Por Alexandre Matos | 06/11/2015 10:35

O pontapé inicial para o movimentado último bimestre do calendário anual do UFC acontecerá em São Paulo. O Ginásio do Ibirapuera será palco do UFC Fight Night 77, provavelmente o mais sólido card montado no Brasil em evento fora do sistema de pay-per-view.

Duas lendas colidem no combate principal quando Vitor Belfort e Dan Henderson subirão no octógono para definir quem será o vencedor da trilogia que começou no PRIDE, há quase 10 anos.

Buscando recuperação para tentar nova disputa do cinturão, Glover Teixeira terá pela frente o americano Patrick Cummins. Antes, Thomas Almeida, mais forte prospecto brasileiro da atualidade, volta à ação contra o também americano Anthony Birchak.

Gilbert Durinho e Alex Cowboys serão os representantes brasileiros do peso leve no card principal contra complicados oponentes do leste europeu. Durinho enfrentará o russo Rashid Magomedov, enquanto Cowboy baterá de frente com o polonês Piotr Hallmann. Abrindo a porção principal do evento, Fabio Maldonado pega o vencedor do TUF 19 Corey Anderson pela divisão dos meios-pesados.

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O UFC Fight Night 77 terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate, enquanto a Rede Globo vai mostrar parte do card principal também ao vivo. A primeira luta preliminar está prevista para ir ao ar a partir das 22:00h, enquanto o card principal começará à 01:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Médio: #4 Vitor Belfort (BRA) vs. #12 Dan Henderson (EUA)

Vitor Belfort

Vitor Belfort

Depois do mágico ano de 2013, Belfort (24-11 no MMA, 13-7 no UFC) viveu momentos distintos na carreira. Ele passou o ano seguinte inteiro afastado, seja por um problema com um teste antidoping após a extinção do TRT, seja por lesões de Chris Weidman. Os lutadores só se enfrentaram em maio deste ano e Belfort viu uma breve explosão virar um sofrimento até acabar nocauteado em meio round.

O fim do TRT também modificou o carioca fisicamente. A enorme quantidade de massa muscular foi dissipada e hoje ele realmente parece alguém com a idade que tem (38). A massa que foi embora levou também boa parte de sua explosão, característica fundamental em toda a sua carreira, mesmo depois que se tornou um lutador mais paciente. Tudo isso expôs ainda mais suas fragilidades defensivas, tanto na hora de conter tentativas de queda de wrestlers de elite quanto nas ocasiões em que acaba frustrado por baixo, sendo punido. A seu favor, Vitor desenvolveu um belo arsenal de chutes, tanto os baixos de controle de distância quanto os altos que finalizaram os três duelos de 2013.

Dan Henderson

Dan Henderson

Incansável, imparável, interminável. Aos 44 anos, quando todos acham que Henderson (30-13 no MMA, 8-7 no UFC) já deu o que tinha que dar, lá vem o veterano aprontar mais uma. Foi assim contra Maurício Shogun, em Natal, em 2014. Foi assim contra Tim Boetsch, neste ano. O problema é que Hendo foi embaraçado por Gegard Mousasi e Daniel Cormier entre as duas vitórias, completando um triste cenário de 2-5 no retrospecto recente (3-5 desde que retornou ao UFC trazendo o cinturão meio-pesado do Strikeforce).

Hendo também era usuário de TRT, mas, diferentemente do rival de sábado, não teve uma mudança física drástica. Ele já vinha mostrando dificuldade com o tratamento e não deve ter maiores quedas de rendimento. Porém, ele há muito não é mais o lutador rápido e feroz de outros tempos, não tem mais o wrestling como carro-chefe, tornando-se apenas alguém que vive com o punho direito engatilhado aguardando o momento certo de disparar o míssil. Deu certo contra Boetsch, contra Shogun, mas é um panorama difícil de confiar a uma altura dessa dos acontecimentos.

Dan Henderson vs Vitor Belfort odds - BestFightOdds

Provavelmente Hendo esteja com sede de vingança para devolver o minuto de massacre que foi exposto em 2013. Como Belfort não mais transborda testosterona por todos os poros, talvez o carioca tenha virado uma presa mais fácil. A vitória de Weidman poderia até apontar um caminho para Hendo voltar às suas origens, desgastando Vitor no clinch e no solo, tornando a luta dramática, mas dificilmente será o caso.

Belfort deve adotar uma tática cautelosa no começo, saindo da área de risco da Bomba-H e do clinch na grade, ao mesmo tempo em que posiciona sua canhota quase que igualmente devastadora. Sem precisar “matar ou morrer”, ele deverá encontrar o momento certo para explodir e chegar ao nocaute no primeiro assalto. Porém, se este tempo passar e o nocaute não vier…

Peso Meio-Pesado: #4 Glover Teixeira (BRA) vs. #9 Patrick Cummins (EUA)

Glover Teixeira

Glover Teixeira

Depois de conseguir a chance de lutar pelo título com cinco vitórias seguidas no octógono, Glover (23-4 no MMA, 6-2 no UFC) viu o valor de suas ações despencar após praticamente não ter chance alguma contra Jon Jones e de ter sido cozinhado por Phil Davis em pleno Maracanãzinho. No último combate, o mineiro iniciou sua recuperação com uma vitória maiúscula sobre Ovince St. Preux, que freou o crescimento do oponente.

O triunfo sobre OSP não serviu apenas para trazer de volta o ânimo e a confiança de Glover, mas também para relembrar ao mundo de que se trata de um lutador completo, um camarada que aprimorou o wrestling por muitos anos nos Estados Unidos, que já foi campeão brasileiro, que tem um vasto arsenal de finalizações no chão, seja por cima ou por baixo. E que sempre vai ter a bigorna no punho direito para resolver problemas um pouco mais intrincados. Se fosse um lutador mais rápido, Teixeira poderia dar ainda mais trabalho à elite da divisão (Jones, Cormier, Anthony Johnson e Alexander Gustafsson).

Patrick Cummins

Patrick Cummins

Em outras circunstâncias, talvez Cummins (8-2 no MMA, 4-2 no UFC) estivesse chegando apenas agora no UFC, em sua décima luta profissional. Aos trancos e barrancos, ele vai se estabelecendo no UFC, após chegar muito cru para encarar Daniel Cormier em cima da hora. Ele venceu três lutas consecutivas, mandou Cara de Sapato para a categoria de baixo, mas acabou nocauteado por St. Preux. A recuperação foi imediata quando veio ao Rio de Janeiro esmagar Rafael Feijão.

“Durkin” é um wrestler de elite, ex-integrante da seleção olímpica americana no estilo livre, que venceu Cormier numa seletiva olímpica. Suas quedas são precisas e o controle posicional no solo é pesado, praticamente sem dar brechas para raspagens, sob um ground and pound intenso. Porém, falta ainda muito na parte de luta em pé, tanto ofensivamente quanto para diminuir os imensos buracos defensivos que acabam expondo um queixo pra lá de duvidoso. Para isso, Cummins foi treinar com Rafael Cordeiro na Kings MMA, visando a mesma evolução obtida por Fabricio Werdum e Rafael dos Anjos.

Glover Teixeira vs Patrick Cummins odds - BestFightOdds

Este duelo pode se tornar interessante dependendo de como anda a evolução do americano no muay thai. É improvável que Glover consiga chegar ao solo em posição dominante usando apenas o wrestling. Porém, ele pode fazê-lo com um knockdown, emendando rapidamente com uma finalização. Para evitar este cenário, que é o mais provável de todos, Cummins terá que adotar uma aproximação segura, controlada, para não acabar acordando com a lanterninha do médico no olho. No entanto, é difícil imaginar que ele já esteja apto a encarar Teixeira em pé. A aposta é Glover por finalização na primeira metade da luta.

Peso Galo: #8 Thomas Almeida (BRA) vs. Anthony Birchak (EUA)

Thomas Almeida

Thomas Almeida

Desde que colecionava corpos estirados no chão que Thomas (19-0) era muito aguardado no UFC. Ele chegou e segue com a rotina de derrubar gente. Tim Gorman, oponente da estreia, só não foi nocauteado porque aguentou uma quantidade de castigo que raros seres humanos suportam. Já os veteranos Yves Jabouin e Brad Pickett não tiveram a mesma sorte e foram violentados pelo jovem fenômeno paulista.

Thominhas carrega seu jogo fortemente na base de muay thai desenvolvida por Diego Lima na Chute Boxe. Muito agressivo e inteligente, ele prefere a troca de golpes na curta distância, de onde até uma cotovelada em pé manda gente para a vala, mas é um perigo do mesmo nível lutando de longe, quando usa seu jogo de pernas fluido e lança combinações de jabs, diretos, ganchos, joelhadas e chutes com ritmo e precisão difíceis de lidar. Para piorar a situação dos adversários, ele tem muito sangue frio para sair de situações adversas – Pickett o mandou a knockdown duas vezes no primeiro round – e atrair os adversários para uma armadilha: confiando que a defesa de Almeida ainda é insuficiente, eles avançam para decidir e acabam vitimados por algum golpe que o garoto tira do nada.

Na luta agarrada, Almeida treina wrestling com o campeão paulista William Naim e jiu-jítsu com Marcos Barbosinha, um dos principais professores do estado. Como resultado, o lutador mostra o mesmo instinto matador no chão e, se não defende todas as quedas, sabe quicar e voltar em pé rapidamente.

Anthony Birchak

Anthony Birchak

Ex-campeão na organização canadense MFC, Birchak (12-2 no MMA, 1-1 no UFC) chegou ao UFC precedido por boas vitórias sobre Ryan Benoit e Roman Salazar, hoje companheiros de plantel. Sua estreia no octógono foi miada pelo problema que Renan Barão teve no UFC 177. “El Toro” voltou em dezembro, mas durou pouco mais de um minuto contra o finalizador inglês Ian Entwistle. Em seguida, encarou o ex-campeão do Bellator Joe Soto, que seria seu oponente da estreia, e surpreendeu com um nocaute em apenas 97 segundos.

Birchak possui forte base no wrestling nos estilos livre, greco-romano e colegial (folk) – defendeu a seleção americana e foi All-American pela Pima Community College, onde foi companheiro de time de Jamie Varner e Efrain Escudero –, além de ser um trocador dinâmico e fisicamente forte. Essa combinação é embalada por uma agressividade tão grande que às vezes até o deixa exposto. Porém, quando isso não acontece, Birchak se torna um rolo compressor na busca pelo clinch, posição em que ele brinca de derrubar. Na luta de chão, o faixa-roxa de jiu-jítsu não é tão versátil, mas é difícil de ser removido quando cai por cima e sabe martelar eficientemente no ground and pound.

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Este é um dos mais interessantes confrontos do evento. Como se trata de dois prospectos altamente agressivos e violentos, podemos esperar pancadaria franca aqui. Birchak não tem o talento de Thomas na troca de golpes, mas confia no queixo o suficiente para encarar a tempestade em busca de uma queda. Se vai dar certo é outra história. Minha aposta é que a luta terá momentos de deixar o público em pé até que Thominhas faça valer seu volume assombroso e nocauteie na segunda metade da luta.

Peso Leve: Alex “Cowboy” Oliveira (BRA) vs. Piotr Hallmann (POL)

Alex Cowboy

Alex Cowboy

O entrerriense Cowboy (12-3-1 no MMA, 2-1 no UFC) estreou no octógono levando pânico a Gilbert Durinho com apenas uma semana de preparação. Ele repetiu a antecipação contra KJ Noons e o finalizou brilhantemente em menos de três minutos, mostrando inteligência tática apurada para um sujeito que começou no MMA há apenas quatro anos. Porém, sinais claros de overtraining deram as caras contra Joe Merritt. Cowboy teve uma atuação menos intensa, mas novamente saiu vencedor.

Alex é um trocador de mão cheia, com um estilo muito potente e acumulador de nocautes. Ele começou no muay thai, depois de ser visto derrubando gente numa briga de boate para defender a irmã, e se profissionalizou, vencendo duas lutas antes de migrar para o MMA. O caminho seguinte foi adicionar o jiu-jítsu ao seu jogo – faixa azul de André Tadeu – montando a base típica do MMA brasileiro, que se mostrou muito valiosa contra um kickboxer da estirpe de Noons. Como é um sujeito fisicamente muito forte, Alex consegue causar danos na curta distância, mas mostrou contra Durinho uma eficiência também circulando e controlando o ritmo da pancadaria de longe.

Piotr Hallmann

Piotr Hallmann

O polonês Hallmann (15-4 no MMA, 2-3 no UFC) tem algumas boas apresentações no UFC, especialmente contra brasileiros. Ele virou uma luta contra Francisco Massaranduba, em Uberlândia, e perdeu controversamente para Gleison Tibau, em Brasília. Tentou dar um passo muito longo, mas foi barrado por Al Iaquinta. Na última luta, caiu diante do embalado prospecto Magomed Mustafaev.

O oficial da Marinha polonesa foi forjado no inferno esportivo, construindo fama de matador em quebra-paus homéricos disputados em eventos com regulamentação muito mais permissiva do que as Regras Unificadas de Conduta do MMA: ele já lutou valendo tiro de meta, pisão, joelhada na cabeça de oponente caído e até em lutas sem limite de tempo e peso, todo o rol de quase barbáries que as comissões atléticas baniram do esporte. Hallmann se sente mais confortável lutando no infighting, minando a concorrência num clinch violento, apesar de ter começado no caratê e ter praticado até capoeira em seu país. Como ele imprime um ritmo muito forte desde o começo e praticamente não para durante os 15 minutos, é sempre desagradável ter que lidar com esta intensidade.

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Este é um combate interessante, que pode ter inúmeros desdobramentos pelo confronto da fúria de Hallmann com a movimentação metódica de Cowboy. O brasileiro ficou muito forte fisicamente na categoria, mas o polonês equilibra as ações neste quesito. Alex deve controlar o ritmo e a distância no começo da luta, mas a expectativa é que o volume de jogo de Piotr mude este panorama a partir da metade do tempo, tornando o resultado imprevisível. Como estamos no Brasil, a aposta é Cowboy por decisão dividida.

Peso Leve: Gilbert “Durinho” Burns (BRA) vs. Rashid Magomedov (RUS)

Gilbert Durinho

Gilbert Durinho

Os primeiros passos de Durinho (10-0 no MMA, 3-0 no UFC) no octógono foram animadores, dignos da expectativa de sua carreira. Ele estreou batendo Andreas Ståhl e finalizou Christos Giagos em seguida, mostrando que é capaz de trocar, além da óbvia facilidade de finalizar. Porém, contra Alex Cowboy, precisou tirar forças do além para reverter dois rounds de desvantagem e pegar o oponente numa chave de braço a 46 segundos do fim da luta.

Um dos melhores lutadores de jiu-jítsu a migrar para o MMA nos últimos tempos, campeão mundial com e sem quimono, treinador da arte suave na Blackzilians, Durinho é um sujeito incrivelmente talentoso, de grande capacidade de aprendizado. O tempo treinando com o ex-campeão olímpico Kenny Monday melhorou muito o wrestling do niteroiense, o que acaba tornando seu jiu-jítsu ainda mais perigoso. Gilbert também evolui a passos largos na troca de golpes, desenvolvendo um boxe violento e de imenso poder de nocaute, além de bons chutes da safra do técnico Henri Hooft. As dificuldades apresentadas contra Cowboy foram em parte decorrentes de não ter encarado a luta com a devida seriedade, mas também mostraram um lutador que ainda se enrola diante de um trocador mais técnico.

Rashid Magomedov

Rashid Magomedov

Esta será a terceira vez que Magomedov (18-1 no MMA, 3-0 no UFC) virá ao Brasil encarar um território hostil, em sua primeira luta em 2015. Nas duas oportunidades anteriores, ele não sentiu nenhuma dificuldade ao atropelar Rodrigo Damm e Elias Silvério (este, nocauteado faltando três segundos para o fim). Antes, ele havia estreado vencendo Tony Martin, em fevereiro do ano passado.

Russo de excelente cepa, Magomedov vem da maior escola de wrestling da face da Terra, mas o que chama mesmo atenção em seu jogo é a troca de golpes vistosa, com combinações tecnicamente limpas e controle de distância ainda melhor. Ele dá a impressão de não desperdiçar golpes, fazendo com que os rivais sempre tenham que lidar com punhos e canelas disparados num fluxo difícil de antecipar. Para piorar a vida da concorrência, ele é também um contragolpeador de elite e leva vantagem mesmo na troca de chutes. Na luta agarrada, embora não faça frente a Durinho, Rashid faz muito bem as transições e tem boa defesa de quedas.

Gilbert Burns vs Rashid Magomedov odds - BestFightOdds

A dificuldade que Durinho teve para lidar com o kickboxing de Cowboy será levada a consequências bem mais extremas contra Magomedov. O brasileiro terá que levar a luta para o solo o mais rapidamente possível. Para isso, terá que invadir o apurado senso de distância do russo e depois suplantar sua defesa de quedas. É um cenário bem complicado, ainda mais contra um indivíduo que não se abala com plateias hostis, mas Gilbert tem talento para tal. Contudo, o daguestani é técnico o suficiente para sair de enrascadas no chão e bem superior em pé. A aposta recai numa decisão a favor de Magomedov.

Peso Meio-Pesado: #12 Fabio Maldonado (BRA) vs. #14 Corey Anderson (EUA)

Fabio Maldonado

Fabio Maldonado

Instável e empolgante até o talo, Maldonado (22-8 no MMA, 5-5 no UFC) vem de sua pior atuação no octógono. Contra Rampage Jackson, quando se esperava uma pancadaria intensa, o que se viu foi uma luta truncada que não entusiasmou ninguém. A derrota sucedeu a vitória sobre Hans Stringer, uma das muitas viradas que o bravo “Caipira de Aço” aplicou no UFC. Pelo menos o retrospecto recente mostra vantagem de 4-2.

Um dos camaradas mais boa-praça que o MMA já conheceu, de ótimo senso de humor e humildade e sinceridade cativantes, Maldonado é um ex-boxeador profissional que não desenvolveu muito mais do que isso no novo esporte. Seu wrestling defensivo segue muito deficiente e o ofensivo praticamente não existe. A guarda no jiu-jítsu foi pouco trabalhada (sábado é uma boa chance de mostrar) e raramente ele cai por cima de alguém. Porém, Maldonado tem uma capacidade sobre-humana de absorver castigo (e ele recebe muitos golpes em quase todas as lutas), se alimenta de sangue e é um predador na curta distância, com ferozes ataques à linha de cintura dos oponentes. Quanto mais os combates descambam para a pancadaria, mais Maldonado se sente em casa e mais seus fãs vão à loucura.

Corey Anderson

Corey Anderson

Depois de iniciar a carreira no UFC com duas vitórias, inclusive o título do TUF 19, Anderson (6-1 no MMA, 3-1 no UFC) acabou perdendo terreno na derrota para Gian Villante. Em seguida, mostrou o poderio de seu jogo contra o experiente Jan Błachowicz e, aproveitando que a divisão hoje é uma das mais rasas da organização, invadiu o top 15 com a importante vitória.

Ainda pode-se considerar que Anderson é um interessante prospecto saído de uma temporada sofrível do TUF. Wrestler talentoso, vice-campeão da Divisão III da NCAA pela University of Wisconsin–Whitewater, onde se formou em Administração, ele migrou para o MMA depois de falhar nas seletivas americanas para os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Foi “adotado” pela equipe de Frankie Edgar após o reality show, passando a ter o boxe moldado por Mark Henry e o jiu-jítsu por Ricardo Cachorrão. O resultado tem mostrado um camarada bom nas transições e cada vez mais safo nas três instâncias do jogo, embora ainda com falhas naturais do momento inicial na nova carreira. Contra Błachowicz, ele relembrou a todos que seu wrestling será um fator de peso na caminhada.

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Se há um estilo de luta altamente prejudicial para Maldonado é este. O brasileiro poderia se beneficiar de Anderson aceitar a pancadaria, como ele fez contra Villante, que já foi derrotado por Maldonado. Porém, a derrota fez Corey entender que octógono não é lugar para brincadeiras. Temos então duas possibilidades: Maldonado consegue atrair Anderson para sua armadilha e vence por decisão ou Corey aproveita o começo lento do brasileiro para arremessá-lo ao chão e puni-lo com ground and pound. O segundo cenário é o mais provável, levando o americano a uma vitória por decisão.