UFC Fight Night 120: Poirier vs. Pettis – Prévia do Card Principal

Uma semana depois das maravilhas que aconteceram no Madison Square Garden, é hora de tentar manter o nível de entretenimento com o ótimo UFC Fight Night 120. Desembarcando pela primeira vez na pequena cidade de Norfolk, na Virgínia, o evento tem um dos melhores cards alternativos dos últimos tempos e com promessa de grandes momentos do início ao fim.

Para coroar a pancadaria, Dustin Poirier Anthony Pettis se enfrentarão no combate principal. Matt Brown fará sua última luta contra Diego SanchezJunior Albini tenta colocar uma pá de cal no ex-campeão Andrei ArlovskiCezar Mutante busca fazer o mesmo contra Nate MarquardtRaphael Assunção Matt Lopez prometem momentos interessantes e o confronto entre os ídolos Joe Lauzon Clay Guida abre as ações.

Confira a prévia das lutas do card principal. O evento tem início às 21h:30 no Horário de Brasília, com as seis lutas principais acontecendo a partir das 00h:

Peso Leve: #8 Dustin Poirier (EUA) vs. Anthony Pettis (EUA)

Por Diego Tintin

Anthony Pettis

Anthony Pettis

Anthony Pettis (20-6 no MMA e 7-5 no UFC) tinha o mundo aos seus pés há três anos. Ostentando a mais famosa peça de ouro na cintura, com 90% de vitórias na carreira, dono de lindos nocautes e considerado como o um dos mais criativos e habilidosos lutadores de MMA já vistos. Mas como Joseph Klimber nos ensinou, “a vida é uma caixinha de surpresas”. Pettis perdeu o cinturão para Rafael dos Anjos e também o norte de sua carreira. Nas últimas seis lutas, venceu apenas duas e viu uma aventura na divisão dos penas ser frustrada com falha na pesagem e derrota contundente para Max Holloway.

Nos tempos áureos, o “Showtime” foi capaz de andar na grade para aplicar um chute, usar de golpes extravagantes para surpreender, e possuía precisão impressionante em golpes da longa distância. De quebra, é um finalizador oportunista no chão e aguenta pancada com dignidade enquanto mantém a fome pela vitória o tempo inteiro. Como pontos negativos, que foram preponderantes para as derrotas, o boxe que não acompanha a qualidade dos chutes, o wrestling defensivo e a dificuldade de lidar com a pressão adversária e com a obrigação de oferecer sempre algo diferente.

Dustin Poirier (21-5 1NC no MMA, 13-4 1NC no UFC) sempre foi reconhecido como um lutador talentoso, mas ainda não conseguiu aquela vitória para virar a chave e chegar de vez na elite. Se por um lado já venceu nomes como Erik Koch, Diego Brandão, Joseph Duffy e Jim Miller, ele costuma esbarrar nos grandes desafios que poderiam lhe apresentar as portas da glória. Foi assim contra o Korean Zombie, Conor McGregor, Cub Swanson e Michael Johnson.

As quatro derrotas em momentos-chave fazem com que as treze vitórias ainda não sejam suficientes para transformá-lo em um sério candidato a desafiante, apesar de suas habilidades. Teve mais uma chance no último combate contra Eddie Alvarez, começou muito bem, porém parecia perder o controle da luta quando foi atingido por uma joelhada ilegal e a luta terminou sem resultado.

O “Diamante” costuma imprimir um ritmo forte em seus combates, lançando combinações longas de socos e chutes. Tem um nível muito decente na luta olímpica e um arsenal de finalizações criativas e eficientes. Contudo, se ofensivamente Dustin faz jus ao pretensioso apelido, está no sistema defensivo uma deficiência que pode explicar as derrotas em momentos agudos da carreira. O americano se expôs mais do que deveria contra adversários letais como McGregor e Johnson, além da forte suspeita que tenha caído no jogo psicológico de provocações de ambos.

 

Este combate traz algumas questões intrigantes. Pettis necessita ser cauteloso e preciso como foi contra Jim Miller, mas precisará também sair da zona de conforto contra um adversário que sempre atropelou quem estava abaixo da média. Poirier pode trazer um pesadelo logístico para Pettis, caso pressione com uma mistura de abordagens, deixando seu adversário confuso. Porém, um estilo excessivamente agressivo abre espaço para o mortal contra-ataque de Anthony. Luta encardida para ambos e para o palpiteiro aqui. Vamos de Pettis, por finalização.

Peso Meio-Médio: Matt Brown (EUA) vs. Diego Sanchez (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Diego SanchezCom 36 anos de idade, Matt Brown (20-16 no MMA, 13-9 no UFC) vai para a sua última luta na carreira, e ele tenta afastar a má fase que vive para se aposentar com um resultado positivo. O ano de 2016 não foi dos melhores para o “Imortal”, que acabou sendo derrotado por Demian Maia, Jake Ellenberger Donald Cerrone.

Matt Brown nunca foi um lutador fenomenal, mas conseguiu evoluir bastante e chegou a figurar no top 5 dos meios-médios lá pra 2014. Brown é um cara bem agressivo, nunca deixou de andar pra frente, aplicando um caminhão de pressão em quem estivesse na sua frente, com socos poderosos, com destaque para o seu cruzado de direita. O que acabou limitando a carreira de Matt foi a questão pífia do solo, já que sempre foi facilmente derrubado e finalizado, algo que aconteceu constantemente quando seu nível de competição subiu e enfrentou atletas como Johny Hendricks e Demian Maia,

Se eu tivesse dois filhos, com certeza daria um pra Diego Sanchez (27-10 no MMA, 16-10 no UFC). O sujeito foi vencedor do primeiro The Ultimate Fighter e já protagonizou ótimas lutas contra Gilbert Melendez, Clay Guida e Karo Parisyan, colocando seu nome entre os lutadores preferidos do público. Na sua última luta, tomou um nocaute brutal de Al Iaquinta.

No auge, Diego Sanchez era mais do que um lutador animado, tinha um pacote técnico baseado no muay thai, jiu-jítsu, wrestling. Era um ótimo lutador que também proporcionava uma guerra sempre que lutava. Hoje decrépito, Sanchez aposta em derrubar os oponentes e se manter por cima, mesmo sem buscar muito. Quando não consegue, usa o estilo “vamo lá, porra” na trocação e inclusive engana uma galera, mesmo errando muitos golpes e dando várias brechas para ser nocauteado.

Quem não gosta de Matt Brown e Diego Sanchez nem gente é. Mesmo com os atletas longe dos seus auges físicos e técnicos. Sanchez provavelmente sabe das habilidades de Brown em pé e do perigo que é tentar trocar socos com o Imortal, logo tentará alguma queda, e existe grandes chances dele obter sucesso. O que pode pesar contra Diego é a questão da vantagem física, já que ele é um peso leve de origem, e Brown pode se manter em pé em alguma tentativa. Difícil apostar em algo aqui, mas vamos de Sanchez por decisão unânime.

Peso Pesado: #11 Junior Baby (BRA) vs. #12 Andrei Arlovski (BIE)

Por Gabriel Carvalho

O peso pesado brasileiro já teve nomes como Rodrigo Minotauro, Fabrício Werdum e Junior Cigano, e a próxima aposta é Junior Baby (14-2 no MMA, 1-0 no UFC), que logo na sua segunda luta pelo UFC tem a oportunidade de enfrentar o ex-campeão Andrei Arlovski. Albini é bem melhor que a média do peso pesado do UFC. Seu preparo físico é acima da média, tem uma variação de golpes bem interessante, com cotoveladas de encontro, rápidos socos e bons chutes. A parte de chão também é muito interessante, já que treinou bastante tempo com Marcelo Brigadeiro e hoje está na OCS, academia famosa pelo jiu-jítsu.

O Seattle Supersonics acabou em 2007, e como seria legal se a carreira de Andrei Arlovski (25-15 no MMA, 14-8 no MMA) tivesse acabado em 2007. O “Pitbull” vive sua pior fase no octógono, com incríveis cinco derrotas seguidas, a mais recente pro triste Marcin Tybura no UFC Fight Night 111. Não fosse o queixo suspeito e Arlovski seria um dos melhores pesos pesados de todos os tempos. Ele é talentoso no kickboxing, com movimentação, um poder de fogo dos mais interessantes e a habilidade de misturar quedas. Além da absorção, o problema de Arlovski é a questão da idade, já que não existe espaço para outra reinvenção.

Nas últimas lutas, Arlovski passou o bastão para Francis Ngannou e Marcin Tybura, agora é a vez de Junior Albini. A estratégia para o bielorrusso é simples: buscar o clinch e posteriormente colocar Albini de costas no chão, aprendendo uma lição com os erros ocorridos na luta contra Tybura. Para Albini, basta não subestimar o adversário, conseguir vencer a batalha física na luta agarrada para frustrar o ex-campeão e entregar a 11ª derrota por nocaute da carreira de Arlovski.

Peso Médio: Nate Marquardt (EUA) vs. Cezar Mutante (BRA)

Por Gabriel Carvalho

Cezar "Mutante" Ferreira

Cezar “Mutante” Ferreira

Nate Marquardt (38-18-2 no MMA, 13-11 no UFC) nunca chegou perto de ter aquele mesmo desempenho do início de UFC, quando emendou quatro vitórias e disputou o cinturão contra Anderson Silva. Depois disso, foram derrotas em momentos cruciais e agora com o remate da carreira próximo, não tem muito mais futuro lutando. Ver Marquardt no auge era algo prazeroso, tinhamos um lutador completo, com potência, era um dos melhores do mundo no peso médio, mas a idade chegou para todo mundo, fazendo Marquardt perder a força, a movimentação e se tornar um lutador apático, triste de assistir, mas ainda com alguns lampejos.

O TUF Brasil 1 foi bom e ruim para a carreira de Cezar Mutante (11-6 no MMA, 7-4 no UFC). Com a exposição de nível nacional e o contrato, se tornou um dos atletas mais conhecidos pelo público, que erroneamente imaginaram que Mutante poderia ser campeão ou algo assim, o que comprometeu parte de sua carreira, mas ele achou seu nível e hoje está estabilizado no UFC. Bem graduado na capoeira e no jiu-jítsu, Mutante é um dos bons atletas que rondam o top 15 dos médios. Estuda bastante a distância, começou a esconder o queixo e ser mais estrategista, acertando o tempo de seus socos e suas quedas, além de colocar bem o jiu-jítsu para trabalhar quando necessário.

Depois da controversa derrota para Theodorou, Mutante tem um bom nome para poder se recuperar. A expectativa é que os dois atletas não se arrisquem muito duarante a luta, com vantagem para Mutante, que provavelmente encontrará a distância certa para poder acertar o queixo duvidoso do americano, que deve gastar poucos golpes e apostar no pedradão. Se tentar qualquer coisa no chão, Nate tem a desvantagem física. A aposta aqui é Mutante em 15 minutos bem monótonos.

 

 

Peso Leve: Joe Lauzon (EUA) vs. Clay Guida

Por Diego Tintin

Joe LauzonHouve um tempo em que Joe Lauzon (27-13 no MMA, 14-10 no UFC) era um dos lutadores mais empolgantes da companhia. Aos 33 anos e com algumas dezenas de batalhas sangrentas nas costas, o orelhudinho não é mais o insano líder absoluto no ranking de bônus de desempenho conquistados no octógono, mas ainda entrega doses da mais pura diversão para seus fiéis seguidores e amantes de uma boa e velha pancadaria.

Um dos mais oportunistas grapplers que já estiveram no UFC, Lauzon tem um arsenal vasto de finalizações a partir de várias posições, além de ser o autor de incríveis transições e raspagens plásticas. Na luta em pé, o nível é mediano, capaz de conseguir bons momentos com jabs traiçoeiros e sequências rápidas, mas também deficiente na defesa a ponto de terminar quase todas as suas lutas com a lataria avariada. Seu clinch é perigoso, tanto no dirty boxing quanto nas quedas cinturadas.

J-Lau é aquele clássico tipo de lutador que vive uma gangorra de resultados, com vitórias sobre as castas inferiores e que tem um teto bem estipulado, derrotado em situações onde o sarrafo fica um pouco mais alto.

 

Clay GuidaÉ quase inacreditável que Clay Guida (33-17 no MMA, 13-11 no UFC) e Lauzon nunca tenham se enfrentado, dividindo a mesma faixa de peso e zona de classificação por tantos anos. Incansável nos seus bons tempos, o “Carpinteiro” era outro que enfileirava bônus atrás de bônus, lutando de maneira inconsistente, mas sempre com uma intensidade quase inacreditável. Mas o tempo, este implacável adversário, passou e levou o que Guida tinha de melhor, deixando apenas um wrestler burocrático e bastante pragmático no seu lugar.

Depois de chegar perto de uma disputa de título no peso leve, Clayton passou uma temporada entre os penas, com quatro derrotas para integrantes do top 10 da divisão, enquanto via seu gás e sua resistência diminuírem. Acusando um sofrimento no corte de peso, decidiu retornar à sua divisão de origem para vencer Erik Koch no seu último combate. Foi sua melhor atuação nos últimos tempos, e um pouco de esperança para que, em meio a sua irregularidade histórica, possa ao menos retornar a ser um bom showman, com seus cabelos rebeldes, arrotos nojentos e uma entrega que não era vista em suas lutas há algum tempo.

Esse duelo deve ser um rascunho do que seria, caso tivesse acontecido no fim da década passada. Mas ainda assim, deve ser um dos mais divertidos da noite. Guida tem poucas ferramentas além de suas quedas tenazes e isso pode ser um convite para ser raspado e finalizado por Lauzon. É a nossa aposta aqui.

  • Deivis Chiodini

    Ta Biel entendi errado ou tu pipocou e não deu palpite conclusivo em Sanchez x Brown?

  • James sousa

    Evento para se divertir e acompanhar duelos maneiros , depois do tenso ufc 217

    • Gabriel Carvalho

      É o melhor Fight Night de 2017

  • Marcio Lennon

    gostaria de ver em algum momento lauzon x chharles do bronx, quem sabe se ambos vencerem, seria uma luta interessante.
    iria de charles por finalizaçao.

    • Gabriel Carvalho

      Esse momento poderia ter sido em 2011 ou 2012. Hoje já não tem mais tanta graça.

      • Marcio Lennon

        acho que rola, charles tem q ficar nos leves, e jovem e nao pode ser alientado cedo demais aos leoes, teria ai 3 bons nomes no cartel, brooks, felder e lauzon antes de pegar um teste mais duro, serve para alimentar o bom charles.