Por Edição MMA Brasil | 21/07/2018 10:59

Sem ir até a Alemanha desde 2016, o UFC retornará neste domingo ao país germânico para a realização do UFC Fight Night 134. O evento, que será realizado na Blaycard Arena, na cidade de Hamburgo, sofreu baixas importantes em suas duas lutas principais, mas mantém um conjunto de combates que tem tudo para trazer momentos animados ao octógono.

O card será liderado pelo retorno da lenda Maurício Shogun Rua, que está afastado dos ringues desde março de 2017. Em série de três vitórias seguidas e surpreendentemente especulado para uma possível disputa de cinturão, o brasileiro terá pelo frente Anthony Smith, que entrou no combate como substituto de última hora.

Outros dois brasileiros ocupam os postos de lutas principais do evento. Enquanto Glover Teixeira terá pela frente Corey Anderson, outro que entrou no card com pouco tempo de antecedência, o peso médio Vitor Miranda enfrentará o dono da casa Abu Azaitar.

Dois ranqueados no peso pesado completam a parte mais importante do card principal de domingo, com ambos Stefan Struve e Marcin Tybura buscando se recuperar de derrotas recentes. Enquanto isso, foi pescado no preliminar um duelo de prospectos no peso meio-pesado, com Aleksander Rakic e Justin Ledet disputando para mostrar quem está mais pronto para confrontar a elite da divisão.

Como sempre, o canal Combate transmitirá o UFC Fight Night 134 ao vivo e na íntegra. A primeira luta preliminar está marcada para às 11:30h, enquanto o card principal deve ir ao ar a partir das 15:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília

Peso Meio-Pesado: #8 Maurício Shogun (BRA) vs. Anthony Smith (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Mesmo longe dos tempos áureos, Maurício Shogun (24-10 no MMA, 9-8 no UFC) está em sua melhor sequência de resultados no octógono. Após a constrangedora derrota para Ovince St. Preux em 2014, o ex-campeão da categoria anotou contestáveis triunfos sobre Rogério Minotouro e Corey Anderson, além de uma vitória segura sobre Gian Villante. Foram três vitórias, mas Maurício não luta mais de uma vez por ano desde 2014.

Shogun é um atleta que chegou ao topo muito por conta do muay thai lapidado na Chute Boxe. A caixa de ferramentas do curitibano em pé é vasta, com combinações de socos bem poderosas variando alvos, chutes e joelhadas bem colocados, e um bom trabalho no thai clinch. Além da inconstância, Maurício também tem problemas com o preparo físico e não é veloz como já foi, o que facilita o trabalho do oponente em o acertar golpes.

 

A primeira passagem de Anthony Smith (29-13 no MMA, 5-3 no UFC) pelo UFC durou apenas 53 segundos, mas ele retornou muito bem para a organização, em 2016, vencendo cinco de sete lutas e acertando na decisão de subir ao meio-pesado, onde aposentou o ex-campeão Rashad Evans em menos de um minuto. Antes meio de tabela no peso médio, Smith pode alcançar o ranking na categoria de cima.

Duas características interessantes sobre Anthony Smith são a sua capacidade de transformar qualquer luta em quebra pau e de aguentar pancada. Lutador alto, Smith gosta bastante de usar chutes frontais para manter o adversário longe e tenta pontuar com golpes longos. “Coração de Leão” consegue se defender com a movimentação, mas ainda deixa inúmeras brechas que podem ser trabalhadas pelo brasileiro.

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Eu duvido bastante que Shogun ou Anthony possam lutar pelo cinturão do UFC, mas quem liga? O combate de domingo tem promessa de ser bem animado. Smith não deve respeitar o gabarito e o histórico do brasileiro na luta em pé e tentará tomar ação logo de início, buscando intimidar Shogun, que logo deve responder com suas combinações características e tem grandes chances de acertar boa parte delas.

Pelo fato de Smith ser um animal que aguenta bastante pancada, o combate deve se alongar, e as chances dele podem até aumentar conforme o tanque de Maurício for caindo. A nossa aposta é que o brasileiro vencerá por nocaute, muito provavelmente na segunda metade da luta.

Peso Meio-Pesado: #3 Glover Teixeira (BRA) vs. #9 Corey Anderson (EUA)

Por Matheus Costa

O duelo entre Glover Teixeira e Corey Anderson é uma reafirmação para o brasileiro, que precisa provar que ainda pertence ao topo da categoria embora já dê sinais de decadência física e técnica. Há três anos, apostaria em Glover de olhos fechados. Hoje, o panorama já não é mais o mesmo.

Conhecido por suas mãos bem pesadas, Glover Teixeira (27-6 no MMA, 10-4 no UFC) já não parece tão confortável no jogo em pé como antes, até porque seu queixo, conhecido pela alta resistência, foi obliterado por Anthony Johnson e Alexander Gustafsson. Hoje, Glover utiliza seu jiu-jítsu com muito mais frequência, além do wrestling de bom nível, que embora não seja o suficiente para disputar com wrestlers de elite, faz com que se torne uma boa arma contra a maioria da divisão.

Vindo de vitória sobre Misha Cirkunov, Glover teve uma boa atuação, que contrastou com suas últimas aparições no octógono. Adepto da curta distância para usar seu boxe, Glover deveria aproveitar o QI negativo de luta de seu adversário para ter uma vida menos complicada na luta.

A vitória sobre Patrick Cummins melhorou a situação de Corey Anderson (10-4 no MMA, 7-4 no UFC) na organização, mas o vencedor do TUF 19 ainda não mostrou porque veio brincar na festa. Bastante inconsistente, Anderson sofre bastante com seu jogo em pé alinhado com sua inteligência negativa e sua péssima tomada de decisões. Definitivamente, não é uma boa combinação.

Entretanto, ele é dono de um ótimo wrestling ofensivo e conta com muita explosão muscular, que só lhe ajuda na hora de levar seus oponentes para o chão, onde possui um violento ground and pound e um bom controle posicional. Embora não seja um lutador que costume finalizar seus combates, Anderson gosta de ter o controle da situação o tempo todo.

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Acho que a grande questão do combate é se a defesa de quedas de Glover é boa o suficiente para frear o ímpeto de Corey Anderson, que provavelmente não vai querer saber de ficar em pé contra o brasileiro. Corey é mais novo, explosivo e definitivamente melhor na luta agarrada.

Todavia, acho que Glover conseguirá frear o ímpeto por tempo o suficiente de conseguir um knockdown na curta distância lá pelo segundo round, onde deve finalizar no ground and pound. Agora, se Corey conseguir vazar a defesa de quedas de Glover, ele terá sérios problemas.

Peso Médio: Vitor Miranda (BRA) vs. Abu Azaitar (ALE)

Por Idonaldo Filho

Vice-campeão do TUF Brasil 3, Vitor Miranda (12-6 no MMA, 3-3 no UFC) está em uma fase ruim e provavelmente luta pelo emprego em Hamburgo. O brasileiro foi derrotado por Antônio Cara de Sapato na final do TUF Brasil 3, emendando três vitórias seguidas posteriormente. Porém, sucumbiu para o já demitido Chris Camozzi na decisão unânime, também sendo derrotado pelo italiano Marvin Vettori pelo mesmo método pouco mais de um ano atrás.

Vitor é um kickboxer credenciado com boas vitórias na carreira feita predominantemente no Brasil, e que domina diversas artes marciais além do kickboxing, como o sanda, o savate e principalmente o muay thai, de onde originou seu apelido de “Vithai”. Um atleta antes perigoso, ultimamente parece estar entrando em decadência, muito talvez pelos 15 anos de esporte, intercalando kickboxing e MMA. Vithai é um lutador que chuta bastante, tanto na cabeça, quanto no corpo e nas pernas, também buscando utilizar os cotovelos. Entretanto, principalmente em sua última luta, mostrou que a velocidade diminuiu drasticamente, e existe dificuldade de encaixar os golpes muito devido a isso. O condicionamento também não parece ser o mesmo.

Lutando em casa após um hiato de quase dois anos, o alemão com descendência marroquina Abu Azaitar (13-2-1 no MMA) finalmente irá fazer a sua primeira luta no UFC, após ter seu combate contra Siyar Bahadurzada cancelado no UFC Fight Night 115 por uma lesão sua. Irmão do campeão do Brave CF, Ottman Azaitar, embora tenha feito a maior parte da carreira no peso médio, Abu lutou na categoria de baixo nas suas últimas duas lutas no extinto WSOF. Ele vem de oito vitórias seguidas, sendo a maior delas contra Jack Marshman em 2014.

Azaitar tem background no muay thai assim como seu adversário. Ele possui diversos títulos na modalidade e também no kickboxing no continente europeu. Abu praticamente é um cavalo, lutador extremamente empolgante, que bate muito forte e sempre espera o momento correto para explodir para cima de seu oponente. Porém, em suas últimas lutas, Azaitar não teve desempenhos parecidos contra a sólida oposição que enfrentou no cenário europeu, muito provavelmente por causa do corte de peso. Um problema que ele tem é a defesa de quedas e o wrestling no geral, que é um pouco deficiente.

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Azaitar é um cara para quem você não pode dar brecha nenhuma, pois ele não vai ter medo de partir para cima, por isso o ideal para o brasileiro talvez fosse adotar uma postura de contragolpeador nesse caso. Vitor é o melhor striker, porém não está mais no seu auge e já adentrou no UFC com idade avançada. A vantagem aqui é do alemão, que deve conseguir nocautear na última parcial.

Peso Pesado: #9 Marcin Tybura (POL) vs. #13 Stefan Struve (HOL)

Por Bruno Costa

Marcin Tybura (16-4 no MMA, 3-3 no UFC) tenta se recuperar do primeiro par de derrotas sofridas de maneira consecutiva na carreira. Um peso pesado de idade “baixa” para a categoria, Tybura parecia pronto para dar um salto no nível de competição após bater o interminável Andrei Arlovski. Uma derrota em decisão clara para Fabrício Werdum era desvio de rota aceitável, e até certo ponto previsível, pelo nível técnico e experiência do brasileiro.

Contudo, perder para um Derrick Lewis em forma de zumbi após ter a luta muito bem encaminhada, o que seria sua vitória mais importante da carreira, com direito a nocaute bizarro sofrido (em uma luta com vários momentos bizarros, como é uma luta normal de Lewis) faz com que o polonês volte alguns degraus no ranking da categoria. Na verdade não, são excessivos perebas lutando com até 120kg e sequer existem atletas o suficiente para jogarem Tybura abaixo nos rankings; além disso, Lewis venceu mais uma luta bizarra e virou o número 2 no peso pesado, o que faz a derrota envelhecer menos mal.

Tybura é regular nas posições de clinch e no jogo de solo baseado no controle posicional, além da resistência acima da média dos pesos pesados. O striking – área do MMA em que apresentava maiores dificuldades, com falta de combinações, mesmo básicas, e era baseado unicamente em contragolpes  – demonstrou notória evolução após período de treinos na Jackson-Wink. A defesa de quedas é competente o suficiente para, em um cenário comum, manter o duelo do domingo sendo disputado em pé, caso seja seu interesse. Nesse combate, o polonês terá vantagem de volume de golpes e footwork mais competente que seu adversário. Além disso, pode favorecer ao polonês o fato de descer um degrau no nível de competição que vinha enfrentando.

Stefan “Skyscraper” Struve (32-10 no MMA, 12-8 no UFC) luta no UFC desde 2009 mesmo sendo péssimo no seu trabalho. Busca, assim como seu adversário, a terceira derrota seguida, e ainda integra o top 15 da categoria. Em seus últimos oponentes, enfrentou um ótimo kickboxer em Alexander Volkov e um experientíssimo super desgastado Andrei Arlovski, que aplicou lições a Struve na luta em pé, no clinch, e até no controle posicional na luta agarrada. Embora derrotado no combate contra Volkov, entregou um combate de nível acima de suas atuações, com bons momentos ofensivos no início do combate. Já contra o “Pitbull”, voltou ao normal e conseguiu executar basicamente nada.

O gigante holandês apresenta desgaste imposto pela natureza da profissão e chegou a sofrer com problemas cardíacos durante sua longínqua trajetória no octógono. Struve chegou ao UFC como um agressivo e oportunista finalizador, utilizando com eficiência sua técnica no jiu-jítsu contra adversários incapazes de se defender no solo e baixíssimo nível técnico.

A eterna dificuldade em estabilizar o jab, que deveria ser a principal ferramenta do “Skyscraper” a fim de utilizar seu potencial físico, o impediu de dar o próximo passo rumo ao topo. A notória falta de habilidades defensivas e a dificuldade em incorporá-las joga contra o que parecia ser uma evolução do jogo ofensivo sob a tutela do compatriota Henri Hooft na Flórida.

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No confronto do sábado, a tendência é que o volume de Tybura faça diferença e ele consiga trabalhar para encurralar Struve na grade, dominando o combate no clinch e partindo para quedas eventuais, seguidas da execução de ground and pound pouco efetivo pelo receio em ser finalizado, isso ocorrendo em looping durante os 15 minutos do sofrível combate.

Peso Meio-Pesado: Justin Ledet (EUA) vs. Aleksandar Rakic (AUT)

Por Idonaldo Filho

Justin Ledet (9-0 no MMA, 3-0 no UFC) é outro que surgiu sem grandes expectativas e acabou surpreendendo, chegando a entrar no ranking do peso pesado no UFC com suas três vitórias. O americano que começou a lutar no UFC como peso pesado, retorna aos meios-pesados, onde já lutou antes de conseguir o contrato com o líder do mercado. Em sua estreia na organização, uma clínica de jabs lhe deu vitória contra Chase Sherman, e logo em sua segunda luta, conseguiu a interrupção, com uma finalização grosseira contra o também pouco fino Mark Godbeer. Já a última luta foi uma decepção, numa vitória bem apática contra Azunna Anyanwu (que caiu no doping, diga-se de passagem) diminuiu um pouco as expectativas sobre ele.

El Blanco foi boxeador profissional, conseguindo cinco vitórias em cinco lutas na modalidade. Ele usa o boxe como arma principal de seu jogo, com boa técnica e mãos precisas, principalmente focando no uso de jabs, para incomodar o adversário, quase nunca chutando. Ledet também não é nada bobo no chão, possuindo cinco vitórias por finalização e tendo até alguma técnica no chão comparado a oposição que enfrentava. O corte de peso deve ser razoável, mesmo não sendo o maior dos pesados, mas muito devido a estatura, e há também o risco dele perder resistência com isso. Outra coisa que deve ser considerada é que Ledet ao menos nos pesos pesados não batia tão forte, e se expunha bastante defensivamente.

O único representante da Aústria no UFC, Aleksandar Rakic (9-1 no MMA, 1-0 no UFC) é um striker, que iniciou no boxe e kickboxing após desistir de treinar futebol (o que mostrou ser uma decisão acertada). Rakic conseguiu vitórias interessantes no cenário regional antes de entrar no UFC, embora contra oposição duvidosa, com o maior nome derrotado sendo Marcin Prachnio, atual atleta da organização. Chegando sem muito barulho no evento americano, logo em sua primeira luta venceu o atual líder de torneio da PFL, Francimar Bodão, na decisão dos juízes.

O austríaco é um cara longilíneo e de boa técnica e velocidade na trocação, treinando kickboxing desde os 14 anos, e sendo muito perigoso na área. Rakic tem um estilo de luta calmo mas interessante de assistir, com predominância de chutes baixos e controle do cage, conseguindo ganhar os espaços e acertar boas sequências de socos com o oponente encurralado. Rakic também possui bom footwork e cardio, o último muito auxiliado pela forte rotina de treinos acrescida de natação e mergulho. É um atleta que pode alcançar voos altos na categoria, principalmente se ajustar a defesa de quedas e o jogo de chão.

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Eu acho que Ledet estava muito bem nos pesados e não havia necessidade de descer, acredito até que lá ele conseguiria se manter no top 15, coisa que acho que dificilmente vai acontecer nos meios-pesados onde cada vez mais prospectos (e barangas) estão surgindo. Há a possibilidade de Rakic conseguir um nocaute, e também de Ledet buscar levar a luta para o solo como fez contra Godbeer. Deve ser uma luta muito técnica, talvez não tão empolgante, e Rakic sairá vitorioso na decisão dos juízes