Por Edição MMA Brasil | 31/05/2018 13:31

Seguindo a maratona que o UFC está promovendo entre maio e junho, o octógono retorna ao estado de Nova York, agora visitando pela primeira vez a pequena cidade de Utica para a realização do UFC Fight Night 131, evento repleto de atrativos para os fãs de MMA. Diferentemente do usual, o UFC Fight Night Utica acontece na noite desta sexta-feira, somente cinco dias após a última edição, na cidade de Liverpool.

Na luta que lidera o card, um confronto que, se não definir o próximo desafiante da disputada categoria dos galos, deixará o vencedor bem próximo de uma chance pelo cinturão. Em combate entre dois top 5 empolgantes, os desafetos Jimmie Rivera e Marlon Moraes finalmente se enfrentarão, depois de diversas trocas de farpas desde o final do ano passado.

Um dos principais prospectos do MMA mundial estará em ação na luta coprincipal quando Gregor Gillespie, integrante do Top 10 do Futuro, encarar Vinc Pinchel. Outro parceiro da mesma lista de prospectos, o sueco David Teymur terá no experiente Nik Lentz seu mais importante desafio até o momento. Irmão de David, Daniel Teymur enfrenta Julio Arce, um forte prospecto do peso pena.

Completando o card principal, o peso pesado Walt Harris bate de frente com Daniel Spitz, no duelo menos atrativo da noite. Um confronto de veteranos entre Jake Ellenberger e Ben Saunders no peso meio-médio também terá parte na porção principal, assim como mais uma aparição do sorridente Sam Alvey, que luta com Gian Villante.

Resgatado das preliminares, nossa prévia traz ainda o confronto entre os promissores pesos moscas Jose Torres contra Jarred Brooks e o desafio no ranking da mesma categoria, mas entre as mulheres, envolvendo Lauren Murphy e Sijara Eubanks.

O canal Combate fará a transmissão ao vivo e na íntegra do UFC Fight Night 131. O card preliminar está marcado para começar às 19:15h, enquanto a primeira luta do principal deve ir ao ar a partir das 23:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Galo: #4 Jimmie Rivera (EUA) vs. #5 Marlon Moraes (BRA)

Por Alexandre Matos

Jimmie Rivera

A enorme expectativa sobre Rivera (21-1 no MMA, 5-0 no UFC) foi consolidada em cinco atuações pela maior organização do MMA mundial. Tirando Marcus Brimage, na estreia (que não é exatamente uma estreia fácil), “El Terror” não teve vida tranquila. Passo a passo, foram superados Pedro Munhoz, Iuri Marajó, Urijah Faber e Thomas Almeida, uma rota cheia de talentos e brasileiros, exatamente como será a luta desta sexta.

Pupilo de Tiger Schulmann no kickboxing desde os 13 anos, quando era fã de Karate Kid e das Tartarugas Ninja, Rivera acabou tomando um caminho um pouco diferente no MMA profissional, o que fez dele um lutador muito perigoso. Mesmo sem um retrospecto formal no wrestling, ele desenvolveu muita habilidade no mais importante aspecto do MMA, tanto ofensiva quanto principalmente defensiva. Com uma sólida defesa de quedas, que se inicia na movimentação e no forte senso de equilíbrio, Jimmie consegue deixar os combates ao seu dispor. Deste modo, ele controla a distância com muita propriedade, seja saindo da longa, de onde inclusive consegue botar pressão no boxe de alto volume e nos chutes, ou passando para a curta, de onde saem quedas importantes e bem executadas. Contudo, a postura de contragolpeador é quando Rivera mostra o seu melhor, disparando golpes potentes e precisos sob um forte sistema defensivo, que lhe permite evitar dois terços dos ataques rivais – e esta será a principal tarefa dele na luta.

Marlon Moraes

Se Rivera não teve vida fácil no UFC, imagine Marlon (20-5-1 no MMA, 2-1 no UFC). O ex-campeão do WSOF já chegou com a banca de ser o melhor lutador do mundo na categoria fora do UFC e teve que comprovar o status com duros compromissos, todos no top 10. Na estreia, há um ano, foi superado por Raphael Assunção em luta bastante equilibrada. Em seguida, venceu uma batalha contra John Dodson e aplicou um dos mais plásticos nocautes de 2017 contra Aljamain Sterling.

Moraes é um pouco menos versátil do que Rivera, mas levou seu ponto forte a um nível bastante alto no MMA. Ele fez fama com o muay thai de chutes baixos selvagens e diretos opressores, golpes que são lançados num volume altamente desagradável para a concorrência. Por ter uma natureza bastante agressiva, o brasileiro é capaz de tirar movimentos surpreendentes, como a joelhada que acabou com a raça de Sterling, mas precisa ter cuidado com a taxa de erros, situação preocupante contra alguém do naipe de Rivera. Seu sistema defensivo é sólido em todos os aspectos, mas a defesa de quedas provavelmente será exigida mais do que em combates anteriores, ou ao menos tanto quanto Dodson insistiu.

Jimmie Rivera vs Marlon Moraes odds - BestFightOdds
 

Este combate é maravilhoso em vários aspectos, mas principalmente por confrontar dois hiper talentosos lutadores que possuem artifícios técnicos e táticos para se encaixar um ao outro. Seja adotando postura de agressor ou de contragolpeador, tanto Rivera quanto Moraes costumam conduzir as situações aos seus gostos. Esta será a mais importante tarefa da luta.

A estreita vantagem de Rivera nas odds se dá por dois detalhes: estará ao lado dele a capacidade de mudar de nível com uma queda providencial, além da possibilidade de explorar os erros ofensivos que forem cometidos por Moraes.

Isto posto, a luta deve se transcorrer num cenário que vai deixar os batimentos cardíacos dos fãs no ritmo da bateria furiosa do saudoso Mestre Louro. Rivera pode deixar o papel de agressor para Marlon a fim de puni-lo em contragolpes e jogá-lo ao chão quando a oportunidade aparecer – e, em 25 minutos, ela vai aparecer. Mas já pensou deixar Marlon no papel de agressor? Tem que ter cojones. A aposta é Rivera por decisão assaz apertada depois de uma prévia da Terceira Guerra Mundial, mas que pode ter contornos de Guerra Fria também.

Peso Leve: Gregor Gillespie (EUA) vs. Vinc Pichel (EUA)

Por Thiago Kühl

Gregor Gillespie

Gregor “The Gift” Gillespie (11-0 no MMA, 4-0 no UFC) está invicto na carreira e vem deixando um rastro de destruição por onde passa. Após uma sólida vitória em sua estreia no UFC contra o bom Glaico França, não tomou conhecimento dos adversários nos últimos três combates, com dois nocautes e uma finalização. O ex-campeão do Ring Of Combat vai pavimentando um caminho bastante interessante e, ainda que não seja mais nenhum menino aos 31 anos, tem mostrado resultados que justificam o status de prospecto que foi colocado sobre os seus ombros.

Mais um integrante do nosso Top 10 do Futuro, Gillespie é daquele tipo que dá gosto de ver lutar. Dono de um wrestling de elite, campeão da Divisão I em 2007 e All-American em seus quatro anos de universidade, ele tem desenvolvido um jogo ofensivo bastante completo e muito agressivo, conseguiu incluir ao jogo de quedas um bom nível de transições para a montada e costas. Junto do grappling de alto nível, Gregor mostra uma trocação sólida do ponto de vista técnico e bastante potente que, aliada a um queixo que tem suportado o seu ímpeto de partir para dentro, transformou-o num dos lutadores mais legais para se assistir no já maravilhoso peso leve. É verdade que o filho de Long Island precisaria dar mais atenção para algumas brechas defensivas, o que poderá cobrar o preço no alto nível da divisão, de onde ele não está muito longe. Os buracos começariam a aparecer contra lutadores de muita movimentação e/ou contragolpeadores que pudessem evitar o forte jogo de quedas e aproveitar os momentos de insanidade do americano para testar de forma definitiva o seu queixo.

Vinc Pichel

Vinc “From Hell” Pichel (11-1 no MMA, 4-1 no UFC) chegou no UFC em 2012 com derrota para Rustam Khabilov após participar do TUF 15. Após o início bastante conturbado, o californiano conseguiu uma boa série de quatro vitórias, porém sendo apenas duas em 2014 e duas em 2017 – nos últimos seis anos, ele fez apenas cinco lutas, tendo sofrido com diversas lesões neste período. A inatividade é tanta que, pela primeira vez desde a derrota para Khabilov, Vinc fará três lutas num intervalo de 12 meses.

É verdade que Pichel não é um mau lutador. Pelo contrário, é bastante digno, com um striking sólido, que foi suficiente para vencer Neto BJJ mantendo bem a distância e evitando a trocação franca com o brasileiro por dois rounds em sua última vitória. Ele também foi competente no jogo de clinch e quedas contra o striker Anthony Njokuani, o que deixa bastante claro que Vinc não é burro – o que hoje em dia já é uma bela vantagem. Dito isso, ele não passa de 6,5 em nenhum dos aspectos do jogo, além de ter sido abandonado pelo gás no terceiro round em sua última luta.

Gregor Gillespie vs Vinc Pichel odds - BestFightOdds
 

Para vencer, Vinc precisará dobrar a aposta que fez contra Neto BJJ: evitar a pancadaria e se movimentar como nunca para evitar o wrestling de Gillespie e conseguir um contragolpe que balance o adversário. Não parece lá muito possível.

É claro que existem brechas defensivas no jogo de Gregor que até podem vir a ser a causa da perda da sua invencibilidade, inclusive há uma dose de irresponsabilidade dentro de seu jogo. Porém, Pichel não deve ser o responsável por explorar estas falhas. Com a agressividade e maior técnica em todos os ramos do jogo a favor de Gillespie, será muito difícil que Vinc implemente uma movimentação suficientemente rápida para surpreendê-lo num contragolpe ou numa queda para parar o hype de Gregor. Para piorar o cenário do californiano, quando precisou contra Glaico, Gillespie soube fazer um jogo seguro. Numa luta que deve ser unilateral, apostamos numa interrupção por parte do nosso “Top 10 do Futuro” ainda na primeira metade da luta.

Peso Pesado: Walt Harris (EUA) vs. Daniel Spitz (EUA)

Por Bruno Costa

Walt Harris

Walt Harris (10-7 no MMA, 3-6 no UFC) tenta evitar sua demissão após duas derrotas inusitadas em seus últimos compromissos.

O “Big Ticket” é um atleta forte e explosivo, com bom poder de nocaute e sérios problemas de refinamentos técnicos, principalmente no aspecto defensivo, no qual é alvo fixo na troca de golpes, e péssimo de costas para o chão – ele demonstrou sua inaptidão quando recebeu de presente uma luta contra Fabrício Werdum após o compromisso original do brasileiro contra Derrick Lewis cair na véspera do UFC 216.

O americano provavelmente não voltará a enfrentar adversários do mais alto nível. Harris baseia o seu jogo quase exclusivamente no atleticismo, e utilizar com eficiência suas funções cerebrais durante a luta não é exatamente seu ponto forte – a reduzida capacidade de sapiência ficou clara no último embate, quando vencia a primeira parcial até o momento em que acertou Mark Godbeer com um golpe ilegal e, mesmo com o alerta do árbitro para afastar de seu rival, continuou atacando, acabando derrotado por desclassificação.

Daniel Spitz

Por outro lado, Daniel Spitz (6-1 no MMA, 1-1 no UFC) também teve a honra de sair perdedor em uma peleja contra o temível (para os fãs de luta) Godbeer, mas não pode sequer culpar a diminuta esperteza (um trunfo do seu adversário de sábado). No seu caso, foi a falta de volume de golpes, junto da lentidão excessiva e o fôlego de fumante, que causaram o infortúnio. No combate seguinte, Spitz, que ostenta o singelo apelido de “Daddy Long Legs” precisou de menos de meio minuto para nocautear Anthony Hamilton.

Spitz depende de um bom controle de distância e da falta de atividade ofensiva dos rivais para ter sucesso na luta em pé, embora desajeitadamente possua poder de nocaute em suas mãos. No chão, já apresentou bom nível nas transições e oportunismo para finalizar adversários de nível baixíssimo, mas ainda não demonstrou essa face do jogo no octógono, até pelo deficiente wrestling ofensivo exibido até aqui na carreira.

Daniel Spitz vs Walt Harris odds - BestFightOdds
 

Harris e Spitz protagonizarão um raro duelo entre dois pesos pesados não obesos no UFC – mas não fiquemos demasiadamente empolgados, pois eles ainda assim são lutadores de baixa qualidade.

O confronto é de difícil prognóstico, como a maioria das lutas da casta mais baixa da pior divisão de peso do MMA. A aposta, contudo, é que a experiência e explosão física de Harris falem mais alto e a fatura seja liquidada com um nocaute técnico na metade inicial do combate.

Peso Meio-Médio: Jake Ellenberger (EUA) vs. Ben Saunders (EUA)

Por Rafael Oreiro

Jake Ellenberger

A presença de alguns lutadores em cards do UFC provocam a seguinte pergunta: o que esse cara ainda está fazendo ali? Foi o que passou pela minha cabeça ao ver mais uma chance ser dada a Jake Ellenberger (31-13 no MMA, 10-9 no UFC). Na organização desde 2009, o “Juggernaut” já foi um lutador muito relevante no peso meio-médio, tendo duelado com os principais nomes da divisão, mas os últimos anos foram bastante cruéis para o veterano. Foram sete derrotas em nove lutas desde julho de 2013 e as únicas vitórias foram uma finalização sobre o ainda mais acabado Josh Koscheck e um nocaute sobre Matt Brown, em luta na qual até mostrou uma postura melhor. Em seguida, foi atropelado por Jorge Masvidal e Mike Perry.

Ellenberger tem se especializado em sofrer nocautes espetaculares, aparecendo em highlights de Stephen Thompson, com uma sequência de chutes monstruosa, e de Mike Perry, com uma cotovelada vândala numa das melhores interrupções de 2017. Jake era um lutador de excelente wrestling com uma mão direita potente, combinação bastante recorrente em tempos passados no MMA, oferecendo um risco enorme de nocaute para seus oponentes enquanto o condicionamento físico permitia. Ellenberger chegou a demonstrar melhora ao voltar a treinar na Kings MMA, sob a tutela de Rafael Cordeiro, mas as lutas seguintes deixaram claro que a longa duração de sua carreira e o acúmulo de danos já estão cobrando um preço alto em seu rendimento, e que isso é um obstáculo grande demais a se contornar.

Ben Saunders

Falando em veterano, o adversário de Ellenberger será Ben Saunders (21-9-2 no MMA, 8-6 no UFC). Já em sua terceira passagem pelo UFC, o veterano do TUF 6 ficou famoso por ter sido o primeiro na história a conseguir uma omoplata no octógono, finalizando Chris Heatherly, em 2014. Porém, depois de três vitórias seguidas, bastou um revés para Patrick Côté para o “Killa B” ser liberado de seu contrato, retornando rapidamente após vencer somente uma luta fora da organização. Desde então, uma vitória sobre o também acabado Court McGee e duas derrotas por nocaute para Alan Jouban e Peter Sobotta.

Treinando na 10th Planet Jiu Jitsu, em San Diego, Saunders é um lutador que gosta de usar golpes longos na trocação, usando uma grande variedade de chutes, devido ao histórico no taekwondo e no jeet kune do. Normalmente com vantagem na envergadura, Ben consegue ser perigoso também no clinch usando muitas joelhadas. Faixa-preta de jiu-jítsu de Ricardo Libório, ele é perigoso com sua guarda borracha, mas, com a falta de um jogo de quedas e um wrestling defensivo horrível, a única possibilidade de o vermos no chão costuma ser com as costas no tablado, posição a qual, no nível atual do MMA, é raro de se conseguir alguma coisa. Saunders também costuma falhar ao ser pressionado em pé, sem conseguir usar seus braços longos na curta distância, e tem demonstrado pouca resistência a golpes – suas últimas três derrotas no UFC foram por nocaute.

Ben Saunders vs Jake Ellenberger odds - BestFightOdds
 

A verdade é que, pelo estágio da carreira dos dois, prever um resultado para este combate é muito complicado, o que é reforçado pelo equilíbrio nas odds. Num estágio melhor da carreira de Ellenberger, não haveria dúvida nenhuma de que ele passaria por cima de Saunders sem muita dificuldade, mas hoje isso já não pode mais ser dito.

Caso Ellenberger apareça como recentemente, lançando pouco volume de golpes e com uma movimentação pobre, é provável que o “Killa B” consiga dominar a troca de golpes na longa distância, levando a luta na decisão, ou até se aproveitando do desgaste do adversário para conseguir uma interrupção. Mas, com Rafael Cordeiro cuidando de sua preparação, é necessário que vejamos Ellenberger pressionando e não deixando Saunders confortável na distância, entrando ocasionalmente em queda, mas não se arriscando demais no chão. Essa estratégia deve render a Jake um nocaute lá pelo terceiro round, dando mais um suspiro para sua carreira no UFC.

Peso Pena: Julio Arce (EUA) vs. Daniel Teymur (SUE)

Por Idonaldo Filho

Julio Arce

O americano Julio Arce (14-2, 1-0 no UFC) estreou com pé direito no UFC. O ex-campeão dos galos e penas do Ring of Combat foi contratado em cima da hora para cobrir a lesão de Charles Rosa e dominou Dan Ige, no UFC 220, ganhando por decisão unânime. Anteriormente, ele até tinha vencido no Contender Series, nocauteando Peter Petties, porém não conseguiu o contrato por lá. Suas únicas derrotas estão na conta de Brian Kelleher, fora do UFC, ambas no peso galo, um abaixo da categoria em que está atualmente.

Arce é um lutador dinâmico, com ótima movimentação e que tem habilidade suficiente pra atuar em qualquer área, especialmente em pé, situação na qual exibe boxe refinado e potente, com bom manejo dos punhos, especialmente na curta distância, que é onde ele faz estrago com ganchos e uppercuts – ele foi campeão do Golden Gloves, em 2011. Além do boxe, Julio usa bem os chutes retos no tronco do oponente, que servem tanto para medir distância quanto para minar o gás do adversário. Talvez ele devesse desperdiçar menos golpes na longa/média distância e trabalhar melhor os jabs, além de cuidar da defesa de contragolpes, que muitas vezes entram em sua guarda.

Daniel Teymur

O baixinho Daniel Teymur (6-1, 0-1 no UFC) não deve ser subestimado. O sobrenome é conhecido – é irmão do mais bem sucedido David Teymur, invicto no UFC e que lutará no card preliminar desta sexta. Porém, não começou a carreira na maior organização do MMA mundial como seu irmão. Fora do UFC, Daniel pegou oposição de qualidade ruim e até já ganhou roubado de um suíço, quando foi nocauteado, mas o árbitro levantou a luta que posteriormente ele finalizou. Teymur enfrentou Daniel Henry na sua estréia no octógono, no UFC Fight Night 113, aplicando uma surra no primeiro round, mas sofrendo uma grande virada nos assaltos posteriores.

O Teymur mais velho parece um trator. Impaciente, ele sempre vai para matar ou morrer, mesmo que isso lhe custe tomar knockdown, golpes pesados, ser quedado ou morrer no gás. Vindo do muay thai, seu arsenal consiste de chutes baixos, cruzados e overhands com toda a força que lhe é possível aplicar. O resultado disso é que, ao contrário do irmão, Daniel é lutador de um só round. Se o oponente sobreviver ao furacão na primeira etapa da luta, estará com a vitória na mão. No chão, não é muita coisa, sabe o básico para sobreviver e finalizar oponentes fracos, que não é o caso da luta de sexta-feira. Como Teymur treina em um bom time, na Allstars Training Center, em Estocolmo, pode tentar ajustar suas falhas, golpeando com mais calma e focando mais em se defender.

Daniel Teymur vs Julio Arce odds - BestFightOdds
 

Essa luta deve ser muito empolgante. Em suas estreias, ambos enfrentaram grapplers, mas agora deveremos ver uma disputa na trocação. Teymur não conhece a palavra estudo e deve avançar desde o início, mas a vantagem do boxe está com Arce, que deve resistir à blitz, aproveitar o gasto de energia excessivo do adversário e nocautear o que sobrar do sueco no segundo round.

Peso Meio-Pesado: #15 Gian Villante (EUA) vs. Sam Alvey (EUA)

Por Diego Tintin

Gian Villante

Gian Villante (16-9 no MMA, 6-6 no UFC) dividia o seu tempo na época de colégio e faculdade entre o futebol americano e o wrestling, com relativo sucesso nas duas modalidades, sendo sondado por alguns times da NFL e tornando-se All-American na luta olímpica. Ele foi contemporâneo na Hofstra University de Chris Weidman, de quem se tornou amigo e hoje é parceiro de treinos. Depois de se decidir pelo MMA, Gian nunca se firmou como um bom nome entre os meios-pesados como parecia no início da carreira. A gangorra de resultados seguiu com a mudança para o UFC, onde garante a boquinha por entregar quase sempre lutas divertidas.

O ítalo-americano é mais um exemplo de wrestler que, ao migrar para o MMA, tomou gosto por nocautear e acabou exagerando nessa busca, deixando de lado o tipo de jogo no qual poderia render melhor. Como um meio-pesado de tamanho respeitável, Villante seria mais perigoso se derrubasse e largasse a mão em posição dominante no solo. Mas ele só quer saber de trocar soco alucinadamente e defender os dos oponentes com a mesma destreza que Alvey, ou seja, nenhuma. Outra semelhança com o rival de sexta é o preparo físico insatisfatório (conseguiu a proeza de morrer no gás contra Maurício Shogun), que já lhe causou algumas derrotas. E, para provar que é mesmo um gêmeo perdido do sorridente oponente, também carrega todas as esperanças nos punhos potentes e na capacidade de suportar castigo.

Sam Alvey

Sam Alvey (32-10 1NC no MMA, 9-5 no UFC) passou praticamente anônimo pelas preliminares do TUF 16, mas foi eliminado logo no início. Fez mais algumas lutas em eventos menores e finalmente foi contratado pelo UFC em 2014. Venceu nomes decentes como Dan Kelly, Cezar Mutante e os já decadentes Nate Marquardt e Rashad Evans. E costuma sucumbir diante de oponentes que trazem o grappling à mesa, como Thales Leites, que interrompeu uma sequência de quatro vitórias, seu melhor momento. Sua marca registrada é o divertido sorrisão que nunca sai do rosto, o que o torna uma figura querida entre os fãs.

O “Smilin” só vive rindo, mas é daquele tipo que é engraçado de qualquer jeito, até sério. Sua habilidade na troca de golpes não é utilizada como exemplo em almanaques, mas ele é dono de grande potência nos punhos. Alvey até consegue acertar o alvo de vez em quando, apesar do estilão desengonçado. Pupilo de Ricardo Pantcho, ele conseguiu uma pequena melhora no jiu-jítsu e seu wrestling defensivo só parece decente contra concorrência mais modesta. Em pé, tem a mania ruim de defender soco com o rosto. Outro problema atual é o preparo físico que faz o sujeito parecer bem mais velho que seus 32 anos mostram, mas isso é fruto de uma carreira desgastante, com 43 lutas, muitas delas sem o devido intervalo de tempo.

Gian Villante vs Sam Alvey odds - BestFightOdds
 

Não imagino nada diferente de dois caras passando o duelo inteiro à procura de um soco definitivo. Se Alvey se entregar um pouco mais a uma luta franca, vai ser divertido, mas ele não tem feito isso e suas lutas têm sido um verdadeiro porre. Villante é um pouco melhor tecnicamente, mas burro o suficiente para transformar a previsão deste duelo em um imenso ¯\_(ツ)_/¯.

Peso Mosca: #2 Sijara Eubanks (EUA) vs. #3 Lauren Murphy (EUA)

Por Matheus Costa

Sijara Eubanks

Após perder a vaga na final do TUF 26, que definia a primeira campeã do peso mosca da história do UFC, Sijara Eubanks (2-2 no MMA) fará sua primeira luta oficial na organização contra a companheira de programa Lauren Murphy (10-3 no MMA, 2-3 no UFC), em duelo não tão competitivo como deveria ser.

Heptacampeã mundial da IBJJF, a faixa-preta de jiu-jítsu impressionou no TUF 26, mesmo sendo a 12ª escolhida na competição. Eubanks tem uma trocação decente, controla bem a distância e gosta de usar o boxe, mas, como citado anteriormente, a especialidade da casa é o jogo de chão. Ela tem boas quedas e faz com que o boxe sirva justamente para fintar e aplicar single legs. O controle posicional no chão é de alto nível, com ótimas e fluidas raspagens, e um perfil agressivo no jiu-jítsu. Seu principal defeito é a defesa de golpes, que precisa melhorar se ela quiser chegar no alto nível da categoria. Todavia, Eubanks é uma lutadora surpreendentemente promissora e, se repetir o desempenho que teve no reality show, deve alcançar o top 5 da categoria e figurar numa disputa de cinturão futuramente.

Lauren Murphy

Ex-campeã do Invicta FC na categoria de cima, Lauren Murphy deveria adotar o apelido de “decente”, porque esse é o adjetivo que basicamente descreve o nível da lutadora em todas as disciplinas. Striker de origem, Murphy possui boas combinações, mas sua defesa de golpes também é altamente falha, fazendo parte do clube que gosta de defender socos com o rosto. Entretanto, o calcanhar de aquiles de Murphy é o chão, algo que não é muito agradável quando você está prestes a enfrentar uma heptacampeã da IBJJF, que tem bom jogo de quedas. O caminho para Murphy é manter a luta em pé, mantendo a distância e chutando bastante, aproveitando as falhas defensivas de sua adversária e evitando seu jogo de pressão.

Até o momento, a vida de Murphy não tem sido fácil no UFC. Em quatro lutas no peso galo, apenas uma vitória, sobre a pouca expressiva Kelly Faszholz, e reveses diante de Katlyn Chookagian e as ex-desafiantes Liz Carmouche e Sara McMann. No único combate no peso mosca, relizado no evento final do TUF, vitória sobre a ex-campeã do Invicta e ex-número um do mundo da categoria, Barb Honchak.

Lauren Murphy vs Sijara Eubanks odds - BestFightOdds
 

Eu realmente vejo uma diferença de nível considerável entre as lutadoras que farão o combate em questão. Meu palpite não tem história e é bem simples: Sijara Eubanks deve abusar do jogo de quedas, dominar Murphy no solo e finalizar ainda no primeiro round.

Peso Leve: Nik Lentz (EUA) vs. David Teymur (SUE)

Por Rafael Oreiro

Nik Lentz

Antigo top 10 do peso pena, Nik Lentz (28-8-2 no MMA, 12-5-2 no UFC) ainda não chegou perto de alcançar a mesma colocação desde seu retorno para os leves, em 2015. Com somente quatro lutas em pouco mais de dois anos, “The Carnie” voltou bem, batendo Danny Castillo numa decisão apertada e atropelando o fraco Michael McBride, só para ser totalmente dominado por Islam Makhachev na luta seguinte, no UFC 208. Porém, quando muitos achavam que Lentz emendaria sua segunda derrota seguida, ele conseguiu sua maior vitória na carreira após finalizar o ex-campeão do Bellator Will Brooks no final do ano passado.

Wrestler da University of Minnesota na Divisão 1 da NCAA, Lentz é conhecido por fazer o clássico jogo de carrapato, buscando quedas, amassando por cima e imprimindo muita pressão, mas sem habilidade para trazer grande perigo de finalização no solo. Em pé, ele costumava avançar de qualquer jeito, fazendo uso de seu queixo resistente para ir de encontro com diversos socos a fim de grudar e implementar seu jogo de quedas. Agora, após ter feito a transição para a Combat Club, onde treina sob a tutela de Henri Hooft, Nik trouxe mais variedade para sua troca de golpes, variando mais socos com chutes e melhorando sua técnica.

David Teymur

Após entrar no UFC via TUF 22, não se esperava muito de David Teymur (7-1 no MMA, 4-0 no UFC) na organização. Depois de ser eliminado do programa nas quartas de final, numa luta bastante apertada com Marcin Wrzosek, ele fez sua estreia no octógono no início de 2016, nocauteando o também sueco Martin Svensson, conseguindo mais uma interrupção em seguida contra Jason Novelli. Mas foi em 2017 que ele se firmou como um nome a se guardar no peso leve, batendo dois dos melhores prospectos na categoria em Lando Vannata e Drakkar Klose, ambos na decisão dos juízes.

Teymur começou muito cedo no muay thai, tendo competido em diversos torneios amadores e vencido o campeonato nacional sueco múltiplas vezes. Fazendo a transição para o kickboxing, ele construiu um cartel de 39 vitórias e somente duas derrotas, começando a treinar MMA de verdade somente em 2013, já com 24 anos.

O sueco é um lutador muito perigoso em pé, com mãos potentes e uma grande variedade de chutes, que alternam bem seus alvos entre a cabeça, o tronco e as pernas. Muito bom nos contragolpes, Teymur é também habilidoso no thai clinch, de onde lança joelhadas bastante potentes. Sua defesa de quedas e jogo de solo foram pouco testados até aqui, mesmo em confrontos diante de wrestlers como Klose e Johnny Nuñez, que pouco tentaram levar a luta para o chão contra o sueco.

David Teymur vs Nik Lentz odds - BestFightOdds
 

Temos aqui um ótimo confronto escondido no card preliminar, que pode levar o vencedor ao top 20 da categoria mais lotada de talento no MMA. Lentz é um ótimo teste para determinar a qualidade da luta agarrada do sueco, já que, ao contrário de adversários anteriores de Teymur, deve persistir bastante nas tentativas de queda.

No que pode se tornar o clássico embate entre striker e grappler, Teymur deve se movimentar bastante e assumir uma postura de contragolpeador, soltando menos chutes do que em combates recentes. Lentz até aceitará a troca de golpes por algum tempo, mas sem dúvida, em algum ponto, se aproximará e buscará a queda a todo custo, engolindo qualquer golpe do sueco que venha pelo caminho.

As probabilidades de esta luta ir para a decisão são altas, e é provável que Teymur circule e domine na troca de golpes, levando os três rounds na contagem dos juízes. Mas fica aqui um palpite ousado: se você quer um bom azarão para apostar neste evento, esse é Nik Lentz, conseguindo quedas e grudando o sueco no chão por pelo menos dois rounds, podendo até conquistar uma finalização lá pelo terceiro assalto.

Peso Mosca: Jarred Brooks (EUA) vs. Jose Torres (EUA)

Por Matheus Costa

Wrestler de origem de elevado calibre, Jarred Brooks (13-1 no MMA, 1-1 no UFC) é realmente um bom teste para a chegada de um importante prospecto. Dono de um ótimo jogo de quedas, ele teve uma ótima carreira no wrestling colegial, mas optou por seguir carreira no MMA. Portanto, sempre espera-se que Brooks leve seus combates para o chão a fim de aproveitar o bom controle posicional. Em pé, Jarred tem facilidade para encurtar a distância, mas até agora mostrou-se um boxeador no máximo decente, que apresenta problemas na hora de executar combinações mais complexas e, principalmente, sofre com problemas defensivos e não reage tão bem quando pressionado.

Enfim chegou o dia da tão aguardada estreia de Jose Torres (7-0 no MMA) no octógono mais famoso do mundo. O campeão de duas categorias do Titan FC chega ao UFC com o famigerado hype em seu nome, para que possa mostrar todo o seu potencial ao mundo. Entretanto, seu adversário será um belo teste para provar se Torres realmente está no nível que imaginamos.

Eu realmente acredito que, embora tenha demorado, a contratação de Jose Torres é ótima por parte do UFC. Por mais que ainda seja jovem, Torres conquistou os cinturões dos moscas e dos galos no Titan FC, onde teve ótimos desempenhos e provou ser um dos principais prospectos da atual categoria. Wrestler de origem, ele tem ótimo jogo de quedas e facilidade para arremessar seus oponentes ao redor do cage, mas nem só disso que vive o lutador. Dono de um ótimo boxe, Torres consegue trocar com tranquilidade, fazendo ótimas combinações alinhadas com chutes, com bom poder de nocaute. Basicamente, o baixinho consegue se virar muito bem onde a lutar estiver, sendo um lutador completo e jovem, o que lhe dá bastante margem para evolução.

Jarred Brooks vs Jose Torres odds - BestFightOdds
 

Esta é uma luta bastante interessante entre dois bons prospectos da categoria dos moscas, que ganha novos jovens lutadores aos poucos e faz com que o público possa enxergar uma renovação no horizonte. A aposta é que Torres deve ter seu braço levantado no fim do combate, possivelmente por nocaute técnico no segundo round.