UFC Fight Night 93: Arlovski vs. Barnett – Prévia do Card Principal

Com um duelo de peso pesado e dois de meios-pesados, a Alemanha volta a receber o octógono para o UFC Fight Night 93, que acontece na tarde deste sábado.

A maior organização de MMA do mundo desembarca na Alemanha pela quinta vez neste sábado, visitando a quarta cidade diferente. A Barclaycard Arena, em Hamburgo, será sede do UFC Fight Night 93, que traz sete lutadores ranqueados e um combate entre ex-campeões que acontece com mais de 10 anos de atraso.

Um trio de lutas envolvendo gente grande e bruta lidera o evento em terra de gente grande e bruta. Na principal, os ex-campeões dos pesados Andrei Arlovski e Josh Barnett disputam quem terá o último suspiro de relevância na categoria. Pela divisão de baixo, Alexander Gustafsson tenta retomar o caminho para desafiar o cinturão contra Jan Blachowicz e os wrestlers Ryan Bader e Ilir Latifi colidem. O card principal terá ainda o local Nick Hein contra o “Cowboy Coreano” (risos) Tae Hyun Bae.

Como o evento acontecerá na Europa, atenção com o fuso horário. O card preliminar está marcado para iniciar às 12:45h, enquanto a abertura do principal deve ir ao ar a partir das 16:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Pesado: #6 Andrei Arlovski (BIE) vs. #9 Josh Barnett (EUA)

Andrei Arlovski

Andrei Arlovski

Campeão do UFC em 2005, considerado o número dois do mundo quatro anos depois, Arlovski viveu altos e baixos desde então. Chegou a ser dado como acabado, emendou vitórias, se aproximou de mais uma disputa de título, mas dois nocautes consecutivos nos últimos duelos relembraram um velho problema. Desde o seu retorno, em 2014, Andrei venceu as quatro primeiras lutas e perdeu as duas últimas, aplicando dois nocautes e sofrendo o mesmo número de reveses pela via rápida dolorosa.

O “Pitbull” Bielorrusso é um belo caso de desperdício. Seu atleticismo muito acima da média da categoria e o talento em artes diversas como o boxe, o kickboxing e o sambô deveriam ter construído um top 5 da história dos pesados. Porém, o gosto pelas farras, o queixo de vidro e a não muito desenvolvida inteligência de luta o impediram de conquistar mais glórias no MMA. Apostar nele é sempre complicado, o que me entristece muito, pois até hoje ainda é possível ver lampejos de talento em suas atuações.

Josh Barnett

Josh Barnett

Campeão do UFC em 2001, Barnett seguiu uma trajetória vida loka, repleta de casos de dopings, de meter o pé de organizações e de disputar títulos, seja no PRIDE, no Strikeforce e até no Metamoris. De volta ao UFC há três anos, fez apenas quatro lutas e não repetiu resultado, tendo chegado ao final apenas na menos provável, contra Roy Nelson, num duelo de contornos estranhos. Na última, conseguiu a proeza de ser finalizado por Ben Rothwell.

O “Mestre da Guerra”, apelido muito mais digno para um dos melhores trash talkers do MMA do que o ridículo “Assassino com Cara de Bebê”, é um dos melhores grapplers que a divisão dos grandalhões já viu. Apesar do físico meio esquisito, que aparenta ser mondrongo, Barnett sempre foi muito ágil para o seu tamanho, além de, diferentemente de Andrei, ter mostrado sabedoria na implementação de planos táticos de combate durante a carreira, o que ajudou por muito tempo a preservar o queixo. O americano também tem uma senhora pancada no punho direito, embora falte desenvolvimento do boxe como ele fez com o catch wrestling e o jiu-jítsu. Apesar deste histórico, a vitória sobre Nelson e a derrota para Rothwell mostrou que o domínio na luta agarrada já não é mais como era antigamente.

Andrei Arlovski vs Josh Barnett odds - BestFightOdds

Se uma luta fosse decidida apenas no talento, jamais Arlovski seria azarão contra Barnett. Porém, o esporte multidisciplinar mais difícil que existe envolve diversos outros fatores que fazem com que o europeu insira diversos motivos para perder.

Avaliando apenas os momentos atuais, porém, há uma janela importante para Arlovski garantir sua vitória. Barnett tem se mostrado um lutador agressivo no UFC, que tende a avançar para encurtar a distância e chegar ao clinch, exatamente como Arlovski já foi um dia. Se o técnico Mike Winkeljohn estudou corretamente o adversário – e não há porque achar o contrário -, provavelmente preparou o pupilo para pegar o americano num contragolpe e mandá-lo para a mesma vala que enviou Antonio Pezão e Travis Browne.

Peso Meio-Pesado: #2 Alexander Gustafsson (SUE) vs. Jan Blachowicz (POL)

Alexander Gustafsson

Alexander Gustafsson

Transformado em queridinho do público depois da antológica luta contra Jon Jones, quando apresentou o inferno ao americano e o fez parecer humano, Gustafsson perdeu mais do que venceu desde então. Porém, ainda assim se manteve em alta, mesmo levando um nocaute constrangedor pelas mãos de Anthony Johnson diante de 30 mil compatriotas. Mesmo derrotado, ele teve nova chance de desafiar o cinturão e mais uma vez fez uma luta histórica, desta vez contra Daniel Cormier, que o venceu, mas não sem antes comer o pão que o diabo amassou.

Mesmo derrotado nas duas chances que teve, Gustafsson mostrou uma faceta não muito fácil de se encontrar, a do sujeito que cresce nos momentos agudos da carreira. Boxeador de muita qualidade, cuja facilidade de controlar a distância incomodou Jones, o sueco mostrou enorme capacidade de engolir castigo e seguir em frente. Como é um cara bem rápido e ágil para seu porte físico, ele consegue surpreender os adversários com aproximações, seja para aplicar queda ou para encurtar e trabalhar potentes joelhadas ou uppercuts.

Jan Blachowicz

Jan Blachowicz

Depois de chegar ao UFC com moral para sacodir uma categoria que já foi a mais forte da organização, mas que foi transformada em terra arrasada por Jones (e agora por Cormier), Blachowicz só mostrou um lapso do que se esperava dele, exatamente na estreia contra Latifi. Em seguida, péssimas atuações renderam derrotas amplas para Jimi Manuwa e Corey Anderson. Nem mesmo o triunfo sobre Igor Pokrajac salvou sua reputação – pelo contrário, serviu para melhorar a do croata, que mostrou muita raça no combate.

O polonês é um striker tecnicamente bom, mas que falha nos momentos de ser mais agressivo e de impor volume de jogo. Seu jab de direita e os ganchos de esquerda funcionam bem sincronizados com os chutes, tanto os baixos quanto os rodados e os que miram a linha de cintura do oponente, como o que acabou com a raça de Latifi. No entanto, a defesa de quedas é triste e a capacidade de lutar com as costas no chão é ainda pior. Antes tido como esperança, agora Jan luta pelo emprego.

Alexander Gustafsson vs Jan Blachowicz odds - BestFightOdds

As largas odds para esta luta dão bem a ideia: tem que ser muito corajoso para apostar em Blachowicz. Gustafsson é melhor que o polaco em todas as áreas do jogo e ainda conta com a dificuldade que o rival tem de mudar o cenário de um combate. Se optar por lutar na longa distância, disparando poucos golpes, provavelmente Blachowicz será nocauteado. Caso decida encurtar, cresce a chance de ser jogado no chão e finalizado. Escolha o método que eu escolho o round: segundo.

Peso Meio-Pesado: #4 Ryan Bader (EUA) vs. #12 Ilir Latifi (SUE)

Ryan Bader

Ryan Bader

Capacidade técnica nunca faltou, mas Bader sempre teve que lidar com o oposto de Gustafsson. Depois de vencer o TUF 8, o americano emendou mais quatro triunfos, mas sucumbiu vexaminosamente para um ascendente Jones e emendou com uma ainda mais vergonhosa finalização para Tito Ortiz, que amargava cinco anos sem vencer. Depois de claudicar entre resultados, voltou a amealhar cinco vitórias seguidas e novamente foi alçado de nível. Desta vez, Anthony Johnson aplicou um dos nocautes mais previsíveis da categoria nos últimos tempos.

“Darth” Bader (não sei o que falar sobre este apelido, apenas sentir) é um wrestler muito potente, dono de quedas poderosas e enorme capacidade de manter o controle posicional quando cai por cima. Em pé, desenvolveu um boxe relativamente técnico, de elevado poder de nocaute, mas que reside por trás de um queixo frágil e uma capacidade incrível de fazer escolhas esdrúxulas numa luta. Por este motivo, acaba perdendo para os oponentes mais qualificados e fica com a carreira travada como um porteiro do top 5.

Ilir Latifi

Ilir Latifi

Depois de ter estreado de última hora levando um passeio de Gegard Mousasi, Latifi acabou com a raça de um punhado de incautos, quase sempre de modo violento. O inquebrável Gian Villante resistiu os 15 minutos, mas Sean O’Connell, Hans Stringer, Cyrille Diabaté e Chris Dempsey foram todos aniquilados em menos de três minutos – dois deles não passaram sequer do primeiro. No meio das destruições, foi pego por uma canelada de Blachowicz que dificilmente se repetiria numa revanche.

Como diria o grande filósofo Mução, peeeeeense num sujeito bruto, mais grosso do que cano de passar tolete. O malandro é tão estúpido que eu sempre gosto de lembrar que sua primeira luta, contra o igualmente equino Blagoi Ivanov, acabou em no contest porque o sueco fez o ringue desabar depois de uma entrada de clinch. Proveniente da escola sueca de greco-romana, nação terceira maior medalhista olímpica no estilo, o “Marreta” justifica o apelido com uma potência nos punhos que chega a ser engraçada, além de quedas doloridas e tentativas de finalização que fazem o sujeito bater para não ter o pescoço esmagado ou uma articulação destruída.

Ilir Latifi vs Ryan Bader odds - BestFightOdds

Colocar Latifi para baixo é tarefa complicada, ninguém ainda conseguiu. Bader é um wrestler bem melhor do que qualquer um que encarou o europeu antes, mas se aproximar de Latifi para tentar uma queda pode significar encontrar seu punho batizado pelo demônio. Em muitas oportunidades, duelos entre wrestlers competentes acabam rendendo pancadarias em pé. Se isso acontecer aqui, os fãs provavelmente vão se divertir.

Normalmente a técnica vence a força bruta e, por isso, Bader é o favorito ao controlar a distância na troca de golpes e fazer Latifi esgotar o gás tendo que correr atrás do rival. No entanto, essa suposta facilidade pode ir por água abaixo caso o americano cometa um erro – e ele é bem capaz disso – e acabe tendo o queixo testado pelo sueco. Exatamente essa proximidade com o precipício vai tornar o combate interessante. Ainda assim aposto que Bader levará na decisão, mas não descarto a possibilidade de um nocaute violento a favor de Ilir.

  • Saulo Henrique

    Alexandre, se Gusta vencer, e de modo contundente. .Já acha que vão mete-lo num outro title shot já? Parabéns pelo site maravilhoso.

    • Weslei Alvarenga

      Cara, se vc qr q ele tenha uma vida saudável pós aposentadoria, é melhor q ele faça 2 lutas antes ( se vencer sábado ) de um TS ( uma com alguem atras dele no ranking, Bader caso vença tbm e um top 4 ).

      • Saulo Henrique

        Perguntei por que ele poderia pegar alguém ranqueado..mas lá de trás. .se bem que o ufc as vezes casa umas lutas né. .

    • Da última vez nem precisou vencer, muito menos de modo contundente, né? O UFC faz umas coisas meio sem nexo de vez em quando, mas acho que agora não ia rolar. Comier vs Johnson já deve ser certo, então o próximo provavelmente terá que fazer mais uma luta antes.

  • Gabriel Fareli

    Card legal pra um sábado à tarde, ninguém vai precisar perder festa de família por um Card Fight Night.
    Minha maior curiosidade pra esse evento, é ver a atuação do Gustaffson depois de tanto tempo fora. O Sueco precisa de uma vitória convincente pra voltar ao Top 3 da categoria e pensar em disputa de cinturão de novo.

    Obs: “Darth” Bader (não sei o que falar sobre este apelido, apenas sentir)”

    O melhor apelido do Ultimate disparado 💜

  • James sousa

    o vencedor da luta principal seria um bom teste para Junior Cigano

  • Gabriel Carvalho II

    Arlovski vs. Barnett seria uma luta muito legal…em 2005.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Caramba, jurava que o Arlovski era favorito nas odds kkk, e aliás eu ri muito dessa luta do Latifi que ele destruiu o ringue, o negócio estorou praticamente hahahah, que loucura…

  • Weslei Alvarenga

    Sinceramente, msm sendo num horário agradável, só da vontade de ver as 3 lutas principais msm kkkkk..

    “Darth” Bader (não sei o que falar sobre este apelido, apenas sentir)”

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  • IMPERADOR

    Torcendo muito para Gustafsson recuperar o psicológico.
    Vencendo bem essa luta, poderia pegar um top 5. Depois disso, vencendo novamente, seria o desafiante de quem vencesse o duelo Cormier x Johnson.