Por Edição MMA Brasil | 16/02/2018 14:22

A maratona de eventos do UFC segue para a capital do Texas no próximo domingo. O Frank Erwin Center, em Austin, será palco do UFC Fight Night 126, cujo card principal de seis lutas terá a maioria dos duelos em duas das categorias mais disputadas do MMA mundial.

No peso meio-médio, expectativa para duas pancadarias. No duelo principal, com potencial para luta do ano, Donald Cerrone encara Yancy Medeiros. Além dessa, Thiago Pitbull retorna dando as boas-vindas ao ex-Bellator Curtis Millender.

Já pelo peso leve, outro brasileiro em ação: Francisco Massaranduba tenta subir no ranking contra o também ranqueado James Vick. Abrindo o card principal, Sage Northcutt vai atrás do francês Thibault Gouti. O evento terá ainda o encontro dos pesos pesados Derrick Lewis e Marcin Tybura e entre os penas Brandon Davis e Steven Peterson.

O UFC Fight Night Austin será exibido ao vivo e na íntegra pelo canal Combate. O card terá início mais cedo para as regiões que estavam em horário de verão no Brasil. A primeira luta do card preliminar está marcada para iniciar às 19:30h, enquanto a porção principal do evento vai ao ar a partir de 23:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Meio-Médio: #11 Donald Cerrone (EUA) vs. Yancy Medeiros (EUA)

Por Alexandre Matos

Donald Cerrone

Subir de categoria parecia ter sido uma ótima decisão de Cerrone (32-10 no MMA, 19-7 no UFC), em 2016, após a segunda derrota para o então campeão dos leves Rafael dos Anjos. Nos quatro primeiros compromissos como meio-médio, três nocautes, uma submissão e três bônus de desempenho. O “Cowboy” foi imediatamente jogado no rol dos candidatos a desafiante, mas viu o barco virar com três derrotas consecutivas, duas por nocaute, para Jorge Masvidal, Darren Till e Robbie Lawler, esta por decisão.

Cerrone se tornou um dos favoritos dos fãs não só por aceitar qualquer luta a qualquer hora, mas por ser o recordista de bônus da história somada de UFC com WEC e pelo fantástico arsenal ofensivo, um baú de onde sai um kickboxing versátil, de alto volume de golpes, variação de socos, chutes em todos os níveis e joelhadas; um jiu-jítsu não muito dinâmico nas transições, mas de enorme capacidade de definição mesmo por baixo; um wrestling que evoluiu, embora não tanto quanto as demais vertentes; e capacidade física para crescer de rendimento.

O problema é que a enorme quantidade de lutas à qual se submeteu vem cobrando o preço. Com o corpo mais desgastado e com menos capacidade de desempenhar ofensivamente, os vários buracos defensivos ficam mais expostos, especialmente a inaptidão de lidar com a pressão oposta depois que o segundo ou o terceiro golpes entram em sequência.

Yancy Medeiros

Até o momento, a trajetória de Medeiros (15-4 no MMA, 6-4 no UFC) tem paralelo com a do oponente deste sábado. Apesar de não ter chegado a disputar o cinturão dos leves, o havaiano também decidiu subir de categoria. Como meio-médio, já conseguiu três vitórias seguidas, com dois nocautes e uma submissão. A luta mais recente, disputada há dois meses contra Alex Cowboy, foi uma das três melhores de 2017.

Nascido no Havaí, descendente de filipinos e portugueses, parceiro de treinos do campeão dos penas Max Holloway, Medeiros tem outro ponto em comum com seu adversário: o arsenal ofensivo versátil e empolgante, que faz a alegria dos torcedores. Destemido, com um estilo briguento, daqueles que apanham na cara de olhos abertos e devolvem couro, Yancy usa o boxe com muitos golpes para pressionar os adversários ou encurralá-los contra a grade, compensando defeitos técnicos de execução com elevado volume. Dali, no infighting, saem joelhadas viscerais e quedas para um jogo de solo tão mortal quanto o de Cerrone, especialmente nas guilhotinas tiradas de posições esquisitas. Por fim, mais um traço em comum com o rival é a incapacidade defensiva, muito suscetível a quedas e acertável no striking num nível bem maior que o desejável.

Donald Cerrone vs Yancy Medeiros odds - BestFightOdds
 

Este duelo não seria tão equilibrado se Cerrone estivesse numa fase física menos prejudicada. Ele é tecnicamente mais polido, mas apresenta dois problemas que podem ser capitalizados por Medeiros: começa meio devagar e perde a cabeça quando atraído para a pancadaria. O havaiano é bom nas duas situações.

O melhor caminho para Yancy é fazer a chinela cantar alto assim que o homem de preto permitir o início das ações e trazer Cerrone para o olho do furacão antes que o adversário possa entender o que está acontecendo. Como está mais inteiro, Medeiros pode também apostar em esticar o combate para pegar Donald no terceiro assalto, mas esta seria uma estratégia muito arriscada devido aos buracos defensivos. A aposta é que Cerrone responderá à pressão inicial do rival com uma queda e trabalhará por cima até conseguir uma finalização.

Peso Pesado: #6 Derrick Lewis (EUA) vs. #8 Marcin Tybura (POL)

Por Bruno Costa

Derrick LewisDerrick Lewis (18-5 no MMA, 9-3 no UFC) e Marcin Tybura (16-3 no MMA, 3-2 no UFC) medem forças no domingo buscando recuperação no octógono. O americano estava (bizarramente) em ótima fase, com sequência de seis vitórias seguidas, mas acabou nocauteado por Mark Hunt em seu último embate. Já o polonês Marcin Tybura foi derrotado após cinco rounds contra o ex-campeão Fabrício Werdum na decisão dos juízes, encerrando o bom momento de três vitórias consecutivas que havia acumulado na organização.

Lewis é um lutador agressivo, que tem o boxe como background e prima pela potência em detrimento à técnica na movimentação e troca de golpes. Além de utilizar bem os cruzados, uppercuts e pesados diretos, “The Black Beast” utiliza seu atleticismo (considerado um diferencial apenas em uma divisão modorrenta como a dos pesados) para aplicar chutes altos decentes, no mínimo. O wrestling ofensivo funciona contra adversários menos dotados de técnica, uma vez que a brutalidade é o meio mais utilizado também nessa fase, antecedente ao ground and pound feroz já deu cabo de alguns de seus adversários.

Os problemas defensivos já o levaram a atuações exóticas, até certo ponto engraçadas (como contra Shawn Jordan e principalmente Travis Browne – quem não se lembra do sujeito segurando a avantajada barriga no meio da luta e da declaração na entrevista ainda no ocótogono, quando confessou que temeu por uma lambança em seu calção devido aos chutes no estômago sofridos durante o primeiro round do embate?). Seu único meio de defesa é ficar o mais distante possível de seu adversário. Não há sistema de proteção baseado em guarda ou movimentação de cabeça e tronco, fazendo do bruto peso pesado um alvo fácil de ser encontrado, seja na cabeça ou corpo. O fôlego de Lewis também foi um problema quando enfrentou oponentes de nível mais alto que o fizeram trabalhar em maior intensidade, mas ao seu favor o fato de a peleja ser disputada em no máximo 3 rounds, e não 5 como nas suas últimas 3 lutas. O wrestling defensivo tem em seu ponto forte o excesso de peso que faz o adversário trabalhar duro para leva-lo ao chão. Porém, é vazável e o risco de acabar de costas para o chão aumenta com a diminuição de sua condição cardiorrespiratória. Ainda, Lewis têm enfrentado alguns problemas físicos crônicos na região das costas, que o fizeram declarar em ocasiões que poderia abandonar o MMA, além de ter sido obrigado a abandonar um compromisso contra Fabrício Werdum na véspera do evento.Marcin Tybura

Marcin Tybura é um lutador competente nas posições de clinch e no jogo de solo baseado no controle posicional, além da resistência acima da média dos pesos pesados. O striking – área do MMA em que apresentava maiores dificuldades, com falta de combinações, mesmo básicas – e era baseado unicamente em contragolpes, demonstrou notória evolução após período de treinos na Jackson-Winck anteriormente ao seu último combate. A defesa de quedas é competente o suficiente para, em um cenário comum, manter o duelo do domingo sendo disputado em pé, caso seja seu interesse. Em suas derrotas no octógono, demonstrou dificuldades ao lidar com o ritmo e volume de golpes de Werdum e com a sufocante pressão imposta por Tim Johnson em sua estreia na organização, quando levava desvantagem no subestimado quesito experiência no octógono. Tybura poderia enfrentar menor nível de competição no atual estágio da carreira, mas a fina divisão dos pesados faz com que seja alçado à terceira luta consecutiva contra adversários integrantes do top 10 da organização.

Derrick Lewis vs Marcin Tybura odds - BestFightOdds
 

Embora a categoria dos pesos pesados seja pródiga em bizarrices, além do fato de Lewis ser o lutador mais experiente e dono de potência elevadíssima em seus punhos, a aposta (e esperança, até para uma mínima chance de renovação na categoria dos monstrengos) aqui é que Tybura siga em evolução e consiga utilizar sua caixa de ferramentas mais profunda, variando as ações entre troca de golpes em maior ritmo que o adversário, controle no clinch e eventuais quedas em momentos oportunos, levando a melhor em uma decisão dos juízes, mesmo passando algum tipo de aperto caso Lewis consiga superar seus problemas físicos e explodir em algum momento da luta.

Peso Leve: #12 James Vick (EUA) vs. #14 Francisco Trinaldo “Massaranduba” (BRA)

Por Rafael Oreiro

James Vick

Depois de algum tempo, parece que finalmente James Vick (12-1 no MMA, 8-1 no UFC) está se firmando na elite do peso leve. Cria da décima quinta temporada do TUF, onde foi eliminado pelo campeão do torneio em Michael Chiesa, o “Texecutioner” teve problemas para manter uma regularidade de aparições no octógono entre 2012 e 2015, com somente quatro lutas neste intervalo de tempo. Demonstrando que o tempo de lesões ficou para trás, Vick fez três lutas em 2017 e saiu vitorioso em todas, finalizando Abel Trujillo e nocauteando Polo Reyes e Joe Duffy, conseguindo entrar no tão competitivo ranking do peso leve.

Com dimensões incomuns para um peso leve (1,91m de altura e 1,94m de envergadura) e um bom background no boxe, modalidade no qual foi Golden Gloves por duas vezes no Texas, Vick é um lutador que consegue controlar bem a distância na luta em pé, usando bastante seu jab. Porém, não é nenhuma fortaleza defensiva, deixando algumas brechas bastante grandes na defesa ocasionalmente, principalmente ao abrir demais sua guarda em tentativas de chute. Apesar do tamanho, ele também é um lutador bastante perigoso na curta distância, com um ótimo timing para uppercuts e boas joelhadas do clinch. Nos últimos anos, Vick tem demonstrado melhorar sua desenvoltura na luta de solo, principalmente a parte ofensiva, mas ainda não possui uma defesa de quedas sólida e, com seu tamanho, uma vez por baixo pode ter problemas para levantar.

Francisco Massaranduba

Dono de uma das histórias mais bonitas do MMA mundial, quem não gosta de Francisco Massaranduba (22-5 no MMA, 12-4 no UFC), bom sujeito não é. O carismático brasileiro evoluiu absurdos desde sua participação na primeira edição do TUF Brasil e, depois de um começo irregular no UFC, conseguiu uma incrível sequência de sete vitórias seguidas – sobre nomes como Paul Felder e Yancy Medeiros – que o catapultaram para o ranking do peso leve, divisão mais cheia de talento dentro do UFC. Com incríveis 38 anos, Massaranduba finalmente recebeu a chance de enfrentar um dos quinze melhores da categoria em Kevin Lee, mas acabou sendo finalizado pelo americano no segundo round. Agora, depois de se recuperar com uma vitória sobre o veterano Jim Miller, o piauiense terá novamente a chance de competir com um dos atuais melhores pesos leves da organização.

Massaranduba apresentou uma grande evolução após seu trabalho com André Dida na Evolution Thai, aprendendo a dosar melhor seu gás e aprimorando sua habilidade na troca de golpes. No geral, o brasileiro ainda é um lutador que depende bastante da força bruta tanto na parte em pé quanto para levar a luta para o chão, onde apresenta uma boa desenvoltura. Porém, caso a luta se estenda, a probabilidade do condicionamento físico de Massaranduba o deixar na mão é grande, ainda mais se este for obrigado a lutar em um ritmo mais rápido do que o habitual ou a gastar bastante energia em tentativas de queda.

Francisco Trinaldo vs James Vick odds - BestFightOdds
 

Observando as características dos dois lutadores, penso que Massaranduba terá bastante dificuldade ao enfrentar Vick. Nove anos mais velho e quinze centímetros mais baixo, a tendência é que o brasileiro ainda consiga levar algum perigo no round inicial, principalmente se entrar com a estratégia de pressionar o americano e tentar levar a luta para o chão. Mas a partir do segundo assalto, o mais provável é que com uma queda de rendimento de Massaranduba, James Vick tenha tranquilidade em controlar a luta em pé rumo a vitória na decisão dos juízes.

Peso Meio-Médio: Thiago “Pitbull” Alves (BRA) vs. Curtis Millender (EUA)

Por Thiago Kühl

Thiago “Pitbull” Alves (22-11 na carreira e 14-8 no UFC) há quase 10 anos atrás era o segundo meio-médio do mundo, dono do mais temido muay-thay da categoria à época desafiou o maior lutador de todos os tempos, mas não viu a cor da bola e desde então o conto de fadas que se esperava da carreira do cearense foi pra vala, no seu lugar um carrossel de vitórias e derrotas, permeadas por uma série de lesões que permitiram apenas 6 lutas desde 2012, inclusive com uma frustrante tentativa de descer ao peso-leve, davam um tom melancólico à carreira de um dos mais longevos lutadores brasileiros no UFC.

Porém tudo isso de certa forma ficou um pouco de lado após a ótima atuação em abril passado frente ao também veterano Patrick Coté, numa ótima condição física, Thiago dominou o canadense com tranquilidade, mostrando que ainda tem lenha para queimar em uma das divisões mais difíceis do UFC. Agora resta entender se esta atuação foi fruto de uma volta por cima do brasileiro, ou da falta de resistência do ex-desafiate dos pesos médios, por enquanto apostamos na primeira hipótese.

Curtis “Curtious” Millender (14-3 na carreira, 0-0 no UFC), que estreia no UFC após uma boa série de vitórias, sendo as duas mais recentes com dois belos nocautes por chute na cabeça, tem como principal valência um striking baseado em uma grande pujança física, será de longe o maior dos lutadores envolvidos na contenda, com 25 centímetros a mais de envergadura e 13 centímetros mais alto, o americano terá que saber se aproveitar bastante da vantagem de tamanho para parar o impetuoso e agressivo jogo do brasileiro, procurando a manutenção da distância com seu variado arsenal de chutes.

Por outro lado, maior buraco no jogo de Millender é o grappling, que foi explorado por oposição de qualidade bastante duvidosa durante a carreira do americano, e mesmo que Thiago não seja conhecido por buscar a luta agarrada, poderá fazer o mesmo que em sua última luta, encurtar e jogar para baixo, facilitando seu caminho para a segunda vitória seguida.

Curtis Millender vs Thiago Alves odds - BestFightOdds
 

Em que pese o fato de apenas quatro anos separarem ambos os lutadores, para alguns olhos essa luta pode dar ares de passagem de bastão, reflexo disso são as odds bastante parelhas se considerada a diferença de experiência dos envolvidos, porém acredito que a tendência aqui é que a conhecida agressividade de Pitbull emerja como fator preponderante na luta, utilizando-se de combinação de chutes baixos para facilitar a aproximação poderá imprimir uma pressão que irá colocar Millender em maus lençóis. Também não me surpreenderia se o brasileiro usasse algumas quedas para controlar o combate, já que será o melhor grappler no octógono. Assim, entre uma vitória por decisão e um nocaute tardio do cearense, ficamos com a segunda opção.

Peso Pena: Brandon Davis (EUA) vs. Steven Peterson (EUA)

Por João Gabriel Gelli

Após uma série de triunfos contra competição de nível questionável, Brandon Davis (8-3 no MMA, 0-1 no UFC) recebeu o chamado para participar do Dana White’s Tuesday Night Contender Series. Lá superou Austin Arnett em decisão unânime e conseguiu um contrato com o UFC. Em sua estreia na organização, acabou sucumbindo diante de Kyle Bochniak por pontos. Para buscar a recuperação, aceitou o duelo com Peterson com cerca de dez dias para se preparar.

Extremamente confiante, Davis leva essa postura para as suas lutas. Isso viabiliza seu estilo muito ofensivo, que sempre anda pra frente e persegue os adversários com o intuito de aplicar seu muay thai de volume bastante elevado. Ofensivamente, ele tem um wrestling decente e ground and pound pesado, mas quando se trata de defesa, surgem diversos buracos, como a facilidade que tem para ser derrubado e uma guarda muito vazada em pé.

Outro atleta com passagem pelo Tuesday Night Contender Series, Steven Peterson (16-6) tem um histórico mais vasto no MMA. Ele fez sua carreira principalmente no Legacy FC, no qual acumulou retrospecto de 8-2 e conquistou o cinturão dos galos ao finalizar Manny Vazquez. Por isso, teve a oportunidade de fazer a luta principal da LFA 1, quando encarou Leandro Higo e saiu derrotado por decisão unânime. Com mais uma vitória, recebeu a chance de participar do programa de recrutamento de Dana White, quando perdeu para Benito Lopez. Depois, Peterson ganhou uma outra luta na LFA e o chamado do UFC finalmente chegou.

Já há muitos anos no MMA, Peterson parece bem consolidado em seu estilo. Ele tem preferência pela luta agarrada, na qual consegue boas finalizações tanto por cima quanto por baixo e aplica um ground and pound avassalador. Os problemas surgem quando não consegue derrubar os oponentes por conta de seu wrestling apenas esforçado e uma aparente falta de conforto em pé. Assim, acaba adota um sistema de avançar mal protegido com bom volume para cima dos adversários para encurtar espaços e tentar quedas, o que nem sempre é bem sucedido e lhe deixa exposto com uma defesa ruim.

Brandon Davis vs Steven Peterson odds - BestFightOdds
 

Como o duelo será realizado no peso pena e Peterson só fez algumas lutas na categoria, a vantagem física vai para o lado de Davis, que também tem um atleticismo superior. Já pelo lado técnico, Steven tem o costume de fazer exatamente o jogo que Brandon mais gosta, que é avançar em linha reta em sua direção, o que possibilitará a Davis mantê-lo afastado com sob intenso volume.

Com dois lutadores que são adeptos do “luta e deixa lutar”, a expectativa é de uma intensa pancadaria no octógono. Para que Peterson saia vitorioso é primordial que consiga quedas e capitalize nelas, mas a aposta é de que Davis conseguirá levantar rapidamente se cair por baixo e terá ampla superioridade em pé rumo a uma vitória por decisão.

Peso Leve: Sage Northcutt (EUA) vs. Thibault Gouti (FRA)

Por Alexandre Matos

Sage Northcutt

Até o momento, o retrospecto no UFC do jovem Northcutt (9-2 no MMA, 4-2 no UFC) é curioso: como meio-médio, perdeu os dois combates que disputou, inclusive contra o oponente mais relevante de sua carreira, Brian Barberena; como peso leve, venceu os quatro, ninguém de importância. Tudo exatamente conforme o script de alguém ainda imaturo (21 anos), apesar do notável talento em desenvolvimento.

“Super” Northcutt é o clássico atleta que muitos amam odiar: jovem, bonito, sorriso largo, respeitoso, bem-sucedido fora do esporte, famoso e com talento nas lutas que também muitos insistem em negar. Porém, as mesmas características também fazem dele alvo de torcida a favor. Faixa-preta de caratê desde criança, campeão mundial nas categorias infantis, também no grau preto no taekwondo, Sage tem um vasto e devastador pacote de chutes, mas ainda precisa trabalhar o boxe para dar o passo além na área de striking. Ele tem trabalhado intensamente no wrestling e no jiu-jítsu, pontos que lhe causaram as derrotas profissionais no MMA, buscando experiência na Tristar Gym e agora no Team Alpha Male, que vem trabalhando nas transições do jovem prospecto.

Thibault Gouti

Poucos lutadores sobrevivem a uma série de três derrotas. Raros são os que resistem nas três primeiras lutas, sem ter um background que o suporte. Gouti (12-3 no MMA, 1-3 no UFC) é um desses. Para aumentar a curiosidade do feito do francês, duas de suas derrotas não somaram dois minutos. Porém, ele aproveitou a chance de manter o emprego ao nocautear Andrew Holbrook, em setembro. Ainda assim, a corda segue ao redor do pescoço, visto que o papel de popularizar o esporte na França deve ficar a cargo do parceiro de equipe na Jackson-Wink MMA, Tom Duquesnoy.

Gouti tem um boxe ofensivo sólido, capaz de executar jabs seguidos combinados tanto com diretos ou com socos em curva, seja uppercuts ou ganchos. A mecânica de execução é boa, a potência gerada também, mas isso tudo só funciona quando ele tem o controle das ações. O europeu mostra problemas contra adversários que forçam o jogo contra sua defesa ainda esburacada. O sistema defensivo encontra problemas também no wrestling, basicamente confiando somente no sprawl. No chão, suas habilidades no jiu-jítsu são no máximo razoáveis e não encontram apoio no jogo de quedas para deixá-lo em posição de controle das ações.

Sage Northcutt vs Thibault Gouti odds - BestFightOdds
 

Para manter o emprego, Gouti precisa tomar a iniciativa do combate e fazer Northcutt lutar na curta distância, sem espaço para trabalhar seus chutes e sem tempo para respirar. Se aceitar o ritmo do americano, o francês deve sofrer com a maior versatilidade de Super Sage. Como não é um exímio contragolpeador, Gouti ainda corre o risco de ser derrubado e sofrer por baixo do ground and pound ou ter o pescoço catado por Northcutt. Seja como for, a aposta é numa vitória do americano.

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