Por Edição MMA Brasil | 30/11/2018 00:49

Segundo evento da dobradinha promovida pelo UFC neste final de semana, o UFC Fight Night 142 marcará a segunda visita do octógono a Austrália no ano de 2018, acontecendo no Adelaide Entertainment Center. O card, que acontecerá na manhã dominical australiana para poder ser transmitido sábado a noite para os Estados Unidos, trará um confronto de gerações no peso pesado.

Depois de conseguir sua primeira vitória em dois anos, Júnior Cigano buscará botar um fim na gangorra de resultados que tem vivido desde 2012, ocasião na qual conseguiu sua última sequência de triunfos. Para isso, o brasileiro terá que passar pelo invicto Tai Tuivasa, que terá todo o apoio da torcida local para a maior luta de sua carreira, em seu primeiro combate principal.

Mais lutas relevantes recheiam o card principal do evento, como o duelo de pesados entre Justin Willis e Mark Hunt, no qual o Super Samoano fará sua despedida do UFC, fazendo a última luta de seu contrato. Antes disso, o também veteraníssimo Maurício Shogun enfrentará o promissor Tyson Pedro no peso meio-pesado, em outro confronto com ares de troca de bastão.

Saindo das categorias mais pesadas, veremos também uma luta entre dois lutadores que vem escalando bem a difícil divisão dos meios-médios em Jake Matthews e Tony Martin, que prometem uma peleja animada. Enquanto isso, escondidos no preliminar, estão alguns duelos nos quais vale a pena se destacar, como Alexey Kunchenko enfrentando Yushin Okami nos meios-médios, e Wilson Reis confrontando Ben Nguyen nos moscas.

O UFC Fight Night 142 será transmitido ao vivo e na íntegra pelo canal Combate, continuando com os horrendos horários de 22:00h para a abertura do card preliminar e 01:00h para iniciar a porção principal do evento.

Peso Pesado: #7 Júnior Cigano (BRA) vs. #11 Tai Tuivasa (AUS)

Por Diego Tintin

Houve um tempo no qual Júnior dos Santos (19-5 no MMA, 13-4 no UFC) era o mais letal dos pesos pesados das artes marciais mistas. Movimentação inteligente, condicionamento impecável, mãos velozes e habilidosas, e uma patada capaz de derrubar um mamute causavam o terror na turma da divisão dos brutamontes. Mas Cain Velasquez – outra indigesta força da natureza – veio para vingar o antológico nocaute sofrido no primeiro evento do UFC da TV aberta americana. Aplicou-lhe duas surras não menos memoráveis e Cigano nunca mais foi o mesmo.

Não que o catarinense tenha virado um lutador ruim, mas os reflexos, velocidade e explosão nunca mais foram os mesmos, e ele passou a literalmente alternar vitórias e derrotas após a terceira luta com Cain. Ele até teve outra chance de disputar o cinturão, mas foi nocauteado por Stipe Miocic, a quem havia vencido dois anos antes. Hoje, dos Santos ainda é um boxeador habilidoso, porém a dificuldade em fazer tudo de forma natural e sincronizada como no passado só aumenta. Até sua saúde futura passa a ser motivo de preocupação, após dois pesados nocautes sofridos contra Miocic e Alistair Overeem, acumulados com a destruição em dose dupla imposta por seu arquirrival Velasquez.

Tai Tuivasa (10-0 no MMA, 3-0 no UFC) não é naturalmente talentoso como seu oponente deste sábado. Todavia, no árido panorama dos pesos pesados do UFC, ele aparece como uma aposta válida de renovação, ainda que lhe falte um pacote mais completo de habilidades. O australiano gosta de pressionar seus oponentes, apelando para sua grosseria das brabas para mandá-los para a vala mais próxima. Ainda peca no aspecto defensivo, a luta agarrada ainda não foi totalmente explorada, mas as poucas pistas transparecem que é inábil neste território. Compensando os problemas técnicos, Tuivasa apresenta um bom atleticismo para o nível de seus colegas de peso, oportunismo, resistência e valentia.

O “Bam-Bam” fez carreira na Austrália como dono do cinturão do Australian Fighting Championship. No octógono, disputou suas duas primeiras lutas ainda em seu país natal, quando liquidou os toscos Rashad Coutler e Cyril Asker no primeiro assalto. Aliás, a luta seguinte contra Andrei Arlovski foi a sua estreia nos Estados Unidos e o primeiro combate de sua carreira em que ouviu o som da buzina que determina o intervalo. Em um duelo equilibrado, seguiu invicto, mas dessa vez por decisão unânime dos juízes laterais.

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Na sua última luta, Cigano controlou Blagy Ivanov com jabs no rosto e no corpo, uma de suas melhores armas. Entretanto, no round em que Ivanov foi mais agressivo, passou por apuros que não passaria normalmente contra lutadores menos técnicos. Queremos dizer com isso que, no cenário atual, Tuivasa é um adversário muito perigoso para o ex-campeão. Com mais iniciativa e poder de nocaute que Ivanov, o filho de samoano pode avançar disposto a engolir os indigestos jabs de Cigano, para buscar a maior vitória de sua carreira.

Ainda assim, apostaremos aqui na boa e velha qualidade técnica contra a pujança física. Tomando os devidos cuidados, Cigano não deve dar espetáculo como já fez um dia, mas arranca a vitória fora de casa por decisão e se mantém relevante na organização.

Peso Pesado: #7 Mark Hunt (NZL) vs. #11 Justin Willis (EUA)

Por Pedro Carneiro

O interminável Mark Hunt (13-13-1, 1 NC no MMA e 8-7-1, 1 NC no UFC) continua na ativa aos 44 anos de idade. Possivelmente o dono do maior poder de nocaute da história do MMA, Hunt depende cada vez mais do poder de seus punhos, já que o condicionamento físico e até o seu poder de encaixe de golpes não são mais os mesmos. Isso se vê pelo retrospecto de 1-3 desde a polêmica luta sem resultado contra Brock Lesnar e seus anabolizantes, sendo que as três derrotas evidenciaram que os anos de treinamentos e combates estão cobrando o seu preço.

Hunt é um striker extremamente técnico, se destacando pela movimentação, que mesmo parecendo lenta, cria ângulos para encontrar os adversários e acertá-los com a bomba nuclear que o “Super samoano” tem nas mãos. A luta agarrada que já foi motivo de piada evoluiu um pouco e já é suficiente para se defender de algumas investidas, porém o condicionamento físico é a cada dia mais condizente com o de uma pessoa com 44 anos.

Se Mark Hunt apresenta uma forma lamentável aos 44 anos de idade, Justin Willis (7-1 no MMA, 3-0 no UFC) precisou de pouco mais de 30 anos para conseguir o mesmo feito.

Tal qual seu adversário, Justin também apresenta alto poder destrutivo com as mãos, mas diferentemente do neozelandês, possui no wrestling lapidado na AKA uma arma para tentar controlar as lutas. A luta em pé é baseada na tentativa de usar a explosão para acertar os seus socos, principalmente os de esquerda, mão de maior controle motor do americano.

Seu retrospecto no evento é positivo, tendo vencido todos os três adversários que enfrentou no UFC, entretanto a concorrência contra a qual foi construído não pode ser considerada das melhores. Além disso, o americando ainda é relativamente novo em uma categoria onde a média de idade é muito alta, o que pode se tonar um fator preponderante caso a luta se extenda além dos cinco minutos iniciais.

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Não é novidade para ninguém que Hunt virá com a estratégia de acertar a sua violenta mão na cara de Willis, e a trilha que o permitirá chegar até lá é a busca por ângulos e movimentação, principalmente tentando acertar os socos enquanto seu adversário está no meio do movimento de “passada” dos pés. Mark é especialista nisso e não foram poucos os incautos nocauteados ao serem pegos neste momento. Willis deve buscar o mesmo, tentando apagar o neozelandês, entretanto essa não será sua única arma, já que possui um decente jogo de wrestling, estilo contra o qual Mark Hunt sempre apresentou problemas na carreira.

É verdade que Justin ainda está no nível em que Hunt pode acertar uma mão e conseguir o nocaute, por outro lado a assimilação de golpes do “super samoano” já não é mais a mesma, a ponto de apagar o risco de ser nocauteado pelo americano. O cenário é bem aberto, mas apostaremos no wrestling de Willis e em uma vitória por nocaute técnico ou na decisão dos juízes.

Peso Meio-Pesado: #13 Maurício Shogun (BRA) vs. #11 Tyson Pedro (AUS)

Por Pedro Carneiro

Mauricio Shogun Rua (25-11 no MMA, 9-9 no UFC) é uma lenda do MMA. Com uma extensa carreira, o brasileiro já passou por tudo que um lutador poderia passar: foi campeão do Grand Prix de 2005 no extinto Pride com apenas 23 anos, enfrentou veteranos que já eram lendas, sofreu com lesões horríveis, estreou no UFC com altíssima expectativa e sofreu uma dura derrota, perdeu uma polêmica disputa de cinturão, foi campeão com um nocaute brutal na revanche, foi desbancado por um fenômeno do esporte, fez uma das maiores lutas da história contra Dan Henderson e depois de veterano sofre com resultados irregulares.

Talvez os nocautes avassaladores, os dramas ou os altos e baixos tenham sido os responsáveis por fazerem de Shogun um dos lutadores mais amados pelo público. O mais provável é que seja a soma de todos esses fatores, porém é sempre bom estabelecer todo esse contexto para falar do paranaense.

Shogun possui um muay thai que mistura perfeitamente a agressividade e a técnica, com misturas fluídas de socos, chutes e joelhadas nas combinações. Contudo todo esse arsenal está sucumbindo diante dos muitos anos de serviços prestados ao MMA. Os potentes chutes baixos que eram uma das referências do brasileiro estão cada vez mais raros após as lesões nos joelhos, a agressividade é contida pelo cansaço que está aparecendo cada vez mais cedo e o ex-campeão depende cada vez mais de suas mãos para conseguir suas vitórias. A luta agarrada segue o mesmo processo, o faixa preta de Nino Schembri já foi um excelente lutador de costas pro chão, com uma meia-guarda bastante eficiente e boas finalizações que saiam da posição, entretanto com o passar dos anos o uso desse artifício tem sido cada vez mais raro.

Apontado com um Top 10 do futuro, Tyson Pedro (7-2 no MMA, 3-2 no UFC) tentará provar no fim de semana que não é apenas uma promessa. Estreou bem no UFC em uma bela virada contra Khalil Rountree, porém após mais uma vitória, Tyson deu uma passo maior que as pernas e conheceu sua primeira derrota contra Ilir Latifi. Os resultados seguiram irregulares com uma vitória sobre Saparbek Safarov e derrota recente para Ovince St. Preux.

Pedro presenta características promissoras: boas finalizações, bom ground and pound, destreza para fazer passagens de guarda e nas transições. Na luta em pé, Pedro aproveita seu tamanho para trabalhar usando a longa distância e uso de contragolpes quando sua distância de segurança é ameaçada. O clinch e as joelhadas nessa posição também são um ponto forte no jogo do australiano, que é relativamente bom em todas as áreas e, se seguir evoluindo, pode ter um bom futuro no UFC.

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Diz o ditado que o leão novo come o leão velho. Fato é que o jovem leão tem apenas duas escolhas para sobreviver: mata o antigo e toma o território ou foge e busca um bando com leões da sua idade. Essa situação é uma metáfora perfeita para essa luta. Tyson Pedro precisa vencer Shogun para se estabelecer no alto escalão da categoria, já Shogun vê um jovem buscando tomar seu território em uma troca de bastão entre as gerações.

Tecnicamente, o australiano tentará usar a longa distância com golpes longos e retos ou a mais curta possível, com o uso clinch e joelhadas, mas deverá evitar a média distância onde será alvo dos potentes socos de Maurício. Tudo isso com a intenção de cansar o brasileiro para usar as quedas e capitalizar com o ground and pound ou uma finalização. Já Shogun deve apostar em seu boxe para conseguir um nocaute através dos seus punhos. Caso seja derrubado, o brasileiro pode até tentar algo no chão, embora as chances de conseguir uma finalização por baixo não sejam muito boas. Apesar do momento, não se pode desprezar um lutador com a técnica e potência de Shogun (afinal mesmo sem a energia da juventude, as presas de um leão velho podem matar), contudo a aposta aqui é que Tyson Pedro conseguirá a vitória na decisão dos juízes.

Peso Meio-Médio: Jake Matthews (AUS) vs. Tony Martin (EUA)

Por Thiago Kühl

Jake Matthews (14-3 no MMA, 7-3 no UFC) já acumula dez lutas no UFC e vai se mostrando cada vez mais próximo de se tornar o lutador que todos esperavam. O garoto de 19 anos com grande talento, que estreou no evento há quatro anos, demonstra evolução mesmo com a insistência em manter seu principal camp de treinamento longe dos grandes centros. pelo menos nos últimos tempos, o “Celtic Kid” tem começado a buscar algumas experiências fora da Austrália, como treinos de wrestling no Irã.

No retrospecto recente, conquistou três vitórias seguidas, incluindo triunfos contra os bons Li Jingliang e Bojan Velickvic – esta última por complacência dos juízes. Além dos resultados, as performances melhoraram, dominando totalmente o chinês Jingliang e vencendo Shinsho Anzai sem dificuldades em seu último combate. Se os treinos recentes numa das escolas mais duras de wrestling no mundo surtirem efeito, Jake pode finalmente estar pronto para tomar um lugar no complicado ranking do peso meio-médio, já que a falta de uma maior fluência na transição do jogo em pé para o chão é o maior buraco no jogo do australiano.

Tony Martin (14-4 no MMA e 6-4 no UFC) aparentemente tomou a decisão correta em subir de categoria. Após um inicio irregular e uma derrota contestável contra Olivier Aubin-Mercier no peso leve, o americano desistiu de sofrer no corte até 70 kgs e voltou a vencer na divisão de cima. Com boas atuações contra os experientes Keita Nakamura e Ryan LaFlare, outra mudança que fez o americano alcançar o melhor do seu jogo foi a decisão de treinar em tempo integral na American Top Team, evitando as longas viagens que fazia para seus treinos em Boston.

Martin sempre foi um lutador muito mais do grappling do que da troca de golpes. Faixa preta de jiu-jitsu, ele demorou a começar a usar o bom tamanho e sua grande envergadura, sendo que só nas suas duas últimas lutas o vimos se valer de tais características de forma eficiente. Contra Nakamura, Tony mostrou paciência e eficiência para desgastar o japonês em pé e evitar bem as quedas, sempre buscando finalizações quando Keitaro buscava quedas. Já contra LaFlare, conseguiu dominar a distância e chegar ao nocaute com um belo chute alto.

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Jake será o melhor wrestler no octógono e terá a possibilidade de decidir onde a luta irá transcorrer. Entretanto, terá que tomar cuidado para não cair nas inversões e tentativas de finalização que Tony tem em seu arsenal, caso decida por colocar o grappling ofensivo para jogo, abrindo possibilidade para um combate bem dinâmico.

Caso Matthews evite o solo, o duelo não perde apelo, muito pelo contrário, Martin tem utilizado mais a trocação do que no passado e aprendeu a usar a vantagem física na manutenção de distância. O ponto aqui é que as entradas do australiano tem sido cada vez mais precisas e potentes, inclusive se mostrando sem medo de engolir alguns golpes no caminho.

Quando um combate envolve dois lutadores em ascensão, muitas vezes se torna o divisor de águas na carreira do vencedor. Apostamos que esse será o momento de Matthews, que finalmente se apresentar para a parte de cima da divisão com uma vitória por interrupção na parte final da luta.

Peso Meio-Médio: Yushin Okami (JPN) vs. Alexey Kunchenko (RUS)

Por Idonaldo Filho

Não são muitos que podem falar que já ganharam de Anderson Silva antes de sua decadência, mas Yushin Okami (35-11 no MMA, 14-6 no UFC) tem essa moral. Tudo bem que o brasileiro não era ainda a lenda que viria a se tornar, e que em 2011 vingou essa derrota de forma inapelável, mas o japonês já foi um dos melhores da categoria e um bom valor para o UFC. Depois de ter levado a bota após uma derrota para Ronaldo Jacaré, Okami acertou com o WSOF, onde conseguiu uma carreira razoável, descendo para a categoria dos meios-médios. Após alguns anos, o japonês recebeu o chamado de última hora do UFC, que precisava de alguém com visto para salvar o UFC Fight Night 117. Pois Okami aceitou retornar a organização como meio-pesado enfrentando um brucutu em Ovince St.Preux. Obviamente isso não deu certo, e Yushin apagou na cilada que é o von flue choke do haitiano, mas se recuperou na sequência vencendo Dhiego Lima na decisão unânime dos juízes.

O japonês é carateca, mas conhecido principalmente pelo seu forte judô e pelo famoso jogo de domínio sem efetividade, chegando a parecer um cobertor humano. Uma estratégia que muitos lutadores asiáticos são criticados por aplicar, mas que é inegavelmente efetivo muita das vezes. O seu estilo em pé é mais baseado em chutes, com a base aberta típica do karatê, mas ele deixa algumas brechas para receber golpes, já que não tem a melhor das guardas. Além disso, os 37 anos de idade e a já extensa carreira não ajudam muito no quesito absorção de golpes. Além do judô, que é mais utilizado no clinch da grade, Okami possui um wrestling de nível decente, o qual ele usa para buscar quedas a partir do centro do cage.

Um lutador russo, invicto em seus 19 combates feitos e ex-campeão do tradicional M-1 Global é, com toda certeza, algo a se temer. Alexey Kunchenko (19-0 no MMA, 1-0 no UFC) não é exceção, e é um dos atletas que mais eram esperados para fazer a transição do cenário regional russo para o UFC, e isso foi possível devido ao acordo costurado com o M-1 Global. Em sua estréia, Kunchenko não empolgou muito o público, indo para a decisão com o antes perigoso, mas agora decadente, Thiago Pitbull, em luta na qual ouviu algumas vaias do público local, que estava presenciando o primeiro evento do UFC em solo russo.

Antes de tudo, devemos ressaltar que fazendo 35 anos em maio do ano que vem, Kunchenko não é dos mais novos, e nem é o tipo comum de prospecto que o UFC traz da Rússia, por ser um striker e também por já ter vasta experiência, assim já sendo lançado contra adversários mais gabaritados como Pitbull, e agora Okami. Temos aqui um lutador de início quase sempre lento, que não imprime tanto volume em seus combates, mas que geralmente não precisa disso para vencer. O russo é dono de um bom poder nos punhos e de sequências que, embora escassas, são precisas e fatais – geralmente jogando a mão da frente para disfarçar o canhão que está sendo armado, com a mão que ficou para trás. Fazendo vários treinamentos na Tiger Muay Thai, em Phuket, na Tailândia, o seu muay thai vem se tornando cada vez mais refinado, já possuindo a ajuda de seu background no hand to hand combat, o qual ele constantemente mostra em suas lutas com poderosos chutes, tanto na perna quanto no corpo.

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Kunchenko, como já dito, não é aquele lutador sanguinário, que morde o protetor e vai perseguindo o adversário querendo arrancar sua cabeça. Ele é um lutador bastante técnico, que gosta de dominar o centro do cage, acuar seu adversário contra a grade e, assim, emendar algumas sequências singulares, mas potentes.

Embora Okami seja o maior lutador neste casamento, ele está longe de seu auge físico, e algumas de suas lutas do WSOF conseguem ser mais tristes de se ver do que as que fazia antigamente no UFC. O japonês deve tentar ficar pouco na trocação, partindo logo para derrubar o russo. Porém, Kunchenko deve conseguir frustrar as tentativas fazendo bem os sprawls e, em uma dessas defesas, nocauteará Okami no ground and pound, acredito que no meio do primeiro round.

Peso Mosca: #8 Wilson Reis (BRA) vs. #10 Ben Nguyen (EUA)

Por Bruno Costa

Wilson Reis (22-9 no MMA, 6-5 no UFC) busca encerrar a série de três derrotas seguidas, iniciada quando desafiou Demetrious Johnson pelo cinturão do peso mosca e acabou dominado do início ao fim do combate. Na sequência, enfrentou também o atual campeão Henry Cejudo e um antigo desafiante em John Moraga.

O brasileiro é um ótimo grappler, com jogo de quedas suficiente para dar conta da maioria dos lutadores da divisão. Tem ótimas transições e senso de oportunismo para acabar a contenda no primeiro erro significante cometido pelo adversário. Na trocação, ofensivamente nunca apresentou bom volume de golpes ou potência que representasse grande ameaça aos oponentes de mais alto nível. Contudo, apresentava boa melhora de confiança em suas habilidades até ser dominado na disputa pelo título. De lá pra cá, embora tenha enfrentado duros desafios, Reis parece muito mais pensativo e, até certo ponto, preso para soltar seu jogo, fazendo dele mais dependente do que nunca do jogo de quedas. O desgaste da longa carreira, cheia de competição do mais alto nível, aliado a uma defesa pouco eficiente na troca de golpes, pode começar nesse momento a cobrar o preço.

Ben Nguyen (17-7 no MMA, 4-2 no UFC) é mais um talentoso lutador ofensivo da moribunda e divertida faixa de peso. Um finalizador de lutas nato (em apenas três ocasiões na carreira os juízes laterais precisaram trabalhar), o americano deixa a desejar também nos cuidados defensivos.

Bem utiliza com frequência chutes no corpo e perna do adversário, buscando minar o gás e variar as ações adicionando jabs e potentes diretos. Muito constante nas ações, gosta de impor ritmo acelerado aos combates e é capaz de conseguir explosivas quedas em busca de rápidas finalizações. Contudo, essa é uma ideia perigosa para o próximo combate. Sua defesa de quedas é até competente, mas deixou a desejar contra outro experiente grappler, quando acabou derrotado por Jussier Formiga.

Ben Nguyen vs Wilson Reis odds - BestFightOdds
 

Em uma luta que provavelmente contará com muitas ações e promete acabar antes dos 15 minutos regulares, a empolgação fica comprometida pela incerteza acerca do futuro do peso mosca no UFC. Nguyen tem lapsos que expõe com frequência seus problemas defensivos e um queixo suspeito. Reis tem qualidades para expor os problemas do adversário, mas enfrentará um duro desafio contra alguém de enorme potencial ofensivo e qualidades o suficiente para mandá-lo para a vala.

Para o combate de sábado, a aposta é que o ritmo, velocidade e explosão de Nguyen sejam o fator prevalecente na luta, aumentando para quatro a sequência de derrotas de Reis em uma interrupção na primeira metade do confronto.

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