UFC Fight Night 115: Volkov vs. Struve – Prévia do Card Principal

O confronto mais alto da história do UFC lidera o card de retorno da maior organização do MMA mundial à Holanda. Além dos pesos pesados Alexander Volkov e Stefan Struve, o UFC Fight Night 115 ainda tem outros duelos interessantes.

Chega de MayMac. É hora de voltar a falar de MMA. Com o fim do mês de férias da maior organização do mundo, o octógono volta a ser montado neste sábado do outro lado do Oceano Atlântico. A Ahoy Rotterdam será palco do UFC Fight Night 115, cujo curto card principal de quatro lutas tem grande possibilidade de acabar em interrupções.

Na luta mais importante da noite, um duelo de gigantes. Literalmente. O ex-campeão do Bellator Alexander Volkov, 2,01m de altura, busca a terceira vitória seguida no UFC contra Stefan Struve, dez centímetros mais alto e que também tenta o terceiro triunfo consecutivo no octógono.

Duelo de estilos marca o confronto entre o violento afegão Siyar Bahadurzada e o grappler australiano Rob Wilkinson. Eles sucedem o encontro entre a americana Marion Reneau e a estreante brasileira Talita de Oliveira. Abrindo a porção principal do evento, Leon Edwards e Bryan Barberena tentam se aproximar do ranking do peso meio-médio.

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Lembrem-se que, como se trata de um evento na Europa, o UFC Fight Night 115 será exibido bem mais cedo que o normal. O primeiro combate preliminar está marcado para ir ao ar às 12:45h, enquanto o card principal deve começar às 16:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Pesado: #7 Alexander Volkov (RUS) vs. #8 Stefan Struve (HOL)

Por Alexandre Matos

Alexander Volkov

Russo, branco, loiro, alto e striker. Obviamente surgiria alguém para apelidar Volkov (28-6 no MMA, 2-0 no UFC) de “Drago”. Segundo campeão da história do Bellator, Volkov reinou por quase um ano na empresa rival, mas tombou logo na primeira defesa, quando levou um sacode de Vitaly Minakov. Ele respondeu rapidamente, venceu o torneio da categoria, mas dois reveses para Cheick Kongo e Tony Johnson deram a impressão que o russo tinha chegado no limite. Surpreendentemente o UFC o contratou em 2016. Duas lutas depois, lá vai ele escalando rapidamente o deserto do peso pesado.

Engenheiro formado pela principal universidade politécnica da Rússia, Volkov é um striker por natureza. Ele é faixa-preta de tsu shin gen, uma variante do kyokushin desenvolvido pelo falecido mestre Hideyuki Ashihara – Volkov é graduado na faixa marrom no próprio kyokushin. Diz ele que é roxa de jiu-jítsu, mas o talento na luta agarrada indica que ele andou faltando muita aula. Como normalmente é o sujeito mais alto em ação, Alexander domina dois aspectos muito úteis dessa condição: os longos jabs e o versátil conjunto de chutes. Apesar de também ser perigoso no clinch, a luta agarrada é o principal problema tanto defensivo quanto ofensivo de Volkov, um péssimo sinal para esta luta de sábado.

Stefan Struve

Jamais na história do UFC pisou no octógono um sujeito tão alto quanto Struve (32-8 no MMA, 12-6 no UFC). O holandês, que tem altura de pivô da NBA, está por aí há anos, desde que foi brutalmente nocauteado por Junior Cigano, em 2009. Aliás, levar nocautões brutais é especialidade do lombrigão. Travis Browne quase o separou ao meio, Alistair Overeem tentou perfurar o piso do octógono com sua cabeça, Roy Nelson quase o desmontou e Mark Hunt deu-lhe três rachaduras no maxilar.

Struve é holandês, enorme, mas achou por bem se enveredar pelo caminho suave do jiu-jítsu, a despeito das inúmeras academias de elite de muay thai em seu país. Ele desenvolveu um jogo de solo altamente agressivo e oportunista, perigoso por cima ou por baixo, principalmente quando os setenta metros de pernas envolvem o pescoço do rival. Na troca de golpes, o dono da segunda maior envergadura da história do UFC até hoje pena para ter consistência no uso dos jabs, o que é um crime de lesa-MMA. Apesar do aspecto magrelo, Struve bate forte – já nocauteou o atual campeão Stipe Miocic.

Alexander Volkov vs Stefan Struve odds - BestFightOdds

Este duelo tende a ser muito legal porque o ponto forte ofensivo de um é o fraco defensivo do outro. Derrubar Volkov não é tão fácil quanto parece – tampouco o jogo de quedas de Struve é eficiente -, mas, uma vez derrubando o russo, a tarefa de vencê-lo é bastante facilitada.

A questão é que a luta começa em pé e Volkov tem o estilo clássico de deixar Struve atrapalhado na troca de golpes. E, quanto mais atrapalhado, mais o holandês comete erros. Pode esperar por jabs lançados no ritmo de britadeira e muitos chutes baixos para tirar o equilíbrio de Struve. Uma hora Stefan vai se empolgar e acabará nocauteado. A aposta é que isso deve acontecer até o fim do terceiro round.

Peso Médio: Siyar Bahadurzada (AFE) vs. Rob Wilkinson (AUS)

Por Gabriel Carvalho

Siyar Bahadurzada

Na segunda luta mais importante da noite, um confronto não muito comum entre Afeganistão contra Austrália acontecerá quando Siyar Bahadurzada e Rob Wilkinson entrarem no octógono.

Apesar de ser contratado do UFC desde 2012, Siyar (22-6-1 no MMA, 2-2 no UFC) só fez quatro lutas na organização. A última delas foi no UFC 196, quando surpreendeu e finalizou o americano Brandon Thatch após um desempenho dominante no chão, algo que não veremos todo dia dele.

Aluno do lendário Ramon Dekkers, Siyar se caracteriza pelos punhos rápidos e poderosos. Ele não tem um movimento de cabeça constante, o que pode ser perigoso mais para frente, já que Bahadurzada mostra tendência de virar alvo fixo dos oponentes. A parte de clinch também é interessante, com boas joelhadas. O chão sempre foi seu calcanhar-de-aquiles.

Um dos principais lutadores do MMA australiano nos últimos tempos, Rob “Razor” Wilkinson (11-0 no MMA) conquistou os cinturões do BRACE e do Australian FC em seu país local. Quando foi para a Europa, teve uma boa apresentação pelo EuroFC e recebeu o chamado do UFC para substituir Abu Azaitar.

Com 25 anos de idade, Wilkinson é especialista na arte suave e tem experiência em eventos de submission na Austrália. Apesar do bom jiu-jítsu, o wrestling ainda é bem fraco, com dificuldades na hora das quedas e mais ainda ao controlar o adversário no chão. A trocação é pífia, com diversos problemas defensivos e um preparo físico fraco, que tende a ser mais duvidoso num combate com pouco tempo de preparação.

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Siyar está afastado desde março de 2016, mas acredito que as probabilidades de derrota são bem menores do que em sua última luta, quando também estava afastado havia um bom tempo. Wilkinson sabe que sua chance é no solo, mas, mesmo enfrentando um cara que tem a defesa de quedas bem vazada, o nervosismo do estreante deve atrapalhar o processo. Se Bahadurzada tiver calma na hora de combinar os golpes, ele pode se aproveitar de uma queda de ritmo do australiano para nocautear no segundo round.

Peso Galo: #11 Marion Reneau (EUA) vs. Talita de Oliveira (BRA)

Por Gabriel Carvalho

Marion Reneau

No terceiro duelo do card principal, Marion Reneau busca se aproximar do top 10 da divisão feminina dos galos enfrentando a estreante brasileira Talita de Oliveira, que aceitou o combate com menos de uma semana após a saída da ex-campeã dos penas Germaine de Randamie, que se lesionou.

Primeira mulher com 40 anos completados a lutar no octógono, Marion (7-3-1 no MMA, 3-2-1 no UFC) chegou com 37 anos no UFC, mas não perdeu tempo e conseguiu um lugar no ranking ao bater Alexis Dufresne e Jéssica Andrade. Depois de um vareio sofrido contra Holly Holm e um revés controverso contra Ashlee Evans-Smith, ela venceu a limitada Milana Dudieva e registrou o primeiro empate feminino do UFC contra Bethe Correia.

Na troca de golpes, Reneau sabe muito bem trabalhar os chutes em todas as partes do corpo. Os socos até carregam uma certa potência, mas falta ajuste e a chance de ela tomar um contragolpe é grande, o que aconteceu na luta contra Holm. O jogo de chão é o mais forte. Mesmo sem uma defesa de quedas boa, ela aposta sempre no jiu-jítsu de nível decente para buscar um pescoço e sair com a finalização.

Atleta de Rio das Ostras, no estado do Rio de Janeiro, Talita (5-1 no MMA) assinou com o UFC há uma semana e fará sua estreia contra uma adversária de nível bom. Com 30 anos de idade, ela só perdeu para Juliana Velasquez, que atualmente tem contrato com o Bellator. A brasileira também já teve experiência internacional, quando atuou pelo evento polonês Ladies Fight Night, em abril.

Lutadora da Paraná Vale Tudo, mesma academia de Jéssica Andrade, Talita tem o solo como principal arma. Ela é objetiva e sempre procura colocar a adversária para baixo rapidamente, além de ser bem rápida nas transições e encaixes de finalização. A trocação ainda precisa ser lapidada e pode ser problema para a luta de sábado.

Marion Reneau vs Talita De Oliveira odds - BestFightOdds

A chance da estreante brasileira é no chão. Praticamente todas as suas lutas tiveram uma queda rápida e a busca pela finalização, mas este cenário será um pouco mais difícil de se concretizar com Marion, que, apesar de aceitar quedas facilmente, tem um jiu-jítsu defensivo de alto nível. Na trocação, a vantagem é para a americana, que, mesmo com buracos a serem explorados, tem mais técnica e poder. A pressão da estreia também pode contar contra Talita, portanto, acredito que Reneau irá frustrar o plano inicial da adversária usando o boxe e alguns chutes na linha de cintura para ganhar confiança e conduzir o combate para uma vitória por decisão.

Peso Meio-Médio: Leon Edwards (JAM) vs. Bryan Barberena (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Leon Edwards

A luta mais legal do card principal holandês justamente é a que abrirá as ações. Um confronto entre o jamaicano Leon Edwards e o americano Bryan Barberena tem chances de aproximar um dos dois do top 15 e até levar o bônus de Luta da Noite.

Após se destacar com um nocaute relâmpago sobre Seth Baczynski e perder para Kamaru Usman, Leon (13-3 no MMA, 5-2 no UFC) chegou ao seu melhor momento na organização, vencendo três lutas seguidas e beliscando uma vaga no top 15, que acabou sendo perdida após as chegadas fortes de Rafael dos Anjos e Colby Covington.

Atleta da AKA, Edwards mostra um muay thai poderoso no octógono. Com mãos rápidas, ele sempre soube alternar chutes e joelhadas, além de unir sua técnica com um poder de fogo enorme. Nos últimos duelos, Leon também decidiu apostar no jogo de clinch e solo, tendo sucesso contra Albert Tumenov e Vicente Luque, apesar de necessitar de um certo ajuste na hora de entrada nas quedas.

Bryan Barberena

Descendente de colombianos, Barberena (13-4 no MMA, 4-2 no UFC) colocou seu nome duas vezes entre os candidatos ao prêmio de “Zebra do Ano”, após os triunfos sobre Sage Northcutt e Warlley Alves. Depois da derrota para Colby Covington, voltou a vencer quando nocauteou Joe Proctor.

Lutador da MMA Lab, parceiro de Ben Henderson, Barberena tem o solo como sua principal arma. Ele sabe aplicar boas quedas, sufoca bem no clinch, tem força isométrica, um arsenal interessante de finalizações e um ground and pound decente. Não muito técnico na troca de golpes, Bryan tem sucesso quando encara lutadores com sistema defensivos fracos, o que não é o caso da luta deste sábado.

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A derrota de Barberena para Covington é um bom exemplo do que Edwards pode tentar fazer na luta, e não falo sobre derrubar o americano, mas sim colocar pressão. Leon é talentoso na troca de golpes e precisa ser o agressor do combate, tentar forçar Barberena a ficar de costas para a grade e alternar entre combinações e jogo no clinch. Já Bryan deve buscar o chão no combate, mas eu duvido de sua competência para derrubar o jamaicano. Utilizando bastante os chutes na linha de cintura, acredito que Leon vencerá na decisão dos juízes.

  • Hyury De Carvalho Rabêlo

    Muito boas as análises… Vou torcer pra todas as zebras! Hahaha

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    A luta do Bahadurzada é nos médios bateu 186 lbs, acho que não se cria nessa categoria não…

    E na torcida pelo Struve, talvez o único fã dele por aqui kkk.

    • Gabriel Carvalho

      Opa, valeu pelo adendo.

    • Sexto Empírico

      Também torço pro Struve.

  • James sousa

    Estava com saudades do UFC O card não tem nomes muito conhecidos mais tem bons casamento
    De luta

  • Sexto Empírico

    Num sei o q tá mais feio de ver: esse card ou o meu card de crédito. Espero q ambos dêem a volta por cima e surpreendam, apesar de meu pessimismo.

    Deixa eu ver se eu entendi: o UFC faz um FN europeu na Holanda, com nomes baratos, pra russo ver e passar na matinê da fox americana. Nenhuma das lutas serão relevantes pro desenho competitivo da organização. Já houve fight pass melhor q esse card principal.

    • William Oliveira

      De Volkov e Struve pode sair um contender, mas de resto concordo.

  • Lawan Victor

    Barberena vs Edwards, volta do Bahadurzada, Darren Till, Taisumov vs Silva, Khabilov vs Green e a estreia do Magomedsharipov. Fora a estreia do Edilov, que eu não conheço mas todo mundo fala bem do cara. Respeito a opinião de quem acha esse card fraco, mas eu realmente não concordo.

    • Gabriel Carvalho

      Boa. É a famosa síndrome do “não conheço/não lembro, logo, será chato”.

    • William Oliveira

      Olha o card do último evento em Rotterdam. Não to dizendo que as lutas serão ruins, mas que em nome e importância nos rankings o card é fraco, isso é fato. Também vejo boas lutas como Taisumov e Silva, que não sei direito quem vai ganhar, porém isso só dá pra saber assistindo.

  • William Oliveira