UFC Fight Night 120: Prévia do Card Preliminar

O UFC Fight Night 120 é, de modo geral, um card repleto de lutas animadas, acima da média para eventos da série. Na porção preliminar, foi escalado até combate entre integrantes do top 10, que poderia muito bem fazer parte de um evento em pay-per-view.

Esta será a quarta vez que o octógono desembarcará no estado americano da Virginia e a primeira vez fora de Fairfax. John Dodson e Marlon Moraes puxam a fila de importantes prospectos, veteranos consolidados e outros em busca de alcançar os rankings.

Peso Galo: #8 John Dodson (EUA) vs. #9 Marlon Moraes (BRA)

Por Pedro Carneiro

John Dodson (19-8 no MMA, 8-3 no UFC) é mais um caso de wrestler de origem que tomou gosto pela arte de bater em pessoas e se tornou melhor nisso do que na arte-mãe.

A melhor palavra para definir o americano é: velocidade. Dodson é provavelmente o único lutador no mundo a fazer frente a Demetrious Johnson nesse aspecto, e, além da velocidade absurda, o pequenino sabe usar essa vantagem para gerar espaços para acertar os seus adversários. Como aprendemos na escola que F = m.a, a velocidade absurda contribui para o seu poder de nocaute, mesmo com a subida de categoria. O wrestling hoje é apenas uma ferramenta defensiva e o jiu-jítsu é razoável.

Marlon Moraes (18-5-1 no MMA, 0-1 no UFC) vem em busca da sua primeira vitória no UFC depois do resultado controverso na sua estreia no UFC 212, contra Raphael Assunção.

Dono de um muay thai de muito alto nível, o brasileiro possui um arsenal de combinações bem anguladas e rápidas, chutes baixos avassaladores, contragolpes certeiros, uma defesa de quedas digna e um jiu-jítsu lapidado por Ricardo Cachorrão. Marlon, que era um dos melhores lutadores do mundo fora do UFC, treina com atletas do calibre de Frankie Edgar e Edson Barboza.

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Qualquer coisa que não seja uma luta sensacional nesse embate será frustrante. Não que isso signifique pancadaria, embora haja uma chance de a luta ir por este rumo e ser igualmente sensacional. Contudo, há um evidente confronto de estilos aqui. Marlon deverá lutar mais usando a base plantada, distribuindo chutes e esperando a oportunidade de acertar golpes certeiros ou tentará usar pressão para tirar os espaços do americano e frear sua movimentação com fortes chutes nas pernas. Já Dodson deve apostar na movimentação lateral e velocidade para produzir bons ângulos e volume de golpes.

O combate será definido por quem conseguir sobrepor o seu plano de luta, embora a luta possa descambar para porradaria – neste caso Dodson leva vantagem. A aposta aqui é que os violentos chutes nas pernas e a precisão de Marlon consigam frear o furacão Dodson.

Peso Palha: Tatiana Suarez (EUA) vs. Viviane Sucuri (BRA)

Por Gabriel Carvalho

Tatiana Suarez (4-0 no MMA, 1-0 no UFC) tem um currículo interessante no wrestling, modalidade na qual foi duas vezes medalhista de bronze no Campeonato Mundial, mas um câncer na tireoide interrompeu a trajetória. Após superar a doença, ela decidiu migrar para o MMA e venceu o TUF 23 com uma bela submissão sobre Amanda Cooper na final. Canhota, Suarez é uma atleta que pouco inventa quando permanece de pé, normalmente buscando levar a luta para o chão, onde tem bastante sucesso, com double-legs bem executados, além de um jiu-jítsu eficiente.

Viviane Sucuri (13-0 no MMA, 2-0 no UFC) foi uma atleta muito bem testada no MMA nacional e agarrou a chance que teve no UFC, com vitórias sobre Valérie Létourneau e Jamie Moyle. Adepta do sanda, Sucuri tem pouca mobilidade no pocket e é facilmente atingível na trocação – muito por conta do seu tamanho diminuto -, mas ela compensa as falhas com um jogo de pressão muito forte no clinch e no chão, onde mostra bom controle e bons ataques para submissões.

Michel Quinones vs Sage Northcutt odds - BestFightOdds
 

No confronto de invictas do card, quem deve cair é a brasileira. Tatiana tem a vantagem física sobre Viviane e tem tudo para conseguir impor o seu forte wrestling durante os três rounds. A única coisa que pode pesar para a americana é a inatividade, mas a aposta ainda será nela, provavelmente por decisão unânime dos juízes.

Peso Leve: Sage Northcutt (EUA) vs. Michel Quinones (EUA)

Um ano depois de sofrer as duas primeiras derrotas da carreira e ver os críticos caindo nas suas costas, Sage Northcutt (8-2 no MMA, 3-2 no UFC) está preparado para voltar ao octógono, de volta ao peso leve, sua categoria original. Oriundo do caratê e do taekwondo, artes que treina desde os quatro anos de idade, Sage tem uma movimentação interessante, mesclada com os perigosos chutes laterais, além do bom e rápido trabalho com os socos. O problema para o bonitão é o solo, já que o wrestling e o jiu-jítsu ainda são bastante suspeitos, mas ainda há uma grande margem de evolução para o jovem de 21 anos.

De ascendência colombiana e membro da American Top Team, Michel Quinones (8-2 no MMA, 0-1 no UFC) tentará a primeira vitória no UFC após tomar um baita vareio de Jared Gordon. Assim como Sage, Quinones também tem o caratê e o taekwondo como base em pé; a diferença é que o “Capo” tem tendência a ficar mais parado enquanto golpeia, além de ter o jogo de chão também um tanto limitado. Quinones é praticamente um Northcutt menos habilidoso, na medida para acontecer um combate legal.

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Há 11 meses inativo, existe uma grande curiosidade em relação ao que Sage aprendeu no tempo que ficou fora. Com os treinos no Team Alpha Male, creio que Northcutt está melhorando a questão do solo, mas a luta com Quinones dificilmente terá momentos no chão. A aposta é que o confronto se torne um interessante duelo de kickboxing, com vantagem para Sage por conta da movimentação e criação de ângulos. O filho perdido de Ivan Drago deve levar por decisão unânime.

Peso Palha: Angela Hill (EUA) vs. Nina Ansaroff (EUA)

Depois da triste primeira passagem pelo UFC, quando sofreu com péssimos casamentos de luta, Angela Hill (7-3 no MMA, 2-3 no UFC) foi ao Invicta FC, apresentou evolução, conquistou o cinturão da organização feminina e conseguiu o passaporte de volta ao octógono, agora mais madura e com boas chances de se manter no UFC. Em 2017, perdeu para Jéssica Andrade em um dos grandes combates do ano e derrotou Ashley Yoder. Hill é uma atleta experiente no muay thai e traz a arte tailandesa como seu carro-chefe na troca de golpes. Seu limitador é o jogo de chão fraco, que pode ser explorado pela adversária de sábado.

Conhecida por ser namorada da campeã dos galos Amanda Nunes, Nina Ansaroff (7-5 no MMA, 1-2 no UFC) superou duas decisões controversas para assegurar a sua primeira vitória no octógono em janeiro, quando massacrou Jocelyn Lybarger. Faixa-preta de taekwondo, Nina costuma deixar o rosto exposto nas lutas, mas é uma ótima contragolpeadora, com um interessante uso do jab e dona de um arsenal relativamente vasto de golpes. No chão, é faixa-roxa de jiu-jítsu e se caracteriza pela agressividade.

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Esta é uma forte candidata a melhor luta da noite. Caso o duelo se desenrole em pé, espere duas atletas bem agressivas, com Hill tendo mais facilidade para encontrar a distância e acertando os melhores golpes, com o controle do octógono. Caso a luta vá para o chão, espere amplo domínio de “Ansinha”, que deve trabalhar bem as posições e buscará uma interrupção. Dos dois cenários apontados, o mais provável é o segundo.

Peso Meio-Médio: Court McGee (EUA) vs. Sean Strickland (EUA)

Vencedor do The Ultimate Fighter 11, Court McGee (19-6 no MMA, 7-5 no UFC) nunca conseguiu emplacar no octógono, apesar de carregar uma vitória sobre o atual campeão interino dos médios, Robert Whittaker, no currículo. Na última vez que lutou, perdeu para o veterano Ben Saunders. McGee é um lutador que já treinou quase tudo, começando com caratê, fazendo lutas de boxe profissionais e participando de torneios de jiu-jítsu em Utah. Court é um lutador que costuma manter a guarda alta e sabe atacar bem com os golpes retos, mas sofre com problemas de queixo exposto. No chão, sabe se virar muito bem, mas se complica quando o nível da competição aumenta.

Um dos nomes interessantes na divisão dos meios-médios, Sean Strickland (18-2 no MMA, 5-2 no UFC) só perdeu no UFC quando enfrentou Santiago Ponzinibbio e Kamaru Usman, respectivamente o 10º e o 12º colocados no ranking oficial da organização. Strickland não é um lutador que costuma proporcionar grandes combates, é estudioso na troca de golpes, mas sabe quando atacar, é bom em criar ângulos e esquivar bem, usa os socos de forma inteligente e é ótimo com golpes de encontro. A parte de chão é razoável, o suficiente para virar vítima de um lutador como Usman, por exemplo.

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A expectativa é para um duelo cheio de estudo e até com chances de ser monótono. Quem provavelmente tentará tomar as ações na trocação será McGee, mas existe a possibilidade de ele não acertar Strickland, que é mais rápido, sabe contragolpear e deve levar vantagem nesta seara. No chão, a vantagem é para Court, mas tenho dúvidas se sua capacidade será suficiente para colocar o “Tarzan” no chão. A aposta é Strickland por decisão.

Peso Meio-Pesado: Jake Collier (EUA) vs. Marcel Fortuna (BRA)

Ex-campeão da LFA, Jake Collier (10-4 no MMA, 2-3 no UFC) é outro que nunca conseguiu emplacar no UFC, apenas com vitórias sobre os já demitidos Ricardo Demente e Alberto Uda. Apesar de não ser um dos mais técnicos do peso médio, Collier pode proporcionar combates animados com seus socos agressivos e desprotegidos, além dos eventuais golpes rodados. No chão, também não é dos melhores e fica encurralado quando pega um atleta mais qualificado.

Após começar o ano como pesado e baixar para 93 quilos em julho, Marcel Fortuna (9-2 no MMA, 1-1 no UFC) vai para sua segunda luta no peso meio-pesado. Conhecido pelo jiu-jítsu forte, Fortuna ainda tem dificuldades para levar a luta para o chão. Em pé, já mostrou que tem a mão pesada, mas também sofre com os problemas de movimentação e a falta de técnica em alguns momentos.

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Bom, não temos aqui, a princípio, a promessa de um grande combate. Em pé, acredito que Marcel será mais inteligente, não tentará trocar socos contra o louco Collier. Ao contrário, deve explorar brechas para levar a luta ao chão a qualquer momento. Se tiver sucesso, acredito que conseguirá controlar bem o americano para conseguir a submissão, ou então se manterá por cima até vencer por decisão unânime dos juízes.

Peso Médio: Darren Stewart (ING) vs. Karl Roberson (EUA)

Darren Stewart (7-1 no MMA, 0-1 no UFC) tem o apelido de “Dentista” e iniciou sua carreira no octógono acertando uma cabeçada no molar de Francimar Bodão. Na revanche, acabou sendo “Bodãozado” e perdeu por decisão dos juízes. Stewart é um atleta que se caracteriza pela velocidade e movimentação no início da luta, mesclando com bons momentos de clinch e entradas de queda. O que complica o britânico é a questão do preparo físico, já que seu ritmo tende a diminuir bruscamente no decorrer da luta.

Com um dos desempenhos mais assustadores do Dana White’s Tuesday Night Contender Series, Karl Roberson (5-0 no MMA) pinta como um nome interessante na divisão dos médios. Ele já fez carreira no kickboxing, enfrentando Jérôme LeBanner e participando de um torneio do Glory. Em pé, Roberson é um lutador perigoso e que se caracteriza pela potência e ótima variedade dos golpes, incluindo joelhadas e cotoveladas.

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O interesse é grande para a luta que abre o evento. Como Stewart e Roberson são dois lutadores poderosos, caso a luta tenha continuidade em pé, esperem um agressivo americano com boas combinações de socos variando tronco e cabeça. Stewart deve levar a luta ao chão para vencer, e aí será um bom teste para “Baby K”, que já finalizou oponentes, mas nunca no nível do UFC. Escolhemos nocaute de Roberson para abrir a noite.

  • James sousa

    A derrota (para mim ele venceu) por Raphael meio que deu uma parada no hype que o Marlon tinha, engraçado que ele têm um adversário mais complicado que o Assunção que levou na decisão dos juízes a luta entre eles, ainda aposto que ele possa chegar a ser top 5 da categoria e uma futura disputa de cinturão

  • total combat

    John dodson 8×3 no ufc. O texto ficou incrivel esse evente tem lutas pra aquecer o coração de qualquer fã de MMA.

  • Luis Coppola

    Fortuna x Collier vai rolar pelos meio pesados..

    • Gabriel Carvalho

      Nossa, pior ainda hahahahahaha

  • Lero

    Estou indeciso se sair jantar agora e voltar correndo para a luta do Marlon e o Dodson ou não correr o risco e ficar com fome até que essa luta acabe, janto e volto para Matt Brown-Diego Sanchez