UFC Fight Night 125: Prévia do Card Preliminar

O card preliminar do UFC Fight Night 125 traz os ingredientes clássicos usados em eventos do UFC no Brasil. Com a presença de diversos lutadores locais em Iuri Marajó, Deiveson Figueiredo, Douglas D’Silva e Polyana Viana, o evento promete momentos de tensão para os torcedores no Mangueirinho, com diversos confrontos complicados para os brasileiros.

Peso meio-médio: Sérgio Moraes (BRA) vs. Tim Means (EUA)

Serginho Moraes (11-4-1 no MMA, 6-2-1 no UFC) vivia um conto de fadas no UFC depois da final do TUF Brasil 1, permanecendo invicto por mais de cinco anos. Mas na hora que o caldo finalmente engrossou, acabou tomando um baita vareio de Kamaru Usman. Multicampeão no jiu-jítsu, Sérgio teve uma evolução notável na troca de golpes, se tornando capaz de produzir ofensivamente. O problema é que o paulista ainda tem dificuldades em se defender e, principalmente, em levar a luta pro chão.

Tim Means (27-9-1 no MMA, 9-6 no UFC) teve diversos problemas quando precisou enfrentar concorrência mais qualificada, e agora serve de escada para nomes ascendentes. Na última vez que lutou, perdeu na decisão dividida para Belal Muhammad. Means é dono de boas combinações na trocação, usando bastante a sua vantagem de envergadura sobre os adversários. Outro ponto forte do jogo de Tim é o clinch, de onde desfere interessantes cotoveladas e joelhadas. O problema do “Pássaro Sujo” é o queixo exposto e a facilidade que tem em tomar quedas.

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Serginho enfrentou uma concorrência com pouca qualificação no UFC. Quase perdeu para Luan Chagas, que é um talento em ascensão, e não viu a cor da bola contra Usman. Contra Means, a situação não é muito favorável pro brasileiro, principalmente pelo bom volume de golpes aplicados por Tim, que sabe atacar na longa distância e tem boas condições de cansar o brasileiro. A solução para Moraes é o chão, mas paira a dúvida se ele conseguirá colocar o combate no solo. Assim, acreditamos na vitória de Means por decisão.

Peso leve: Alan Nuguette (BRA) vs. Damir Hadzovic (BOS)

Alan Nuguette (14-1 no MMA, 4-1 no UFC) tem um saldo bem positivo no UFC. Só perdeu para o troglodita Mairbek Taisumov e vem de vitórias sobre Damien Brown e Stevie Ray, mas está sem lutar desde setembro de 2016. Nuguette seria um excelente personagem brasileiro para uma nova geração do Street Fighter, já que tem base na capoeira e no jiu-jítsu. Além disso, Alan é um atleta que se caracteriza bastante pela explosão, e vem adotando estratégias mais conservadoras e inteligentes nos últimos tempos.

Um dos dois lutadores bósnios do UFC, Damir Hadzovic (11-3 no MMA, 1-1 no UFC) é outro que enfrentou Taisumov e acabou parando em um universo paralelo, mas protagonizou uma das belas viradas de 2017 contra ex-Bellator Marcin Held. Com base no muay thai, Hadzovic é agressivo utilizando golpes retos, mas é um atleta que não se defende bem, o que pode ser um prato cheio para Nuguette.

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O carismático brasileiro é o favorito aqui. Hadzovic poderia até trazer riscos a Nuguette em pé, mas levando em conta a explosão e a postura nas lutas mais recentes, é esperado que Alan não tenha maiores dificuldades para aplicar quedas no bósnio e controlar bem a luta por cima. É até improvável que Nuguette venha a cometer o mesmo erro de Held, por isso, deve levar a luta na decisão.

Peso galo: Douglas D’Silva (BRA) vs. Marlon Vera (EQU)

Um dos lutadores paraenses do card, Douglas D’Silva (24-2 no MMA, 2-2 no UFC) é desconhecido ainda do grande público, muito por causa da sua baixa frequência de lutas, já que foram apenas quatro desde a sua contratação, em janeiro de 2014. Na última vez que lutou, acabou derrotado pelo top 10 Rob Font. Dono de uma abordagem com pouca movimentação, D’Silva tem o muay thai como a grande característica. Normalmente gosta de trazer a luta pro infighting, mas não tem nada de muito especial a ser relevado.

Depois de uma trajetória positiva inesperada, Marlon Vera (10-4-1 no MMA, 4-3 no UFC) foi colocado de volta ao seu devido lugar por John Lineker, que provavelmente fez o equatoriano urinar sangue por um tempo. Jiu-jiteiro de origem, Vera veio melhorando na trocação nos últimos tempos, principalmente na movimentação e com o uso dos chutes, mas ainda sofre com a defesa de quedas e a defesa esburacada.

Douglas De Andrade vs Marlon Vera odds - BestFightOdds
 

Imagino que o confronto seja um dos mais legais da noite. A luta inteira deve se desenrolar na trocação, com Douglas buscando a curta distância e Marlon se movimentando bastante, chutando o brasileiro com a intuição de evitar essa aproximação. Acredito que teremos 15 minutos bem animados, e que terminarão com a vitória do equatoriano, mas não descarte triunfo do brasileiro aqui.

Peso galo: Iuri Marajó (BRA) vs. Joe Soto (EUA)

Um dos nomes paraenses mais conhecidos do UFC, Iuri Marajó (37-9 no MMA, 9-6 no UFC) não poderia ficar de fora de um evento no seu estado natal, mas a tarefa não será das mais fáceis para o atleta de Souré. Marajó vem de duas derrotas seguidas para Brian Kelleher e Alejandro Perez, em exibições pífias. Carregando 37 anos nas costas e quase 50 lutas profissionais, Marajó hoje é um lutador sem velocidade, com pouca agressividade e bem dependente do jiu-jítsu pra conseguir alguma coisa.

Ex-desafiante ao título, Joe Soto (18-6 no MMA, 3-4 no UFC) chegou a aparecer no top 15 do peso galo após conquistar três boas vitórias, mas foi expulso por Brett Johns, que catou o americano em uma rara chave de panturrilha. Wrestler de origem, Soto também tomou gosto pelo jiu-jítsu nos últimos tempos, se dando bem com bons ataques na guarda. Em pé, mostra bastante movimento de cabeça e fluidez no kickboxing.

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Tempos atrás e essa luta seria bem mais interessante, mas hoje não é o caso. Soto leva vantagem na troca de golpes por conta da técnica mais apurada, do arsenal mais variado e da velocidade. No chão, não é muito inteligente dar bobeira para Marajó, mas também acredito que o americano leve vantagem. Caso não role nenhum tipo de boost extra por lutar em casa, o brasileiro deve ver o braço do americano levantado na decisão dos juízes.

Peso mosca: #14 Deiveson Figueiredo (BRA) vs. Joseph Morales (EUA)

Ex-campeão do Jungle Fight, Deiveson Figueiredo (13-0 no MMA, 2-0 no UFC) também é paraense e despontou de forma interessante no octógono, com vitórias sobre Marco Beltran e Jarred Brooks. Deiveson é especialista em jiu-jítsu, sabe bem trabalhar as posições antes de chegar nas finalizações. Em pé, tem um jogo baseado no uso de chutes e na tentativa de encurralar o oponente. Ele também possui dificuldades em defender quedas e agir por baixo, mas o preparo físico é levemente acima da média.

Mais um bom membro do Team Alpha Male, Joseph “Bopo” Morales (9-0 no MMA, 1-0 no UFC) estreou muito bem contra Roberto Sanchez e ganhou um lugar no Top 10 do Futuro. Joseph tem como característica o jiu-jítsu dinâmico, principalmente por saber se virar por baixo na guarda, com um arsenal bom de transições e pegadas. Em pé, mostra também um certo talento com bom posicionamento dos socos.

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O duelo tem tudo para ser bem animado. Deiveson deve adotar uma estratégia de pressionar Morales, que pode se sair um pouco mal, mas tem condições de se desvencilhar do brasileiro e controlar o centro do octógono. No chão, tem tudo para ser uma batalha bem legal de ser assistida. Morales deve aceitar qualquer investida de queda de Figueiredo, e o americano tem uma boa prova de mostrar o seu jiu-jítsu de altíssimo nível. Vamos apostar em Bopo por decisão.

Peso palha: Maia Stevenson (EUA) vs. Polyana Viana (BRA)

Esposa do ex-desafiante ao cinturão do UFC Joe Stevenson, Maia (6-4 no MMA) tem a oportunidade de estrear no UFC depois de uma passagem pouco chamativa pelo TUF 26, onde caiu já na primeira rodada para Sijara Eubanks. Stevenson fez carreira amadora no boxe, onde mostra bons socos na curta distância, mas ainda tem limitações físicas e técnicas quando a luta vai para o chão.

Atleta da Tatá Fight Team, Polyana Viana (9-1 no MMA) nunca venceu uma luta por decisão e foi campeã do Jungle Fight no cenário nacional, inclusive com uma vitória sobre Amanda Ribas, outra atleta do UFC. Em pé, Polyana mostra pouca movimentação, bastante agressividade e pouca técnica, mas o estilo do “abafa” foi suficiente para conseguir alguns nocautes. Sua especialidade é o jiu-jítsu, com bastante facilidade para pegar as costas das oponentes e trabalhar chaves ou estrangulamentos.

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Maia pode levar vantagem em pé por ser mais técnica e tem capacidade para trabalhar em cima das falhas defensivas apresentadas pela brasileira. Polyana é forte e oportunista no chão, mas não pode tomar gosto pela luta em pé. Apostaremos que a brasileira prevalecerá no chão, conseguindo uma submissão no segundo assalto.