Por Edição MMA Brasil | 16/03/2018 01:01

De volta à Europa depois de quase cinco meses, o octógono mais famoso do mundo será montado na O2 Arena, em Londres. Neste sábado, o UFC Fight Night 127 traz um card principal envolvendo combates de ranqueados sólidos misturados com importantes prospectos.

Um duelo entre ex-campeões das maiores organizações do MMA lidera o evento. Fabricio Werdum, antigo dono da coroa dos pesados do UFC, encara Alexander Volkov, que já ostentou o cinturão do Bellator, em confronto que deve deixar o vencedor na beira da disputa do cinturão de Stipe Miocic.

Uma revanche acontecerá na luta coprincipal. O polonês Jan Blachowicz terá a chance de vingar a derrota – e a péssima atuação – que teve diante do nigeriano Jimi Manuwa, dois anos depois do primeiro combate.

No campo dos importantes prospectos em ação, o primeiro deles será Leon Edwards. O jamaicano naturalizado inglês vai encarar o alemão Peter Sobotta na abertura do card principal. Em seguida, o super talentoso francês Tom Duquesnoy bate de frente com o americano Terrion Ware.

Atenção: como se trata de um evento na Europa, os horários do UFC Fight Night 127 serão diferentes do normal. O evento, que terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate, terá sua primeira luta preliminar iniciando às 14:45h, enquanto a porção principal está marcada para às 18:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso pesado: #3 Fabrício Werdum (BRA) vs. #8 Alexander Volkov (RUS)

Por Alexandre Matos

Fabricio Werdum

Interessado em mais uma chance de disputar o cinturão dos pesados, Fabricio Werdum (23-7-1 no MMA, 11-4 no UFC) não tem perdido tempo nem desperdiçado desafios. Neste sábado, o ex-campeão vai para a terceira luta em cinco meses, ignorando os efeitos dos 40 anos de idade – que, a bem da verdade, não parecem ser tão intensos ainda. Depois da derrota para Alistair Overeem, o gaúcho bateu Walt Harris e Marcin Tybura, defendendo a terceira posição do ranking.

MMA é um esporte em que a queda de rendimento pode bater a qualquer momento a partir de certa idade. Pode-se dizer que Werdum está física e tecnicamente muito bem para um quarentão, ainda mais diante da sempre combalida divisão dos pesados. Seu estilo de luta não tem mudado há anos, mas nem precisava mesmo, pois o multicampeão de jiu-jítsu segue com um sólido jogo de muay thai, uma mistura que deixa os oponentes confusos. Fabricio é capaz de atuar na longa distância, combinando socos alongados com chutes baixos, além de ser um terror na curta, quando mistura um violento thai clinch com quedas e um jogo de chão técnico e oportunista.

Alexander Volkov

Onze anos mais jovem que o oponente, Alexander Volkov (29-6 no MMA, 3-0 no UFC) reencontrou seu melhor momento no UFC e está a um passo de se juntar à elite da divisão. Em três combates disputados no octógono, o russo deixou para trás um par de derrotas melancólicas no UFC para enfileirar Roy Nelson, Timothy Johnson e Stefan Struve no octógono.

Engenheiro formado pela Politécnica Bauman de Moscou, Volkov é um striker por natureza, graduado no tradicional caratê kyokushin e no exótico tsu shin gen, variante do kyokushin, artes que fizeram do “Drago” um perigoso contragolpeador. Por normalmente ser o mais alto em ação, Volkov desenvolveu bem os jabs e um versátil jogo de chutes para lhe permitir o controle da distância – o chute alto costuma ser disparado com velocidade, potência e precisão. O principal problema que Volkov apresenta calha de ser a principal ferramenta de seu oponente, o que acaba refletindo nas odds.

Alexander Volkov vs Fabricio Werdum odds - BestFightOdds
 

Dados o atual estágio evolutivo de Werdum e a extensa formação de Volkov, poderíamos acompanhar um animado e equilibrado confronto se a luta fosse disputada sob as regras do kickboxing. Provavelmente veríamos Werdum atacando, Volkov contragolpeando e os dois queixos sendo testados em momentos distintos.

Isso até deve mesmo acontecer, especialmente na primeira etapa. Porém, ao primeiro sinal de oportunidade – ou de perigo -, o brasileiro deverá buscar alento em seu habitat natural. Aí entra a segunda disputa interessante, entre a melhorada defesa de quedas de Volkov com o não muito versátil leque de quedas de Werdum. No entanto, para o gaúcho, um trabalho no clinch na grade pode abrir a oportunidade de agarrar as pernas do russo, colocá-lo de traseiro no tablado e atuar nas transições até apertar seu pescoço na segunda metade do combate.

Peso meio-pesado: #4 Jimi Manuwa (NIG) vs. #11 Jan Blachowicz (POL)

Por Diego Tintin

Jimi Manuwa

Temos aqui a revanche de um enfadonho duelo de três anos atrás, disputado quase que exclusivamente em um monótono clinch na grade.

Jimi Manuwa (17-3 no MMA, 6-3 no UFC) nasceu na Nigéria e mudou-se para a Inglaterra aos dez anos de idade. Na ilha, envolveu-se em brigas, confusões e com o crime. Chegou a ser preso em 2002 por assalto e, quando livre, começou a praticar MMA ao assistir a uma luta de um amigo. Fez carreira no evento UCMMA, onde liquidou oito adversários e chegou ao UFC com cartel perfeito de 11 vitórias, dez delas por nocaute. No octógono, conseguiu nocautes sobre alguns oponentes de certo respeito, como Ovince St. Preux e Corey Anderson, mas sucumbiu quando chegou perto de conseguir o posto de desafiante, nocauteado por Alexander Gustafsson, Anthony Johnson e Volkan Oezdemir.

Dono de punhos bastante pesados, Jimi é daqueles que podem derrubar qualquer lutador da categoria com uma mãozada bem encaixada. Para isso, conta com um interessante jogo de movimentação e combinações simples, mas eficientes, de socos e chutes enquanto pressiona os oponentes. Ele treina jiu-jítsu na equipe Nova Força, de Ricardo Silva, embora quase nada se tenha visto deste aspecto de seu jogo. O “Poster Boy” faz a alegria da torcida com um estilo inconsequente, que busca encerrar a brincadeira de forma rápida. Como se expõe muito nesta caçada, é quase garantia de interrupção prematura, o que aconteceu em 19 de suas 20 lutas profissionais, para o bem ou para o mal. A única exceção foi justamente na peleja inaugural desta rivalidade.

Jan Blachowicz

Jan Blachowicz (21-7 no MMA, 4-4 no UFC) também fez a base de sua carreira em um importante evento europeu, no seu caso, o KSW de seu país natal. Na organização, Jan fez 18 de suas 20 primeiras lutas na carreira e foi um de seus campeões mais importantes. Na chegada ao UFC, um chamativo nocaute sobre o duro Ilir Latifi na casa do adversário, seguido do revés na citada primeira luta contra Manuwa, que abriu uma sequência decepcionante de quatro derrotas em cinco lutas. A recuperação veio contra os limitados Devin Clark e Jared Cannonier, deixando claro que o polonês está livre das lesões, uma vez que vai para a terceira luta em um curto espaço de seis meses.

Blachowicz já foi um lutador mais empolgante, mas teve seu ímpeto arrefecido quando enfrentou adversários de maior qualidade. Dono de um muay thai bem ajustado e poder de nocaute interessante, Jan vem apresentando melhoras na luta agarrada, área que costuma o deixar na mão contra turma mais qualificada. Mesclando treinos na Polônia, na Suécia e na prestigiosa Alliance MMA, nos Estados Unidos, o “Príncipe de Cieszyn” também precisa evoluir na parte física, pois já ficou devendo condicionamento nas lutas em que teve que ir além da metade do tempo previsto. Além disso, passa a impressão de não conseguir igualar em força bruta contra os mais privilegiados fisicamente da divisão.

Jan Blachowicz vs Jimi Manuwa odds - BestFightOdds
 

A esperança aqui é que, desta vez, os dois brutamontes esqueçam essa história de ficarem se amassando em pé próximos à grade e se entreguem à boa e velha pancadaria de todo o coração. De qualquer forma, o favoritismo é de Jimi Manuwa, caso não apresente um declínio físico considerável, sempre um temor para um atleta com 38 anos.

Uma estratégia favorável para Jan seria levar a luta para o solo, onde não é nenhum craque, mas tem o suficiente para ser melhor que o inglês. O problema para ele é superar a desvantagem na força isométrica, que ficou clara na primeira luta entre eles. O palpite é em outra vitória de Manuwa, desta vez por nocaute.

Peso galo: Tom Duquesnoy (FRA) vs. Terrion Ware (EUA)

Por João Gabriel Gelli

Tom Duquesnoy

Figura rotineira em listas do melhores prospectos do MMA, Tom Duquesnoy (15-2 no MMA, 1-1 no UFC) já foi personagem do Radar MMA Brasil e também integrou o Top 10 do Futuro. No entanto, após uma estreia empolgante com um nocaute visceral sobre Patrick Williams, o francês freou no wrestling e força física de Cody Stamann, que já invadiu o ranking do peso galo. Agora, a jovem promessa procura se colocar de volta nos trilhos e seguir com sua trajetória que ainda promete muitas pancadarias.

A maior parte do jogo de Duquesnoy é centrado na filosofia de que a melhor defesa é o ataque. Por isso, ele avança constantemente em direção aos adversários, com amplo volume de golpes lançados com boas variação, velocidade e potência. Quando precisa mudar a estratégia, é capaz de implementar o wrestling treinado com a seleção francesa, mostrando grande habilidade nas transições e eficiência na luta agarrada. Seus principais problemas também são oriundos de sua abordagem nos combates, uma vez que o excesso de agressividade às vezes traz um cansaço antes do esperado ou então lhe deixa suscetível às entradas de quedas e contragolpes dos oponentes.

Terrion Ware

Depois de perder para o mesmo Stamann em sua estreia no UFC, Terrion Ware (17-6 no MMA, 0-2 no UFC) foi escalado para testar mais um prospecto ao encarar Sean O’Malley. Ele entregou um duelo empolgante e competitivo, mas saiu derrotado por decisão. Agora, receberá aquela que provavelmente será sua última chance de conquistar uma vitória quando enfrentar mais um lutador ascendente, algo que tem sido uma temática em sua passagem pelo UFC.

Assim como Duquesnoy, Ware tem como especialidade a luta em pé, sobretudo com um boxe de combinações rápidas e constante movimentação. Entretanto, quando passa para as outras vertentes do MMA, o americano ainda apresenta dificuldades, como uma defesa de quedas muito vazada e deficiências no grappling, tanto no aspecto ofensivo quanto no defensivo – esta diferença de versatilidade pode ser fundamental no combate deste sábado.

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A tendência aqui é que o combate seja disputado majoritariamente em pé, com uma intensa disputa entre o ímpeto de Duquesnoy e a vantagem na envergadura e habilidade nos jabs de Ware. Os dois devem alternar alguns momentos favoráveis, mas o esperado é que a diferença de atleticismo a favor do francês seja um grande diferencial para desfazer o equilíbrio. Além disso, Tom pode utilizar sua caixa de ferramentas mais ampla e aplicar algumas quedas, a partir das quais tem capacidade para conseguir uma finalização. Dessa forma, o palpite é que Duquesnoy consiga a vitória por interrupção na segunda metade da luta.

Peso meio-médio: Leon Edwards (ING) vs. Peter Sobotta (POL)

Por Bruno Costa

Em um interessante embate pelo peso meio-médio, Leon Edwards tenta aumentar a sequência de quatro vitórias consecutivas contra o duro veterano Peter Sobotta, que também triunfou nos seus últimos dois embates no octógono.

Leon EdwardsLeon Edwards (14-3 no MMA, 6-2 no UFC) foi apontado pelo MMA Brasil como top 10 do futuro no peso meio-médio. Chegou ao UFC em 2014, com a expectativa de ser mais um selvagem trocador no território hostil da categoria, já farta de nomes com essas características. Apesar de uma estreia desanimadora, quando demonstrou muito nervosismo e falta de experiência contra Claudio “Hannibal”, Edwards têm demonstrado evolução e desenvolvimento progressivo em todas as áreas do jogo.

Se a expectativa inicial era de um divertidíssimo agressivo, atlético e explosivo porradeiro, o trabalho de clinch, wrestling e jiu-jitsu foram desenvolvidos rapidamente a um nível que possibilita ao jamaicano radicado na Inglaterra ser um lutador menos previsível. Mesmo em sua derrota contra Kamaru Usman, Edwards demonstrou resistência acima da média contra um dos melhores wrestlers em sua faixa de peso. Contudo, a confiança em sua outrora agressiva troca de golpes parece ter diminuído de acordo com a subida de nível dos adversários enfrentados, além de não parecer confortável quando o adversário consegue pressioná-lo e obrigar o jamaicano a recuar em sua movimentação.

Sobotta (17-5-1 no MMA, 4-4 no UFC) é um duro veterano em sua segunda passagem pelo UFC, de razoável nível em diversas valências, com dificuldades para impor em alto nível o que tem de melhor no MMA – seu jogo de solo.

Antes apenas um faixa-preta de jiu-jitsu pouco empolgante, Sobotta evoluiu em sua corrida atual na organização, principalmente na troca de golpes. Embora não seja extamente uma fortaleza defensiva, Sobotta não teme a exposição aos rivais a fim de conseguir contragolpes violentos. O wrestling defensivo é sólido, embora ofensivamente apresente algumas dificuldades para colocar os adversários de costas ao solo para trabalhar seu competente jiu-jitsu ofensivo.

Leon Edwards vs Peter Sobotta odds - BestFightOdds
 

O combate é um excelente teste para noção exata do nível em que se encontram ambos os lutadores no atual estágio da carreira. Leon Edwards possui as ferramentas físicas e técnicas para dominar o combate na troca de golpes, clinch, wrestling e até no controle posicional, mas longe de ter facilidades. A experiência e nível razoável de Sobotta em todas as suas ações provavelmente tragam dificuldades para Edwards, fazendo com que o jamaicano trabalhe muito para pressionar o adversário e variar as ações, fazendo por merecer uma vitória por decisão dos juízes.

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