UFC Fight Night 122: Bisping vs. Gastelum – Prévia do Card Principal

Na manhã deste sábado, pela primeira vez o octógono mais famoso do mundo será montado na China continental. A Mercedes-Benz Arena, em Xangai, hospedará o UFC Fight Night 122, evento cujo card principal será liderado pelo breve retorno de um ex-campeão.

Michael Bisping não perdeu tempo na tentativa de recuperar o cinturão do peso médio. O britânico, atual número dois do ranking, aceitou a missão de substituir Anderson Silva, suspenso por problemas com a política antidoping. O “Conde” vai encarar Kelvin Gastelum, que tenta vencer mais um ex-campeão em sua insistência de continuar entre os médios.

O UFC apostou em dois chineses para atrair interesse do público local. O principal deles, Li Jingliang, tentará a quarta vitória consecutiva no peso meio-médio contra o americano Zak Ottow. Já o estreante Wang Guan quer mostrar que o ótimo cartel não é fruto de concorrência duvidosa contra o também americano Alex Caceres. Antes, o card principal será aberto com a promessa de pancadaria entre o estreante russo Muslim Salikhov e o dominicano Alex Garcia.

O UFC Fight Night 122 será um evento regado a café da manhã. A primeira luta preliminar está marcada para iniciar às 06:45h, enquanto o card principal vai ao ar a partir das 10:00h, sempre pelo horário oficial de verão de Brasília. Como de costume, o canal Combate transmitirá o evento ao vivo, na íntegra.

Peso Médio: #2 Michael Bisping (ING) vs. #8 Kelvin Gastelum (EUA)

Por Alexandre Matos

Michael Bisping

Depois do 2016 mágico, quando venceu Anderson Silva, tomou o cinturão de Luke Rockhold e vingou o nocaute brutal sofrido contra Dan Henderson, Bisping (30-8 no MMA, 20-8 no UFC) vem sofrendo na atual temporada. Ele iniciou 2017 com uma cirurgia no joelho e voltou ao octógono há 20 dias, quando viu Georges St. Pierre lhe tirar o título e igualar a marca de maior número de vitórias na história da organização.

Como ficou claro contra o astro canadense, Bisping já não tem mais a velocidade de outrora, tampouco o enorme fluxo de golpes lançados, condições que devem cobrar um preço neste sábado. Ainda assim, Mike é um lutador capaz de dar trabalho a qualquer um da categoria. Seu jogo é versátil, embora bastante subestimado: o kickboxing segue sendo a principal ferramenta, o wrestling é bastante decente, apesar de ser cada vez menos utilizado, e o ground and pound é funcional.

Kelvin Gastelum

Cansado de apanhar da balança como meio-médio, Gastelum (13-3 no MMA, 8-3 no UFC) resolveu voltar à divisão que lhe rendeu a conquista do TUF 17. Como peso médio, enfileirou uma sequência de veteranos em fim de linha ao espancar Nate Marquardt, Tim Kennedy e Vitor Belfort, combate que ficou sem resultado após o americano cair no antidoping por uso de maconha. Entre esses combates, Gastelum atuou duas vezes como meio-médio, parando diante de Neil Magny e vencendo Johny Hendricks, outro ex-lutador em atividade. Empolgado, Kelvin foi atropelado por Chris Weidman.

A derrota acachapante no último combate deu a impressão que o futuro de Gastelum como peso médio seria comprometido contra a elite da divisão, que é fisicamente muito mais avantajada que ele. Porém, Bisping não se encontra no mesmo nível de Weidman, Rockhold, Robert Whittaker ou Yoel Romero. Gastelum tem vitalidade de sobra, ímpeto, um muay thai que melhora a cada luta e bastante pressão na mistura do wrestling com o jiu-jítsu. Ele é um lutador moderno, no ponto de vista ofensivo, embora ainda apresente alguns problemas defensivos.

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Em vários sentidos, este combate é complicado para o britânico. Mesmo se estivesse com camp completo, Bisping teria problemas para lidar com o jogo de pressão de Gastelum. Tendo sido finalizado há três semanas, a situação fica ainda mais complexa.

Para vencer, Bisping precisa mostrar a movimentação e velocidade de alguns anos atrás. Como é pouco provável que isso aconteça, sobra a chance de capitalizar em cima dos momentos em que Gastelum deixa a mão de proteção mais baixa do que deveria. Esta também será uma missão complicada, visto que o queixo do descendente de mexicanos já foi testado e aprovado por pegadores mais violentos que o “Conde”.

Isto posto, a expectativa é que Gastelum avance na tentativa de enquadrar Bisping contra a grade e pressioná-lo no clinch, variando socos curtos e cotoveladas com tentativas de queda para abrir caminho para o ground and pound. Como Bisping também é resistente, acho difícil que Kelvin consiga uma interrupção, mas ele deverá se manter um passo à frente durante todo o combate até a leitura das papeletas indicarem uma vitória relativamente folgada.

Peso Meio-Médio: Li Jingliang (CHN) vs. Zak Ottow (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Principal representante chinês do UFC, Li Jingliang (13-4 no MMA, 5-2 no UFC) vive o seu melhor momento na organização, com três vitórias seguidas e a chance de fazer um dos duelos principais de um evento no seu país natal.

Especialista em sanda, Jingliang é um atleta agressivo e dono de um arsenal bem variado de golpes. Ele lança bons socos, chutes em todos os lugares e faz ótimo uso das cotoveladas na curta distância. O gosto pelo infighting torna qualquer luta de Li um risco de ele acabar sendo nocauteado a qualquer momento. Seu jogo de chão não é dos melhores, mas o “Carrapato” vem evoluindo na defesa de quedas.

Uma versão enxuta de Tim Boetsch, Zak Ottow (15-4 no MMA, 2-1 no UFC) vem mostrando trabalho nas três lutas que fez pelo UFC. Venceu o decrépito Josh Burkman, deu sufoco na derrota contra Sergio Moraes e venceu Kiichi Kunimoto.

Diferente de Jingliang, Ottow é um lutador com um tanto cauteloso na hora da abordagem, que usa os jabs constantemente para medir a distância e troca bastante de base. Ele já demonstrou alguns problemas no clinch, o que foi o fator determinante na sua derrota contra Serginho Moraes.

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Este é um confronto interessante por apresentar um porradeiro de carteirinha contra um atleta mais prudente, porém, não tão eficiente. Lutando em casa, Li deve colocar intensidade no combate, lançando chutes baixos e tentando forçar Ottow a lutar. O americano não pode sair na mão com o chinês, ele precisa aproveitar alguma oportunidade para grudar Li na grade e buscar uma queda, já que o chão representa o melhor cenário no qual Zak sai com vantagem. Na soma de tudo, acredito que Jingliang nocauteia no segundo round, emplacando uma sequência impressionante de quatro vitórias seguidas no UFC.

Peso Pena: Wang Guan (CHN) vs. Alex Caceres (EUA)

Por Gabriel Carvalho

No meio da brincadeira do “vamos trazer chineses para compor o card“, o UFC arranjou Wang Guan (19-1 no MMA), que ostenta um número impressionante de vitórias no cartel e só perdeu para Bekbulat Magomedov, atleta que detém o cinturão peso galo da PFL. Bem, há de suspeitar o nível de um lutador que venceu 19 lutas na China, não é?

Wang é um atleta que costuma apostar bastante na troca de golpes, normalmente trabalhando os socos retos e sempre com um cruzado de direita engatilhado, mas mostra pouca movimentação, o que facilita a tarefa do oponente em se defender de suas investidas. O chinês raramente decide usar o jogo de solo, tem uma defesa de quedas bastante vazada e o sistema defensivo em pé também é duvidoso.

Fã de Bruce Lee, Alex Caceres (13-10 no MMA, 8-8 no UFC) viveu bons e (muitos) maus momentos no UFC. Ele perdeu para os talentosos Yair Rodriguez e Jason Knight antes de vencer o triste Rolando Dy, no UFC Fight Night 111.

Com um estilo pouco ortodoxo, Caceres até consegue fazer um certo sucesso quando enfrenta um adversário na medida. Ele mostra movimentação constante, trabalho rápido nas mãos e boas trocas de base. O problema que segurou o crescimento de Alex foi a parte defensiva em qualquer aspecto do jogo, além dos atletas que costumam aplicar bastante pressão no “Bruce Leroy”.

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Estarei mentindo se disser que não estou interessado em assistir a este combate. O chinês provavelmente é o que mais chamou atenção no cenário local e tem uma interessante oportunidade de estrear na maior organização de MMA do mundo, mas ele precisa mudar o seu estilo caso queira ganhar de Caceres, um atleta que se movimenta mais, é oportunista e tem mais habilidades na troca de golpes em pé, por onde a luta deve se desenvolver mais. Alex também não pode ficar com medo das respostas de Wang, o que criaria um chatíssimo confronto de encaradas. Dosando bem o ritmo nos três assaltos, Caceres deve vencer por decisão unânime.

Peso Meio-Médio: Muslim Salikhov (RUS) vs. Alex Garcia (DOM)

Por Gabriel Carvalho

A melhor aquisição do UFC para este evento na China foi o russo Muslim Salikhov (13-1 no MMA). Apelidado de “Rei do Kung Fu”, ele já venceu várias competições de sanda pelo mundo, além de ter feito quase 200 lutas profissionais somadas no kickboxing e no muay thai. Competindo na China há um tempo, já nocauteou os ex-lutadores do UFC Melvin Guillard e Ivan Batman.

Atleta de pouca movimentação, Salikhov normalmente vai crescendo ao longo do combate e também vai assustando os oponentes com um arsenal variado de golpes, alternando chutes na perna e na linha de cintura. Sua marca registrada é o chute rodado em formato de gancho (aquele que notabilizou Stephen Thompson), que pode se tornar um dos golpes mais temidos em todo o UFC.

Alex Garcia (13-4 no MMA, 4-3 no UFC) pode não ter virado uma potência no UFC, mas ainda é um nome muito legal para a categoria dos meios-médios. Após encerrar 2016 com um nocaute brutal sobre um cadavérico Mike Pyle, Garcia acabou perdendo para Tim Means, num combate em que a envergadura do “Pássaro Sujo” influenciou bastante.

Alex se tornou conhecido por conta do poder de fogo nos punhos, unido a boas combinações de socos. Ele também não costuma se movimentar bastante e normalmente apresenta queda de rendimento conforme a luta vai passando.

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card principal será aberto com uma promessa de pancadaria muito interessante. Salikhov e Garcia devem se estudar inicialmente, mostrando bastante respeito um pelo outro, sem se arriscarem logo de cara. A luta deve ganhar tons de intensidade conforme o tempo avançar. O russo buscará marcar o dominicano com chutes, o que limitaria mais ainda a movimentação do rival. Garcia definitivamente precisa andar lateralmente o tempo todo, a fim de evitar permanecer no raio de ação de Muslim. Palpite difícil, mas vamos de Salikhov por nocaute no segundo round.

  • James sousa

    O problema é o Gastelum ganhar do número 2 do ranking da divisão e querer continuar na divisão e pegar um Rockhold ou um Romero .ele deveria descer depois dessa luta pra meio médio que é a divisão onde ele têm chance de ser dar melhor acho até que ganhar do atual campeão O Woodley

  • Malk Suruhito

    “ansado de apanhar da balança como meio-médio, ” – novamente precisou de toalha. Tem gente que cospe na cara das oportunidades…

  • Marcio Lennon

    Bisping nunca apagará aquela derrota pro Henderson. E acho que o ingles vence, apesar de ter sido um campeão bundão, sempre foi um top 5 legítimo, e Gastelum não é da casta superior da categoria, decisão tranquila pro ingles.

  • Cláudio Vilança Guimarães

    Gastelum afirmou que uma vitoria sobre o Bisping lhe daria moral na organização para voltar aos meios médios e desafiar o Woodley e por pouco não falha na pesagem para uma luta nos “Médios´´.
    Têm que cuidar primeiro do peso ou nunca vai disputar cinturão algum, não acho que o UFC vai arriscar num campeão que pode não bater o peso na primeira defesa, isso se bater na própria disputa da cinta.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Kelvin Gastelum me bate 187lbs sem toalha, e ainda quer descer pros 77kg novamente, assim não dá né, o mínimo que ele deveria fazer era bater o peso tranquilamente pra mostrar que tá apto a descer.