Por Edição MMA Brasil | 20/09/2018 23:45

Sim, o UFC Fight Night 137 sofreu grandes baixas em seu card, afastando boa parte da atenção pública em cima do evento. A zica que atingiu a edição da maior organização de MMA do mundo em São Paulo – que acontecerá neste sábado (20) – foi tão forte que desmanchou até os melhores casamentos que integrariam a porção preliminar.

Porém, apesar do combate entre Antônio Cara de Sapato e Elias Theodorou ter sido adiado – e depois cancelado – e de Belal Muhammad ter tido que se retirar do combate que faria com Elizeu Capoeira, ainda sobraram alguns bons motivos para se destacar no card preliminar de sábado.

Escondidos no começo do evento, fazendo parte do Fight Pass na transmissão americana do UFC, Thales Leites buscará a vitória no último combate de sua carreira, em um combate de veteranos do peso médio contra o cubano Hector Lombard. Enquanto isso, na categoria dos meios-médios, o especialista no jiu-jítsu Sergio Moraes deverá fazer um interessante duelo contra Ben Saunders, buscando se manter relevante na divisão.

Avançando para as lutas que fecharão o card preliminar, Francisco Massaranduba buscará mostrar que ainda merece um lugar no top 15 dos pesos leve, confrontando outro lutador que fará seu último combate profissional no evento em Evan Dunham, enquanto Charles do Bronx tentará ultrapassar o recorde de maior número de finalizações na história do UFC, enfrentando Christos Giagos, também na categoria até 70 quilos.

A porção preliminar do UFC São Paulo tem seu início previsto para as 19:30h, no Horário Oficial de Brasília, e terá transmissão completa feita pelo canal Combate.

Peso Leve: Charles Do Bronx (BRA) vs. Christos Giagos (EUA)

Por Pedro Carneiro

Charles do Bronx (23-8 no MMA, 11-8 no UFC) vive uma fase de alternância de resultados em seus últimos combates. Saiu derrotado contra Ricardo Lamas e Paul Felder, porém venceu Will Brooks e finalizou Clay Guida, este em seu último compromisso.

O brasileiro é um dos mais criativos e letais lutadores de chão do esporte, inventando finalizações das mais variadas posições e com um jiu-jítsu que busca avançar em todos os momentos da luta. O muay thai é ofensivamente técnico e heterogêneo, com uma caixa de ferramentas que contém socos e chutes de ângulos inesperados, boas combinações, joelhadas voadoras e cotoveladas. O problema é que todas essas virtudes ofensivas não são encontradas no aspecto defensivo, pois o paulista possui uma defesa com falhas gritantes que custaram vitórias nos momentos decisivos de sua carreira. Seu wrestling também não colabora para levar os combates para o chão, fazendo com que Charles precise se expor aos golpes adversários para conseguir encurtar e levar a luta para sua zona de conforto.

Christos Giagos (15-6 no MMA e 1-2 no UFC) é um atleta que depois de ser liberado pelo UFC em 2015, rumou por diversos eventos de boa relevância, como o ACB e a RFA. O americano é um lutador mediano, com uma luta em pé rudimentar mais baseada na potência das mãos e um bom condicionamento físico. A boa defesa de quedas do americano é fruto da pratica de wrestling durante a escola. Giagos vem de vitória contra Herdeson Batista, luta ocorrida no ACB 82, em São Paulo.

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Charles do Bronx já passou por desafios maiores na carreira, porém, apesar do brasileiro ser favorito, há o risco de os problemas defensivos na troca de golpes virem à tona, dado o poder de nocaute de Giagos. O melhor caminho para o pupilo de Jorge Patino “Macaco” é usar o seu jogo de carrapato para mochilar e sufocar o americano, ou usar mais uma de suas imprevisíveis finalizações. E é essa a nossa aposta, uma vitória de Charles do Bronx por submissão no primeiro round.

Peso Leve: Francisco Massaranduba (BRA) vs. Evan Dunham (EUA)

Por Diego Tintin

Francisco Massaranduba (22-6 no MMA, 11-5 no UFC) conquistou um público fiel com seu jeitão simples, muita entrega nas lutas e um inegável carisma. O início da caminhada dentro do UFC correspondia às expectativas de gangorra de resultados e meio de tabela, porém uma incrível sequência de sete vitórias consecutivas alçaram o piauiense a um novo patamar dentro da organização. Entre os bons oponentes vencidos por ele, estão Paul Felder, Ross Pearson, Chad Laprise, Yancy Medeiros e Jim Miller. A magia somente teve fim quando foi finalizado pelo habilidoso Kevin Lee. No último compromisso, ele foi derrotado de forma inapelável por James Vick e já começou a demonstrar uma queda de rendimento mais condizente com sua idade.

O homem-que-nasceu-pra-bater-em-outro-homem alinhou o boxe depois de começar a treinar com André Dida e passou a dosar melhor as energias, tendo paciência para explodir em momentos oportunos. Ele consegue, contra concorrência menos polida, derrubar utilizando força bruta e ocasionalmente arrancar alguma finalização – com o katagatame sendo sua posição mais perigosa. Como o preparo físico é uma dificuldade recorrente, o ritmo de luta costuma ser muito abaixo da média de seus colegas de divisão.

Um dos competentes lutadores da divisão dos leves que voam abaixo do radar, Evan Dunham (18-7-1 no MMA, 11-7-1 no UFC) já tem quase uma década de bons serviços prestados à organização. Evan, que já foi um top 10 legítimo nos seus melhores dias, se mantém nos últimos degraus do ranking ou, no mínimo, ali nas redondezas. Já venceu gente boa como Gleison Tibau, Joe Lauzon e Ross Pearson. Já contra o topo da divisão, quase sempre saiu derrotado. Foi assim contra Edson Barboza, Donald Cerrone e Rafael dos Anjos. O americano vem de uma derrota para Olivier Aubin-Mercier e um empate contra Beneil Dariush.

Dunham tem um jiu-jítsu afiado, com busca intensa por finalizações de qualquer posição. Ostenta ainda um bom nível de wrestling e é eficiente na luta em pé. Ele deixa alguns buracos na defesa, principalmente quando pressionado e neutralizado nas tentativas de queda. Assim como o brasileiro, Evan é um atleta experiente e dotado de muita garra e entrega. No passado, se destacou pelo preparo físico excepcional, porém aos 36 anos e depois de várias batalhas intensas, já vem apresentando dificuldades em manter o ritmo por toda a luta em suas últimas apresentações.

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O problema desta luta ocorrer em 2018 é que uma provável guerra nuclear poderia ter ocorrido há uns três ou quatro anos. Com ânimos mais arrefecidos pelo desgaste de suas carreiras violentas e pelas idades avançadas, os dois devem fazer um combate animado, porém menos intenso que suas características supõem. O americano tem mais precisão, um preparo físico ainda um pouco melhor. Mas Massaranduba é oportunista o suficiente para fazê-lo adormecer na primeira oportunidade, seja com uma mãozada dos infernos, seja com uma finalização. Nosso palpite aqui é que Trinaldo consiga impor sua força bruta na metade inicial do combate.

Peso Leve: Sérgio Moraes (BRA) vs. Ben Saunders (EUA)

Por Matheus Costa

Em praticamente todos os eventos nós temos aquele clássico duelo de estilos entre o lutadores especialistas no chão e em pé. E esse é literalmente o exemplo perfeito para este confronto.

Tricampeão mundial de jiu jítsu na faixa preta, Serginho Moraes (13-3-1 no MMA, 7-2-1 no UFC) é um lutador brilhante na arte suave. Entretanto, todos nós sabemos que MMA não se resume a uma arte marcial em si, e é aí que os problemas do curitibano começam. Sim, o veterano de 37 anos evoluiu na troca de golpes e se tornou um lutador digno em pé, mas sua defesa de golpes é bastante defasada e se expor contra um trocador do nível de seu adversário definitivamente não é uma boa ideia. Outro fator que lhe atrapalha é o wrestling, possuindo uma dificuldade bem preocupante em derrubar seus adversários. Mas, sinceramente, eu acho que nessa luta em si, ele não terá esse problema.

 

Especialista em taekwondo e jeet kune do, além de faixa preta de jiu-jítsu do mestre Ricardo Libório, o veterano Ben Saunders (22-9-2 no MMA, 9-6 no UFC) tem um jogo que definitivamente pode complicar a vida do brasileiro. Dono de longos braços, o atleta do TUF 6 adora golpear na média pra longa distância com jabs e boas variações de golpes, além de usar e abusar de inúmeras variações de chutes. Com a defesa vazada de Moraes, ele pode se sair muito bem na sua especialidade. Entretanto, sua defesa de quedas é horrorosa e ele provavelmente não conseguirá segurar o fraco wrestling ofensivo de Moraes.

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Esta luta se resume na probabilidade de Serginho conseguir levar o americano para o chão. Se conseguir, o que deve acontecer, o brasileiro terá um caminho adiantado rumo a vitória. Claro que ele terá problemas na curta distância e terá que montar uma estratégia boa para não se expor aos variados golpes de Saunders, mas ainda assim, aposto em triunfo do brasileiro na decisão dos juízes.

Peso Leve: Thales Leites (BRA) vs. Hector Lombard (CUB)

Por Idonaldo Filho

Nocauteado pela primeira vez nos 15 anos como lutador em seu último combate, Thales Leites (27-9 no MMA, 12-8 no UFC) buscará terminar sua longa carreira com uma vitória no UFC São Paulo. Já tendo anunciado que irá se aposentar após o evento, Thales, que já foi desafiante na época em que Anderson Silva era campeão, mostra já a algum tempo que está em plena decadência física. Em seus últimos combate, ele foi derrotado por Brad Tavares na decisão e nocauteado no ground and pound pelo sueco Jack Hermansson.

Thales é um faixa preta de jiu-jítsu extremamente letal nos estrangulamentos e, uma vez no chão ou até mesmo entrelaçado na famosa posição de mochila, você deve se preocupar, principalmente com o katagatame. Entretanto, ele não é unidimensional, pois sabe trocar golpes bem, tendo um boxe decente e fortes chutes na perna. Thales também é um lutador bastante resiliente, como demonstrou em sua luta contra Brad Tavares, aguentando muito dano e resistindo até a decisão dos juízes. Entretanto, os 37 anos – com quinze desses dedicados a carreira de lutador – já demonstram que fisicamente ele não é o mesmo, ficando cada vez mais lento e piorando bastante sua capacidade defensiva, muitas vezes sendo um alvo fixo para seu adversário.

Já fazem quatro anos que Hector Lombard (34-9-1 no MMA, 3-7, 1NC no UFC) não vence em sua carreira. Na única luta que fez no ano de 2015 foi pego no antidoping, e de 2016 para cá só desceu ladeira a baixo. O cubano, que um dia já foi um dos mais temidos pesos médios no MMA mundial e campeão do Bellator, acumulou cinco derrotas consecutivas, sendo três por nocaute, variando entre a categoria dos médios e a dos meios-médios. Na sua última luta ele cometeu uma burrice, acertando alguns golpes em CB Dollaway depois da buzina que indica o fim do assalto, e claro, foi desclassificado.

Hector Lombard em seu auge era um ser humano que adorava deitar corpos com seu imenso poder de nocaute, auxiliado também pelo lastro olímpico no judô – ele disputou as Olímpiadas de 2000 em Sydney na modalidade. Porém, no UFC, Lombard é considerado uma das maiores decepções a já pisarem no octógono. Hoje com 40 anos, ele se resume a um lutador nanico que leva perigo no primeiro round, mas depois morre no gás miseravelmente e facilita a tarefa do adversário em encontrar a vitória, já que a absorção de golpes também piorou depois de ser obliterada pela fábrica de nocautes doentios de Dan Henderson.

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Lombard poderia muito bem aproveitar que Thales já anunciou que vai aposentar e cair fora do barco junto. O cubano está fazendo hora extra no UFC há muito tempo já, e provavelmente com uma derrota deve ser demitido. O Thales de hoje, que é um alvo fixo, não me dá confiança contra um cara que já foi nocauteador, mas ainda acho que o brasileiro está mais inteiro que o cubano. Como Thales não é muito conhecido também pelo senso de urgência em pé, acho que a luta será feia, e a decisão dos juízes vai favorecer ao brasileiro.

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