UFC Fight Night 123: Swanson vs. Ortega – Prévia do Card Principal

Nem será preciso torcer muito para a sequência de bons eventos do UFC ser estendida. O UFC Fight Night 123, que acontece neste sábado no Save Mart Center, em Fresno, Califórnia, mais uma vez aposta numa escalação sem nomes de peso, mas com diversos confrontos com alto poder de entretenimento.

O combate principal pode ser um novo capítulo na saga da passagem de bastão no peso pena quando o veterano Cub Swanson, quarto colocado no ranking, tentará parar o crescimento do jovem Brian Ortega, sexto na classificação da divisão. Os penas serão ainda representados por mais um representante da nova geração, o 15º colocado Jason Knight, que terá o mexicano Gabriel Benítez pela frente.

O peso galo também estará muito bem representado, inclusive com o combate que parece ser o mais importante do card. Marlon Moraes, número sete da divisão, encara Aljamain Sterling, uma posição atrás. Antes deles, o porradeiro Albert Morales dá as boas-vindas a Benito Lopez, revelado ao UFC no Contender Series, enquanto Markus Maluko estreia contra o violento Eryk Anders.

O UFC Fight Night 123 será transmitido ao vivo e na íntegra pelo canal Combate, com a primeira luta preliminar programada para às 21:30h e o card principal previsto para iniciar à 01:00h, sempre pelo horário oficial de verão de Brasília.

Peso Pena: #4 Cub Swanson (EUA) vs. #6 Brian Ortega (EUA)

Por Alexandre Matos

Cub Swanson

Em duas oportunidades, faltou pouco para Swanson (25-7 no MMA, 10-3 no UFC) acertar suas contas com José Aldo. Na passagem de 2014 para 2015, ele vinha de seis vitórias seguidas quando foi dizimado por Frankie Edgar e Max Holloway consecutivamente. Agora, o ex-WEC sustenta sequência de quatro triunfos consecutivos, a um passo de uma eliminatória, mas viu o mesmo Holloway desbancar Aldo. Nada que tire o veterano da sonhada chance pelo maior título do mundo numa provável outra revanche.

Kevin Luke percorreu um caminho evolutivo bem interessante, mas parou, seja por ter chegado aonde dava, seja pela idade, por falta de variação de treinos ou seja lá o motivo. A experiência lhe deu calma para se tornar um lutador sólido, que junta o boxe com a defesa de quedas e coragem para um estilo bastante empolgante. Porém, alguns problemas seguem o atormentando, especialmente a desobediência tática quando é pressionado. Aos 34 anos, ele vai ter dificuldades contra gente mais jovem e uma hora dessas o queixo de titânio vai acabar cedendo. Outro problema é quando suas combinações, que são bem estruturadas, acabam ficando repetitivas, levando Swanson a ter alguma dificuldade em lutas mais prolongadas.

Brian Ortega

Passo a passo, Ortega (12-0 no MMA, 4-0 no UFC) vai se especializando não só como um finalizador nato, mas um “virador” de lutas muito desagradável de se enfrentar. Todas as quatro vitórias no octógono aconteceram no derradeiro round e, em todos os compromissos, ele chegou lá perdendo a luta. Contra Diego Brandão e Renato Moicano, as temidas finalizações foram a arma da vez.

Pupilo da turma de Ryron, Rener e Ralek Gracie na lendária academia de Torrence, a primeira unidade montada por Rorion nos Estados Unidos, Ortega é um faixa-preta que incorporou o estilo brasileiro da arte suave na adaptação ao MMA. Ao invés de trabalhar as quedas tecnicamente, o americano prefere se embolar para levar a concorrência ao solo. Quando chega ao chão, porém, ele se torna muito perigoso, com um ritmo intenso tanto por cima quanto por baixo, como indica o apelido de “T-City”, referência à facilidade em pegar gente no triângulo. Em pé, Brian é um lutador de dinâmica agressiva, que vem mostrando evolução ofensiva, mas que ainda precisa trabalhar alguns pontos defensivos como a postura ereta, deixando o queixo desprotegido.

Brian Ortega vs Cub Swanson odds - BestFightOdds
 

A junção dos estilos de luta torna este duelo um negócio formidável. É muito provável que, dada a diferença de posturas na troca de golpes em pé, Swanson abra uma certa vantagem até se tornar previsível. Neste momento, cresce vertiginosamente a chance de Ortega arrastá-lo ao chão e fazê-lo nadar em águas profundas.

A mão chega coça para apostar em virada de Ortega. É bem provável que Swanson saia na frente acertando o queixo alto de Ortega com combinações bem montadas. Há chance de Swanson aproveitar esse queixo exposto e nocautear o adversário. Há também a chance de Ortega aguentar a pressão, equilibrar as ações em pé e cansar o veterano, facilitando a tarefa de finalizá-lo no quarto ou quinto assalto – as odds estão tão parelhas por causa disso. A mão coçou tanto que a aposta é na sequência da passagem de bastão.

Peso Pena: #15 Jason Knight (EUA) vs. Gabriel Benítez (MEX)

Por Rafael Oreiro

Jason Knight

Não é à toa que Jason Knight (20-3 no MMA, 4-2 no UFC) é considerado uma das grandes revelações de 2017, ainda mais em um peso pena lotado de promessas. Ele começou o ano conquistando sua terceira vitória consecutiva no UFC ao finalizar Alex Caceres, e não demorou a voltar ao octógono, protagonizando uma excelente luta contra Chas Skelly, na qual terminou também como vencedor por nocaute técnico. O ano seria perfeito se não fosse o duelo contra o top 5 Ricardo Lamas, no UFC 214, oponente que provou ser um passo bem maior do que as pernas do jovem cavaleiro, que terminou nocauteado depois de tomar uma baita surra no primeiro round.

Quando estreou no UFC, Knight era um lutador completamente baseado em seu jogo de chão. Com um jiu-jítsu agressivo e solto, tanto por cima quanto por baixo, ele constantemente ameaçava com finalizações. Porém, em um curto espaço de tempo, ele deixou de ser um lutador unidimensional ao adquirir boa capacidade no kickboxing, alternando bem entre socos e chutes, e levar vantagem com sua envergadura. Ainda assim, como mais do que exposto por Lamas, a tendência de levar porrada na cara é um problema que o americano precisa corrigir o mais rápido possível caso queira ter algum sucesso contra a elite do peso pena.

Gabriel Benitez

Um dos poucos lutadores da primeira edição do TUF América Latina que ainda estão no UFC, o mexicano Gabriel Benítez (19-6 no MMA, 3-2 no UFC) não realizou nada marcante até agora em sua passagem pela maior organização do MMA mundial. Eliminado nas semifinais do reality, ele chegou a emendar vitórias seguidas sobre Humberto Brown e Clay Collard, mas foi parado rapidamente quando enfrentou uma competição mais qualificada, nocauteado por Andre Fili. Desde então, venceu o já decadente Sam Sicilia e voltou a sentir o gosto da derrota ao perder uma decisão para Enrique Barzola, no UFC 211.

Benítez é o clássico caso de lutador que não é muito bom em nada, mas razoável em tudo. Em pé, é bastante agressivo, dando sempre preferência aos chutes, mas deixa a desejar bastante no trabalho defensivo. Como é comum entre atletas da AKA, ele demonstra habilidade e parece sempre mais confortável no chão, mas tem dificuldades para mudar de nível e conseguir quedas.

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É totalmente justificável Knight ser bastante favorito para este combate. Benítez não é o tipo de lutador que deve trazer tantos problemas em pé, e também não possui a mesma qualidade no jogo de solo do americano. A estratégia certa para Jason Knight seria começar a luta em ritmo mais lento, fazendo uso de sua maior envergadura para fazer Benitez se cansar, aproveitando essa queda de rendimento para ter mais facilidade para levar a luta para o chão e finalizar na parcial final da luta. Porém, Knight nunca demonstrou ser dos mais conservadores e deve ir para cima logo de cara, correndo riscos, mas conseguindo uma interrupção na metade inicial da luta.

Peso Galo: #7 Marlon Moraes (BRA) vs. #8 Aljamain Sterling (EUA)

Por Alexandre Matos

Marlon Moraes

Chegar ao UFC pressionado por atuações dominantes em organizações rivais de grande porte traz problemas como estrear contra oponentes relevantes e travar o jogo pelo nervosismo da nova plataforma. Talvez isso tenha acontecido com Moraes (19-6-1 no MMA, 1-1 no UFC), envolvido em duas decisões divididas muito parelhas. Na estreia, ainda sem se soltar, parou diante de Raphael Assunção. Na segunda, já um pouco mais à vontade, passou apertado pelo ex-peso mosca John Dodson.

Thai boxer de mão (e perna) cheia, Marlon fez fama com seus selvagens chutes baixos e bombas em forma de diretos, golpes sempre lançados com velocidade. A defesa de quedas normalmente é sólida o suficiente para manter os combates em pé, mas este aspecto terá um duro teste no sábado. O jiu-jítsu lapidado por Ricardo Cachorrão vem mostrando evolução contra oponentes menos desenvolvidos que Sterling. De modo geral, Marlon tem um bom sistema defensivo e um senso apurado de contragolpes, características fundamentais para triunfar no sábado.

Aljamain Sterling

Embora não fosse um campeão dominante como Moraes, Sterling (14-2 no MMA, 6-2 no UFC) também chegou ao maior palco do MMA mundial cercado por expectativas, mas por causa do talento promissor. Depois de quatro vitórias seguidas abrindo o percurso no UFC, Aljo travou quando a competição subiu de nível contra Bryan Caraway e Assunção. Voltando um passo para se recuperar, o americano bateu Augusto Tanquinho e Renan Barão em desempenhos dominantes.

No começo da carreira, Sterling se mostrava um lutador com características semelhantes às de Jon Jones, seu companheiro de quarto na SUNY Morrisville. Com o tempo, ele desenvolveu um estilo mais semelhante ao de Chris Weidman, um de seus atuais parceiros de treino. All-American na Divisão III da NCAA, faixa-roxa de jiu-jítsu de Matt Serra, Sterling sobra na luta agarrada. Suas transições das quedas para o controle posicional no solo são exuberantes, assim como os giros, a capacidade de dominar as costas dos rivais e os botes para finalizações. Em pé, Aljamain tem um repertório criativo de chutes, socos, joelhadas e cotoveladas, mas às vezes se perde no meio das presepadas, o que acaba dando brechas homéricas para strikers precisos capitalizarem. Perigo à vista.

Aljamain Sterling vs Marlon Moraes odds - BestFightOdds
 

Este é um dos mais interessantes duelos de todo o mês de dezembro. O que faz desse combate algo especial é, além do inegável talento de ambos, os cruzamentos de estilos.

Sterling tem um grappling mais do que pleno para furar a defesa de Marlon. No chão, por mais que o brasileiro tenha evoluído, a vantagem do americano é substancial. Porém, para chegar ao solo, Sterling terá que ter muito cuidado com a aproximação, pois vai encarar exatamente o ponto forte do rival com seu aspecto mais fraco.

Para chegar ao clinch e à queda, Sterling não pode inventar graça, sob pena de ser alvejado por um Satan 2 daqueles desenvolvidos por Vladimir Putin. A abordagem deve ser em movimentos diagonais executados após movimentações laterais, a fim de não encontrar o brasileiro de frente. As chances de triunfo de Sterling serão consideráveis deste modo.

Estar preparado para o clinch é também um belo caminho para Moraes. Quando Sterling grudar, o friburguense deverá estar esperando para jantá-lo com joelhadas no tronco e cotoveladas. Fazer a leitura correta da movimentação do americano para se antecipar e pegá-lo no ponto futuro, de frente, também é um caminho para Marlon.

Imagino que este combate é mais equilibrado do que as odds indicam. Se Marlon tem o problema de emendar camps, Sterling por sua vez estava se preparando para um oponente diametralmente oposto a Moraes e teve que repensar seu camp inteiramente.

A luta começa em pé, com vantagem para Marlon. Mas o prognóstico é que acabe no chão, com uma finalização de Sterling.

Peso Leve: Scott Holtzman (EUA) vs. Darrell Horcher (EUA)

Scott Holtzman

Ex-campeão do peso leve no XFC, Scott Holtzman (10-2 no MMA, 3-2 no UFC) ainda não conseguiu empolgar no UFC. Suas três vitórias  até agora foram sobre três dos possíveis piores lutadores que já passaram pela organização recentemente, e as derrotas aconteceram para lutadores abaixo do top 15 da divisão. É um lutador que ficará ali para fazer parte do elenco.

Holtzman é um atleta que aposta bastante na sua base na troca de golpes. Ele costuma fintar bastante, sempre se movimentando para o lado direito e apostando em golpes de encontro e alguns overhands de direita. Não é tão ruim defensivamente, conseguindo fazer pêndulos e esquivas, mas o baixo aproveitamento de golpes e a dificuldade em lidar com atletas que pressionam bastante costuma atrapalhar seu desempenho. Ele também não convenceu muito nas apresentações que teve, tendo bastante dificuldades com atletas que não ofereciam tanto.

Darrell Horcher

Ex-Bellator e ex-campeão do CFFC, Darrell Horcher (13-2 no MMA, 1-1 no UFC) teve a ingrata missão de estrear no octógono contra Khabib Nurmagomedov, tomando um passeio feio do russo. A carreira precisou ser interrompida após um gravíssimo acidente de moto, mas ele se recuperou e realizou seu retorno ao UFC neste ano, com uma vitória por decisão dividida sobre Devin Powell.

Atleta com bom poder de fogo, Horcher costuma ficar plantado no centro do octógono, se movimentando pouco mas lançando bons ataques. No chão, tem um ajuste interessante na hora de aplicar quedas. Seu estilo não é dos melhores para quem visa um futuro no UFC, e o preparo físico pode cobrar bastante no duelo contra Hotlzman, que é mais qualificado que Powell.

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No confronto dos atletas que não empolgaram bastante, o favoritismo vai para Holtzman. A sua movimentação constante e o volume de golpes aplicados deve ditar bastante o ritmo na luta. Por ser um lutador mais ativo, Horcher terá um pouco mais de dificuldades para tentar aplicar o seu jogo, provavelmente buscando a pressão sobre Scott. Vamos apostar em “Hot Sauce” por decisão unânime.

Peso Médio: Eryk Anders (EUA) vs. Markus “Maluko” Perez (BRA)

Uma das boas surpresas que apareceram na LFA, Eryk Anders (9-0 no MMA, 1-0 no UFC) apareceu bem no UFC, estreando com uma ótima vitória por nocaute sobre o veterano Rafael Natal, no UFC on Fox 25.

Canhoto, Anders costuma manter as lutas em pé. Ele não é o mais técnico, porém, é muito forte, aplica bastante pressão e seu poder de fogo é bem grande. No chão, ainda não teve grandes testes, mas sempre mostrou bastante explosão na hora de aplicar quedas e sabe defender bem. Pode não ser um futuro campeão, mas é um nome interessante pra categoria.

Participante do TUF Brasil 3 e outro ex-campeão da LFA, Markus Maluko foi um dos melhores médios dentro do Brasil, competindo com Paulo Borrachinha e levando vantagem no cartel, já tendo vencido nomes como Paulo Thiago e Ildemar Marajó.

Faixa-marrom de jiu-jítsu e prajied preto de muay thai, Maluko é um atleta que não costuma se expor bastante em pé e costuma estudar bastante o adversário, normalmente trabalhando chutes diversificados, com um trabalho de mãos não tão ativo. No chão, normalmente se encontra, já que sabe bem escapar de posições desconfortáveis e tem um arsenal de submissões bem interessantes.

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Anders-Maluko é um dos combates mais subestimados da noite. Para Anders, o esquema será pressionar o brasileiro e forçar ele lutar contra a grade para poder disparar as bombas em busca do nocaute. O brasileiro provavelmente tentará uma estratégia mais metódica, jogando no contra golpe e esperando a melhor oportunidade para levar a luta pro chão. Não irei muretar, apostarei em Perez numa forte batalha de clinch.

Peso Galo: Albert Morales (EUA) vs. Benito Lopez (EUA)

Albert Morales

Albert Morales (7-2-1 no MMA, 1-2-1 no UFC) nem precisou vencer no UFC para protagonizar uma luta coprincipal, onde acabou tomando uma coça de Thomas Almeida, que estava claramente em um nível acima. Em seguida, Morales venceu Andre Soukhamthath em uma luta animada e tomou uma passada de carro do galês Brett Johns.

Morales é um atleta forte no muay thai, normalmente carrega bons chutes baixos e jabs de encontro. É um lutador que tende a crescer conforme a luta vai passando e às vezes se empolga, tentando partir para a briga e se abrindo demais, o que pode ser um ponto positivo pra galera que gosta de assistir carnificina. O chão também não é das melhores alternativas para Albert, que tem dificuldades de defender quedas e não é muito ágil por baixo.

Outro produto do Team Alpha Male, Benito Lopez (8-0 no MMA) foi outro nome descoberto pelo UFC pelo Dana White’s Tuesday Night Contender Series, onde venceu o ex-campeão do Legacy FC Steven Peterson por decisão dividida dos juízes.

Benito é um atleta bem agressivo na troca de golpes, dificilmente fica parado. Ele sempre está se movimentando, soltando chutes frontais, buscando o thai clinch, acertando joelhadas voadoras, chutes rodados e outras coisas que ele traz no seu arsenal. O estilo “porra louca” pode custar caro um dia, e inclusive pode dar errado contra Morales, mas Lopez entra no UFC para ser um nome favorito dos fãs.

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Dos 13 combates do card, este é o meu favorito para ser o melhor da noite. Morales provavelmente começará mais lento, soltando chutes baixos, mas estou curioso pra ver como será a postura dele contra um lutador que está ligado no 220v desde o começo. Benito deve transformar a luta em pancadaria, provavelmente nocauteando com uma joelhada no primeiro assalto.

  • James sousa

    Marlon Moraes x Aljamain Sterling e a minha luta favorita desse Card , um problema que o Americano tem e usar pouco as mãos

    • Gabriel Carvalho

      É uma baita luta mesmo.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Alberto Morales foi outro que foi roubado na primeira luta do UFC, não vejo aquilo como empate, poderia estar 2-2, e Holtzmann x Horcher é luta de dois caras que eu facilmente esqueceria que estão no roster… aqueles que só são número mesmo.