Por Edição MMA Brasil | 21/06/2018 18:09

Duas semanas depois do espetacular UFC 225, que reuniu algumas das melhores lutas do ano, o UFC deu uma respirada e preparou sua primeira incursão a Ásia no UFC Fight Night 132, que terá como palco o Singapore Indoor Stadium, em Singapura.

Com um card composto principalmente com nomes com mais apelo para o mercado asiático, e não tão interessante assim para outras regiões do mundo, a noite – manhã aqui no Brasil – trará combates ainda assim interessantes, como a luta principal da noite. Nela, veremos um confronto de gerações entre o veterano Donald Cerrone e o prospecto Leon Edwards, em confronto com consequências importantes para o peso meio-médio.

No restante do card principal de somente quatro lutas, comum nos eventos do UFC no Fight Pass, veremos outro embate cujo resultado pode modificar bem o cenário de sua divisão, com Ovince St. Preux enfrentando Tyson Pedro no peso meio-pesado. Completando a porção principal, as pesos mosca Jessica-Rose Clark e Jessica Eye duelam para se consolidar no top 10 da categoria dos moscas, enquanto o chinês Li Jingliang retorna em duelo que promete ser bastante animado contra Daichi Abe, no peso meio-médio.

Uma das principais atrações do evento está escondido nas lutas preliminares, e foi resgatado e destacado nesta prévia. Um dos principais prospectos a estrear no UFC nos últimos tempos, o russo ex-campeão do ACB Petr Yan entrará no octógono pela primeira vez para enfrentar o japonês Teruto Ishihara, no peso galo.

O UFC Fight Night Singapura terá transmissão completa realizada pelo canal Combate, mas fique bastante atento ao horário. Por causa da grande diferença de fuso horário, o evento ocorrerá durante o começo da manhã no Brasil, com a primeira luta do preliminar estando marcada para iniciar as 5:30h, enquanto o card principal deve ir ao ar as 9:00h,sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Meio-Médio: #11 Donald Cerrone (EUA) vs. #13 Leon Edwards (ING)

Por Gabriel Carvalho

Donald Cerrone

A carreira de Donald Cerrone (33-10 no MMA, 20-7 no UFC) pelos meios-médios começou em ótimo estilo, com desempenhos convincentes que lhe renderam quatro vitórias por interrupção em 2016. Quando pensávamos que Cerrone estava próximo do feito de disputar o cinturão na categoria, ele acabou engolido por Jorge Masvidal, e viu suas chances de título serem dizimadas em derrotas para Robbie Lawler e Darren Till. Sem pretensões maiores, o “Cowboy” começou a ser jogado em arranca-rabos. O primeiro foi em fevereiro, quando nocauteou Yancy Medeiros, e o segundo é agora, em Singapura.

Cerrone virou um favorito dos fãs por conta da versatilidade e agressividade que carrega em seus combates. O kickboxing é lindo de se ver, com um repertório grande de golpes, um ritmo forte nas combinações e a enorme capacidade de decidir o combate tirando algum coelho da cartola, especialmente com chutes. Mas é claro que Donald também tem as suas limitações, como o wrestling, que não teve grandes evoluções, o preparo físico, que não é do mesmo nível de seu ritmo, e a capacidade de se defender quando está sob pressão, que foi o principal ponto que o impediu de chegar ao título.

Leon Edwards

A flor de Leon Edwards (15-3 no MMA, 7-2 no UFC) desabrochou depois da derrota para Kamaru Usman no longínquo 2015. Foram cinco vitórias em sequência, batendo alguns nomes bons e outros no meio de tabela, mas que foram suficientes para alçar o “Rocky” de forma merecida ao top 15 da categoria. Agora ele tem a chance de colocar o primeiro nome famoso ao seu cartel, rumando para o top 10 da divisão.

Edwards é um striker de mãos rápidas e poderosas, que consegue trabalhar bem a parte dos chutes e também as joelhadas. O inglês de origem jamaicana tem uma movimentação mais objetiva, sempre andando pra frente e buscando encurralar o adversário. Não é difícil também ver Leon levando a luta para o clinch e até aplicando quedas, onde vem se mostrando bem competente. Ele possui certa dificuldade em defender golpes retos e pode não estar pronto para a elite da divisão, mas o combate da manhã de sábado é uma chance de ouro para ele.

Donald Cerrone vs Leon Edwards odds - BestFightOdds
 

Cerrone sempre foi o tipo de lutador que teve problemas para lidar com atletas que pressionam e fazem o uso do clinch, e é exatamente nisso que Edwards pode capitalizar. Apesar de ser um bom lutador em pé, Leon não precisa ir pro quebra-pau contra o Cowboy, bastando fazer ataques cuidadosos, utilizando chutes baixos e tentando se aproximar de Donald para colocar a luta na grade.

No lado do americano, ele precisa melhorar sua defesa para evitar que Edwards tome conta do combate, e é sempre interessante responder os golpes do inglês a qualquer momento, já que Cerrone é competente o suficiente pra largar um socão que encerraria a luta ali. Por ter um jiu-jítsu bem afiado, Donald pode também apostar em sua guarda para tirar uma finalização do bolso. Enfim, é um combate complicado de se apostar, mas vamos apostar aqui em vitória de Edwards, sem convicção alguma.

Peso Meio-Pesado: #7 Ovince St. Preux (HAI) vs. #13 Tyson Pedro (AUS)

Por Idonaldo Filho

Ovince St. Preux

Americano filho de haitianos, Ovince St. Preux (22-11 no MMA, 10-6 no UFC) é um dos nomes mais intrigantes do UFC, capaz de propiciar performances apáticas ou surpreendentes. St. Preux, para quem não lembra, saiu vitorioso com um infame golpe de um skate contra Maurício Shogun e chegou até a disputar o cinturão interino, contra Jon Jones no UFC 197. Tendo sido derrotado por Bones na decisão unânime, Ovince adentrou em má fase, caindo desmaiado contra Jimi Manuwa e sendo derrotado na tosca luta contra o até então estreante Volkan Oezdemir. Dois estrangulamentos von flue e um chute alto o levaram a recuperar o posto no top 5, mas Ilir Latifi venceu a batalha da grosseria com uma guilhotina e roubou o posto, em fevereiro desse ano.

St.Preux praticou wrestling na universidade e também era jogador de futebol americano, o que lhe dá um background atlético superior aos oponentes, mas que nem sempre lhe dá vantagem. Lutador de bom porte e envergadura para a categoria, Ovince não é nem um pouco ortodoxo, tendo um estilo de luta até mesmo um pouco exótico, com chutes altos as vezes descuidados e bastante receio na hora de soltar socos. Porém, se destaca a potência de seus golpes, a noção de distância e sua movimentação, que é bem acima da média. No chão, ele é dono de um ground and pound perigoso e é capaz de mergulhar em guilhotinas malfeitas para propiciar ousados estrangulamentos Von Flue, estes que já viraram sua marca. O problema é que St.Preux é um lutador porco defensivamente em todos os sentidos, dando brechas para ser tanto nocauteado, quedado e também para ser finalizado, e isso pode ser muito perigoso no confronto contra Tyson Pedro.

Tyson Pedro

Top 10 do futuro e joia australiana, Tyson Pedro (7-1 no MMA, 3-1 no UFC) era pouco badalado até entre os fãs mais hardcores, mas chegou mostrando serviço no UFC com uma virada contra Khalil Rountree, onde acabou finalizando após quase ser nocauteado. Um nocaute com fortes cotoveladas o alçou ao top 15, porém Pedro não foi páreo para o forte Ilir Latifi. Na última luta, ele passeou sobre o ruim Saparbek Safarov, e agora volta a enfrentar um oponente relevante para confirmar sua entrada no top 10 da divisão.

Enquanto fazia lutas na Austrália, Pedro fazia o básico e eficiente, quedando e buscando o ground and pound e a finalização, mostrando desde já um bom grappling, com facilidade nas transições e na passagem de guarda. No UFC, ele mostrou também o seu jogo em pé, de pouco volume mas de bom trabalho na longa distância, com contragolpes decentes, como o direto que abalou Paul Craig. Na área do striking, Pedro prefere mais chutes e joelhadas, estas mais eficientes quando no clinch. Tyson relativamente é bom em todas as áreas, embora seja especialista mesmo no chão, onde tem boa fluidez e é perigoso, com a grande maioria de suas vitórias tendo sido finalização. O australiano está em evolução ainda e, se melhorar mais o boxe, a movimentação e o wrestling, pode pode virar uma força na categoria dos meios-pesados.

Ovince Saint Preux vs Tyson Pedro odds - BestFightOdds
 

Como eu disse, St. Preux é defensivamente quase nulo, e não seria surpresa alguma ele ser finalizado pelo australiano. Porém, há uma diferença de experiência que pode contar bastante, e também acho que ainda é cedo para Pedro chegar ao top 10. Em uma luta bem mais ou menos, disputada no clinch e com alguns lampejos de trocação, deveremos ver uma decisão sonolenta para o americano descendente de haitianos.

Peso Mosca: #9 Jessica-Rose Clark (AUS) vs. #10 Jessica Eye (EUA)

Por Thiago Kühl

Jessica-Rose Clark

Enquanto não temos a favoritíssima Valentina Shevchenko entrando no octógono para disputar o cinturão do peso mosca feminino, a categoria vai se organizando e Jessica-Rose Clark (9-4 no MMA, 2-0 no UFC) já chega para sua terceira luta em sete meses no UFC. Após um início de carreira transitando entre o peso galo e o peso mosca sem regularidade, e com dificuldade para bater 125 libras, a australiana de 30 anos começa a mostrar certa evolução no jogo e brigar por vaga na fila de um title eliminator.

Kickboxer bastante técnica, “Jessy Jess” tem predileção pelos contra-ataques em detrimento do volume de golpes, com um controle de distância bem sólido baseado em combinações de mão e chutes baixos. Em seu confronto neste evento, ela precisará mais do que nunca estar a com movimentação em dia para evitar o bom boxe de sua adversária. No grappling, a australiana não é lá aquelas coisas, mas conseguiu controlar Paige Van Zant e evitar algumas quedas de Bec Rawlings, que eram em tese mais versadas na luta agarrada.

Jessica Eye

Mais de três anos se passaram entre as duas únicas vitórias de Jessica Eye (12-6 no MMA, 2-5 no UFC) na maior organização do mundo. Antiga conhecida do público por sua passagem no peso galo, ela venceu apenas uma de suas sete lutas na categoria – além de ver um bom resultado transformado em no contest após testar positivo para maconha. O grande problema para a moça de Cleveland era a grande desvantagem física que apresentava na categoria de cima, o que acabou fazendo com que deixasse escapar escapar algumas vitórias. Com a inauguração do peso mosca, Eye finalmente pode lutar em sua categoria de origem, o que se traduziu em vitória contra a brasileira Kalindra Faria, quando praticamente abdicou da trocação, vencendo a luta no grappling.

Evil Eye tem um ótimo boxe, principalmente um jab bastante potente e rápido, que quando foi bem utilizado abriu caminho para uma das cenas mais bizarras do MMA moderno: o nocaute por “explosão de orelha” imposto contra Leslie Smith. Além disso, quando se vê em perigo na trocação, tem qualidade suficiente para levar vantagem no jogo de chão, que por mais que não seja muito bonito e fluido, parece ser suficiente para tirá-la do perigo se a coisa apertar na luta em pé. De toda forma, não dá para confiar muito nisso, já que esta característica só começou a aparecer a partir do momento em que a americana deixou de ter a grande desvantagem física perante outras lutadoras.

Jessica Eye vs Jessica-Rose Clark odds - BestFightOdds
 

No embate das Jessicas, devemos ver uma luta bastante interessante. Enquanto Eye busca mais o ataque, Clark tem preferência pelos contragolpes, e a americana terá que impor seu volume para impedir a movimentação da australiana. Pelas últimas lutas de ambas, quem estiver passando aperto, deve acabar buscando o solo – o que esperamos que não aconteça, dada a falta de habilidade de ambas na arte-suave. Neste cenário, apostaremos que a australiana vai conseguir frustrar o ímpeto da americana, levando a luta por decisão.

Peso Meio-Médio: Li Jingliang (CHN) vs. Daichi Abe (JAP)

Por Diego Tintin

Li Jingliang

Em sua incessante busca por uma estrela no sudeste asiático, para maximizar os lucros no atraente mercado, o melhor que o UFC conseguiu até agora é o mix de bom lutador com puro entretenimento que Li Jingliang (14-5 no MMA e 6-3 no UFC) oferece. Definidor, o chinês já acumula quatro nocautes dentro do octógono, entre eles o brasileiro duas vezes vice-campeão do TUF Dhiego Lima e o duro Zak Ottow. Na última aparição no evento, o chinês entregou a luta da noite do UFC 221, mas foi derrotado pelo prospecto australiano Jake Matthews.

Jingliang iniciou no wrestling ainda adolescente e passou a treinar também técnicas de trocação como sanda e kickboxing. Ele é pupilo do primeiro chinês a lutar no UFC, Zhang Tiequan, a quem conheceu assim que decidiu migrar para o MMA. Tomou gosto pela trocação e se transformou em um lutador visceral, corajoso e resistente. Baseado na China Top Team, o chinês faz treinos também em academias de ponta nos Estados Unidos, como a Xtreme Couture, aprimorando sua defesa de quedas e luta de chão.

Daichi Abe

Daichi Abe (6-1 no MMA, 1-1 no UFC) estreou muito bem no evento, aproveitando a fase ruim do veterano Hyun Gyu Lim e arrancando uma boa vitória por decisão. Em seguida, assim como seu oponente deste duelo, foi derrotado no UFC 221, com uma decisão em favor de Luke Jumeau, também em luta animada.

O japonês começou a treinar judô na infância e, no ensino médio, encantado com filmes de artes marciais, passou a frequentar também os treinos de kickboxing. Hoje, ostenta faixa preta na primeira, mas gosta mesmo é de sair na mão com os colegas de profissão. Apesar de ter mãos velozes e potentes, o japonês ainda peca na movimentação, ficando muito exposto a contra-ataques em forma de golpes traumáticos e/ou quedas.

Daichi Abe vs Li Jingliang odds - BestFightOdds
 

Como vimos, são atletas que iniciaram na luta agarrada, mas se encantaram mesmo é com a ideia de sair no sopapo, fazendo a alegria da galera. E dificilmente eles farão algo diferente nesta luta, o que de certa forma justifica o lugar desta no card principal. Mais experiente e já testado contra oponentes mais qualificados, Ji Lingjiang leva uma vantagem técnica clara e deve conseguir uma interrupção na segunda metade da luta.

Peso Galo: Teruto Ishihara (JAP) vs. Petr Yan (RUS)

Por Bruno Costa

Teruto Ishihara

Teruto Ishihara (11-5-2 no MMA, 3-3-1 no UFC) saiu derrotado 3 vezes em suas 4 últimas aparições no octógono. Em seu último embate, debutou no peso galo em busca de uma posição mais relevante na organização, mas acabou derrotado por Jose Alberto Quiñones com extrema facilidade.

O japonês é um nocauteador nato, mas de pouquíssimas ferramentas para conduzi-lo ao momento de atrair o adversário para a franca troca de golpes, sua especialidade. Embora tenha um potente direto e ganchos bem trabalhados em contragolpes, utiliza muito pouco os chutes e os jabs para se ocupar durante a luta e eventualmente fintar seus oponentes. Não falaremos sobre wrestling ofensivo e a luta agarrada de Ishihara, porque estes não existem.

E se ofensivamente não é brilhante e fica muito preso às mesmas rotinas, defensivamente os problemas são ainda maiores. A movimentação não é a ideal para a faixa de peso, o wrestling defensivo não teve significativa melhora mesmo com os treinamentos na Team Alpha Male, e até mesmo problemas de gás já foram vistos em combates anteriores, mesmo com oponentes de nível inferior ao de seu próximo adversário.

Petr Yan (8-1 no MMA) estreia no octógono sendo considerado um dos maiores prospectos da categoria dos pesos galos. O atleta de 24 ostenta uma sequência de três vitórias, sendo a mais recente uma excelente atuação com direito a nocaute sobre o brasileiro Matheus “Adamas” Mattos no ACB 71, quando defendeu o cinturão da organização antes de vagá-lo rumo ao UFC.

Yan é um bom striker que aposta em combinações curtas, simples e velozes, além de eventualmente se utilizar de golpes rodados e joelhadas voadoras. Além disso, possui excelente poder de nocaute e a agressividade típica dos lutadores da Tiger Muay Thai. Diferentemente da maioria dos lutadores de MMA, o russo entende perfeitamente como executar sua movimentação e angulações, utilizadas tanto pressionando os rivais quanto nos momentos em que tentam pressioná-lo. Ofensivamente, ele possui também como carta na manga a ameaça de boas quedas seguidas de um vândalo ground and pound. Defensivamente, em que pese seja um lutador duríssimo e de bom queixo, ainda necessita de ajustes, principalmente no que diz respeito à defesa de quedas, o que não deve ser exatamente um problema neste compromisso.

O conjunto de características fazem do russo um lutador empolgante e de estilo amigável aos fãs. Caso bem trabalhado com adequados confrontos de estilos nos seus compromissos iniciais no UFC, Yan tem totais condições de ganhar experiência trabalhando suas dificuldades e em médio prazo ocupar top 10 da categoria.

Petr Yan vs Teruto Ishihara odds - BestFightOdds
 

A única vantagem de Ishihara sobre Yan para o confronto de sábado é a experiência no octógono. O russo, mesmo tendo muitas lutas a menos, já enfrentou adversários de muito mais qualidade que o japonês.

A aposta é que a luta transcorra com relativa tranquilidade para o russo, dominando as ações com boas variações de jabs, diretos e chutes no corpo de Ishihara, além de eventuais quedas ao final dos rounds e muito castigo aplicado num feroz ground and pound. Embora tenha ao menos demonstrado sua durabilidade (além da ruindade) no octógono, a expectativa é que o japonês sofra sua primeira derrota por interrupção no UFC, vítima de um massacre de Yan, que deve conseguir finalizar na metade final do combate.

O MMA Brasil é um site com artigos opinativos e analíticos sobre esportes de combate em geral, especialmente sobre MMA (Mixed Martial Arts).