UFC Fight Night 118: Cerrone vs. Till – Prévia do Card Principal

Pela segunda vez em sua história, a maior organização do MMA mundial desembarca na Polônia, desta vez num lugar curioso. A Ergo Arena, localizada exatamente sobre a divisa entre as cidades de Gdańsk e Sopot, será palco do UFC Fight Night 118, evento cujo card principal de quatro lutas tem elevada possibilidade de terminar com quatro interrupções.

No duelo principal, Donald Cerrone tenta terminar com a sequência de duas derrotas contra o jovem e invicto britânico Darren Till. Antes, a ex-desafiante do peso palha Karolina Kowalkiewicz abre as portas de casa para dar as boas-vindas ao UFC a Jodie Esquibel.

Pelo peso meio-pesado, Jan Blachowicz luta diante de seus compatriotas contra o americano Devin Clark. Abrindo a porção principal do evento, o natural de Gdańsk Oskar Piechota estreia no UFC contra Jonathan Wilson.

Atenção para os horários do UFC Fight Night 118. Como o evento acontecerá na Europa, a primeira luta do card preliminar está marcada para às 13:45h, enquanto a parte principal do evento vai ao ar a partir das 17:00h, sempre no horário oficial de verão de Brasília.

Peso Meio-Médio: #6 Donald Cerrone (EUA) vs. Darren Till (ING)

Por Alexandre Matos

Donald Cerrone

Mestre em se reinventar, Cerrone (32-9 no MMA, 19-6 no UFC) subiu de categoria após ser varrido por Rafael dos Anjos na disputa do cinturão dos leves e conseguiu quatro vitórias seguidas, abocanhando três bônus. Porém, o ano de 2017 tem sido duro com o “Cowboy” e ele amargou duas derrotas seguidas pela primeira vez na carreira profissional, talvez começando a mostrar sinais de rateamento.

Mesmo na fase negativa, Cerrone segue mostrando que é um dos mais completos lutadores no ponto de vista ofensivo. Até mesmo o wrestling, que sempre foi sua maior deficiência, andou rendendo frutos – o round roubado contra Robbie Lawler nasceu de uma queda aplicada no ex-campeão. Muito perigoso em pé se tiver o controle do ritmo e da distância, tão perigoso quanto no chão, Cerrone ainda tem um problema sério, que jamais foi corrigido: ele costuma ruir quando pressionado.

Darren Till

Dez anos mais jovem que o adversário, Till tem de lutas na carreira o que Cerrone tem de bônus no UFC. Em quatro apresentações no UFC, o britânico foi dominante nas três vitórias e quebrou um pau federal no empate contra Nicolas Dalby. O problema é que todas as lutas foram contra integrantes das castas mais baixas da categoria. Agora o salto de qualidade será imenso.

Envolvido com diversos problemas na Inglaterra, Darren foi resgatado para o Brasil por Marcelo Brigadeiro. Sob a tutela do treinador brasileiro, Till ampliou seu leque de recursos com a luta livre esportiva, que se juntou ao boxe e o muay thai que já vinham sendo desenvolvidos desde quando estava na Europa. Till é um contragolpeador talentoso, que atua com muita desenvoltura na longa distância, mas que também é perigoso no thai clinch e na troca de pedradas no infighting. Ele aplica quedas providenciais, embora não seja um virtuoso no assunto, e tem um ground and pound muito potente, mas nem sempre disparado em alto volume.

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Till tem talento, força física e tamanho para vencer. Porém, será fundamental mudar um pouco a abordagem. Sua postura de contragolpeador será importante, mas imprimir um ritmo mais forte, especialmente se Cerrone voltar a mostrar um começo lento, terá papel ainda mais preponderante na busca pelo resultado positivo.

Por outro lado, cozinhar a luta como fez nos últimos combates não é uma opção para o europeu. Se deixar Cerrone tomar conta das ações, Till terá o duro queixo testado. E, mesmo que não seja nocauteado, a diferença técnica a favor do americano no grappling poderá ser a barreira que impedirá a passagem do inglês para enfrentar a elite da divisão.

Peso Palha: #3 Karolina Kowalkiewicz (POL) vs. Jodie Esquibel (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Karolina Kowalkiewicz

Após vencer suas três primeiras lutas no octógono, Karolina Kowalkiewicz (10-2 no MMA, 3-2 no UFC) foi jogada em uma disputa de cinturão contra o fenômeno Joanna Jedrzejczyk. Apesar do bom momento no quarto round, quando conseguiu abalar a campeã, Kowalkiewicz perdeu os outros assaltos da disputa e acabou derrotada por decisão unânime. Em seguida, foi marcada contra Cláudia Gadelha e voltou a ser derrotada, finalizada ainda no primeiro round.

Oriunda do krag maga, Kowalkiewicz também tem o muay thai no seu repertório, com bastante movimentação, bons chutes e socos, boas trocas de base e saídas laterais para criar ângulos para novos golpes. O problema é que Karol tende muito a ficar parada quando recebe socos e também tem a tendência de deixar o queixo alto, o que foi um problema contra Joanna. Foi finalizada na última luta pela melhor grappler da divisão, o que não é parâmetro para falar mal do seu jogo de solo.

Ex-bombeira e paramédica, Jodie Esquibel (6-2 no MMA) assinou com o UFC antes de receber a chance pelo cinturão dos palhas do Invicta FC. Participou do TUF 23 e foi surpreendentemente eliminada por Ashley Yoder ainda na primeira fase, nem chegando a entrar na casa. Profissionalmente, só perdeu para Alex Chambers e Alexa Grasso, duas atletas do UFC.

Esquibel fez carreira no boxe, e apesar do cartel irregular (7-7), foi campeã da Federação Norte Americana de Boxe (NABF) e desafiante ao cinturão do Conselho Mundial de Boxe (WBC). A nobre arte é o carro-chefe de Jodie, que usa bem as combinações acertando no corpo e cabeça, além de ter uma postura bem interessante, sempre andando pra frente. Atleta da Jackson-Wink MMA, tem um bom tempo na hora das quedas e um bom jiu-jítsu defensivo.

Jodie Esquibel vs Karolina Kowalkiewicz odds - BestFightOdds

Karolina é a favorita para o combate, porém, não deve ser fácil. A polonesa tem a vantagem em altura e envergadura, podendo usar isso para controlar a distância e alcançar o clinch com mais facilidade, onde pode trabalhar bons socos e cotoveladas. Esquibel pode se dar bem trocando golpes, mas tudo depende dela conseguir acertar o tempo dos socos e não telegrafar as combinações. No chão, quem tem vantagem é a americana, mas não vejo a luta permanecendo por muito tempo no solo. Karolina deve levar na decisão.

Peso Meio-Pesado: Jan Blachowicz (POL) vs. Devin Clark (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Depois de uma ótima estreia ao nocautear Ilir Latifi, a carreira de Jan Blachowicz (19-7 no MMA, 2-4 no UFC) acabou virando um inferno no octógono. Venceu apenas uma de suas cinco lutas seguintes e agora vem de duas derrotas consecutivas, sofridas para Alexander Gustafsson e Patrick Cummins. Jan tem um muay thai bem legal de se ver, principalmente porque sabe usar bem socos curtos. A parte de chutes também é bem interessante, apesar de pouco aproveitada as vezes. O problema é que Blachowicz é praticamente nulo na hora de defender quedas e investidas no clinch, além de ter um preparo físico bem fraquinho.

Ex-campeão dos meios-pesados da RFA, Devin Clark (8-1 no MMA, 2-1 no UFC) não começou bem no UFC após ser nocauteado pelo brigão Alex Nicholson, mas após duas vitórias sobre Josh Stansbury e Jake Collier, Clark passa a ser um candidato ao top 15 da organização. Wrestler de origem, Clark ainda tem uma certa dificuldade para derrubar seus adversários, principalmente por conta de sua precipitação na hora da execução das quedas, mas se torna um lutador interessante quando consegue variar o jogo antes de derrubar. A parte em pé ainda é meio crua e tende a ser pior nos combates quando ele se frustra por não conseguir a queda.

Devin Clark vs Jan Blachowicz odds - BestFightOdds

O interessante do combate é que Blachowicz tem um jogo ruim para Clark e vice-versa. Existe alta possibilidade do polonês mandar um pedradão e apagar o americano, assim como Devin tem boas chances de cravar o ex-campeão do KSW no solo. Em um dos duelos mais equilibrados da noite, minha aposta é que o fator casa vai pesar para Janko, que vence por nocaute no primeiro round.

Peso Médio: Oskar Piechota (POL) vs. Jonathan Wilson (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Abrindo as ações da porção principal da noite, o polonês Oskar Piechota (8-0-1 no MMA) faz a sua estreia no octógono mais famoso do mundo. Ele carrega nove lutas de invencibilidade e era o campeão dos médios do Cage Warriors, batendo o prospecto Jason Radcliffe na luta que valeu o cinturão. Faixa-preta de Robert Drysdale, Piechota já participou de seletivas do ADCC e venceu alguns campeonatos de jiu-jítsu na Europa. Além da parte agressiva no chão, ele também é bom em pé, com bons jabs para marcar a distância, bons contragolpes e um poder de nocaute gigantesco. É um dos nomes interessantes para o futuro do peso médio.

Depois de uma boa estreia contra Chris Dempsey, Jonathan Wilson (8-2 no MMA, 1-2 no UFC) acabou ficando inativo por um longo tempo e retornou com duas derrotas em 2016, para Henrique Frankenstein e Ion Cutelaba. Wilson é um lutador que se destaca bastante pelo seu poder de nocaute e a explosão. Trabalha bem os socos antes de soltar um pedradão definitivo, mas ainda tem diversas falhas, como o preparo físico mediano e o gosto por engolir socos.

Jonathan Wilson vs Oskar Piechota odds - BestFightOdds

Piechota vs. Wilson é candidato a abocanhar uma das premiações pós-luta. O caminho para o polonês pode ser fácil, caso ele queira derrubar Wilson e trabalhar uma finalização rapidamente. Se a luta ficar na troca de socos, não temos vantagem para ninguém, mas a maior probabilidade de nocaute também é de Oskar, e essa é a nossa aposta.

  • James sousa

    As duas lutas principais devem ser as melhores do card principal