Por Edição MMA Brasil | 15/11/2018 23:46

A expansão internacional do UFC segue com o desbravamento do terceiro país sul-americano. Depois de chegar ao Chile, em maio, o octógono desembarca em Buenos Aires para o UFC Fight Night 140, que terá como palco o Estadio Parque Roca, rebatizado como Estadio Mary Terán de Weiss, tradicional palco do tênis portenho.

A estrela óbvia foi escalada para liderar o evento. Santiago Ponzinibbio, principal nome do MMA argentino, tenta ultrapassar o top 10 contra o americano Neil Magny, oitavo da classificação dos meios-médios. Antes deles, os penas Ricardo Lamas e Darren Elkins tentam voltar à coluna das vitórias após reveses nas últimas apresentações.

Pela divisão dos meios-pesados, o nocauteador Khalil Rountree dá as boas-vindas ao brasileiro com ar escocês Johnny Walker. Um nível abaixo na escala, o peso médio brasileiro Cezar Mutante bate de frente com o americano Ian Heinish, outro estreante do card. Complementando o card principal, o local Guido Canneti encara o equatoriano Marlon Vera, enquanto Cynthia Calvillo duela com Poliana Botelho.

O UFC Buenos Aires será transmitido ao vivo e na íntegra pelo canal Combate. Seguiremos com os horários cruéis de 22:00h para a abertura do card preliminar e 01:00h para iniciar a porção principal do evento.

Peso Meio-Médio: #8 Neil Magny (EUA) vs. #10 Santiago Ponzinibbio (ARG)

Por Alexandre Matos

Afastado três anos e meio da melhor sequência da carreira, com sete vitórias seguidas no UFC, Magny (21-7 no MMA, 14-5 no UFC) experimentou uma queda de rendimento, com resultados que expressam com clareza a sua inconsistência. Enquanto venceu Carlos Condit e Johny Hendricks – ambos mostrando sinais de decadência, é verdade – Neil caiu para Lorenz Larkin, que meteu o pé para o Bellator em seguida. Em maio, Magny esteve em Liverpool quando nocauteou o limitado estreante Craig White.

Revelado pelo antigo rei dos galos Miguel Torres, Magny começou no mundo das lutas pelo jiu-jítsu. A julgar por algumas de suas atuações, o mestre não deve andar satisfeito. Nas derrotas para Demian Maia e Rafael dos Anjos, Magny somou um único golpe contundente aplicado no meio do vareio que levou no solo. Esta é uma estatística curiosa para alguém que se notabilizou pelo boxe de elevado volume de golpes, embora baixo poder de nocaute. Por ter a maior envergadura da divisão, normalmente cabe a ele controlar a distância com socos em linha reta e chutes baixos, mas a falta de velocidade que às vezes apresenta torna esta missão mais complicada do que deveria.

Primeiro argentino a ter uma sequência no UFC, Ponzinibbio (27-3 no MMA, 8-2 no UFC) surgiu do MMA nacional como um voluntarioso até atingir o status de legítimo integrante da elite de uma das divisões mais duras do UFC. O finalista do TUF Brasil 2 perdeu duas das quatro primeiras no octógono antes de emendar a série seis vitórias que perdura desde o fim de 2015. Bater Gunnar Nelson e Mike Perry garantiram a entrada e manutenção de Santi no ranking da categoria.

Embora oriundo do kickboxing, foi o jiu-jítsu brasileiro, da época que tomava escovadas seguidas na academia em Florianópolis, que fez “El Rasta” começar a ser enxergado no MMA. Ele se reinventou quando se mudou para a Flórida, para treinar na American Top Team. Sob o comando de Katel Kubis, Ponzinibbio se tornou um lutador menos afobado, que escolhe melhor os golpes, mas que ainda tem momentos de explosão, agora bem mais dosados. Essa dosagem inclusive agora permite que ele estenda as lutas sem apresentar os problemas graves de condicionamento cardiorrespiratório que o acompanharam a vida toda.

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Combate sob medida para encerrar a primeira viagem do UFC à Argentina, com alto potencial de entretenimento e um oponente com problemas defensivos que o dono da casa tem capacidade de capitalizar.

A velocidade nas pernas e a capacidade de se movimentar lateralmente serão as principais chaves para Ponzinibbio no combate. Enquanto Magny executar sua ópera de uma velocidade, o argentino deverá escapar dos braços em forma de esgrima do americano para golpeá-lo na linha de cintura e na lateral da cabeça. Em meio a um dos lapsos de atividade ofensiva que Neil apresenta, uma explosão de Santiago poderá dar contornos finais ao duelo. A aposta é num nocaute de Ponzinibbio antes de dez minutos de luta.

Peso Pena: #12 Ricardo Lamas (EUA) vs. #13 Darren Elkins (EUA)

Por Thiago Kühl

Por muito tempo, Ricardo Lamas (18-7 no MMA, 9-5 no UFC) foi um membro efetivo da elite do peso pena, chegando a ter sua chance em uma disputa de cinturão contra José Aldo. Ainda esteve envolvido em duas eliminatórias, contra Chad Mendes e Max Holloway, saindo derrotado de todas as oportunidades. Ocorre que na altura dos seus 36 anos, a fase não é das melhores: nas últimas lutas, duas derrotas, uma por nocaute contra um surpreendente Josh Emmett e uma decisão apertada contra o ascendente Mirsad Bektic. Num momento de renovação da categoria, Lamas precisa mostrar que seu tempo não passou.

Mesmo com o cruel retrospecto recente, “The Bully” não chegou ao topo por acaso. O lutador da MMA Masters tem um background bastante completo: Wrestler na universidade, graduado na faixa preta de Jiu-Jitsu, dono de um alinhado boxe e um decente jogo de chutes, se manteve sempre como um perigo dentro do peso. Passar por Lamas sempre significou estar dentro do mais alto escalão da categoria até 66 quilos. O que talvez tenha faltado durante seus anos dentro da elite, tenha sido o famigerado fator-x, sempre que precisou daquele “algo a mais” para subir de nível, ficou na mão.

Desde 2010 dentro do plantel do UFC, Darren Elkins (24-6 no MMA e 14-6 no UFC) teve sua ótima sequência de seis vitórias no peso quebrada após uma derrota para Alexander Volkanovski, mais um dos novos nomes que tem tomado o peso pena. Até então, esperava-se que Elkins fosse colocado em uma luta de alto calibre, estando até próximo de uma eventual disputa de cinturão, mas a conturbada situação do topo da categoria acabou deixando “The Damage” de fora até que a derrota chegasse, agora contra Lamas, tenta mostrar que ainda há possibilidade de integrar a elite do peso.

Tal qual seu adversário deste sábado, Darren tem um arsenal bastante interessante. Wrestler, bom finalizador, não nega uma trocação, tem um queixo dos bons e um coração de fazer inveja, inclusive esta característica tem marcado bastante sua trajetória. São poucas as lutas que o produto da Team Alpha Male não termina como um zumbi e com a cara toda ensanguentada. O excesso de coração também se traduz no maior buraco do seu jogo: a falta de preocupação defensiva, que pode começar a cobrar o preço de uma hora para outra. Ainda mais aos 34 anos e com trinta lutas nas costas.

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A luta coprincipal do evento de Buenos Aires tem aspectos interessantes: dois veteranos versáteis, que se estão fora dos seus melhores momentos, ainda integram a parte de cima da categoria, procuram uma boa vitória para dar início a uma última corrida pelo topo. Dentro deste roteiro, as coisas se equilibram bastante. Elkins tem mais lutas e mais danos sofridos devido à falta de preocupação defensiva. Por outro lado, Lamas parece estar mais distante do melhor momento da carreira e com menos gás para uma nova subida ao topo.

Do lado técnico, Ricardo se destaca mais, tem um jogo mais apurado e mais completo, principalmente do lado defensivo, o que pode acabar sendo fundamental no sábado. Porém, o filho de pai cubano e mãe mexicana terá que cortar um dobrado para conseguir quebrar a vontade de Darren. Este, sem dúvida, não sairá do octógono sem deixar o tablado todo pintado de vermelho. Sem mais delongas, aposto que teremos 3 ótimos rounds e que, ao final, Lamas terá o braço levantado em uma decisão por pequena margem.

Peso Meio-Pesado: Khalil Rountree (EUA) vs. Johnny Walker (BRA)

Por Matheus Costa

Repleto de duelos divertidos, o UFC Buenos Aires também traz um confronto especial para os admiradores de luta em pé. O duelo entre Khalil Rountree e Johnny Walker deve animar os argentinos presentes na arena, até porque não deve chegar na mão dos juízes.

Khalil Rountree (7-2-1 no MMA, 3-2-1 no UFC) é um lutador pouco versátil. Possui um bom kickboxing, embora mais potente que técnico, com poder de nocaute acima da média. Por outro lado, tem grande deficiência na luta agarrada e pode ser neutralizado inclusive por lutadores que não são grandes especialistas neste ambiente.

O “Cavalo de Guerra”, que segundo a lenda, teria nocauteado Anderson Silva em alguns treinos, gosta de pressionar bastante seus adversários e golpear na curta distância usando combinações que são muito potentes. Sua defesa de golpes não é das melhores, mas nada que seja preocupante, já que seu queixo é bom na matéria de absorver golpes – ele nunca foi nocauteado na carreira.

De jogador de vídeo games de MMA aos octógonos na vida real, Johnny Walker (14-3 no MMA) fará sua aguardada estreia em uma luta complicada. Com um bom currículo que soma passagens pelo cenário brasileiro e europeu, o xará do whisky escocês chegou ao UFC através do Contender Series Brasil após vencer o veterano Henrique Frankstein por decisão unânime – a primeira de sua carreira. Aos 25 anos, o moço de Belford Roxo é um nocauteador bem agressivo, embora tenha um estilo diferente de seu adversário. Walker é muito grande para a categoria e possui uma enorme envergadura de 2,06m, logo, baseia seu jogo na longa distância, usando muitos golpes plásticos e boas combinações. Também gosta de dar show aos fãs e isso acaba lhe rendendo alguns problemas em certas oportunidades.

Na luta agarrada, Walker é decente tanto atacando quanto defendendo, e sua principal qualidade é o ground and pound. Os pontos fracos do atleta são a deficiente defesa, com pouca movimentação de cabeça e esquiva, além de seu condicionamento físico, que não é dos melhores e costuma deixá-lo na mão na segunda metade das lutas.

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A lógica do confronto é que ele não chegue na decisão dos juízes. A estratégia de Khalil é manter a luta em pé e jogar na curta distância, onde teria grandes chances de nocaute. Por outro lado, o brasileiro não deve pensar em trocar golpes tão de perto. Manter a distância com jabs e movimentação lateral ao redor do octógono seria essencial, mas leva-lo para o chão para trabalhar por cima tem que ser a prioridade de sua estratégia, pois é lá que teria a maior chance de sair com a vitória.

A missão de Johnny Walker é complicada, e pesa o fato dele ter mais pontos negativos que não casam muito com o jogo do americano. Portanto, aposto no nocaute de Rountree no segundo round em uma luta muito divertida.

Peso Médio: Cezar Mutante (BRA) vs. Ian Heinisch (EUA)

Por Bruno Costa

Cezar Mutante (13-6 no MMA, 9-4 no UFC) volta ao octógono em busca de sua terceira vitória consecutiva na organização. O brasileiro campeão da 1ª edição do TUF brasileiro já completou seis anos de serviços prestados no UFC, colecionando algumas boas vitórias e outras derrotas devastadoras.

Desde sua volta ao peso médio após uma péssima experiência na categoria de baixo, Mutante demonstra ser um lutador muito maduro e ciente do notório problema de absorção de golpes. Um fator muito importante para sua ressurgência na carreira foi a menor exposição de seu queixo, trabalhando com menor potência e volume de golpes para priorizar a defesa, além da utilização do bom jogo de quedas e trabalho posicional em busca de brechas para finalizações oportunistas. O brasileiro também sabe trabalhar com competência no clinch quando sente necessidade de travar as ações adversárias.

Em seu último revés, contra Elias Theodorou, encontrou um rival com regular capacidade na defesa de quedas e finalizações, aliados a bom condicionamento físico, conseguindo vantagem no volume de golpes contra um ressabiado Mutante.

Ian Heinisch (11-1 no MMA, 0-0 no UFC) estreia na organização com pouco tempo de preparação, contra um experiente rival e longe de sua casa. Contudo, está longe de passar pela situação mais hostil de sua vida.

Um wrestler de origem, campeão estadual no Colorado no ensino médio, Heinisch é um ser humano de história notável. Ainda na sua juventude, após abandonar no início sua formação em North Idaho College, passou a traficar drogas. Foi preso em seu estado de origem, pagou fiança para responder ao crime em liberdade, fugiu dos Estados Unidos e começou a traficar novamente após fugir para a Europa. Preso novamente, dessa vez na Espanha, Heinisch cumpriu sua pena por mais de três anos. Na volta aos Estados Unidos, foi apreendido por ter fugido antes de ter seu caso julgado e passou mais algum tempo sem liberdade. Recuperado, diz que as experiências salvaram sua vida e fizeram com que focasse nas artes marciais.

Muito explosivo e com bom condicionamento físico, o “Furacão” busca a todo instante pressionar seus rivais contra a grade se utilizando da ameaça que representa sua dura mão direita. De lá, além do perigo que representa trocando porradas na curta distância, tem facilidade em buscar quedas e trabalhar com violência absurda no ground and pound. A agressividade que apresenta no cage pode custar caro, uma vez que por diversas ocasiões se expõe em excesso e possibilita ao adversário que se coloque em posição de vantagem.

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Mutante é um lutador que tem conseguido sucesso contra competidores ainda verdes no octógono e que carecem de mais refino técnico e experiência. O brasileiro pode apresentar problemas para Heinisch com o seu jogo de quedas e finalizações, aproveitando de algum momento de superexposição do rival. Contudo, caso não sofra demais com o pouco tempo de preparação e corte de peso, o americano tem boas condições de passar por este teste. A origem no wrestling e o baixo centro de gravidade tendem a dificultar o trabalho do brasileiro de coloca-lo de costas para o chão. A maior dificuldade é se proteger com competência da sua própria agressividade.

Mantendo a pressão e o alto ritmo em que gosta de trabalhar, a aposta é que Heinisch encontre o combalido queixo do brasileiro e consiga uma interrupção por nocaute técnico ainda nos primeiros dez minutos de ação. Para evitar esse cenário, Mutante precisa ter paciência em suas ações, travando a luta a todo o momento no clinch e se utilizar com constância de chutes frontais sem desleixo para manter a distância do rival, fazendo com que o pouco tempo de preparação traga o cansaço e facilite uma vitória na decisão.

Peso Galo: Guido Cannetti (ARG) vs. Marlon Vera (EQU)

Por Idonaldo Filho

A Copa América é só ano que vem, mas já entraremos em clima com uma batalha entre Argentina e Equador no UFC. Aos 38 anos, Guido Cannetti (8-3 no MMA, 2-2 no UFC) é um daqueles lutadores que só entraram no UFC devido ao TUF América Latina (que nem existe mais), e ainda perdeu as duas lutas que fez na casa, sendo contratado mesmo assim. Depois de ficar parado por 3 anos, com uma suspensão da USADA no meio, Cannetti retornou neste ano, caindo em uma armadilha de Kyung Ho Kang, mas vencendo o fraco Diego Rivas na decisão dos juízes seis meses depois .

Cannetti intercala os treinamentos entre a sua academia local e a Team Alpha Male na Califórnia. Seu jogo é marcado por mais problemas do que qualidades em si. Em pé, prefere o uso de uma base mais aberta e não demonstra muita habilidade no uso do jab, nem no boxe em geral. Por isso, prefere focar nos chutes, tanto para medir distância quanto para causar dano ao adversário. Quando utiliza de socos, o faz quando o oponente está sem o domínio do centro do octógono. Sua afobação no ataque costuma abrir sua já esburacada e pobre defesa, proporcionando curtas pancadarias.

A única arma relevante de Cannetti é o seu wrestling, que tem nível minimamente decente. Era útil na sua carreira pré-UFC, mas como o nível subiu, pouco consegue com essa ferramenta. Defensivamente, ele não é um bom evitando quedas e tem certa habilidade na disputa de forças no clinch, mas muito pela força e pouco pela técnica. No chão, Cannetti dá brechas defensivas gritantes, e contra seu próximo adversário, isso será muito perigoso.

Representante equatoriano no UFC, Marlon “Chito” Vera (13-5-1 no MMA, 5-4 no UFC) chegou a ter um bom momento no UFC, conquistando três vitórias seguidas. Duas delas importantes: o chutaço que frustrou a aposentadoria de Brad Pickett em plena Inglaterra e uma chave de braço que surpreendeu o bom Brian Kelleher. O UFC se empolgou achando que havia encontrado uma estrela para o mercado latino e o escalou contra John Lineker. O resultado foi um desempenho digno, mas que não ameaçou o potente brasileiro. Marlon ganhou outra chance contra um adversário parecido, mas Douglas d’Silva repetiu a dose e carimbou a segunda derrota seguida do equatoriano. Em sua última luta, quebrou a sequência de derrotas contra o pouco relevante Wuliji Buren.

Faixa preta de jiu-jítsu, Chito é um grappler agressivo e criativo, dono de uma guarda ativa. Entretanto, ele sofre um pouco pela falta de habilidade no wrestling, com dificuldades para colocar o adversário no solo. Em pé, não tem um bom boxe dos melhores, embora mostre certa evolução. Costuma fazer bom uso uso dos chutes, tanto nas pernas quanto na cabeça, aliando boa técnica e potência.

Vera não é um lutador de muita noção defensiva, fazendo uso de sua boa absorção para compensar a deficiência na proteção. O problema defensivo se expande às quedas, já que o equatoriano aparenta aceitar ser levado ao solo com pouca resistência. Ele treina na boa academia Team Oyama e tem margem de crescimento, já que só tem 25 anos de idade.

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Não tenho muitas dúvidas de que Cannetti vai tentar derrubar Vera, pois o equatoriano tem uma defesa de quedas frágil e Guido não é bom em pé. Só que o problema é que o argentino não é o melhor defensivamente no solo, e pode acabar caindo em uma arapuca como foi contra o coreano, que o finalizou em um belo triângulo.

Outra alternativa possível é que o combate seja disputado em pé. Vera também tem vantagem pois é maior e mais habilidoso, tanto com as mãos como com os pés. Cannetti, por sua vez já mostrou alguns problemas sérios defensivos. Acredito no cenário anterior, em que o argentino derruba, se enrola no solo, é raspado e finalizado em uma chave de braço ainda no primeiro assalto.

Peso Palha: Cynthia Calvillo (EUA) vs. Poliana Botelho (BRA)

Por Diego Tintin

Cynthia Calvillo (6-1 no MMA, 3-1 no UFC) experimentou uma ascendência incomum no mundo do MMA. Após duas vitórias no pequeno evento Global Knockout, fez um teste no LFA contra Montana de la Rosa, a quem nocauteou no terceiro round após atuação segura. O UFC achou que já era suficiente e a casou contra a vice-campeã do TUF 23 Amanda Cooper. Vimos um passeio de Cynthia na luta agarrada e, logo em seguida, outro sobre Pearl Gonzalez. Na sequência, lutou em pé de igual para igual contra Joanne Calderwood e utilizou o grappling para desequilibrar a contenda, em uma estratégia inteligente. A invencibilidade ruiu contra a ex-campeã Carla Esparza em luta muito equilibrada. Para piorar a situação, Cynthia foi flagrada no antidoping por uso de maconha e levou um gancho de seis meses.

A maior força no jogo de Calvillo é o seu jiu-jítsu oportunista, com transições inteligentes e bom controle no solo. A trocação evolui a cada apresentação, mesmo carente em combinações mais longas, ela compensa com boa potência para a divisão.

Poliana Botelho (7-1 no MMA, 2-0 no UFC) fez seu nome no MMA ao conquistar o importante título peso-mosca do XFC, vencendo bons nomes como a mexicana Karina Rodriguez e a argentina Silvana Gomez Juarez. No Brasil, tornou-se conhecida do público ao participar de uma novela da Rede Globo, contracenando com Paolla Oliveira, a quem ajudou na preparação para interpretar uma lutadora de MMA. No UFC, Botelho também venceu Pearl Gonzalez e nocauteou em meio minuto a até então invicta japonesa Syuri Kondo.

A mineira de Muriaé tem seu ponto forte no muay thai agressivo, baseado em chutes nas pernas e no corpo com muita potência. Contra Calvillo será fundamental utilizar fintas para “esconder” os chutes, ou será em algum momento derrubada pela americana. A luta agarrada está em desenvolvimento, já apresenta um bom nível, mas não é a melhor estratégia neste combate. Outra característica de Poliana é a tomada de iniciativa, quase sempre colocando pressão nas oponentes, o que torna suas lutas sempre atraentes, embora possa deixá-la eventualmente exposta contra especialistas em contra-ataque.

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Teremos uma nova edição da clássica rivalidade entre o Team Alpha Male, da Califórnia e a Nova União, do Rio de Janeiro. É bem provável que Cynthia tente repetir a estratégia adotada contra Calderwood. Uma tática de não deixar golpes sem resposta na luta em pé e buscar a queda para desequilibrar as ações e abrir espaços para suas sucessivas tentativas de submissões. Para a brasileira, é fundamental evitar estas quedas em momentos chave. Sem perder o foco no controle defensivo, precisa estabelecer um volume maior de golpes, necessário contra a maior potência de Calvillo. São variantes interessantes que tornam este duelo um dos mas atrativos desta noite portenha. Vamos apostar aqui na eficiência ofensiva de Poliana para conquistar a vitória mais difícil de sua carreira.

Peso Meio-Médio: Michel Trator (BRA) vs. Bartosz Fabinski (POL)

Por Idonaldo Filho

Ostentando uma sequência muito digna de sete vitórias, o policial da ROTAM, Michel Trator (25-2 no MMA, 9-2 no UFC) já está merecendo uma luta de maior importância. Entretanto, diversos problemas com o peso – não bateu o peso leve em três lutas e teve que subir de categoria – e seu estilo de luta não muito atrativo, são alguns dos fatores que fazem com que o UFC não suba muito o nível. Depois de emendar dois estrangulamentos norte-sul, ele voltou a vencer lutas por decisão, contra Desmond Green em Belém, e quando retornou aos 77kg, batendo o agora peso médio, Zak Cummings.

Definitivamente não é o melhor dos prazeres ficar por baixo de Michel. Um grappler extremamente competente, faixa preta de jiu-jítsu, dono de uma força animal, e que faz intercâmbios na Team Alpha Male, onde encontra muito material humano para poder aperfeiçoar seu grappling. Por ser baixo para a categoria, porém com muita musculatura, facilita um pouco o trabalho com as quedas, e trabalha com muita pressão sobre seus adversários, chegando ao solo na força e lá trabalhando com ground and pound para conseguir um estrangulamento.

A trocação pode ser problema pois a envergadura é pequena se comparado com o resto da categoria, mas seus golpes tem poder, e mesmo que não seja um nocauteador, não é aconselhável trocar na curta distância com o Trator. Contra Cummings que é grande, mas um striker, ele conseguiu impor seu jogo de quedas, mas contra um grappler grande como Fabinski, fica a curiosidade para ver se irá conseguir.

Da série “lutadores que você não lembra que estão no UFC”, o polonês Bartosz Fabinski (14-2 no MMA, 3-0 no UFC) ficou três anos parados até retornar no início do ano, quando mostrou o porquê de ninguém sentir muito sua falta. No UFC Fight Night 134 ele nada fez além de amarrar Emil Weber Meek em uma luta chata, mas garantiu a vitória. Antes disso, ele conquistou duas outras vitórias na decisão dos juízes, contra adversários de baixo nível, como Garreth McLellan e Hector Urbina, em curas da insônia.

É engraçado analisar Fabinski pois o que ele faz é extremamente simples, ele sai correndo soltando um jab mentiroso e já gruda no adversário o mais rápido possível, e só isso! O polonês é um ex-peso médio, é bastante forte, e tem um condicionamento bom também, além de ter esse jogo terrivelmente chato e feio, credenciado pelo background no judô, mas que mostrou ser efetivo o suficiente em suas vitórias, que detalhe, foram contra adversários não tão gabaritados em defender quedas.

No solo, Bartosz é o verdadeiro cobertor, fica lá por cima se remexendo um pouco para tentar enganar o árbitro, o que não adianta muito já que muita das vezes suas lutas são levantadas, mas quem disse que ele se importa? Ele corre e gruda novamente, buscando a queda como se não houvesse amanhã, buscando manter o adversário no chão até quando o final do round for anunciado.

Bartosz Fabinski vs Michel Prazeres odds - BestFightOdds
 

Eu tenho muitas dúvidas de que devido aos dois serem bons grapplers, se eles irão se anular. Até acho que Trator sim, pode largar de mão do wrestling para tentar entrar na trocação, mas Fabinski é um dos lutadores mais pragmáticos que eu já vi, e sua unidimensionalidade parece não deixar com que ele faça algo diferente do que abraçar o adversário contra a grade e o quedar.

Em um combate equilibrado, vejo que ambos podem conseguir a vitória sem muitos problemas, mas o que eu acho que irá acontecer é Fabinski sendo frustrado pois não conseguirá derrubar o Trator, que tem um centro de gravidade baixo e é muito forte também, e o brasileiro irá vencer uma horrível batalha de transições no clinch, por decisão unânime.

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