Por João Gabriel Gelli | 21/12/2014 23:31

Na noite deste sábado, o UFC realizou o último evento do ano de 2014, o UFC Fight Night 58, a segunda incursão da maior organização de MMA do mundo em Barueri. O evento foi capitaneado pelos retornos de Lyoto Machida, após a derrota na disputa de cinturão para Chris Weidman em julho, e de Renan Barão, depois de perder o título dos pesos galos para TJ Dillashaw e passar mal no dia da pesagem da revanche.

Desenroladas as lutas, vejamos agora o que o ano de 2015 reserva para as principais estrelas do card em seus próximos compromissos.

Lyoto Machida contra Luke Rockhold

Ao entrar no octógono para enfrentar CB Dollaway, Lyoto Machida tinha como objetivo se recuperar do revés diante de Chris Weidman no UFC 175 e recolocar seu nome entre os pretendentes a uma nova disputa de cinturão em 2015. Depois de conquistar o nocaute mais rápido de sua carreira, pode-se dizer que Machida realizou todas as suas metas.

A vitória reafirmou o “Dragão” na elite dos pesos médios, mas ainda o deixa atrás de nomes como Ronaldo Jacaré e Luke Rockhold na lista de candidatos a próximo desafiante. Como o campeão já tem compromisso agendado contra Vitor Belfort para o UFC 184, em 28 de fevereiro, e o vencedor do duelo entre Jacaré e Yoel Romero deverá ser o desafiante seguinte, Lyoto provavelmente terá que vencer mais duas lutas em 2015 para disputar o título em 2016 ou no final do ano que vem.

Para seu próximo adversário, já é quase certo que o brasileiro terá pela frente Luke Rockhold, que o desafiou pelo Twitter após a luta e teve o casamento abençoado por Dana White, que afirmou que fará o possível para que este combate aconteça. Este duelo seria uma das lutas mais chamativas possíveis da divisão, talvez uma das maiores que não envolva uma disputa de cinturão e facilmente lideraria um UFC na FOX ou faria o evento coprincipal de um pay per view.

CB Dollaway contra Michael Bisping

O americano CB Dollaway chegou em Barueri na expectativa de fazer a luta mais importante de sua carreira. No entanto, o resultado não saiu conforme o planejado e a ambição de Dollaway de se tornar um desafiante foi freada bruscamente e mostrou que, mesmo com a evolução mostrada nas últimas aparições, ainda não atingiu o nível para bater de frente com a elite da categoria.

Lyoto Machida conquista o nocaute mais rápido de sua carreira sobre CB Dollaway no UFC Fight Night 58

De forma semelhante a Dollaway, só que em mais oportunidades, Michael Bisping apresenta a crônica impossibilidade de bater um top 5 e se credenciar a uma disputa de cinturão. Após a derrota para Luke Rockhold, a coluna propôs que Bisping enfrentasse Gegard Mousasi. Contudo, o armênio foi casado contra Dan Henderson nesse tempo. Agora a proposta é botar o britânico frente a frente com Dollaway, em duelo que vai definir quem terá mais uma oportunidade de se estabelecer e quem sairá do top 10.

Outra opção: Perdedor de Tim BoetschThales Leites.

Renan Barão contra Raphael Assunção

Depois de começar o ano em um sonho ao receber o cinturão linear dos pesos galos, Renan Barão passou a viver um pesadelo ao ser totalmente dominado por TJ Dillashaw e acabar hospitalizado na véspera da pesagem da revanche imediata que recebera. Contra Mitch Gagnon, Barão tinha a chance de reencontrar o caminho das vitórias e se recolocar em rota de colisão com o campeão.

O atleta da Nova União venceu, mas não convenceu, tendo muito mais trabalho que o esperado, apesar de ter finalizado o adversário com um katagatame no terceiro round. Agora, provavelmente ainda terá que bater ao menos mais um oponente antes de disputar novamente o cinturão.

Como este próximo adversário surge Raphael Assunção, que poderá escolher entre Barão e Urijah Faber como seu oponente numa luta que credenciaria o vencedor a duelar pelo título.

Outra opção: Iuri Marajó.

Mitch Gagnon contra Joe Soto

A luta mais importante da carreira de Mitch Gagnon estava correndo bem, com o canadense inclusive roubando o segundo round de Barão, mas ele acabou finalizado no terceiro assalto. A performance pode não ter sido suficiente para lhe render uma vitória, mas elevou o valor de seu nome e deve garantir uma nova oportunidade contra um oponente com algum peso ou não derrubá-lo muito.

Como Gagnon ainda não é exatamente um nome consolidado na categoria, há uma extensa gama de adversários disponíveis para ele. Os melhores oponentes seriam Joe Soto, que perdeu para Dillashaw na última disputa de cinturão da divisão, mas também se apresentou de forma surpreendente, ou Aljamain Sterling, com quem Mitch já teve luta marcada em outubro, mas que foi cancelada por conta de lesão. A opção é pela primeira, porque Soto tem um nome mais reconhecido, o que pode ser bom para Gagnon nesta fase de sua carreira.

Patrick Cummins contra Jan Blachowicz

Depois de ser demolido por Daniel Cormier, Patrick Cummins chegou a ser motivo de piada. Porém, ao conquistar três vitórias consecutivas de forma dominante, provou que tem um enorme potencial e que seu wrestling bruto pode levá-lo inclusive ao top 10 da categoria dos meios-pesados.

O confronto mais interessante para Cummins até pouco tempo atrás seria enfrentar Ilir Latifi, só que este viu sua própria sequência de vitórias ser derrubada em seu último compromisso. Por isso, o interesse passa a ser ver o wrestler duas vezes All-American da Divisão I contra o homem que bateu Latifi, Jan Blachowicz, em duelo que deixaria o vencedor mais próximo do top 10 da categoria.

Outra opção: Ovince St. Preux.

Erick Silva contra George Sullivan

Erick Silva teve ótima atuação ao colocar Mike Rhodes para dormir (Foto: Mayara Pernetti/MMA Brasil)

Erick Silva teve ótima atuação ao colocar Mike Rhodes para dormir (Foto: Mayara Pernetti/MMA Brasil)

A carreira de Erick Silva no UFC é marcada por sempre dominar concorrência de nível mais baixo, ser casado contra oponentes de maior estirpe e sucumbir diante deles, sem nunca ter conseguido vencer duas seguidas, mas também nunca tendo uma sequência de reveses. Como em seu último combate foi derrotado por Matt Brown, a “regra” determinava que ele triunfasse sem maiores dificuldades ao enfrentar Mike Rhodes. O mandamento da carreira de Erick se cumpriu e um katagatame no primeiro round fez o serviço, apagando o americano.

O que se propõe aqui é uma quebra de paradigmas, com o brasileiro enfrentando alguém de nível mediano, mais condizente com sua atual posição, sem que ocorra um salto de etapas. Para isso, Silva pode enfrentar outro homem que derrotou Rhodes, George Sullivan, que vem de nocaute brutal sobre Igor Araujo em Brasília.

Outra opção: Hyun Gyu Lim.

E aí? Curtiram os casamentos? Muito obrigado pela audiência e pelas discussões em todas as colunas. Estamos de volta firmes e fortes ano que vem de novo.