Por Edição MMA Brasil | 19/04/2018

Depois do sensacional evento do último fim de semana, a expectativa segue alta para o UFC Fight Night 128, que acontece neste sábado no Boardwalk Hall, em Atlantic City, New Jersey. Estarão em ação no card principal um ex-campeão e oito ranqueados em combates com pesos importantes em suas categorias, do galo ao pesado.

Um duelo de estilos lidera o card quando o striker Edson Barboza encarar o wrestler Kevin Lee, pelo peso leve. Uma categoria abaixo Frankie Edgar tenta um retorno rápido após o último revés contra Cub Swanson, numa revanche de combate realizado há três anos e meio.

Os grandalhões Chase Sherman e Justin Willis fazem o confronto de pesados, enquanto Thiago Marreta e David Branch movimentam o peso médio. Pelos galos, Aljamain Sterling tem um interessante compromisso contra Brett Johns, enquanto o veterano Jim Miller abre a porção principal contra Dan Hooker.

Peso Leve: #5 Edson Barboza (BRA) vs. #6 Kevin Lee (EUA)

Por Alexandre Matos

Edson Barboza

A última vez que Edson Barboza (19-5 no MMA, 13-5 no UFC) subiu no octógono foi traumática. No UFC 219, em 30 de dezembro, ele mostrou muito coração, mas foi dizimado pelo recém-coroado Khabib Nurmagomedov. O revés interrompeu uma sequência de três vitórias, iniciada há exatos dois anos contra Anthony Pettis, e que teve ainda Gilbert Melendez e Beneil Dariush, este num nocaute antológico, na lista de vítimas.

É verdade que o brasileiro mostrou evolução desde que entrou no UFC. A defesa de quedas melhorou, embora não seja intransponível. O uso dos punhos, algo que foi muito cobrado pelo ótimo treinador Mark Henry, passou a ser mais constante, para tirar a marcação dos chutes, que continuam tão mortais como sempre no jogo do multicampeão de muay thai. O que é verdade também é que essa melhora, embora nítida, tem se mostrado insuficiente para alçá-lo ao nível da elite da divisão mais dura do MMA mundial – sempre que o oponente foi um top 10 consolidado, Edson sucumbiu.

Kevin Lee

A trajetória de Lee (16-3 no MMA, 9-3 no UFC) na maior organização do MMA mundial guarda alguma semelhança com a de Barboza. Ambos caíram diante de Tony Ferguson e acumularam vitórias sobre competição atrás do top 10. A diferença principal é que a melhor vitória do americano (Michael Chiesa) foi contra alguém mais bem ranqueado que a melhor de Barboza (Pettis) nos momentos dos combates. No entanto, Kevin também vem de derrota, após acumular cinco triunfos seguidos.

A evolução de Lee no UFC é um pouco mais nítida que a de Barboza, embora não o suficiente para mudar seu plano de jogo principal. Ele ainda confia muito no wrestling, mas, por exemplo, adquiriu um nível na troca de golpes que seu rival não alcançou na luta agarrada. Isso faz do “Fenômeno da Motown” (Michael Jackson se retorce no túmulo) um lutador mais versátil que o friburguense e, portanto, mais capaz de variar o jogo e atrapalhar o sistema defensivo do rival.

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Este é um confronto muito interessante não só pela diferença nos estilos básicos, mas pelo que cada um fez contra oposição parecida com o adversário. Barboza encarou alguns wrestlers, mas o único que realmente usou esta estratégia com afinco lhe deu uma senhora surra. Já Lee encarou alguns trocadores técnicos, mas nenhum do nível do brasileiro.

O começo da luta será provavelmente o fiel da balança neste combate. Os chutes baixos sempre foram e sempre serão a principal arma de Barboza, mas eles terão papel fundamental neste sábado. Quanto mais cedo começar a marcar as pernas de Lee, menos base o americano terá para aplicar suas quedas. Por outro lado, se conseguir derrubar logo, Kevin terá tempo de trabalhar no ground and pound para desgastar o rival, expondo a maior dificuldade de Edson.

Dentro deste cenário, a expectativa é que Lee tenha treinado bastante as entradas em diagonal, preferencialmente pela perna dianteira de Barboza, o que facilitará o encaixe de um single leg sem expô-lo a uma bica na fuça – Dariush sentiu na pele o problema que é errar o tempo e direção de entrada de queda contra Edson. A aposta é que o americano desgastará o brasileiro por mais de 15 minutos, transitará para as costas e conseguirá um mata-leão na segunda metade do quarto assalto.

Peso Pena: #3 Frankie Edgar (EUA) vs. #4 Cub Swanson (EUA)

Por Thiago Kühl

Frankie Edgar

Frankie “The Answer” Edgar (22-6-1 no MMA, 16-6-1 no UFC), demorou 29 lutas profissionais de MMA para sofrer uma derrota por interrupção – nas outras cinco vezes que saíra derrotado do octógono, quatro valiam um cinturão, “duas” pelas mãos de Benson Henderson e duas pelas de José Aldo. Para um leitor mais desatento, pode parecer suficiente para imaginar que o último revés, sofrido há pouco mais de um mês para Brian Ortega, tenha sido apenas um obstáculo na carreira do garoto de Jersey. Ledo engano.

Edgar se notabilizou pelo jogo fundado na clássica combinação americana do boxe-wrestling, com muita velocidade em entradas e saídas precisas, aliadas a um ótimo tempo nas quedas, um queixo de titânio e um dos maiores corações que o MMA já viu – este será o único que provavelmente não irá abandoná-lo tão cedo. Ocorre que os outros três aspectos do seu jogo não estão mais no estado da arte, o que demonstra que a carreira de Frankie entrou na descendente, algo muito perigoso contra o bastante agressivo adversário de sábado. Além disso tudo, T-City mostrou para o mundo que é possível pegar Frankie no ponto futuro e nocautear o ex-campeão, argumentos suficientes para qualquer fã desacreditado apostar contra The Answer.

Cub Swanson

Após Swanson (25-8 no MMA, 10-4 no UFC) perder em sua estreia no UFC para Ricardo Lamas, emendou uma sequência de seis ótimas vitórias, enfileirando nomes do calibre de Dustin Poirier e Jeremy Stephens, alcançando uma merecida eliminatória. No já longínquo ano de 2014, Cub levou uma surra inapelável do próprio Frankie Edgar, que não descansou até finalizá-lo a quatro segundos do fim do quinto round. Ficou ali a impressão de que não havia lugar para Swanson na elite máxima da categoria dos penas. Swanson ainda perdeu para o atual campeão antes de dar a volta por cima com mais quatro vitórias seguidas, sendo parado pelo mesmo Brian Ortega que nocauteou Edgar, em dezembro do ano passado, após dar algum trabalho para T-City no primeiro round daquela luta.

Kevin Luke tem um grappling de respeito como base, com graduação máxima em judô e jiu-jítsu, mas acabou focando seu jogo no ótimo boxe, com base num jogo de pernas muito fluido, capaz de cortar os ângulos muito bem e fazer combinações de chutes e socos com potência e velocidade, tornando-se um lutador bastante perigoso em todos os aspectos do jogo.

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A história de que “já vimos esse filme antes” não cabe aqui. Já se vão quase quatro anos e seis lutas para cada um dos combatentes desde o sacode aplicado por Edgar. Também é possível afirmar que o momento favorece um pouco mais Swanson, pois sua derrota para Ortega já tem mais de quatro meses, enquanto Frankie perdeu faz pouco mais de um. Para piorar o lado do pupilo de Mark Henry, o queixo, que outrora era de titânio, fraquejou contra Stephens e o deixou na mão na última luta. Por outro lado, virar o jogo e mostrar mais um pouco de gás no tanque é comum na carreira de Frankie.

Aposto tranquilamente que essa luta será muito mais equilibrada que a primeira, provavelmente recheada de rounds apertados, de muita movimentação, com ambos alternando no domínio das ações. Também não acredito que veremos uma interrupção. Após três rounds de muita tensão, aposto em vitória apertada para Cub Swanson acompanhada de um belo bônus de luta da noite.

Peso Pesado: Justin Willis (EUA) vs. Chase Sherman (EUA)

Por Bruno Costa

Justin Willis

Justin Willis (6-1 no MMA, 2-0 no UFC) busca sua terceira vitória consecutiva (!) no octógono no evento deste sábado – o que nos revela muito sobre o estado pornográfico da categoria dos pesados não só na organização, mas no MMA em geral.

Lutador canhoto, explosivo (em que pese o excesso visível que carrega na região abdominal) e de grande poder de nocaute, Willis tem no wrestling ofensivo uma de suas principais armas – as tentativas de quedas normalmente são oriundas de selvagens sequências de golpes desferidos contra o adversário. O nível de competição até aqui enfrentado pelo barrigudo não é dos mais altos, mas Willis tem contato diário com alguns dos melhores lutadores do mundo na sua faixa de peso, uma vez que treina com Cain Velasquez (quando o descendente de mexicanos não está lesionado) e Daniel Cormier na American Kickboxing Academy, e tem demonstrado evolução técnica em seus últimos combates.

Chase Sherman

Por outro lado, Chase Sherman (11-4 no MMA, 2-3 no UFC), ao contrário do seu adversário, não integra o panteão de obesos no plantel da organização – infelizmente, para o sujeito e para o público, isso não o impede de deixar muito a desejar no octógono.

Sherman é um peso pesado que se diferencia da maioria dos que não habitam a casta mais alta da categoria pelo ritmo imposto em seus combates, baseando suas investidas em volume de golpes acima da média. Ele utiliza com relativa eficiência os jabs e chutes baixos, mas não bate tão pesado quanto a maioria dos seus pares na divisão, além de não tomar os devidos cuidados defensivos, ficando muito exposto a contragolpes por falta de movimentação tanto de tronco quanto da cabeça. Ainda, quando precisou lidar com um wrestler de pujança física, acabou nocauteado em um cenário parecido com o do seu próximo embate e não teve testada com propriedade sua defesa de quedas.

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Para o confronto de sábado, a tendência é que Willis, menos receoso quanto ao poder de nocaute de Sherman, seja capaz de controlar a distância a fim de não ser minado por jabs e chutes baixos, eventualmente se aproximando para encaixar rápidas combinações de ganchos e diretos no adversário, misturando as ações com quedas seguidas de vigoroso ground and pound, até que seja decretado o nocaute técnico de seu oponente na primeira metade do combate.

Peso Médio: #8 David Branch (EUA) vs. #12 Thiago Marreta (BRA)

Por Alexandre Matos

Dave Branch

Nem parecia o lutador com uma passagem esquecível pelo UFC. Branch voltou (21-4 no MMA, 3-3 no UFC) ostentando não só uma invencibilidade de dez combates, como também carregou consigo cinturões de duas categorias do WSOF. Na reestreia no octógono, mostrou que a boa fase não era sorte com uma importante vitória sobre o ascendente Krzysztof Jotko. Em seguida, deu até um baita susto em Luke Rockhold, mas voltou ao seu lugar quando pediu penico debaixo de ground and pound no fim do segundo round.

Não só nos resultados que Branch se mostrou um lutador melhor que o da primeira vez no UFC. O forte jogo de clinch segue sendo uma arma valiosa, assim como as quedas e o jiu-jítsu do faixa-preta de Renzo Gracie. Porém, ele conseguiu uma sensível melhora na troca de golpes em pé. Contra Rockhold, mostrou ser capaz de combinar golpes com potência e oportunismo, quase mandando o oponente para o beleléu no começo do combate. Mas foi mesmo contra Jotko que Dave impressionou, usando uma sensacional estratégia de jabs em base contrária a do rival, criando uma armadilha que o europeu não conseguiu escapar, passando metade do combate com a guarda arregaçada e levando golpes retos à vontade.

Thiago Marreta

Poucos confiavam numa carreira longeva e numa ascensão de Marreta (17-5 no MMA, 9-4 no UFC) quando ele saiu do TUF Brasil 2. Pois a subida de categoria lhe fez muito bem e o carioca agora já ostenta a segunda sequência de quatro vitórias no octógono, deixando para trás a surreal derrota para Eric Spicely. Os Jacks Marshman e Hermansson, Anthony Smith e Gerald Meerschaert foram todos nocauteados por Marreta, que é um dos maiores vencedores pela via rápida dolorosa da história do peso médio.

Marreta foi outro que teve boa evolução no UFC, mas também não o suficiente para conduzi-lo ao passo além para invadir o top 10 definitivamente. A ida para a American Top Team foi importante para moldar sua consciência tática, mantendo ainda o elevado poder de nocaute. Porém, falta ao ex-paraquedista maior trabalho na luta agarrada, tanto ofensiva quanto defensivamente, situação que pode cobrar um preço alto neste sábado.

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Nos strikers que ambos se tornaram, Marreta leva vantagem. Ainda que tenha encaixado Jotko numa armadilha, o americano não abre tantos ângulos como o brasileiro e não tem o mesmo poder de decisão de Thiago. Branch terá em seu favor a oportunidade de se aproximar e desgastar o rival no clinch antes de derrubá-lo e finalizá-lo. Neste caminho, porém, David pode encontrar a canela de Marreta e se aconchegar no fundo da vala. No entanto, a aposta é no primeiro cenário.

Peso Galo: #8 Aljamain Sterling (EUA) vs. #14 Brett Johns (GAL)

Por Gabriel Carvalho

Aljamain Sterling

Aljamain Sterling (14-3 no MMA, 6-3 no UFC) entra em uma nova fase na carreira. Depois dos triunfos sobre Augusto Tanquinho e Renan Barão, Aljo finalmente teve a chance de se aproximar do top 5 da categoria, mas levou um nocaute assustador do brasileiro Marlon Moraes, em dezembro do ano passado. Antes prospecto, Sterling precisará agora batalhar por seu espaço no top 10, principalmente com novos nomes ascendendo.

Parceiro de Jon Jones na faculdade, Sterling é um grappler de altíssimo nível. Foi da terceira divisão da NCAA, é faixa-roxa de jiu-jítsu, tem uma variação interessante de quedas e é muito rápido no solo, sempre acertando as transições, buscando submissões de qualquer posição, e até trabalhando o controle posicional quando necessário. Em pé, tem um jogo criativo, mas muitas vezes displicente, o que elevou os níveis de desconfiança dos fãs.

Brett Johns

E um dos ascendentes da categoria é o galês Brett Johns (15-0 no MMA, 3-0 no UFC). O atleta já prometia bastante antes de assinar com a organização, quando foi campeão do Titan FC, e confirmou as expectativas com vitórias sobre Kwan Ho Kwak, Albert Morales e Joe Soto, que lhe deram a atual 14ª posição no ranking da categoria.

Faixa-preta de judô, Johns também adotou o wrestling para melhorar o seu jogo de quedas, que é bastante efetivo. No combate contra Soto, também mostrou seu valor no jiu-jítsu, com uma finalização totalmente fora do comum. Em pé, Johns até costuma lançar socos rápidos, mas procura gastar o menor tempo possível para levar a luta pro chão, onde realmente se sente em casa.

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Temos aqui um teste bem interessante para Brett. O galês tem um jogo muito interessante de quedas e controle posicional, mas terá que lidar com um atleta bem mais qualificado que a concorrência já enfrentada antes. Ele pode conseguir derrubar Sterling – até mais de uma vez – mas segurar o americano no chão é uma missão diferente. A esperança é que Aljo controle as ações da luta no clinch e na longa distância, vencendo na decisão.

Peso Leve: Jim Miller (EUA) vs. Dan Hooker (NZL)

Por Diego Tintin

Jim Miller

Jim Miller (28-11 no MMA, 17-10 no UFC) já foi um dos mais dominantes atletas do UFC no início desta década, quando chegou perto de disputar o cinturão por duas vezes. As duras derrotas para Nate Diaz e Ben Henderson dissiparam as esperanças e marcaram o início de uma visível queda de rendimento. Momentos difíceis, com quatro derrotas em cinco lutas, até que a redenção chegou contra antigos colegas de geração. Ele venceu Takanori Gomi, Joe Lauzon, Thiago Pitbull e ensaiou uma recuperação que se mostrou tão difícil quanto o esperado. Quando o sarrafo subiu novamente, perdeu para Dustin Poirier e Anthony Pettis, embora tenha atuado bem nos dois confrontos e feito lutas equilibradas e animadas. No último combate, teve um bom início, mas sucumbiu diante do embalado Francisco Massaranduba, voltando mais uma vez aos tempos de vacas magras, com três derrotas consecutivas.

Bom de luta olímpica, faixa-preta de jiu-jítsu de Jamie Cruz, Miller tem qualidade nas transições e tentativas de finalização. Com o tempo, o queixo vem deixando de ser tão confiável, resultado natural dos anos de estrada. Ofensivamente, o americano pode compensar com um boxe de golpes retos bem escolhidos e combinações de jabs com cruzados e ganchos capazes de fazer estrago em uma luta mais longa.

Dan Hooker (15-7 no MMA, 5-3 no UFC), chegou ao maior evento do mundo como peso-pena, após fazer carreira em eventos regionais em sua Nova Zelândia natal e na vizinha Austrália. O início na organização foi uma gangorra, com três vitórias e três derrotas intercaladas, o que fez com que ele optasse por migrar para a divisão de 70 quilos. Com menos sofrimento no corte de peso, conseguiu duas importantes vitórias: um lindo nocaute sobre o velho de guerra Ross Pearson e uma guilhotina contra o jovem prospecto Marc Diakiese.

O neozelandês também tem característica ofensiva, com base no kickboxing e boa técnica de aproximação com variações de golpes no corpo dos oponentes. É um lutador muito oportunista, que, mesmo sem ser um grande mestre da luta agarrada, sabe criar brechas para encaixar finalizações de várias maneiras. Hooker possui ainda um bom poder de nocaute e de absorção de golpes, formando um atleta difícil de ser derrotado, ainda que apresente algumas limitações técnicas.

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Miller é o cara mais talentoso deste duelo, seja na luta em pé, no solo ou nas transições. Porém, em um esporte tão desgastante como o MMA, uma grande diferença no aspecto físico em força e resistência pode ser o suficiente para inverter a ordem natural do favoritismo. E a impressão deixada nas últimas apresentações de ambos nos faz acreditar que Hooker está no seu auge físico, enquanto Miller anda combalido e sofrendo com toda a estrada acumulada no seu histórico. O palpite é vitória do neozelandês por decisão, após superar um início complicado enquanto Miller estiver inteiro.