UFC Fight Night 111: Holm vs. Correia – Prévia do Card Principal

O octógono mais famoso do mundo segue do outro lado do globo e aterrissa na Singapura para o terceiro evento internacional seguido. O UFC Fight Night 111 tem lutas muito mais atrativas do que o card da semana passada.

O quarto evento internacional consecutivo da maior organização do MMA mundial acontece neste sábado, quando o Singapore Indoor Stadium, em Kallang, Singapura, abrigar o UFC Fight Night 111, com um card bem mais atrativo do que o da última semana.

O combate principal será uma facada na combalida divisão do peso pena feminino. Holly Holm volta ao peso galo para encarar a ex-desafiante Bethe Correia, num duelo fundamental para as pretensões de ambas.

Também em busca desesperada por vitória, o peso pesado bielorrusso Andrei Arlovski tenta evitar o quinto revés consecutivo contra o embalado Marcin Tybura. Antes, um confronto entre dois lutadores com três vitórias seguidas envolvendo Dong Hyun Kim e Colby Covington, pelo peso meio-médio. Abrindo o card principal, na luta mais interessante do evento, o ex-campeão dos leves Rafael dos Anjos sobe de categoria para encarar o belga Tarec Saffiedine.

Atenção ao horário, já que o evento, que terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate, será disputado do outro lado do mundo. Os fãs terão que madrugar, pois a primeira luta preliminar está marcada para às 05:45h da manhã. O card principal está programado para iniciar às 09:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Galo: #5 Holly Holm (EUA) vs. #11 Bethe Correia (BRA)

Por Anderson Cachapuz

Holly Holm

Era uma vez uma boxeadora, a mais laureada e uma das melhores de todos os tempos, que já havia conquistado tudo o que era possível e resolveu encarar novos desafios. A paixão pelo boxe e pelo kickboxing levaram Holly Holm (10-3 no MMA e 3-3 no UFC), a “Filha do Pastor”, para o mundo do MMA.

Cercada de expectativas, ela chegou à disputa do título máximo também no novo esporte. Foi aí que a estratégia, inteligência e a técnica acima da média de Holm chocaram o mundo, quando a desafiante nocauteou Ronda Rousey no início do segundo round. Quando todos achamos que começaria o reinado de Holm, ela foi sugada pelo coração de Miesha Tate e acabou finalizada no último assalto, quando fazia uma atuação segura. Então ela foi parar em uma eliminatória contra Valentina Shevchenko e, em seguida, na disputa de cinturão inaugural na categoria de cima, contra Germaine de Randamie. Após as três derrotas, Holm precisa recuperar sua confiança para virar a série negativa.

Holly é uma striker muito talentosa. Sua frieza, precisão e inteligência acima da média lhe dão base para um kickboxing fluido e versátil e um boxe que dispensa maiores comentários. A movimentação para todos os lados e a esquiva bem feita permitem avançar, recuar ou ditar o ritmo da peleja. Suas habilidades na luta em pé são tão fortes que acabam mascarando a necessidade de evoluir ainda no solo, onde se tornou presa fácil para a habilidosa Tate.

Bethe Correia

Do outro lado do octógono estará Bethe “Pitbull” Correia (10-2-1 no MMA e 4-2-1 no UFC). Cria da Pitbull Brothers, a paraibana arretada teve uma ascensão meteórica no MMA. Ela chegou ao UFC e conseguiu uma improvável disputa de cinturão (foi a última desafiante antes de Holm). Bethe falou bastante, chegando até a perder um pouco dos limites, mas não conseguiu sustentar no octógono, caindo nocauteada em apenas 34 segundos. Em seguida, anotou uma derrota, uma vitória e um empate, mas sempre fazendo exibições muito aquém do que se esperava.

O fato que justifica essa inconstância de resultados atual é o aumento do nível de competição, ou seja, Bethe encontra-se em um nível que ainda não condiz com seu atual estágio de evolução, panorama que seguirá nesta noite de sábado.

Porém, engana-se quem pensa que a brasileira não tem talento. O boxe é bem ajustado, mas muito baseado no volume, ainda carecendo de maior potência e precisão – seus nocautes vieram muito mais na quantidade do que na qualidade dos golpes. Defensivamente, possui muitas brechas no jogo em pé, mas o mapa da mina é realmente o de chão. Correia ainda precisa evoluir muito no grappling, que lhe deixou na mão em todas as suas derrotas. Aos 33 anos, corre contra o tempo para mostrar que ainda consegue uma outra chance ao cinturão.

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Holm vem de uma sequência de três derrotas que mostra claramente que sua confiança está abalada. Esta é uma luta de recuperação que vem bem a calhar para que a americana recupere a confiança e mude o rumo que sua carreira está tomando.

Minha previsão é que o duelo se desenrole em pé, com Holm controlando a distância e o ritmo do combate. Como é muito superior em pé em relação à brasileira, e eu não vejo Bethe mudando o nível do jogo, a previsão é que Holm, assim que pegar confiança, aumente o ritmo até conseguir o nocaute no início do segundo round.

Peso Pesado: #8 Andrei Arlovski (BIE) vs. #11 Marcin Tybura (POL)

Por Gabriel Carvalho

Andrei Arlovski

Não sei por qual motivo, mas a disputa entre os pesos pesados Andrei ArlovskiMarcin Tybura ultrapassou duelos mais relevantes e acabou posicionado como combate coprincipal do UFC Fight Night 111.

Andrei Arlovski (25-14 no MMA, 14-8 no UFC) foi do céu ao inferno na carreira. Ele voltou ao céu no retorno ao UFC, mas acabou de volta ao inferno depois de registrar quatro derrotas em sequência para o atual campeão Stipe Miocic, para o ex-desafiante Alistair Overeem, para o ex-campeão Josh Barnett e, a mais recente delas, para Francis Ngannou.

Se não fosse um atleta com uma das piores capacidades de absorção de golpes da história – são 10 derrotas por nocaute -, o “Pitbull” seria um dos pesos pesados mais condecorados de todos os tempos. Arlovski é um atleta bem talentoso no kickboxing, com um belo poder de fogo e a interessante habilidade de mesclar quedas junto aos bons socos e chutes. O retorno ao UFC deu a esperança que Arlovski poderia chegar à disputa de título, mas parece que a idade chegou para o bielorrusso.

Marcin Tybura

Ex-campeão dos pesados do M-1 Global, Marcin Tybura (15-2 no MMA, 2-1 no UFC) desembarcou no UFC com a leve esperança de ser um atleta relevante para a divisão masculina mais carente de talento no mundo. Depois de uma frustrante derrota para Timothy Johnson na estreia, se recuperou com dois triunfos por nocaute sobre os limitados Viktor Pesta e Luis Henrique KLB.

A principal característica do jogo do polonês é a luta agarrada. Tybura é faixa-roxa no jiu-jítsu e se destacou em competições em seu país. O kickboxing tem potencial para ser melhor, mas ainda falta melhorar na hora de combinar socos. O clinch vem se tornando o grande vilão de Marcin em seus combates, já que foi justamente neste aspecto que aconteceu a derrota para Tim Johnson, além de KLB ter lhe dado dificuldades quando a luta ficou travada na grade.

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Arlovski definitivamente é o maior oponente que Tybura já teve pela frente. O bielorrusso tem as habilidades e a competência para bater o polonês. O principal cenário seria Arlovski usando os chutes para controlar a distância e guardando as explosões, provavelmente sem se arriscar muito para conseguir uma vitória que adia a sua aposentadoria ou impede a perda do emprego. Não podemos duvidar de Tybura, até por causa da absorção de Andrei, mas acredito que o “Pitbull” vencerá na decisão dos juízes.

Peso Meio-Médio: #7 Dong Hyun Kim (COR) vs. Colby Covington (EUA)

Por Alexandre Matos

Dong Hyun Kim

Não fosse pelo brutal nocaute sofrido diante do agora campeão Tyron Woodley, Kim (22-3-1 no MMA, 13-3 no UFC) estaria vivendo uma sequência de vitórias impressionante. Ainda é notável o fato de ele ter vencido sete das últimas oito, mas o revés fez com que o nível da concorrência caísse nos compromissos seguintes. Após a derrota, o sul-coreano enfileirou Josh Burkman e Dominic Waters. O nível voltou a subir em dezembro, quando Kim superou Tarec Saffiedine, no UFC 207.

O tempo tornou Kim um lutador difícil de prever. O velho cobertor humano muitas vezes dá lugar a um estilo mais agressivo. A luta agarrada e o sufocante controle posicional ainda são suas maiores virtudes, mas ele passou a arriscar mais em pé, com um boxe de bom volume, mas que ainda peca na versatilidade. Defensivamente, Kim é muito difícil de ser derrubado, mas deixa brechas enormes quando se mete a trocar pancadas em pé.

Colby Covington

Com duas trincas de vitórias seguidas entremeadas por uma derrota, Covington (11-1 no MMA, 6-1 no UFC) também pode se vangloriar de um belo retrospecto, embora não tenha enfrentado concorrência sequer próxima do que Kim já encarou. Desde que caiu na conhecida guilhotina de Warlley Alves, o americano se recuperou batendo Jonathan Meunier, Max Griffin e Bryan Barberena, que havia acabado de vencer seu algoz.

Covington também está em fase de evolução, ou melhor, de transição de jogo. Seu forte é igualmente a luta agarrada, mas com maior ênfase no wrestling. Porém, o americano vem melhorando o boxe, adicionando volume e potência aos movimentos. Como os oponentes se preocupam muito com suas quedas, ele tem conseguido explorar brechas, mas ainda larga mais mata-cobras do que o desejado. No entanto, a chave para esta luta de sábado é a intensidade.

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A diferença de experiência é imensa para este combate. Como se trata de dois lutadores um tanto desastrados defensivamente na área do striking, talvez Covington se veja em perigo no começo do combate. No entanto, a expectativa é que ele use um volume alto de socos e chutes baixos para evitar a aproximação de Kim. Por outro lado, esta é a hora de o coreano voltar ao velho estilo de abafar na grade, derrubar e cair por cima.

A previsão é que teremos um primeiro round parelho e que deixará claro o andamento dos outros dois. A possibilidade de alguém tombar nocauteado na parcial inicial é considerável, bem como uma finalização a favor de Kim, mas a aposta recai no controle do ritmo por parte de Covington, que vencerá na decisão dos juízes.

Peso Meio-Médio: #11 Tarec Saffiedine (BEL) vs. Rafael dos Anjos (BRA)

Por Rafael Oreiro

Tarec Saffiedine

O belga Tarec Saffiedine (16-6 no MMA, 2-3 no UFC) chegou ao UFC com o status de último campeão do peso meio-médio do finado Strikeforce, mas falhou até agora em corresponder às expectativas que foram colocadas sobre ele. Sua estreia no UFC, contra Hyun Gyu Lim, chegou a deixar os fãs empolgados, mas uma lesão o fez com que ficasse parado por dez meses até ser nocauteado por Rory MacDonald. Depois de mais uma lesão, que o afastou por 15 meses, ele finalmente emendou diversas lutas em um ano, três em 2016, mas com resultados não tão bons. Na primeira, venceu Jake Ellenberger. Na segunda, foi dominado por Rick Story e, na terceira, perdeu uma decisão dividida duvidosa para Dong Hyun Kim.

Saffiedine tem capacidade excepcional na troca de golpes, misturando estilos como o caratê shihaishinkai, o muay thai, o kung fu e o taekwondo para se fazer imprevisível, com chutes saindo a qualquer hora e de qualquer postura. Com essas características, os chutes acabam sem tanta pressão para atingir o adversário, fazendo com que Saffiedine não seja conhecido por nocautes (sua última interrupção tem sete anos). Com os treinos na Team Quest, o belga melhorou consideravelmente o wrestling defensivo e ofensivo, demonstrando isso no confronto contra Dong Hyun Kim, quando conseguiu equilibrar as ações na luta agarrada contra o forte coreano.

Rafael dos Anjos

Um ano atrás, Rafael dos Anjos (25-9 no MMA, 14-7 no UFC) ainda era o campeão dominante do peso leve, caminhando para a segunda defesa de cinturão como favorito contra Eddie Alvarez. Após ser nocauteado no primeiro round, ele voltou a sentir o gosto da derrota contra Tony Ferguson, em um desempenho não tão bom do brasileiro. Insatisfeito com os resultados negativos e sentindo que o corte drástico de peso vinha lhe prejudicando, Dos Anjos decidiu subir de categoria para o peso meio-médio, onde lutará pela primeira vez em sua carreira profissional.

Depois de sair da Kings MMA, a quem a maioria das pessoas credita seu incrível crescimento técnico na trocação, Rafael vem variando bastante o local de seus treinos. A maior parte do camp para esta luta aconteceu na Evolve MMA, em Singapura, e junto de Jason Parillo na Califórnia, na companhia de Michael Bisping. O brasileiro continua a ser um lutador completo, bastante eficiente no muay thai, com bom wrestling e excelente jiu-jitsu. O condicionamento físico, que era ótimo em seus tempos áureos no peso leve, deve melhorar ainda mais com a subida para os meios-médios. Na nova categoria, Dos Anjos não terá diferenças de altura ou alcance muito acentuadas, mas ainda fica a dúvida se ele terá a capacidade física para trocar força contra meios-médios naturais.

Rafael Dos Anjos vs Tarec Saffiedine odds - BestFightOdds
Com a luta provavelmente se passando quase inteira na troca de golpes em pé, a expectativa é que Rafael dos Anjos use o jogo de pressão para aproveitar os lapsos de atividade de Saffiedine e não deixe o belga em uma distância confortável para lançar chutes com precisão. Caso o brasileiro tente a queda, Saffiedine deve conseguir se defender bem e talvez surpreender levando dos Anjos para o chão, mas não deve se arriscar por muito tempo ali.

No final, o duelo será decidido pela capacidade que Dos Anjos tem para não deixar Saffiedine confortável na troca de golpes. Com três rounds bastante equilibrados, acho que Rafael dos Anjos não se adaptará tão bem de primeira no peso meio-médio, com o striker mais técnico se dando melhor. A aposta é Tarec Saffiedine levando a vitória em uma decisão apertada.

  • James sousa

    Expectativa para a estreia do Dos Anjos na nova divisão essa luta no mínimo devia ser co main event o Saffiedine deixou a Tristar Gym está na tigre Muay thai e o Dos Anjos fez o camping com o Parillo em Anaheim

    • Marcos E

      Co main event! Concordo.

  • Rafael Maia

    Posso estar errado, mas acho que a Bethe não vai ver a cor da bola…

    • Gabriel Carvalho II

      Eu acho que a Bethe não é tão ruim quanto a galera fala, mas Holly Holm é um outro nível, deve perder mesmo.

      • Rafael Maia

        Pra mim, é tipo o campeão brasileiro jogando contra o campeão da Champions league…

  • André Guilherme Oliveira

    To bem surpreso com as odds da luta do Kim vs Colvington. Se tivesse condições colocaria uma grana nessa luta, não vejo o americano vencendo essa a não ser que o Kim se meta a striker novamente.

  • bruno carrer

    PFV, alguem entende o pq dessas cotas das lutas: Arlovski e Kim, estarem tao desproporcionais assim????????

  • Anderson Tomaz

    A chave pra Bethe teria sido apostar um camping inteiro no grappling. Como acredito não tenha sido o caso, a luta se desenrolará em pé, e daí é caixão.