Por Gabriel Carvalho | 15/02/2018 21:06

Peso leve: Jared Gordon (EUA) vs. Carlos Diego Ferreira (BRA)

Jared Gordon (14-1 no MMA, 2-0 no UFC) já surge como mais um bom nome para a movimentada divisão dos leves. Nos seus dois combates realizados no octógono, promoveu dois espancamentos em Michel Quiñones e Hacran Dias, já chamando atenção dos matchmakers, que o colocaram para fechar a porção preliminar do domingo. Em pé, “Flash” Gordon tem base no kickboxing, apresentando curtas combinações e com troca de base, mesmo com pouca velocidade nos movimentos. No chão, é faixa-marrom de jiu-jítsu, mas se destaca mesmo por conta do ground and pound brutal.

Apesar do bom início no UFC, Carlos Diego Ferreira (12-2 no MMA, 3-2 no UFC) não conseguiu lidar com o alto nível da categoria dos leves. Chegou a se recuperar com uma boa vitória sobre Olivier Aubin-Mercier, mas uma suspensão por doping interrompeu a carreira do brasileiro radicado no Texas. Em pé, Diego mostra o estilo “vamo lá porra” para compensar a certa falta de habilidade, apesar de não ser a pior coisa do mundo. Ele é muito bom mesmo no jiu-jítsu, onde é faixa-preta terceiro dan e tem no currículo diversas competições importantes.

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Temos um bom casamento aqui e que deve render um duelo equilibrado. Em pé, Gordon compensa a falta de velocidade com a técnica, usando rápidas combinações de socos e se aproximando bem dos oponentes. Diego se movimenta mais e é menos técnico, principalmente na parte defensiva, onde abre espaços que podem ser bem aproveitados por Flash. No chão, o brasileiro é bem superior, mas fica a dúvida se os dois anos fora podem influenciar na hora de colocar o americano pra baixo. Expectativa boa para saber o que acontece, mas vamos apostar em nocaute de Gordon na segunda parcial, mas não será surpresa caso Ferreira consiga mais um pescoço.

Peso meio-médio: Geoff Neal (EUA) vs. Brian Camozzi (EUA)

Mais um nome vindo do Dana White’s Tuesday Night Contender Series, Geoff Neal (8-2 no MMA) terá a oportunidade de estrear no octógono no seu estado natal. Geoff é um striker que tem base no boxe, com punhos poderosos, mas sofre com problemas para encontrar a melhor distância para golpear. Não é o tipo de atleta que vai adicionar muito ao UFC.

Irmão do ex-lutador do UFC Chris Camozzi, Brian (7-4 no MMA, 0-2 no UFC) até nos surpreendeu por receber uma nova chance no octógono. Nas duas oportunidades que teve no UFC, tomou dois vareios para Randy Brown e Chad Laprise. Brian é um atleta conhecido pelo bom jiu-jítsu, modalidade na qual tem a faixa roxa. Em pé, tem base no muay thai, mas mostra pouca desenvoltura e diversos buracos defensivos.

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O combate interessa por saber quem pode impor seu jogo primeiro. Neal é melhor em pé e tem capacidade de explorar as falhas de Camozzi com pressão e golpes curtos, mas o tamanho de Brian e o bom trabalho de clinch podem definitivamente complicar a vida do estreante. Acredito que Neal consegue a vitória por decisão, mas com zero confiança.

Peso mosca: Roberto Sanchez (EUA) vs. Joby Sanchez (EUA)

Cria da LFA, Roberto “Little Fury” Sanchez (7-1 no MMA, 0-1 no UFC) conquistou o cinturão da organização antes de conseguir o contrato com o UFC. Em sua estreia no octógono, foi colocado contra o bom Joseph Morales e acabou finalizado ainda no primeiro assalto. Faixa-marrom de jiu-jítsu, o ex-professor de matemática também tem o wrestling decente, com boas entradas de queda. Sofre com o controle posicional mediano e os problemas na troca de golpes.

Após uma passagem ruim entre 2014 e 2015, Joby Sanchez (11-2 no MMA, 1-2 no UFC) está de volta ao maior evento do mundo. Ele está invicto desde a sua demissão, conquistando duas vitórias no Dana White’s Tuesday Night Contender Series. Joby é um lutador com certa habilidade em pé, mostra velocidade, sabe cortar ângulos e tem um arsenal bem variado de socos e chutes. Também se vira bem no chão quando age por cima, mas tem dificuldades para lutar quando é derrubado.

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Sanchez vencerá a luta. Qual deles? Roberto é favorecido pelo bom wrestling e o jiu-jítsu, apesar de ainda mostrar certas falhas na hora de dominar o combate, possivelmente por conta da falta de experiência. Joby é melhor que Roberto em pé, mas precisa trabalhar bem a sua defesa de quedas para manter a luta no seu jogo favorável. Outro combate equilibrado em tese, mas acreditamos que Joby sairá com a vitória.

Peso galo: #13 Sarah Moras (CAN) vs. Lucie Pudilova (CZE)

A situação da carreira de Sarah Moras (5-2 no MMA, 2-1 no UFC) mudou de forma repentina. Ela estava inativa desde 2015 e era considerada zebra na luta contra Ashlee Evans-Smith, mas conseguiu uma ótima finalização ainda no primeiro assalto, garantiu o emprego e ainda ganhou vaga no top 15 da divisão. Apesar da parte em pé ser desprimorosa, Moras é uma atleta perigosa por baixo, sempre aceita a queda e mostra bastante mobilidade para pegar um braço aqui e outro ali.

Com apenas 23 anos, Lucie Pudilova (7-2 no MMA, 1-1 no UFC) já registrou um par de lutas no octógono. Perdeu para Lina Lansberg em combate sangrento e se recuperou vencendo Ji Yeon Kim. Pudilova é uma atleta conhecida pelo muay thai agressivo, com bom uso dos jabs. Sofre um pouco com a questão física no clinch e com a defesa de quedas vazada.

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Pudilova levará vantagem aqui caso consiga manter o combate na longa distância, soltando jabs e diretos que impeçam a aproximação da canadense. Moras precisa escapar dos golpes da tcheca para tentar se embolar e levar a luta pro chão. Contando que Lucie teve problemas com grappling anteriormente, acreditamos que Moras conseguirá uma finalização no segundo round, mas não conte Pudilova como perdedora aqui.

Peso meio-médio: Josh Burkman (EUA) vs. Alex Morono (EUA)

Mesmo depois de quatro derrotas seguidas, Josh Burkman (28-16 no MMA, 6-11 no UFC) segue contratado. É não é como se ele estivesse lutando bem, já que Michel Trator e Drew Dober passaram o carro sem piedade no “Guerreiro do Povo”. No auge, Josh se destacava pelo wrestling e mostrou até certa evolução no kickboxing, mas a idade chegou e sua defesa ficou pior do já era, impossibilitando qualquer oportunidade de crescimento.

Após um bom início, Alex Morono (13-4 no MMA, 2-1 no UFC) se viu afastado do topo da divisão após derrotas para Niko Price – alterada para “no contest – e Keita Nakamura, numa decisão até controversa. Especialista em taekwondo, Morono é um atleta de movimentação constante, que usa bem os chutes e tem bons contra golpes e um poder de nocaute grande.

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Morono é o grande favorito do evento. Burkman não é um grande lutador e não vem dando sinais de melhora nas últimas lutas. Alex não deve ter grandes dificuldades para conseguir um nocaute ainda no primeiro round de luta, se colocando entre os nomes que podem ganhar 50 mil dólares após o evento.

Peso Médio: Oskar Piechota (POL) vs. Tim Williams (EUA)

Nome do Top 10 do Futuro, Oskar Piechota (10-0-1 no MMA, 1-0 no UFC) vai confiante para sua segunda luta no octógono, depois de ter estreado com domínio amplo sobre Jonathan Wilson. Piechota é um grappler de altíssimo nível, é faixa-preta de Robert Drysdale, competiu no ADCC, tem um bom tempo para a entrada de quedas e a parte em pé também é de nível decente, tornando Piechota uma das esperanças de renovação da divisão.

Participante das edições 17 e 19 do The Ultimate Fighter, Tim Williams (15-3 no MMA) recebeu a chance no UFC após cinco vitórias seguidas no circuito regional americano. Tim é um lutador com características até parecidas com Piechota. Ele procura evitar a luta em pé, mostra bastante força física na hora das quedas e sempre procura pela finalização.

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Temos um duelo de grapplers interessante para iniciar a noite em Austin. Piechota é melhor que Williams em pé e no chão, portanto, deve controlar as ações na parte inicial em pé mesmo, com bastante movimentação lateral, encurtando a distância com rápidas combinações de socos e aproveitando qualquer oportunidade para levar a luta para o chão. Fazendo esse jogo e sem diminuir o ritmo, Oskar deve levar por decisão dos juízes.

Editor do MMA Brasil. Fã de esportes em geral, apaixonado pela arte de punhos em rostos alheios. Amante de filmes e música.