Por Edição MMA Brasil | 24/08/2018 08:30

Depois de duas semanas de hiato, o octógono mais famoso do mundo volta pela terceira vez ao estado de Nebraska, dessa vez na capital Lincoln, depois de duas visitas a Omaha. A Pinnacle Bank Arena, local onde Terence Crawford fez história há um ano, será palco do UFC Fight Night 135, evento que será liderado por uma candidata a luta do ano e mais alguns duelos com alta carga de nitroglicerina.

O favorito dos fãs Justin Gaethje volta para tentar se recuperar das primeiras derrotas da carreira. O ex-campeão do WSOF pode ser a última barreira para James Vick superar antes de bater de frente com o top 5 da divisão mais forte do MMA.

O potencial de pancadaria ficará elevado em outros combates. Pelo peso pena, Michael Johnson encara Andre Fili. Nos moscas, John Moraga tenta frear o embalado brasileiro Deiveson Figueiredo. O peso médio Eryk Anders tenta retomar a trilha do sucesso perante Tim Williams, enquanto o local Jake Ellenberger insiste em brincar com a saúde contra Bryan Barberena. Completa o card principal o duelo no peso palha entre Cortney Casey e Angela Hill, que também deve levantar os fãs. Nossa prévia vai ao card preliminar pescar o combate entre James Krause e Warlley Alves.

Quando o relógio marcar 19:30h, o canal Combate estará pronto para a primeira luta do card preliminar, numa transmissão ao vivo e na íntegra do UFC Fight Night 135. A porção principal deve ir ao ar a partir das 23:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Leve: #7 Justin Gaethje (EUA) vs. #10 James Vick (EUA)

Por Alexandre Matos

Enquanto reinava no WSOF, Justin Gaethje (18-2 no MMA, 1-2 no UFC) era aguardado com ansiedade no UFC pelos fãs mais atentos. Desde que chegou ao maior palco do MMA mundial, há pouco mais de um ano, ele só fez reforçar todas as expectativas, ainda que tenha perdido mais do que vencido no octógono e que tenha deixado pelo caminho alguns anos de vida. Foram três lutas, quatro bônus e dois dos três melhores duelos de 2017.

Gaethje tem feito no UFC o que mais sabe: dar porrada, tomar porrada e divertir o público. All-American e quadrifinalista da Divisão I da NCAA em 2010, Justin chegou a ser conhecido apenas pelo wrestling, mas logo tomou gosto por enfiar a mão na lata alheia. Desde então, o que falta em planejamento estratégico sobra em entretenimento; o que falta em técnica sobra em agressividade e coração. Ofensivamente, Gaethje usa combinações mortais de socos na cabeça e no tronco, com valor especial aos uppercuts. Seus chutes baixos são violentos, assim como foram as quedas, quando ele as usava. Defensivamente, no entanto, ele usa bem o rosto para bloquear as pancadas dos rivais, parecendo o Jason Vorhees avançando enquanto leva um monte de tiro.

Semifinalista do TUF 15, James Vick (13-1 no MMA, 10-1 no UFC) saiu da casa como um dos que mais mostrou talento, mas precisou de um tempo para se firmar, pois sofreu com lesões. Clinicamente recuperado, pegou ritmo de competição e vem fazendo uma campanha fantástica na mais dura categoria do MMA mundial, com nove vitórias em dez aparições, quatro delas de modo consecutivo desde o revés para Beneil Dariush, em 2016, o único oficial na carreira profissional. Este será o segundo compromisso do “Texecutioner” em 2018, depois de vencer Francisco Massaranduba em seu Texas natal.

Diferentemente de Gaethje, Vick é dono de um estilo muito bem definido. Apesar de ser pupilo de longa data do faixa-preta de jiu-jítsu Lloyd Irvin, James tem no boxe o seu porto seguro. Muito alto, com braços enormes, ele usa sua estrutura corporal de modo magistral, bailando lateralmente enquanto lança golpes em linha, alongando ao máximo os movimentos num ritmo constante. Vick ainda mostra capacidade acima da média de definição de lutas, seja capturando um pescoço ou mesmo aplicando um nocaute.

James Vick vs Justin Gaethje odds - BestFightOdds
 

Embora haja competição de maior valor no peso leve, Gaethje é um teste definitivo para verificar se Vick pode ser jogado contra a elite da divisão. O ex-campeão do WSOF é um prato feito para sofrer com as duas principais virtudes de Vick: poderá passar 25 minutos com a cabeça feita de alvo, bem como ser altamente finalizável por alguém traiçoeiro como o oponente deste sábado. Isso significa que Vick terá vida fácil? Longe disso.

Lutar com Gasthje é, acima de tudo, um exercício mental que beira o martírio. Um segundo de descuido e tudo vai pelo ralo, como aconteceu com Michael Johnson, que dominava o combate até ser jantado pela fúria do cidadão. Passar 25 minutos em nível extremo de concentração é muito pesado e Vick jamais precisou de nada parecido.

Se vencer, Vick terá provado que merece disputar com a elite, pois ou terá passeado ou sobrevivido a momentos de terror. Para evitar o terceiro revés consecutivo, Gaethje precisará mais do que nunca do wrestling, para incutir dúvida na cabeça do rival e ser menos previsível. Ele é capaz de fazer isso? É. Ele fará isso? Duvido. Justin convidará James para um remake do “Pague para entrar, reze para sair”, fará o povo feliz novamente, mas verá Vick dar mais um passo rumo ao top 5.

Peso Pena: Michael Johnson (EUA) vs. Andre Fili (EUA)

Por Matheus Costa

Michael Johnson e Andre Fili irão travar um duelo no UFC Fight Night 135 cercado de dúvidas. Se Johnson vivesse uma fase normal em sua carreira, talvez essa luta nem estivesse acontecendo. Mas a realidade bateu na porta e “The Menace” precisa provar que ainda tem valor para o UFC. Do outro lado, Fili tem que mostrar até onde seu potencial dura e até onde irá em sua carreira.

Analisar lutadores apenas por seus cartéis não é certo, especialmente quando falamos sobre Johnson (17-13 no MMA, 9-9 no UFC), que frequentou o top 10 da categoria dos leves e hoje tenta uma nova vida no peso pena. Com apenas uma vitória em suas últimas seis aparições, ele foi derrotado apenas por lutadores de alto nível, mas precisa se provar na nova divisão caso não queira passar no RH da empresa.

Seu boxe acima da média sempre vem à tona, muito bem alinhado, com ótima precisão e uma criatividade curiosa na hora de criar ângulos para golpear. Na curta distância, Johnson é um trocador voraz e um nocauteador nato. Seu wrestling, que era fraco, tornou-se decente o suficiente para escapar na maioria das situações. O jogo de chão é deficiente tanto ofensiva quanto defensivamente, então é uma área que sempre deve ser evitada. A fórmula para a felicidade é simples: basta jogar na sua especialidade. Encurte a distância e use seu alto volume de golpes.

Andre Fili (18-5 no MMA, 6-4 no UFC) já foi tido como um prospecto na categoria dos penas, mas foi um dos vários que sucumbiu quando o nível dos adversários aumentou. Aos 28 anos, Fili surpreendeu ao vencer o bom Dennis Bermudez, que já não repete os mesmos desempenhos, mas nada que o credencie a alçar voos mais altos na categoria. Tudo pode mudar perante Michael Johnson.

Fili é um lutador bastante ofensivo, que pressiona a todo instante e possui um volume de golpes interessante. O boxe ofensivo é de bom nível, assim como o poder de nocaute. Entretanto, “Touchy” é o tipo de atleta que possui fascínio em defender golpes com sua calota craniana, algo que definitivamente não é indicado contra um nocauteador como Johnson. Além disso, seu chão é fraco e seu QI de luta não é dos mais aguçados.

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Como dito no início, é uma luta cercada de dúvidas. A primeira – e a maior delas – é de como Johnson vai se portar no octógono diante da má fase e se terá vigor para recomeçar sua carreira numa nova categoria, mesmo após o vacilo na derrota para Darren Elkins. Outra dúvida é como Fili se portará diante de um lutador melhor e que oferece um jogo bem difícil. Uma boa atuação do atleta do Team Alpha Male pode mostrar que ele possa ter mais futuro do que a maioria pensa – embora eu faça parte da maioria.

Se nada anormal acontecer na noite de sábado, Johnson colocará seu conhecido jogo em ação, não terá problemas para encurtar a distância e jogará o famoso “acerte o alvo”. Aposto na vitória de Michael no segundo round por nocaute técnico.

Peso Palha: #11 Cortney Casey (EUA) vs. #14 Angela Hill (EUA)

Por Thiago Kühl

Cortney Casey (7-6 no MMA, 3-5 no UFC) recebe mais uma chance de dar um passo em frente no peso palha, substituindo Alexa Grasso neste sábado com pouco mais de um mês de aviso. Considerando que o momento atual do UFC é de corte de gastos, é importante que ela aproveite esta chance, pois uma terceira derrota consecutiva pode significar o fim de sua história no octógono.

A ex-jogadora de futebol na faculdade teve um início de carreira inconstante. Após duas derrotas seguidas de duas vitórias, mostrou que não estava no nível do top da categoria ao ser varrida por Claudinha Gadelha, mas se recuperou em seguida contra Jessica Aguilar. Após o 3-3 inicial, viu por duas vezes a vitória escapar em decisões dividas contra Felice Herrig e Michelle Waterson. Em ambas as oportunidades, deu a dúvida para os juízes por não investir tanto em sua superioridade física, estratégia que estava funcionando nos dois combates.

A lutadora do Arizona, além do porte avantajado para a categoria, mostra uma boa base no jiu-jítsu, que tem se mostrado uma boa ferramenta quando os combates chegam ao solo. Além disso, Casey parece ter começado a se aproveitar mais da boa envergadura no striking, chegando a obrigar Waterson buscar a luta agarrada em sua última apresentação.

Uma vez tratada como unidimensional demais para a elite do MMA, Angela “Overkill” Hill (8-4 no MMA e 3-4 no UFC), está na sua segunda passagem pelo UFC. Após o TUF 20, venceu Emelly Kagan e teve duas derrotas seguidas contra Tecia Torres e Rose Namajunas, em 2015, o que a obrigou a voltar ao Invicta FC para se desenvolver. Com quatro vitórias em quatro lutas em 2016, ela chegou ao cinturão da segunda divisão do MMA feminino, carimbando o passaporte de volta para o maior evento do mundo. Nesta segunda passagem, ainda não repetiu um resultado em quatro lutas. Com derrotas para Jéssica Bate-Estaca e Nina Ansaroff, deixou claro que precisa melhorar ainda o sistema defensivo para fazer fluir toda sua qualidade no muay thai.

Hill tem evoluído bastante em seu jogo-base, inclusive com visível melhora na movimentação e na variação dos golpes. Entretanto, o striking da ex-campeã do Invicta não tem se mostrado suficiente para resolver suas deficiências na luta agarrada, tanto na defesa de quedas quanto no jogo de solo, e isso tem cobrado o preço contra lutadoras da parte de cima da categoria.

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Hill precisará mostrar mais do que nunca uma movimentação fluida e velocidade nos golpes para evitar a aproximação de Casey, apostando no volume ofensivo e no sprawl-and-brawl por três rounds, pois, mesmo sendo mais técnica que sua adversária, Angie perde na potência e no alcance, o que deve equilibrar as ações no início da luta.

Por outro lado, Cortney tem bastante vantagem no confronto agarrado e na força física – o caminho mais fácil para a sua vitória é evitar a trocação e buscar o chão desde o início, a fim de não dar margem para uma terceira derrota com resultado apertado. Ainda que se mostre um cenário claro para ambas as lutadoras, a (in)capacidade delas em colocar o jogo mais favorável para si em vigor deixa o resultado bastante improvável. Mantendo minha tese de apostar no maior talento, vou de Angela Hill por decisão.

Peso Meio-Médio: Jake Ellenberger (EUA) vs. Bryan Barberena (EUA)

Por Diego Tintin

Jake Ellenberger foi, no início desta década, um dos mais sérios candidatos a desafiante no peso meio-médio do UFC. Depois de vencer nomes importantes como Jake Shields, Diego Sanchez, Mike Pyle e Nate Marquardt, o corpo começou a cobrar o preço das muitas batalhas celebradas em curto espaço de tempo. Ainda jovem, o “Juggernaut” viu seu rendimento derreter e venceu apenas duas das últimas dez lutas, contra os também decadentes Josh Koscheck e Matt Brown.

Nos bons tempos, Jake unia a sólida luta olímpica com um imenso poder de nocaute e oportunismo, que compensavam a pouca velocidade e algumas falhas defensivas. Com o passar do tempo, o wrestling ainda sobrevive, mas a aproximação passou a ser muito ruim, pois, além de lenta, o queixo não sobrevive a contragolpes mais precisos. Defensivamente, ele tem ainda mais dificuldades por conta dos reflexos menos apurados, pouca resistência cardiorrespiratória e perda de explosão muscular. Sobrou para Ellenberger o poder de nocaute, que pode dar conta de outros decrépitos como Brown e Koscheck, mas é muito pouco diante de concorrência mais jovem, em forma e saudável.

Bryan Barberena fez sua fama ao desbancar dois valiosos prospectos da organização: Warlley Alves e Sage Northcutt. Porém, não podemos afirmar que o californiano tem uma carreira regular na organização. Estas duas vitórias formam o único par de lutas em que Bryan repetiu um resultado. Ele venceu ainda o irmão de seu adversário deste sábado, Joe Ellenberger, em sua estreia no octógono. Contra prospectos mais consolidados e hoje integrantes do ranking, Barberena não sustentou o histórico vencedor, caindo contra Leon Edwards e Colby Covington.

O “Bam-Bam” é valente, tem muito vigor e consegue atacar e defender de forma decente na luta agarrada, com base no wrestling. Vacila um pouco na aproximação, cedendo oportunidades de contra-ataques, que foram determinantes em suas derrotas. Na luta em pé, falta a ele polidez e volume de jogo, por isso costuma se proteger e concentrar na defesa. Barberena ainda peca nas transições, os movimentos não fluem com naturalidade, tudo parece meio engessado quando necessita mudar de nível. No entanto, é perigoso no solo, com oportunismo apurado para chegar às costas dos oponentes e aplicar o estrangulamento.

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É aquela velha história que repetimos diversas vezes em análises aqui no MMA Brasil: esta luta alguns anos atrás não teria nem graça. Ellenberger é (foi?) muito mais lutador que Barberena, porém, já chegou em um ponto da carreira que perde para concorrência menos dotada, apenas pela decadência física. Mais ágil, resistente e ainda na flor da idade, Bryan deve conquistar a vitória, com o devido cuidado no início do combate para não ser vítima da mãozada infernal de Jake.

Peso Mosca: #6 John Moraga (EUA) vs. #14 Deiveson Figueiredo (BRA)

Por Bruno Costa

John Moraga (19-6 no MMA, 8-5 no UFC) é dos mais experientes lutadores do peso mosca do UFC, tendo inclusive desafiado Demetrius Johnson no início de seu reinado como campeão, e se estabeleceu num importante papel de “porteiro” da elite da categoria, uma vez que saiu derrotado apenas quando teve pela frente oposição de muito talento no octógono – ainda assim, foi capaz de bater um reconhecido prospecto da divisão, contra Magomed Bibulatov.

“Chicano” é muito forte, agressivo e apresenta boas ferramentas ofensivas, tendo se demonstrado um oportunista no octógono. Moraga tem nos ganchos aplicados em contragolpes a principal arma da sua luta em pé, que no entanto deixa a desejar no volume de golpes desferidos. Com origem no wrestling escolar, ele se utiliza da potência dos contragolpes para eventualmente aplicar quedas em seus oponentes. A partir daí, sua estratégia é o ground-and-pound o mais selvagem possível enquanto procura uma guilhotina, sua finalização predileta. O problema é que sua troca de golpes é mais potente do que acurada. Então, contra trocadores de nível técnico superior, com boa velocidade de mãos e maior nível de intensidade, ele pode se perder e ficar frustrado rapidamente quando não consegue sucesso nas investidas iniciais.

O invicto Deiveson Figueiredo (14-0 no MMA, 3-0 no UFC) tenta subir mais alguns degraus em direção ao topo da categoria. “Daico” tem se destacado como um sujeito de mãos pesadas e boa utilização do poderio atlético como base de seu jogo. Demonstrou contra Jarred Brooks muita dificuldade em manter a luta em pé, diante do alto nível de wrestling e velocidade do adversário, mas pareceu mais preparado defensivamente contra Joseph Morales em seu último combate. Cumpre aqui apontar que o brasileiro parece atento à necessidade de melhora na defesa de quedas e passou grande parte do seu camp com o Team Alpha Male, onde tem à disposição diversos wrestlers da sua faixa de peso para melhora no quesito.

Assim como seu adversário do sábado, Deiveson prima muito mais pela potência dos seus golpes do que pelo volume, e é especialista em guilhotinas, que, se não com tanta frequência são utilizadas para finalizar seus combates, servem ao menos para se livrar das tentativas de quedas dos oponentes e provocar scrambles, cenário em que se sai bem. Defensivamente, na luta em pé, ainda há muito espaço para o brasileiro melhorar, já que por muitas vezes é atingido por golpes limpos e acaba por depender da resistência do seu queixo – o que é mau indício quando se tem pela frente oponente de mãos pesadas como neste próximo embate.

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Moraga é um oponente interessante para testar as habilidades de Deiveson e demonstrar se o paraense está pronto para dar um passo acima no nível de competição enfrentado, uma vez que qualquer falha pode ser fatal contra um lutador que se mantém pronto para capitalizar nos erros do adversário.

Embora ambos tenham ótimas ferramentas ofensivas e deixem a desejar defensivamente, a dúvida aqui é sobre quem chamará pra si a tarefa de tentar pressionar o oponente. A torcida é para que não nos deparemos com um constrangedor concurso de encaradas por grande parte do combate. A luta parece um desafio na medida para que “Daico” consiga levar as ações ao ritmo que lhe favorece, dominando as trocas de golpes mais violentas e esperando pelo momento ideal para encurralar Moraga de costas contra a grade, partindo para uma sequência que o leve à vitória por nocaute técnico na segunda metade do combate.

Peso Meio-Médio: James Krause (EUA) vs. Warlley Alves (BRA)

Por Pedro Lins

“The” James Krause (25-7 no MMA, 6-3 no UFC) é um caso curioso. Depois de ser considerado o melhor lutador amador dos Estados Unidos, o americano fez uma sequência de dez vitórias, incluindo nomes do calibre de Michael Johnson, até ser finalizado por Donald Cerrone no extinto WEC. Após um período de resultados irregulares, teve uma breve passagem pelo TUF e conseguiu outra sequência de vitórias que o levou até o UFC. Entre vitórias e derrotas, no momento em que sua carreira parecia estabilizada, Krause resolveu voltar ao reality show mesmo já fazendo parte do plantel do UFC, e acabou parado por Jesse Taylor nas semifinais. Por fim, venceu seus dois últimos compromissos no maior evento do mundo contra Tom Gallicchio e Alex White.

Uma boa base de taekwondo, bons chutes, combinações bem feitas, boas quedas e faixa marrom de jiu-jítsu. Parecem virtudes de um lutador de nível, não? Pois é, esse é o curioso caso de James Krause, pois todas essas qualidades são atrapalhadas por uma inexistência completa de senso de urgência. A apatia faz com que ele insista no uso da combinação jab-direto mesmo quando é notório que conseguiria fazer movimentos mais complexos. A preguiça coloca o americano na famigerada condição de vencer lutadores de nível mais baixo e ser sempre freado por concorrência que ofereça mais talento ou simplesmente um pouco mais de vontade.

Mineiro radicado no Rio de Janeiro, Warlley Alves (12-2 no MMA e 6-2 no UFC) iniciou a carreira muito bem no UFC com uma trinca de vitórias após se sagrar vencedor do TUF Brasil 3 no peso médio. Contudo, as expectativas diminuíram após as derrotas para Bryan Barberena, que também luta neste sábado, e Kamaru Usman, prospecto que se tornou realidade bem mais rapidamente, ambas na decisão dos juízes. Contudo, o brasileiro vem de duas vitórias e busca uma sequência para voltar a enfrentar os melhores da categoria.

Ofensivamente, Warlley tem um estilo explosivo e versátil, usando a potência para buscar nocautes aliada a uma técnica razoável na troca de golpes. Porém, o ex-companheiro de Anderson Silva e Ronaldo Jacaré peca pela mobilidade, movimentação e no conhecido problema de diminuição aguda de rendimento conforme os combates se prolongam. As quedas são um recurso obtido através do clinch e do dirty boxing, e o jiu-jítsu, que tem bom nível, é encabeçado pela guilhotina, sua marca registrada.

James Krause vs Warlley Alves odds - BestFightOdds
 

Krause é um lutador mais polido que o brasileiro e, em tese, levaria vantagem técnica na luta. O problema é que a falta de urgência do americano é um fator de risco gigantesco contra adversários explosivos que começam a luta a 300 km/h, o que é justamente o caso de Warlley. O início lento de James pode propiciar oportunidades para o brasileiro pegá-lo no clinch. É sabido que Krause apresentará dificuldades para ser derrubado, mas o dirty boxing e a tentativa de guilhotina são possibilidades reais de findar a luta até a metade do segundo round. Mesmo que Krause evite as situações de queda e clinch, a troca de golpes pode levar Warlley ao nocaute, dada a sua potência nos golpes.

O maior risco para o brasileiro é a luta se alongar e a queda de rendimento dar sinais. Inclusive, essa pode ser a estratégia de Krause para vencer. Usar combinações para manter a distância, explorar os chutes retos para mantê-lo afastado e esperar a falta de oxigenação nos músculos do brasileiro fazer a sua parte para vencê-lo na decisão dos juízes. Como o MMA Brasil não fica em cima do muro, a aposta é que Warlley consiga a vitória até a metade do segundo round, mas a hipótese de a estratégia do americano dar certo não pode de maneira nenhuma ser desprezada.

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