Por Edição MMA Brasil | 08/11/2018 23:23

O UFC completará 25 anos na próxima segunda-feira. Muito justo então retornar para onde tudo começou. Dois dias antes do aniversário, o octógono sobe o morro de Denver para ser montado no Pepsi Center, casa do Denver Nuggets (NBA) e do Colorado Avalanche (NHL), para o UFC Fight Night 139, cujo card não está à altura da solenidade, mas que não deixará nenhum fã sem muito entretenimento de qualidade.

A luta principal promete estar nas listas de concorrentes a melhor do ano. Com a lesão de Frankie Edgar, o mexicano Yair Rodríguez encara o “Zumbi Coreano” Chan Sung Jung. Se esta não for a melhor luta de Denver, é capaz de o encontro entre os maníacos Donald Cerrone e Mike Perry tenha superado.

Gritos de “Oi, sumida!” devem soar no ginásio quando Germaine de Randamie subir ao octógono. A holandesa, que não luta desde que estranhamente conquistou e largou o cinturão inaugural do peso pena, em fevereiro de 2017, volta à divisão de baixo para enfrentar a última desafiante, Raquel Pennington.

No peso leve, dois empolgantes prospectos estarão em ação. O brasileiro Thiago Moisés, revelado no Contender Series, encara o estabelecido veterano Beneil Dariush, enquanto o “Violento Bob Ross” Luis Peña mede forças com Mike Trizano. Entre estes combates, Maycee Barber e Hannah Cifers duelam pelo peso palha.

Atenção aos horários do UFC Denver. A abertura do card preliminar está marcada para às 22:00h, enquanto a porção principal deve ir ao ar a partir de 01:00h, sempre pelo horário oficial de verão de Brasília. O canal Combate transmite o evento ao vivo e na íntegra.

Peso Pena: #10 Chan Sung Jung (COR) vs. #15 Yair Rodríguez (MAX)

Por Alexandre Matos

Os fãs de MMA ficaram saudosos do coreano mais amado do esporte. Foram dois anos e meio sem o Zumbi (14-4 no MMA, 4-1 no UFC) desde a derrota na disputa do cinturão para José Aldo até o triunfo contra Dennis Bermudez. No meio disso, Jung prestou serviço militar em seu país. Agora é hora de notar se os traços de ferrugem do retorno eram apenas fruto do tempo parado. Oremos.

Quando apareceu, o Zumbi Coreano era um kickboxer agressivo e de coração gigantesco, nenhum sentido defensivo e de comedido conhecimento na luta agarrada. Com o tempo e os treinos na Korean Top Team, ele adquiriu um excelente senso de contragolpeador, melhorou no grappling a ponto de se tornar o primeiro a encerrar uma luta no UFC via twister e otimizou o boxe ao lado do nocauteador Doo Ho Choi. Ah, e continua com o coração do tamanho do mundo e a vontade de deixar a vida no octógono, o que costuma salvar sua pele quando o sistema defensivo se mostra deficiente – e isso acontece com enorme frequência. É difícil esquecer a cena de Jung tentando colocar o ombro deslocado de volta ao lugar debaixo de ground and pound de Aldo.

Apontado como a próxima estrela do MMA, Yair “El Pantera” (11-2 no MMA, 5-1 no UFC) rapidamente abriu caminho no octógono com atuações empolgantes e muita versatilidade ofensiva, abocanhando quatro bônus em cinco lutas, além do troféu do primeiro TUF Latino. Então o UFC se empolgou e perdeu a mão ao lançar o jovem de Chihuahua contra Frankie Edgar. O ex-campeão expôs as vísceras de Rodríguez, que teve que se recolher para se reinventar. Neste tempo, chegou a ser demitido e reintegrado ao plantel do UFC.

Também oriundo das modalidades de striking – faixa-preta de taekwondo e versado no kickboxing -, o “Pantera” conquistou os fãs com movimentos plásticos e inventivos, principalmente os chutes, além da capacidade atlética e das boas entradas de queda. Porém, num esporte diversificado como o MMA, alguns problemas ficaram expostos, especialmente no boxe – a baixa produção ofensiva é um detalhe que precisa ser revisto com urgência – e no wrestling defensivo. Em relação à nobre arte, Rodríguez foi atrás do genial treinador Robert Garcia e do invicto superastro e irmão caçula do técnico, Mikey Garcia, para evoluir. Sobre o wrestling, é hora de treinos com Israel “Izzy” Martinez começarem a dar resultado também na defesa. Para sair da bolha em que se meteu, Pantera se mudou para Las Vegas com o técnico Mike Valle para treinar no UFC Performance Institute.

Chan Sung Jung vs Yair Rodriguez odds - BestFightOdds
 

Este combate pode dar uma sensação de encrenca para o mexicano. Afinal, um lutador plástico, mas com pouco volume ofensivo, costuma virar presa ante a capacidade do Zumbi capitalizar as oportunidades que aparecem. Contra Yair, as oportunidades costumam ser muitas.

No entanto, há de se aguardar pelo desenrolar das ações para saber se o período sabático foi realmente proveitoso para o mexicano ou se trata-se apenas de bravata. Robert Garcia é um especialista em lutadores de alto volume (Mikey Garcia, Brandon Rios, Abner Mares e Marcos Maidana, para citar alguns de cabeça), então é capaz de Pantera ter evoluído em seu principal calo ofensivo. Se ele conseguir fechar este buraco, o combate deve tomar proporções bíblicas.

Os fãs podem aguardar por alguns minutos da boa e velha pancadaria alucinada, com a gangorra variando para lá e para cá. E é exatamente este cenário que o Zumbi deve evitar. Yair é mais jovem, tem estado mais ativo que o oponente, que lutou três minutos em cinco anos, e já provou aguentar castigo. Para o coreano, a melhor saída é botar para baixo e explorar a deficiente guarda de Rodríguez. Para o mexicano, o ideal é controlar a distância, evitar que o Zumbi se aproxime muito e largar toda sorte de socos, chutes (principalmente os baixos), joelhadas voadoras e cotoveladas, mantendo sempre o ritmo forte e o volume de golpes intenso, forçando Jung a se expor. A aposta fica no segundo cenário e vitória do Pantera por nocaute técnico no terceiro assalto.

Peso Meio-Médio: #12 Donald Cerrone (EUA) vs. Mike Perry (EUA)

Por Pedro Carneiro

É praticamente impossível acompanhar MMA nos últimos dez anos e não conhecer Cerrone (33-11 no MMA, 20-8 no UFC). Se fosse escolhido um evento aleatoriamente para se assistir em 2011 as chances de o Cowboy estar presente eram grandes, já que o “fominha” fez cinco lutas naquele ano. Todavia, diferentemente do ano mágico no qual conseguiu um retrospecto de 4-1, o momento agora é de descendente, com resultados inversamente proporcionais se avaliarmos os últimos dois anos.

Cerrone é um lutador espetacular ofensivamente, daqueles que fazem os novatos se interessarem pelo esporte. O muay thai é plástico, recheado de combinações versáteis e potentes. O “Cowboy” é ótimo no controle da distância, tirando proveito do corpo longilíneo e da postura ereta. Além disso, consegue definir o ritmo dos combates e se impor tecnicamente com sequências que alternam bem o uso das mãos e das pernas. O wrestling já foi um problema considerável, porém, houve uma melhora significativa recentemente. O jiu-jítsu tem destaque no uso da guarda, aproveitando o cumprimento das pernas para dar botes e impedir que sua guarda seja passada.

Mike Perry

Perry (12-3 no MMA, 5-3 no UFC), assim como seu adversário deste sábado, é um sujeito ótimo para entreter o público, trazendo para o octógono um estilo agressivo, corajoso e alucinante. Recentemente, ele se recuperou das derrotas sofridas contra Santiago Ponzinibbio, em dezembro, e Max Griffin, em fevereiro, com uma vitória sobre Paul Felder, quatro meses atrás, no UFC 226.

Radicado na Flórida, Perry causou discórdia entre Cerrone e a Jackson-Wink MMA, academia que abrigou o “Cowboy” por anos, quando o técnico Mike Winkeljohn decidiu treinar Perry para este duelo. Mike é agressivo como um carcaju e segue avançando mesmo quando recebe golpes potentes. A pressão que ele impõe funciona como um atenuante das suas limitações técnicas, ao mesmo tempo em que catalisa a sua força bruta. Por conta deste cenário, as combinações do “Platinum” costumam ser simples, porém causam danos em cada golpe. Outro ponto positivo de Mike é a capacidade de encurtar a distância, muito motivada por este ímpeto de sempre avançar. Neste momento, cotoveladas mortais são desferidas.

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Cerrone deve apostar na diferença de envergadura e altura para tentar tomar as rédeas do ritmo do combate e manter Perry afastado no controle de distância. Os chutes baixos serão usados para tentar quebrar a base de Perry e minar a potência dos golpes. Já Perry deve tentar se aproximar a todo custo, soltando golpes com toda força em busca do maior estrago possível em cada tentativa.

Olhando as estratégias, poderíamos apostar em uma pancadaria desenfreada ou uma decisão morna. Contudo, há um último fator a ser considerado, que é o que deve desequilibrar o combate: a dificuldade que Cerrone apresenta quando é colocado em situações de pressão – e essa é justamente a especialidade de Perry. A aposta aqui é que a pressão e os golpes fortes de Perry desabrochem mais uma vez essa dificuldade do Cowboy, levando Mike ao ranking da divisão e à vitória por nocaute técnico.

Peso Galo: #4 Raquel Pennington (EUA) vs. #5 Germaine de Randamie (HOL)

Por Diego Tintin

Revelada pelo TUF 18, o início de Pennington (9-6 no MMA, 6-3 no UFC) no octógono foi claudicante. Todavia, contando com trabalho duro e circunstâncias favoráveis, ela conquistou quatro vitórias seguidas, a última sobre a ex-campeã Miesha Tate. Naquele momento, o peso galo perdeu muita gente da elite para outras divisões, além das aposentadorias de Tate e Ronda Rousey. Depois de seguidos problemas com outras possíveis desafiantes (Julianna Peña, Cat Zingano), o caminho se abriu para Pennington, que foi para a disputa de cinturão contra Amanda Nunes.

No UFC 224, Rocky foi corajosa, mas ficou claro que não tem nenhuma condição contra uma craque como Amanda. Resistiu bravamente por cinco longos rounds até sucumbir em um nocaute técnico que deveria ter acontecido antes.

Raquel é forte fisicamente, tem versatilidade no clinch e, de lá, faz uso dos punhos, busca quedas e impõe pressão. Na média para a longa distância, o boxe tem problemas, já que a movimentação deficiente impede que os golpes, que até são bem executados, sejam combinados de forma mais fluida. O já citado coração lhe garante uma enorme força de vontade, o que a torna uma adversária difícil. Apesar de ter começado no boxe, o apelido de “Rocky” veio da dificuldade que os americanos têm de pronunciar seu nome.

Germaine de Randamie

Germaine de Randamie (7-3 no MMA, 4-1 no UFC) é uma das mais talentosas atletas do plantel da organização, mas sofre com lesões recorrentes que impedem um melhor desenvolvimento de sua carreira. Ela começou bem no UFC, mas passou pela mesma experiência desagradável de sua oponente deste sábado ao ficar sob a fúria da atual campeã. Superado este momento, reconstruiu seu caminho com sucesso até entrar numa luta pelo cinturão inaugural do peso pena contra a estrela Holly Holm. Germaine teve atuação maiúscula e, em combate muito equilibrado, derrotou Holm e assegurou seu nome na história do UFC.

Contudo, as velhas lesões voltaram a aparecer e De Randamie teve sua coroa retirada pela direção da organização ao não colocá-la em disputa contra outro baluarte deste esporte, Cristiane Cyborg.

A “Dama de Ferro” é uma das grandes forças do muay thai na categoria, com experiência e técnica que já lhe renderam até comparações com Anderson Silva. A holandesa tem ótima noção de distância, combinando bem os socos em linha e chutes baixos e frontais. Completando o bom pacote ofensivo, o clinch é perigoso e ela costuma aproveitar esta posição para distribuir boas joelhadas e cotoveladas. A luta de chão é um ponto de preocupação e, embora a defesa de quedas tenha sido suficiente contra adversárias de castas mais baixas, pode se complicar contra atletas mais oportunistas e qualificadas.

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A americana tem a seu favor o histórico de conseguir vitórias inesperadas e tentará mais uma vez desbancar uma favorita. Por mais esforçada e intensa que seja Pennington, enfrentar De Randamie na luta em pé deve passar longe de seus planos. Sua estratégia deve ser simular uma trocação e pressionar a europeia para superar a distância e buscar de alguma forma levar a luta para o solo. Ainda que não seja uma mestre na luta agarrada, Raquel tem o suficiente para dominar as ações neste território e conseguir uma interrupção.

Portanto, a contrario sensu, Germaine precisa concentrar suas energias em evitar a luta de solo de toda forma. Mesmo que isso custe abrir mão de seu forte clinch, mantendo a luta na média para longa distância. Como diria um sábio, “ela tem talento para isso”, o que nos leva a casar nossas fichas em vitória da holandesa por decisão.

Peso Leve: Beneil Dariush (IRQ) vs. Thiago Moisés (BRA)

Por Idonaldo Filho

Talentoso lutador que treina na Kings MMA com Rafael Cordeiro, Dariush (14-4-1 no MMA, 8-4-1 no UFC) é um ex-top 10 da disputada categoria dos leves, posto de onde saiu após alguns resultados frustrantes que aconteceram recentemente. Ele chegou no ano de 2017 com um retrospecto de sete vitórias e uma derrota nas últimas oito lutas, porém, a carreira desandou a partir dali. Ele estava vencendo Edson Barboza, mas uma joelhada sinistra o apagou em cena brutal. Contra Evan Dunham, em confronto divertido, conseguiu apenas um empate e, no desempenho mais recente, a derrota mais dolorida, quando foi nocauteado com um só soco pelo estreante Alexander Hernandez.

Não se pode negar o talento de Dariush, um faixa preta de jiu-jítsu de alto nível – ele ganhou alguns campeonatos nas faixas azul, roxa e marrom. Com bom wrestling, o grappling de Dariush sempre foi sua grande arma, mas agora soma-se ao muay thai de muita pressão obtido na Kings MMA. Assim, temos um lutador com capacidade de definir um duelo tanto em pé quanto no solo. Ele tem preferência por jogar na pressão, fazendo o adversário recuar e sair frustrado do combate. Entretanto, sua absorção de golpes falhou algumas vezes e, desconsiderando a joelhada de Barboza, que nocautearia qualquer um, ele poderia ter tomado maiores cuidados defensivos para evitar os outros nocautes que sofreu.

Entre os contratados do Contender Series Brasil, um dos lutadores mais prontos para o UFC e o que pode ser a melhor contratação do programa é Thiago Moisés (11-2 no MMA, 0-0 no UFC). Atleta da American Top Team, o brasileiro fez grande parte da carreira nos Estados Unidos, conquistando e defendendo em duas oportunidades o título da extinta RFA. Ao virar LFA, Moisés não conseguiu manter o cinturão, mas venceu mais uma no evento americano e foi chamado para o Contender Series Brasil de última hora, quando conquistou a vaga no UFC com um belo nocaute contra Gleidson Cutis.

Thiago também é faixa-preta de jiu-jítsu e inclusive é dono de uma das mais belas finalizações de 2016, com uma chave de braço helicóptero contra Dave Castillo, na RFA. Mas não só de grappling vive seu jogo. Ele é um lutador que tem um striking plástico, de chutes perigosos, como o que nocauteou Gleidson. Thiago é mais calmo na trocação, não imprime um ritmo muito frenético, mas tem uma taxa de acerto boa, escolhendo bem os golpes que solta, que, por sinal, são pesados. O jiu-jítsu é oportunista e ele é bom finalizador de combates, mas ainda precisa evoluir o wrestling para chegar perto da elite. Esta não é uma tarefa muito difícil para um lutador com um boa academia por trás, como ele.

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O brasileiro é uma atleta talentoso e um bom nome para ficar de olho dentre os compatriotas que estão chegando no UFC, principalmente se considerarmos que ele só tem 23 anos. Porém, o jogo de Dariush tem um estilo que tende a sair dominante contra o brasileiro, já que o assírio gosta de imprimir pressão e tem uma trocação também variada, além de ser um grappler tão bom, se não melhor, que o brasileiro.

Não me surpreenderia um nocaute de Thiago, mas acredito que ele poderia ter uma estreia mais fácil. Temos ainda que levar em conta que ele chegou para substituir Chris Gruetzmacher. Acredito que Dariush deve fazer o brasileiro se sentir desconfortável e conseguir um nocaute no segundo round, mas há grandes chances de a luta ir para a decisão.

Peso Palha: Maycee Barber (EUA) vs. Hannah Cifers (EUA)

Por Thiago Kühl

Oriunda do Colorado, portanto, lutando em casa, Maycee “The Future” Barber (5-0 no MMA) é mais uma que chegou ao UFC por meio do Contender Series. Ela tem apenas 20 anos e pouco mais de um de carreira profissional, tendo feito todas as suas lutas oficiais na LFA, com duas finalizações, um nocaute e uma, a última, decisão, sempre contra meninas também em início de carreira.

Bastante agressiva e com jogo diversificado, Barber treina diversas artes marciais desde pequena. Tem bastante talento e capacidade de lutar em pé e no chão, mas a falta de experiencia e de traquejo na parte defensiva a expõem muito. Em suas lutas, teve momentos de bom controle no clinch, soube imprimir pressão e foi bastante oportunista para avançar em posições no grappling. Por outro lado, engoliu pancadas desnecessárias, tem um péssimo costume de lançar golpes ao léu, cedeu quedas e entregou posições que demonstram a falta de experiência, expondo falhas defensivas que podem ser um problema no desenvolvimento de sua carreira, se o UFC não souber administrá-la.

Fazendeira da Carolina do Norte, Hannah “Shockwave” Cifers (8-2 no MMA) tem mais experiencia que sua adversária, lutando profissionalmente desde 2013 e com o dobro de lutas na carreira. Ela já enfrentou gente com bem mais experiência que Maycee, como as conhecidas do público e participantes do TUF Heather Jo Clark e Gillian Robertson. Após duas derrotas nas cinco primeiras lutas para as ex-integrantes do TUF, não perdeu mais, tendo vencido quatro das cinco últimas lutas pela via rápida dolorosa.

A base do seu jogo é um potente muay thai, que, mesmo sem muito volume de golpes, consegue colocar as adversárias em apuros por ter um poder de nocaute bastante grande para a categoria do peso palha. Hannah abe usar bem o clinch, inclusive tendo conseguido algumas quedas a partir dali. Entretanto, a luta de chão não é muito a sua praia: contra Clark e Gillian, a falta de conhecimento no grappling cobrou o seu preço. Pesa contra Clifers, ainda, o fato de ter aceito a luta com cerca de 20 dias de antecedência.

Hannah Cifers vs Maycee Barber odds - BestFightOdds
 

O hype que existe sobre Barber tem seus motivos. A dona da casa já mostrou que tem talento para ter uma boa carreira no octógno, mas precisa trabalhar o jogo defensivo para não ter seu caminho interrompido prematuramente, principalmente se quiser cumprir a promessa de quebrar o recorde de Jon Jones e se tornar a campeã mais jovem da história do UFC. Hannah, por sua vez, viu a chance de entrar no maior evento do mundo cair em seu colo e, sem nenhuma pressão sobre seus ombros, pode tentar capitalizar em algum momento de agressividade descabida da sua adversária – técnica e poder de nocaute para tanto, ela tem.

Como já aprendi que talento vence força na maioria das vezes, irei no mesmo sentido das odds e apostarei em vitória por finalização de “The Future” na primeira metade da luta.

Peso Leve: Mike Trizano (EUA) vs. Luis Peña (EUA)

Por Bruno Costa

Mike Trizano (7-0 no MMA, 1-0 no UFC) foi o vencedor da 27ª edição do TUF na categoria dos pesos leves, que contou com a participação de seu rival de sábado, mas passou longe de impressionar na final contra Joe Giannetti. Trizano é, assim como seu oponente, um talentoso striker. Contudo, uma das diferenças entre os dois é que o “Lobo Solitário” utiliza com mais habilidade os chutes do que o trabalho de mãos, que precisa melhorar em termos de volume.

Ousado e violento em seus ataques, Trizano chuta com potência e precisão com as duas pernas e, em que pese em volume menor que o ideal, dispara socos rápidos e precisos na cabeça e no corpo dos adversários, dificultando a tarefa dos oponentes se protegerem. Defensivamente, como é muito comum aos jovens praticantes do esporte no mais alto nível, Mike precisa diversos ajustes. Sua defesa de quedas não é boa, mas ele tenta compensar este fator com agressividade e constantes tentativas de finalização, mesmo que se encontre por baixo do adversário.

Luis Peña (5-0 no MMA, 1-0 no UFC) é um jovem e outro bom prospecto do peso leve. Oriundo do mesmo TUF, teve sua participação no programa encurtada após sua primeira vitória – em um excelente desempenho – por uma fratura sofrida no pé. Muito alto e de ótima envergadura para a categoria, consegue tirar vantagem de sua estrutura esquelética aplicando golpes retos muito velozes e controlando a luta na longa distância. Além dos jabs e diretos, o “Bob Ross violento” já demonstrou em diferentes ocasiões bons chutes frontais. Se não é um grande nocauteador de um só golpe, a velocidade e precisão dos seus ataques, aliados ao alto volume com que são jogados, incomodam muito os adversários.

Natural do Arkansas, Peña demonstra ainda boa noção e oportunismo quando as chances se apresentam para encerrar o combate no solo, com botes certeiros principalmente nos pescoços dos rivais. O wrestling defensivo, notoriamente a fase em que há mais espaço para melhora, parece ser motivo de maior preocupação de um aparentemente muito consciente lutador, que se preocupou em buscar treinos na AKA visando aprimorar este aspecto ao lado de gente como Khabib Nurmagomedov.

Luis Pena vs Mike Trizano odds - BestFightOdds
 

Muito embora ambos sejam muito inexperientes e as projeções possam ser prejudicadas nessa fase da carreira em que se encontram, no duelo do sábado, Peña deve tomar a iniciativa do combate tentando pressionar Trizano utilizando seus longos jabs e uma imposição de forte ritmo na luta.

Após um início de combate com estudo de lado a lado, em que Peña pode ser castigado com chutes baixos, a tendência é que ele consiga fazer os ajustes necessários para se aproveitar da defesa vazada de Trizano e sua ousadia de pensar nas oportunidades de ataque antes de se encontrar em posição de segurança na defesa. A aposta é que Peña saia vencedor finalizando na segunda metade de um agitado encontro.

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