitio para o brasileiro voltar às vitórias. Sem ter uma grande defesa de quedas pela frente, Demian tem um caminho bem claro: levar um lutador sem muito ritmo de luta para o chão e finalizar. Ocorre que a trocação de Good é perigosa o suficiente para, em um descuido, levar o brasileiro à lona. É verdade que Demian somente foi nocauteado uma vez na carreira – há quase dez anos – mas deverá tomar muito cuidado que não aconteça novamente.

Dentre os cenários possíveis, imagino que Demian saberá manter o clima da luta baixo nos primeiros minutos dos rounds e conseguirá a queda que necessita e, daí para frente, a grande diferença técnica no solo prevalecerá. Assim, apostamos em uma finalização na primeira metade da luta.

Peso Leve: Charles do Bronx (BRA) VS. David Teymur (SUE)

Por Bruno Costa

Charles “do Bronx” Oliveira (25-8 no MMA, 13-8 no UFC) voltou ao peso leve após sucessivas falhas em alcançar o limite da categoria dos penas, e parece bem adaptado nesse retorno, com quatro vitórias e apenas uma derrota para o ranqueado Paul Felder. Caso alcance a quarta vitória consecutiva, Charles se coloca em boa posição e num provável top 15 no ranking da organização.

Do Bronx chegou cedo ao UFC e foi constantemente atirado aos leões com duros desafios, mesclando com duelos contra adversários de nível excessivamente baixo, sem qualquer preocupação com o desenvolvimento de um talentoso atleta. Após ser barrado por bons veteranos no início de sua trajetória como peso leve, Charles buscou um caminho diferente na categoria de baixo, e no peso pena o caminho se repetiu quando teve oponentes de elite.

Um jovem veterano da organização, Do Bronx é reconhecido pelo ótimo jogo de finalizações – é, inclusive, líder nesse quesito na história do UFC. O striking é agressivo, utilizando joelhadas e cotoveladas como boas armas na tentativa de impor pressão aos adversários. O jogo de quedas parece ter melhorado na volta ao peso leve, uma vez que parece mais forte e veloz do que quando lutava como pena, deixando de depender exclusivamente de momentos no clinch como ferramenta para levar a luta ao solo. Defensivamente, ele ainda apresenta muitos lapsos, deixando espaço para que seu queixo suspeito seja testado em diversas ocasiões, além de mesmo no grappling defensivo cometer erros de superexposição.

David Teymur (8-1 no MMA, 5-0 no UFC) chegou à organização por meio do TUF 22. Um lutador que parecia muito limitado e ainda cru à época, surpreendeu pela evolução rápida demonstrada na sequência atual que carrega, de cinco vitórias contra bom nível de competição no caminho.

O sueco é um bom kickboxer canhoto, de chutes muito rápidos e com boa consciência para dar poucos espaços aos ataques adversários. O boxe ainda precisa de mais polimento para um trabalho mais volumoso, mas com boa potência nos golpes. A urgência em estar bem posicionado ao longo do combate para não se deixar ser pressionado pelo rival, além de uma movimentação constante, constituem boa parte da notável melhora na defesa de quedas desde sua primeira aparição no octógono.

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Do Bronx tem totais condições de utilizar do melhorado jogo de quedas para colocar Teymur de costas para o solo e conseguir uma finalização ainda no primeiro round da luta. Porém, Teymur tem se especializado em lutar dando o mínimo de brechas aos adversários, com boa postura de contra-golpeador e muito consistente na avaliação de suas ações. A aposta é que o sueco consiga resistir às entradas do brasileiro, que tende a se frustrar e diminuir as chances de vitória com o desenvolver do combate. Teymur deverá sair vencedor na decisão dos juízes.

Peso Meio-Pesado: Johnny Walker (BRA) VS. Justin Ledet (EUA)

Por Matheus Costa

Johnny Walker (15-3 no MMA, 1-0 no UFC) mal chegou ao UFC e já conta com um hype ao redor de seu nome. Entretanto, o brasileiro com nome de bebida alcoólica precisa colocar os pés no chão em sua primeira luta no seu país natal, já que seu adversário é burocrático o suficiente para lhe surpreender e jogar um balde de água fria em cima de sua ascensão.

Surgindo no Contender Series Brasil, Johnny dominou o antigo lutador da organização Henrique Frankestein para garantir um contrato no maior evento de MMA do mundo. Em sua estreia no UFC, Walker surpreendeu ao atropelar Khalil Rountree com um nocaute brutal, em consequência de uma atuação dominante. O brasileiro não só aceitou jogar na curta distância, mas como dominou no clinch, onde bastaram algumas cotoveladas para acabar com a luta.

Walker é um lutador talentoso em pé mas, por muitas vezes, inconsequente. Com 1,96m de altura e 2,06m de envergadura, o atleta joga muito bem na longa distância e é adepto de golpes plásticos, tais como chutes giratórios, joelhadas voadoras, cotoveladas e vários chutes altos. Seus principais defeitos são a parte defensiva, a absorção de golpes – que não é tão confiável assim – e seu preparo físico, que não é dos melhores. Seu chão não é muito confiável, e o único ponto positivo a ser ressaltado é o ground and pound.

Justin Ledet (9-1 no MMA, 3-1 no UFC) é, de certa forma, mais reservado que seu adversário. O americano possui um estilo mais simples, porém, efetivo. Ele chegou ao UFC como peso pesado, mas acabou descendo de categoria pois não tinha muita potência nos golpes na divisão de cima. Em sua estreia na categoria de 93kg, acabou sendo derrotado por Aleksandar Rakic por decisão dividida. Quando chegou ao UFC, ganhou um pouco de momento ao engatar três vitórias seguidas, mas o choque de realidade chegou e colocou Ledet em seu devido lugar.

Com passagem pelo ringue da nobre arte como profissional, Ledet é um boxeador clássico, que possui um ótimo jab e uma boa técnica na troca de golpes. Seu estilo é todo baseado nas mãos, considerando que são raras as vezes que Justin resolve chutar. No chão, embora não muito técnico, o atleta não é bobo e já soma cinco finalizações em sua carreira, aparentando ter nível suficiente para dar problemas ao seu adversário. O principal problema do lutador, entretanto, é parte defensiva, que é bem fácil de ser penetrada. Além disso, ele não possui muita movimentação de cabeça, se tornando um alvo fácil de ser atingido.

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Essa é uma luta na qual Walker não pode querer dar show. O brasileiro precisa jogar na longa distância, usando sua envergadura e seus chutes para controlar a luta e não passar por sustos. Apostamos na vitória de Johnny Walker por decisão unânime, mas seu preparo físico e sua sede por dar show podem lhe custar caro.

Peso Palha: Livinha Souza (BRA) VS. Sarah Frota (BRA)

Por Thiago Kühl

Livinha Souza (12-1 no MMA, 1-0 no UFC) foi uma contratação bastante aguardada realizada pelo UFC. Tendo feito uma boa carreira no cenário nacional, ela chegou no Invicta diretamente na luta pelo cinturão do peso palha. Vencendo a disputa, ela defendeu o título em duelo contra DeAnna Bennet, mas sofreu a primeira derrota da carreira para Angela Hill. Após duas vitórias na organização de lutas femininas, Livinha foi contratada pelo UFC, mas viu sua estreia ser adiada devido a uma lesão na mão. Em setembro passado, ela finalmente conseguiu subir no octógono e venceu Alex Chambers ainda no primeiro round.

Livinha é uma lutadora empolgante: agressiva, impõe pressão nas adversárias com certa eficiência na trocação, tem capacidade de derrubar e possui um bom jogo de solo para encontrar finalizações. O problema da paulista é que tudo isso muitas vezes é feito de forma afobada. Algumas guilhotinas mal posicionadas e erros de aproximação custaram seu cinturão do Invicta na derrota contra Hill, por exemplo. De toda forma, há espaço para sua evolução ainda, já que com 27 anos ela mostrou que tem talento, para o qual precisa de lapidação.

Sarah “Treta” Frota (9-0 no MMA, 0-0 no UFC) conseguiu seu contrato com o UFC a partir do Contender Series Brasil, após um violento nocaute aplicado sobre Maiara Amanajás. Produto do Aspera Fight Team, de Marcelo Brigadeiro, Sarah fez todas as lutas de sua carreira até o Contender Series no peso mosca.

A goiana tem um jogo muito baseado na grande força física. Com quase 1,70m de altura, ela corta muito peso para chegar no limite da divisão das palhas, o que lhe deu bastante vantagem até hoje contra a concorrência que enfrentou fora do UFC. “Treta” tem conhecimento tanto em pé, como no chão, sempre fazendo prevalecer suas habilidades pela imposição física – o que a fez chegar no nocaute ou finalização em sete de suas oito lutas profissionais.

Livia Renata Souza vs Sarah Frota odds - BestFightOdds
 

Em que pese a grande diferença física das duas lutadoras, com vantagem muito grande na envergadura para Sarah, a maior experiência e talento de Livia devem prevalecer na luta, o que lhe deve garantir sua segunda vitória no UFC. Uma decisão após um bom combate, ou uma finalização tardia, são as apostas mais razoáveis aqui.