Por Edição MMA Brasil | 12/07/2018

No próximo sábado, o octógono mais famoso do mundo desembarca pela primeira vez no estado americano de Idaho. A CenturyLink Arena, na capital Boise, será palco do UFC Fight Night 133, evento liderado por um ex-campeão em busca de redenção contra um estreante especial.

Antigo chefão dos pesos pesados, Junior Cigano luta pela primeira vez desde que cumpriu suspensão por doping. Seu oponente será Blagoi Ivanov, ex-campeão do WSOF que quase morreu antes de chegar ao UFC.

Quem também volta de suspensão em Boise é o ex-desafiante dos penas Chad Mendes, que encara Myles Jury. Pela mesma categoria, Dennis Bermudez bate de frente com Rick Glenn, outro ex-campeão do WSOF em ação.

Dois combates pela divisão dos meios-médios terão vez no card principal do UFC Fight Night 133. Na luta coprincipal, Sage Northcutt enfrenta Zak Ottow. Dois duelos antes, Randy Brown colide com Niko Price. Completa a porção principal o confronto entre Cat Zingano e Marion Reneau. Içado das preliminares, o duelo entre Alexander Volkanovski e Darren Elkins também faz parte desta prévia do UFC Fight Night 133.

O canal Combate transmitirá o UFC Fight Night 133 ao vivo e na íntegra. A primeira luta preliminar está marcada para às 19:30h, enquanto o card principal deve ir ao ar a partir das 23:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Pesado: #7 Junior Cigano (BRA) vs. Blagoi Ivanov (BUL)

Por Alexandre Matos

Junior Cigano

Está cada vez mais longe a época em que Cigano (18-5 no MMA, 12-4 no UFC) era o cara nos pesados. Desde que perdeu o cinturão para Cain Velasquez, o catarinense nunca mais venceu duas seguidas. As vitórias sobre Stipe Miocic, Mark Hunt e Ben Rothwell se misturaram com revezes para Velasquez mais uma vez, Alistair Overeem e Miocic defendendo cinturão. Cigano enfrentaria Francis Ngannou no UFC 215, mas foi flagrado num exame antidoping e encarou um ano de suspensão.

Quando dividia o protagonismo da categoria com Velasquez, Cigano tinha o melhor boxe da categoria e uma defesa de quedas muito sólida. Depois que o americano decifrou seu jogo, Junior teve dificuldade de se reinventar. Ele andou treinando kickboxing e arriscando alguns chutes, mas a velocidade, que sempre foi sua maior virtude, desapareceu junto com alguns anos de vida que Cain lhe tirou. Por este motivo, o tempo parado agora pode ter servido para reavaliar seu jogo dentro da atual condição atlética – inclusive avaliar a própria condição atlética.

Não importa o papel que Ivanov (16-1 no MMA) fará no UFC, ele já é um vencedor. Em 2012, o búlgaro se envolveu numa briga e sobreviveu por milagre. Um ano e meio depois, ele voltou aos cages e chegou à decisão de um torneio no Bellator para em seguida conquistar e defender quatro vezes o cinturão do WSOF. Sua única derrota aconteceu contra o hoje candidato a desafiante do UFC Alexander Volkov, na final do GP do Bellator.

Ivanov é um garboso integrante da cepa dos equinos do leste europeu. Sua origem é a luta agarrada, primeiro no judô e depois no sambô de combate, modalidade na qual conquistou o título mundial em 2008, vencendo o então imbatível Fedor Emelianenko na semifinal. No MMA, seu jogo é calcado na opressão do clinch (Ivanov foi o coprotagonista da desmontagem do ringue na famosa luta contra o igualmente cavalo Ilir Latifi), nas quedas violentas e ground and pound perfurador. Ele é desajeitadão na troca de golpes, mas capaz de deitar corpos. No solo, também mostra capacidade de apertar pescoços. Para lutar entre os melhores do mundo, o condicionamento cardiorrespiratório precisa ser melhorado.

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Fosse durante o apogeu de Cigano e não haveria dúvida alguma sobre o desenrolar deste combate. O brasileiro segue como favorito, mas sabe-se lá como ele vai dar as caras no octógono.

Em condições normais, Cigano controlaria a distância e treinaria tiro ao alvo de socos na cara de Ivanov. Sua movimentação lateral impediria as aproximações do búlgaro e a melhor capacidade atlética lhe daria vantagem na segunda metade do combate rumo a um nocaute. Porém, talvez o cárdio esteja um tanto equilibrado e Ivanov pode conseguir desgastar o ex-campeão na grade. Ainda assim, a aposta é que Cigano vença, porém sem quebrar o jejum que já passa de cinco anos sem nocautes.

Peso Meio-Médio: Sage Northcutt (EUA) vs. Zak Ottow (EUA)

Por Diego Tintin

Sage Northcutt

Sage Northcutt (10-2 no MMA e 5-2 no UFC) está mais discreto nos últimos meses, tentando recolocar nos trilhos uma carreira ainda promissora. Surgiu como um furacão midiático depois de ser descoberto em um programa de TV comandado por Dana White, com seu estilo de ator de “Malhação”, além de ser um lutador empolgante, com boas ferramentas técnicas e atléticas.

Começou com vitórias animadoras sobre Francisco Trevino e Cody Pfister, mas o choque de realidade veio com as derrotas para Bryan Barberena e Mickey Gall, ambas por submissões nas quais mostrou pouca resistência e enorme inocência. Entre elas, vitória burocrática sobre Enrique Marín, metodologia também aplicada contra Michel Quiñones e Thibault Gouti, suas lutas de recuperação após as decepcionantes derrotas.

Sage virou chacota para muita gente, mas é um tanto apressado julgar um sujeito inexperiente, de apenas 22 anos, pressionado como ele, por erros naturais para um jovem alvo de muita badalação. Moldado em artes marciais desde pirralho, Northcutt é faixa preta em caratê, taekwondo, kajukenbo e roxa em jiu-jítsu. Sua trocação é precisa e explosiva, com um forte alicerce em seu atleticismo acima da média. Na luta agarrada, tanto é capaz de tirar finalizações da cartola, como também está verde o suficiente para batucar sem saber ao certo como se defender, como ocorreu em suas duas derrotas.

Zak Ottow

Zak Ottow (16-5 no MMA, 3-2 no UFC) tenta quebrar um tabu pessoal neste sábado: ainda não conseguiu repetir um resultado desde que estreou no octógono vencendo o veterano Josh Burkman. Veio para o Brasil e sucumbiu diante de Serginho Moraes, recuperando-se contra Kiichi Kunimoto na Nova Zelândia. Fato curioso é que foram três decisões divididas, embora apenas a derrota para Moraes tenha sido realmente passível de grande discussão. Após ser nocauteado por Li Jingliang, na China, finalmente voltou para seu país natal e aplicou um nocaute que encerrou a carreira do bravo Mike Pyle.

Em seu tempo no ensino médio e universidade, Zak dividiu-se entre o futebol americano, wrestling e taekwondo. Ao migrar para o MMA, alcançou a faixa preta de jiu-jítsu, mas segue sendo um lutador apenas mediano na luta agarrada. Com jabs e chutes baixos eficientes, busca preparar o terreno para potentes ganchos e diretos de direita, fazendo uso de trocas de base constantes. O wrestling não foi testado profundamente, tanto na parte defensiva quanto na ofensiva, mas já demonstrou dificuldades no clinch contra Serginho.

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Ottow traz à mesa algumas características que foram fatais a Northcutt no passado remoto: atleta experiente, resistente, versátil e com poder de definição de lutas. Resta saber se o prodígio absorveu o necessário para escapar de armadilhas deixadas por oponentes traiçoeiros, porém limitados, como Zak.

Duelo interessante para posicionar Northcutt e seu atual estágio de desenvolvimento: se é animador ao ponto de derrotar um sujeito de valor como o “Bárbaro” ou se já dá para começar a considerá-lo uma eterna promessa que talvez nunca alcance o patamar esperado. Não existe aposta segura neste caso, mas daremos aqui um voto de confiança ao jovem “Super Sage”.

Peso Pena: Dennis Bermudez (EUA) vs. Rick Glenn (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Dennis Bermudez

Bem antes de Max Holloway, quem enfileirava adversários no peso pena era Dennis Bermudez (17-8 no MMA, 9-6 no UFC). Houve uma época em que o ex-TUF 14 ganhou sete lutas seguidas, numa série maior até que a do então campeão José Aldo, mas a sua carreira não foi a mesma depois do revés para Ricardo Lamas, em 2014. Hoje, Dennis vive seu pior momento no UFC, com três derrotas em sequência – a última vitória, sobre Rony Jason, completará dois anos no próximo dia 6.

Atleta com base no wrestling universitário, Bermudez se destacou por conta das quedas e do estilo bem agressivo e explosivo, evitando deixar espaço para os oponentes e promovendo ataques muito fortes e de alto volume de golpes. O que complica para Dennis são os inúmeros vacilos defensivos, que foram bem aproveitados por lutadores como Jeremy Stephens, no épico UFC 189, disputado na International Fight Week de 2015, e no retorno do “Zumbi Coreano” Chan Sung Jung, depois de dois anos de inatividade do asiático.

Rick Glenn

Ex-campeão do WSOF, Rick Glenn (20-5-1 no MMA, 2-2 no UFC) vai para a quinta luta no UFC na tentativa de buscar a maior vitória da carreira. Após estrear levando uma surra contra Evan Dunham, ele conquistou triunfos sobre Phillipe Nover, no UFC 208, em fevereiro de 2017, e Gavin Tucker, no UFC 215, em setembro do ano passado, antes de ser completamente dominado por Myles Jury, no UFC 219, o último evento de 2017. Em geral, possui 12 vitórias por nocaute e mais quatro por submissão, com seis interrupções no primeiro assalto, embora ele não decida um combate no round inicial desde 2011.

Ex-estudante de fisioterapia, com passagens pelo Team Alpha Male e Roufusport, Glenn é um atleta mais conhecido pelo coração do que pela técnica, já que provou mais de uma vez que é capaz de suportar grandes castigos. O estilo de luta é um tanto esquisito, com bastante movimentação lateral e combinações de socos rápidas, mas sem tanta eficiência – são 45% de acerto em seus combates no UFC. Na defesa, “O Gladiador” é um atleta bem mapeável, com dificuldades de se desvencilhar dos ataques.

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Apesar de ter perdido as lutas mais recentes em resultados contestáveis, Bermudez teve uma queda de rendimento nos duelos em que perdeu. Não tem a mesma explosão de antes nem a mesma confiança na hora de se defender. Glenn pode aproveitar o seu tamanho para controlar a distância e utilizar bons contra-ataques.

Em dias normais, apostaria em mais tranquilidade em Dennis. Como as circunstâncias são diferentes, acredito que “A Ameaça” terá bastante dificuldade na parte em pé, mas conseguirá quedas e trabalhará o jiu-jítsu para conquistar uma vitória por decisão dividida – porém, coloco minhas fichas sem convicção alguma.

Peso Meio-Médio: Randy Brown (JAM) vs. Niko Price (EUA)

Por Gabriel Carvalho 

Randy Brown

Uma das interessantes novidades que surgiram no peso meio-médio do UFC em tempos recentes, revelado no forte celeiro do Ring of Combat, Randy Brown (10-2 no MMA, 4-2 no UFC) acabou perdendo para os principais nomes que enfrentou no UFC – Michael Graves, na segunda luta, em 2016, e Belal Muhammad, na penúltima, em 2017 -, mas agora o jamaicano de Spanish Town e radicado em Nova York tem a oportunidade de subir de patamar na categoria.

Brown tem um estilo pouco ortodoxo. Ele é um atleta esguio e que investe bastante em golpes retos em alto volume – começou no boxe, ainda adolescente -, além de utilizar diversos chutes. No entanto, seu ponto forte mesmo é o wrestling, modalidade na qual consegue aproveitar o seu porte físico e a envergadura para facilitar a execução das quedas. Contudo, apesar de ser faixa-roxa na arte suave, o “Rudeboy” Brown apresenta dificuldades com atletas de jiu-jítsu superior, mesmo quando cai por cima.

Oponente de Brown neste sábado, Niko Price (11-1 no MMA, 3-1 no UFC) não completou dois anos como contratado da maior organização do MMA mundial, mas é um dos lutadores preferidos dos fãs. Afinal, todas as suas lutas foram boas até aqui, e nenhuma delas terminou na decisão dos juízes laterais – no geral, apenas sua última luta antes de ingressar no UFC chegou ao final do tempo regulamentar. Recentemente, Niko mostrou habilidades no jiu-jítsu pra finalizar George Sullivan, mas foi pego por Vicente Luque em seu mais recente compromisso, em Belém.

Apesar de ter começado diretamente no MMA, em 2008, o “Híbrido” desenvolveu mais o muay thai nos treinos e acabou montando um estilo de luta bastante interessante, principalmente por conta da evolução técnica que veio apresentando nos últimos tempos. Ele se tornou um lutador mais calmo, com uma melhor seleção de golpes e que sabe dosar as suas explosões com os potentes golpes na longa distância. O que complica mesmo a sua situação é o sistema defensivo, que tem buracos em todas as partes do jogo.

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Niko nunca decepcionou no UFC em entregar um combate legal, e não acredito que ele decepcionará no sábado. Brown é um lutador melhor, mas não significa necessariamente que é mais inteligente, logo, deve partir para o ataque na troca de golpes, tentando encurralar o rival. Price deverá responder sempre que possível. Randy deve levar a luta para o chão e, caso consiga se defender bem de qualquer investida de Niko, deve vencer em um combate divertido, provavelmente na decisão dos juízes.

Peso Pena: #12 Myles Jury (EUA) vs. Chad Mendes (EUA)

Por Thiago Kühl

Myles Jury

Há alguns anos, Myles “Fury” Jury (17-2 no MMA, 8-2 no UFC) aparentava ser daqueles prospectos que em pouco tempo estaria nas cabeças do peso leve, mas uma série de lesões e Donald Cerrone em grande fase pararam a subida do pupilo da Alliance MMA, até então invicto. Após a derrota, mais uma frustração: Jury desceu de categoria e foi finalizado em seu primeiro combate como pena por Charles do Bronx, ainda no primeiro round. Sem lutar durante 18 meses após duas derrotas consecutivas, Myles conseguiu se recuperar com vitórias sobre Mike de la Torre e Rick Glenn, já em 2017, o que recolocou o garoto de Michigan na escalada do ranking da categoria até 66 quilos.

Dono de um striking de ótimo nível, consegue soltar os mais diversos tipos de golpes na distância, principalmente os lançados contra o corpo. Jury circula bem e aproveita o espaço do octógono para acabar encurralando os adversários e fazer rápidas aproximações para buscar quedas. No ground and pound, tem bastante potência para fazer estragos, o grappling é sólido, consegue achar quedas contra desavisados e encontrar finalizações uma vez que a luta esteja no chão. Ou seja, o pupilo de Eric Del Fierro é completo e perigoso – tomara que não fique mais tanto tempo longe do octógono.

Para quem já foi top 3 indiscutível da categoria, a atual situação de Chad Mendes (17-4 no MMA, 8-4 no UFC) é estranha. Um dos melhores produtos que saíram do Team Alpha Male na última década, conquistou três vezes a chance de disputar o cinturão dos penas, duas contra José Aldo e uma substituindo o brasileiro. Na primeira, um joelhaço quase no soar da buzina do primeiro round tirou a invencibilidade de “Money”. Na segunda, levou o ex-campeão a águas profundas, numa guerra que acabou como uma das melhores lutas de 2014, mas sem fazer o suficiente para levar o título. Na terceira, substituindo Aldo de última hora pelo título interino, acabou com o gás em uma guilhotina e foi nocauteado no segundo round por Conor McGregor. Após a derrota no UFC 189, Mendes retornou em dezembro de 2015 nocauteado por Frankie Edgar no primeiro round. Para piorar, o californiano ainda foi pego no doping no início de 2016, sofrendo punição de dois anos.

Chad é um wrestler de muito alto nível no MMA. Foi All-American da Divisão I da NCAA e galgou seu caminho até a primeira disputa de cinturão basicamente se fundando na luta agarrada e controle posicional. Ele se reinventou após o revés no UFC 142, beneficiado pela grande passagem de Duane Ludwig pelo Team Alpha Male, evoluindo brilhantemente no striking, situação na qual além de bastante técnico, tem grande potência para categoria, provada com os quatro nocautes nas cinco lutas que fez entre as derrotas para Aldo. Contra adversários como Jury, Mendes fazia pressão, cortava ângulos, fintava golpes e jogava combinações com maestria. Na dúvida, entrava com um double leg sempre muito eficiente. No chão, além do wrestling, tem um jiu-jítsu sólido o bastante para finalizar desavisados.

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Se estivéssemos em 2016, eu diria que Myles Jury contra Chad Mendes seria uma luta de favas contadas. Jury nunca derrubaria um wrestler do nível do californiano, suas aproximações seriam castigadas de forma inapelável e uma vitória de Mendes seria praticamente inevitável. Ocorre que os 30 meses que separam Chad de sua última luta devem cobrar um preço no condicionamento de um peso pena de 33 anos. Neste caso, vamos apostar em mais uma passagem de bastão na já renovada categoria dos penas. Após dois rounds de domínio da distância e contragolpes precisos, Jury deverá encontrar um nocaute na parte final do combate.

Peso Galo: #6 Cat Zingano (EUA) vs. #7 Marion Reneau (EUA)

Por Matheus Costa

Cat Zingano

O confronto entre Cat Zingano e Marion Reneau no UFC Fight Night 133 pode significar muito para a ex-desafiante. Uma vitória pode lhe dar a confiança necessária para voltar ao topo, mas, caso perca, sua quarta derrota seguida pode significar a aposentadoria. Ela vem de três derrotas consecutivas, para Rousey, em 2015, Julianna Peña, em 2016, e Ketlen Vieira, em março deste ano. Especialmente contra a brasileira, Cat não mostrou grande atuação e deu uma clara demonstração de que já não é a mesma lutadora que chegou a disputa de cinturão.

Com sua base feita no wrestling, campeã da Divisão III da NCAA, Zingano (9-3 no MMA, 2-3 no UFC) tem um jogo ofensivo bastante criativo e efetivo. Entretanto, a falta de ritmo por conta de inúmeras lesões e problemas pessoais devastadores acabaram atrapalhando sua progressão no UFC, já que, quando enfrentou Ronda Rousey, era tida como a principal lutadora no peso galo depois da campeã.

Por outro lado, Marion Reneau (9-3-1 no MMA, 5-2-1 no UFC) vive a melhor fase de sua carreira no auge de seus 41 anos. Com três vitórias e um empate nas últimas quatro lutas, ela parece ter se encontrado na carreira e mostra uma evolução considerável em cada apresentação. Os nocautes sobre Milana Dudieva e Talita Bernardo impressionaram, mas sua finalização sobre a competente Sara McMann fala muito por si só.

O boxe não é muito o forte de Reneau, principalmente no setor defensivo, pois a lutadora deixa brechas significativas ao atacar e não reage muito bem quando sofre contragolpes. Em pé, sua especialidade são os chutes, que são técnicos e bastante potentes, com boa variação entre os locais afetados. Entretanto, a especialidade da professora de educacão física é mesmo a arte suave, faixa-preta do ex-Bellator Cleber Luciano. Ela mostra um bom jogo ofensivo na luta agarrada de solo, apesar de ter conquistado mais vitórias por nocaute do que por submissão no MMA profissional.

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Cat é uma lutadora que não apresenta tanta velocidade e desperdiça muitos golpes, o que acaba se tornando um ponto bom para Marion na luta em pé, posição em que pode se aproveitar e investir em alguns contra-ataques – isso funcionou muito bem na luta contra Sara McMann. Zingano é superior no wrestling e deve partir para as quedas, mas precisa ter cuidado com o jiu-jítsu perigoso de Reneau. A aposta aqui é Marion por decisão unânime.

Peso Pena: #10 Darren Elkins (EUA) vs. Alexander Volkanovski (AUS)

Por Idonaldo Filho

Darren Elkins

O eterno injustiçado Darren Elkins (25-5 no MMA, 14-4 no UFC) já tem oito anos de UFC, mas ainda não foi promovido da função de porteiro oficial das divisões nas quais lutou. Quase sempre colocado em cards preliminares, o americano não perde uma luta faz quase três anos e está com seis vitórias seguidas, sendo as últimas três contra nomes qualificados como Michael Johnson, Mirsad Bektic (numa reviravolta sensacional) e Dennis Bermudez. Porém, para quem achou que Elkins finalmente enfrentaria alguém para credenciá-lo ao título, sinto muito, não é dessa vez.

Treinando no Team Alpha Male, “The Damage” vem fazendo jus ao apelido recentemente (não apenas pela ridícula tatuagem em seu peito), tornando suas lutas, antigamente dispensáveis, em bons duelos. Dono de wrestling sufocante e muitas vezes chamado de carrapato, teve bom cartel na modalidade enquanto praticava no circuito universitário de Indiana, conseguindo vencer campeonatos tanto de estilo livre quanto de greco-romano. Em pé, é um cara meio grosso, agressivo e com absorção de golpes muito boa – Elkins é daqueles que vira zumbi na luta, mas não caí, sempre buscando avançar, com muito coração. Ele poderia apenas melhorar sua defesa de golpes, já que quase sempre termina as lutas com a cara ensanguentada.

Com 1,67m, o australiano Alexander Volkanovski (17-1 no MMA, 4-0 no UFC) é um verdadeiro monstrinho na categoria. Ex-jogador de rúgbi, quando chegou a pesar quase 100kg, o que não falta para Volkanovski é força física. Ele chegou ao UFC após conquistar quatro títulos de eventos regionais e dominou completamente Yusuke Kasuya para conquistar a primeira vitória no octógono. Após decisões sobre Mizuto Hirota e Shane Young, Volkanovski conseguiu a maior vitória no evento, com um atropelamento sobre Jeremy Kennedy, obtendo sua primeira interrupção no UFC.

Além de muito forte, Volkanovski mostra bom preparo físico. Seu biótipo facilita seu jogo predominantemente de quedas, sempre executados após um overhand, e domínio no chão, amassando o adversário no ground and pound como se fosse um pedaço de papel. Alex, com a sua faixa roxa de jiu-jítsu, demonstra facilidade nas transições no solo. Em pé, também acerta muitos golpes e possuí potência que já dizimou muitos lutadores no cenário regional australiano. Talvez um pouco mais de senso de urgência não faria mal a Volkanovski.

Alex Volkanovski vs Darren Elkins odds - BestFightOdds
 

Elkins deveria enfrentar agora alguém mais bem ranqueado. Nada contra Volkanovski, que é um ótimo lutador, só que o americano está em condição até de disputar o cinturão. O UFC não perdoa Darren nunca.

Os dois são parecidos em alguns aspectos: são grapplers bem competentes e muito duros. O que para mim pode fazer diferença é a experiência de Elkins contra oposição de alto nível. Volkanovski é o melhor striker, mas Elkins é grande para a categoria, e o australiano chegou a ser quedado uma vez por Kasuya. Em uma luta muito equilibrada (embora as odds não reflitam isso, o que acho absurdo), Elkins deve sair vitorioso por decisão apertada.

Peso Galo: #13 Alejandro Perez (MEX) vs. #15 Eddie Wineland (EUA)

Por Matheus Costa

Eddie Wineland

Aos 34 anos, o primeiro campeão do peso galo do extinto WEC mudou bastante para o atual Eddie Wineland (23-12-1 no MMA, 3-6 no UFC), até porque ele nunca conseguiu repetir as suas atuações no octógono mais famoso do mundo, embora tenha conseguido disputar o cinturão interino contra Renan Barão, numa época que parece muito mais distante do que os cinco anos reais. Wrestler de origem, Wineland se tornou em um boxeador com grande poder de nocaute, mas seu jogo basicamente se resume à coragem de trocar socos sem medo de ser nocauteado (gostamos!).

Por conta do declínio físico, o jogo ofensivo na luta agarrada de Wineland nunca foi mais o mesmo e hoje é raramente utilizado. Nocautes consecutivos Takeya Mizugaki e Frankie Saenz acenderam uma pequena labareda de esperança no famoso AGORA VAI, mas o letal John Dodson tratou de jogar um balde de água fria ao derrotá-lo por decisão unânime.

Alejandro Perez

O “Diablito” Alejandro Perez (20-6-1 no MMA, 6-1-1 no UFC) é um lutador que vem crescendo na categoria dos galos. Ele ainda apresenta alguns erros que precisam ser corrigidos caso queira se testar contra os leões, mas o combate contra um veterano experiente como Eddie Wineland é bom o suficiente para testá-lo, até para ter uma noção de seu verdadeiro potencial.

Vencedor da primeira temporada do TUF América Latina, Perez soma seis vitórias em oito lutas na organização e está em série invicta de cinco vitórias e um empate desde que foi finalizado por Patrick Williams, em junho de 2015. Dono de uma boa trocação, Alejandro tem um bom boxe e usa bastante os jabs para controlar a distância com muita movimentação lateral e chutes baixos. Surpreendentemente, o mexicano vem mostrando evolução na luta agarrada, principalmente na defesa de quedas, e talvez esse seja o caminho para a maior vitória de sua carreira.

Alejandro Perez vs Eddie Wineland odds - BestFightOdds
 

Diablito não deve mudar muito a sua postura para o duelo de sábado. Tentará se manter fechado na maior parte do tempo, contido, tentando trabalhar com jabs e chutes baixos. Mais ligado no 220v, Wineland teve tomar as ações e partir para o ataque, uma estratégia menos inteligente, pois ele poderia explorar as falhas que o mexicano apresenta no chão. Os 15 minutos devem ser animados, e apostamos em Perez na decisão.

Peso Mosca: #7 Liz Carmouche (EUA) vs. Jennifer Maia (BRA)

Por Matheus Costa

A estreia de Jennifer Maia (15-4-1 no MMA) no UFC é algo que eu, particularmente, estou bastante animado para ver. Especialista no muay thai, a ex-campeã do Invicta FC chega na categoria peso mosca feminina com potencial para chegar no top 5 caso consiga repetir suas atuações recentes.

Seu jogo em pé é muito bom, um dos melhores da categoria, bastante agressivo e com um bom volume de golpes. Por outro lado, o desempenho no chão não é dos melhores, mas sua defesa de quedas evoluiu consideravelmente nas últimas lutas, o que certamente é benéfico para quem tem tanta necessidade de manter os combates em pé, na troca de golpes.

A veterana Liz Carmouche (11-6 no MMA, 3-4 no UC) não consegue manter um ritmo constante, seja por lesões ou por fracas atuações. Especialista de wrestling, Carmouche se destaca na hora de contragolpear, mas é uma atleta que não possui muita movimentação e seu striking é, no máximo, decente. Sua estratégia deveria ser a de encurtar a distância para tentar levar a luta para o chão e usar sua força física, que lhe ajuda bastante na luta agarrada, que tem como destaque o bom controle posicional.

Jennifer Maia vs Liz Carmouche odds - BestFightOdds
 

Esta é uma clássica luta de striker vs grappler. Jennifer é mais nova, vive melhor fase e é consideravelmente melhor do que sua adversária, que não vive seus melhores dias. Acho que Jennifer conseguirá evitar a luta agarrada e, em pé, colocará seu jogo em ação, conseguindo um nocaute no segundo round.