UFC Fight Night 109: Gustafsson vs. Teixeira – Prévia das Principais Lutas

UFC Fight Night 109: Gustafsson vs. Teixeira – Prévia das Principais Lutas
MMA

No evento que foi movido da Dinamarca para a Suécia, quatro dos dez principais pesos meios-pesados do ranking do UFC estarão em ação no Ericsson Globe para o UFC Fight Night 109.

O octógono mais famoso do mundo retorna à terra dos vikings no próximo domingo para o UFC Fight Night 109. A espetacular Ericsson Globe Arena, na capital sueca Estocolmo, receberá quatro integrantes do top 10 do peso meio-pesado de olho nos desdobramentos do futuro próximo da categoria.

Três brasileiros foram pinçados para a nossa prévia colaborativa. No combate principal, Glover Teixeira atravessa o Oceano Atlântico para enfrentar o ídolo local Alexander Gustafsson, num confronto primordial para as pretensões de ambos para uma luta pelo cinturão. Pela mesma categoria, o suíço Volkan Oezdemir tenta mostrar que o resultado da estreia não foi um acidente contra o letão naturalizado canadense Misha Cirkunov.

Pelo peso leve, Joaquim Netto BJJ terá pela frente o selvagem sueco Reza Madadi, enquanto Pedro Munhoz vai se chocar com o polonês Damian Stasiak, em combate válido pela categoria dos galos. Estes dois duelos estão escalados no card preliminar do evento.

Atenção para o dia e horário do UFC Fight Night 109, que será transmitido na íntegra e ao vivo neste domingo pelo canal Combate. Como se trata de um evento na Europa, a programação começa bem mais cedo, às 11:00h especificamente, para o primeiro combate do card preliminar. O principal está previsto para iniciar às 14:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Meio-Pesado: #1 Alexander Gustafsson (SUE) vs. #2 Glover Teixeira (BRA)

Por Alexandre Matos

Alexander Gustafsson

Durante o percurso da destruição da categoria promovida primeiro por Jon Jones, seguida por Daniel Cormier, tanto Gustafsson quanto Teixeira eram apontados como ameaças reais ao trono. No fim das contas, ambos acabaram passando por trajetórias parecidas. Foram derrotados em lutas de cinturão (Glover para Jones, Gustafsson para Jones e Cormier), seguidos de reveses melancólicos dentro de casa (Glover para Phil Davis, Gustafsson para Anthony Johnson). Agora estão ambos vindo de uma vitória, tentando uma corrida de recuperação, que deve ser a última para o brasileiro, sete anos mais velho.

Aliás, ter sido nocauteado pelo “Rumble” é outra semelhança, ainda mais quando percebemos que os nocautes aconteceram por falhas do sueco e do mineiro. No âmbito técnico, Gustafsson (17-4 no MMA, 9-4 no UFC) é um boxeador muito técnico e veloz, que utiliza muito bem suas vantagens na altura e na envergadura. Ele se movimenta como se fosse bem menor e consegue executar um fluxo elevado de golpes. Esta movimentação ainda permite que ele cubra a longa distância e rapidamente entre no raio de ação, seja para jogar uppercuts violentos ou joelhadas, para logo retornar à posição de origem. Contra lutadores lentos, esta combinação costuma ser mortal.

Glover Teixeira

Assim como o sueco, Glover (26-5 no MMA, 9-3 no UFC) também se destaca pelo boxe técnico, mas com a diferença que aposta bem mais na potência do que na velocidade – na verdade, os punhos até são velozes, a despeito das pernas; mal comparando, como se fosse um Mike Tyson do MMA. Especialmente quando está no infighting, Teixeira consegue disparar combinações curtas de imenso potencial de destruição. Ele completa o jogo com um jiu-jítsu muito perigoso, técnico, que é ajudado por um wrestling simples, mas eficiente, superior a da média de seus compatriotas. As transições no solo ainda abrem espaço para um ground and pound violento.

O wrestling pode ainda fazer a diferença neste duelo. Gustafsson foi o primeiro a conseguir derrubar Jones e permaneceu como o único até Cormier repetir o feito – de quebra, botou Cormier para baixo também. Glover sequer teve chance contra Jones, mas usa a modalidade com autoridade contra oposição menos qualificada. Já no aspecto defensivo, Gustafsson é mais testado do que Teixeira e o brasileiro ainda terá que lidar com o fator surpresa, sem cair na esparrela de achar que o sueco não usaria o wrestling, erro que Jones cometeu no UFC 165.

Alexander Gustafsson vs Glover Teixeira odds - BestFightOdds

Fazer Gustafsson parar diante de si, como fez com Ryan Bader, não parece uma alternativa viável para Glover neste momento. Dificilmente o europeu estará disposto a ter o mesmo fim diante de seus compatriotas do que teve contra “Rumble” Johnson. Por este motivo, acredito que o melhor caminho para o brasileiro será encurtar a distância para pegar Gustafsson no ponto futuro de sua movimentação e tentar derrubá-lo para pressionar por cima, seja no ground and pound ou no controle posicional e botes para finalização.

O trauma da derrota para Johnson diante de 30 mil suecos deve ser o combustível para a preparação de Gustafsson. Mais rápido, mais técnico e mais versátil trocando golpes na longa distância, o que se espera é que o sueco imprima uma estratégia mais parecida com a da vitória sobre Maurício Shogun do que contra Jimi Manuwa, já que Glover é muito mais perigoso do que o inglês na curta distância. Assim, fazendo Teixeira cansar de correr atrás, Gustafsson deve vencer rounds até ouvir seu nome ser anunciado por Bruce Buffer como vencedor.

Peso Meio-Pesado: #5 Volkan Oezdemir (SUI) vs. #7 Misha Cirkunov (LET)

Por Rafael Oreiro

Volkan Oezdemir

Recém-chegado ao UFC, Volkan Oezdemir (13-1 no MMA, 1-0 no UFC) já ocupa a quinta posição do ranking dos meios-pesados depois de vencer Ovince St. Preux em sua estreia, quando foi chamado de última hora para substituir Jan Blachowicz. Sim, o caboclo já chegou em quinto lugar por bater no OSP. Em que baita estado está a categoria! Ainda assim, Oezdemir é um dos poucos lutadores decentes que chegaram para integrar a divisão nos últimos anos, e ainda é relativamente novo, com 27 anos.

Um dos antigos integrantes da Blackzilians que segue treinando com Henri Hooft, Oezdemir é um ótimo striker, que costuma variar muito entre socos e chutes, buscando sempre avançar e pressionar seu oponente, mas que às vezes acaba se deixando levar pela emoção, ficando muito tempo na curta distância. Ele também parece se sentir confortável no clinch, onde conseguiu travar bem OSP por alguns periodos e acertar boas cotoveladas e joelhadas, mas essa provavelmente não seria uma boa estratégia para aplicar contra seu adversário deste evento. O suíço ainda não foi testado na luta agarrada no UFC, mas sua única derrota na carreira aconteceu por finalização, em um headlock poucos anos atrás, no Bellator.

Misha Cirkunov

Depois de muitos boatos e negociações, finalmente tivemos notícias que Misha Cirkunov (13-2 no MMA, 4-0 no UFC) renovaria seu contrato com o UFC. Como se trata de um dos raros nomes da lenta renovação pela qual passa a divisão, seria um desastre a saída do letão radicado no Canadá.

Cirkunov chegou no UFC no final de 2015, nocauteando o baranguíssimo Daniel Jolly no primeiro round. Desde então, emendou duas vitórias por finalização sobre Alex Nicholson e Ion Cutelaba antes de enfrentar Nikita Krylov, no final do ano passado. Quando todos esperavam uma luta equilibrava, Cirkunov tratou de decidir rapidamente, também por finalização.

Misha é um baita brutamontes, que tem um bom wrestling e uma faixa preta de jiu-jítsu, combinação bem perigosa para seus adversários. Quando ele consegue encurtar e chegar no clinch, pode acreditar que é muito difícil para seu oponente escapar da pegada até ser finalizado ou terminar o round sofrendo no ground and pound. Ele ainda tem bastante o que melhorar na troca de golpes em pé, situação em que se mostrou lento e com pouco repertório por algumas vezes, mas Cirkunov vem melhorando e se mostrando cada vez mais confiante nesta área.

Misha Cirkunov vs Volkan Oezdemir odds - BestFightOdds

Apesar da vitória de Oezdemir sobre um top 6 como St. Preux, ainda é difícil confiar em seu desempenho contra os melhores lutadores da divisão até 205 libras. É difícil imaginar que Oezdemir consiga passar a luta inteira escapando da pegada do superior Cirkunov, que não deve ter tantas dificuldades para levar a luta para o chão e finalizar mais um, desta vez no segundo round.

Peso Galo: #12 Pedro Munhoz (BRA) vs. Damian Stasiak (POL)

Por João Gabriel Gelli

Pedro Munhoz

Mais um talentoso nome que chegou para habitar o crescente peso galo do UFC, Pedro Munhoz (13-2 no MMA, 3-2 no UFC) alcançou o top 15 da divisão após um par de vitórias por guilhotina sobre Justin Scoggins e Russell Doane. No entanto, antes disso, viveu um certo momento irregular no começo de sua carreira no octógono, derrotado em dois de seus quatro primeiros compromissos, perdendo para os ótimos Raphael Assunção e Jimmie Rivera. Para piorar, ainda foi flagrado com níveis elevados de testosterona e cumpriu suspensão de ano, além de ver o triunfo contra Jerrod Sanders transformada em no contest.

Para superar as dificuldades das primeiras apresentações no UFC, Munhoz contou com algumas evoluções na luta em pé treinado por Rafael Cordeiro, com quem não está mais. Com um volume razoável, não será confundido com um nocauteador, mas é capaz de se virar nessa vertente. Contudo, sua maior força está na luta agarrada, com quedas bem desenvolvidas e um arsenal forte de finalizações, que deixam os adversários alertas a todo segundo. Em suas duas últimas vitórias, se aproveitou de pequenas brechas em transições de Scoggins e Doane para encerrar os combates, mostrando ser um oponente muito perigoso.

Damian Stasiak

Do outro lado do octógono estará Damian Stasiak (10-3 no MMA, 2-1 no UFC), que também chega ao confronto vindo de duas vitórias seguidas por finalização. Na primeira delas, superou Filip Pejic com imensa tranquilidade, em um passeio na luta agarrada. Na outra, conseguiu arrancar os três tapinhas de Davey Grant com uma chave de braço no UFC 204, na casa do adversário, em luta que não estava correndo muito bem para ele até aquele momento.

Assim como Munhoz, suas maiores habilidades estão à mostra quando o combate se encontra no solo. Para levar a luta para esta situação, Stasiak usa um wrestling insistente e de nível razoável. Quando consegue colocar o oponente de costas para o chão, busca finalizações de forma incessante e agressiva. Por outro lado, apesar de ter um histórico no caratê, o europeu é muito limitado na luta em pé, com um fluxo quase inexistente de golpes.

Damian Stasiak vs Pedro Munhoz odds - BestFightOdds

As odds para esta luta são largas por um simples motivo: o brasileiro é melhor que o polonês em todos os ramos do MMA. Por mais que seja preciso ficar atento para não cometer vacilos e cair em uma finalização, Munhoz deve controlar a luta em pé com uma quantidade superior de golpes lançados e eventualmente conseguir uma queda para pontuar no solo. Dessa forma, provavelmente sairá vencedor em uma decisão tranquila ou então anotará mais uma submissão.

Peso Leve: Reza Madadi (SUE) vs. Joaquim “Netto BJJ” Silva (BRA)

Por Gabriel Carvalho

Reza Madadi

Em um combate com tremendo potencial de batalha que ficou escondido no card preliminar, Reza Madadi faz o seu provável combate de aposentadoria contra o invicto brasileiro Joaquim “Netto BJJ” Silva.

Nascido no Irã e radicado na Suécia, Madadi (14-5 no MMA, 3-3 no UFC) ficou conhecido pelas grandes batalhas proporcionadas dentro do octógono – bons exemplos são a finalização sobre Michael Johnson e a controversa derrota para Cristiano Marcello. Depois de ter a carreira interrompida por ter sido preso, em 2013, Madadi recebeu sua segunda chance no UFC e registrou retrospecto de 1-2 desde o retorno.

Campeão em diversas competições de wrestling na Suécia, Madadi adicionou o boxe ao seu jogo e tenta conciliar os golpes e as fintas para conseguir quedas em seus adversários. “Mad Dog” é bem perigoso quando a luta está no solo, principalmente com o seu agressivo ground and pound e uma interessante habilidade no jiu-jítsu.

Joaquim Netto BJJ

Em mais uma prova que o programa The Ultimate Fighter não é dos grandes parâmetros para analisar técnica, Netto BJJ (9-0 no MMA, 2-0 no UFC) caiu nas semifinais da quarta edição do reality no Brasil, mas é o único daquele torneio que ainda permanece no UFC, conseguindo vitórias com propriedade sobre Nazareno Malegarie e Andrew Holbrook.

Apesar do apelido “BJJ”, Netto é um ótimo lutador de muay thai. Sempre potente e agressivo, ainda tem algumas falhas a corrigir na hora de lançar golpes, fato que deve ter sido mudado em seu longo período fora por conta de lesões. Uma dúvida que pode recair em cima do curitibano é o fato de ter uma frequência baixa de lutas – foram apenas duas em quase dois anos de UFC.

Joaquim Silva vs Reza Madadi odds - BestFightOdds

Minha animação para este combate é grande. Mesmo tendo uma vantagem nas quedas e na luta de solo, acredito que Madadi deve trocar pancada com Netto, o que deve render bons momentos, com vantagem para o brasileiro. A expectativa é que Joaquim vá cansando Reza, que não terá forças necessárias para levar o combate ao chão. Acredito no coração do iraniano e aposto que ele sobreviverá aos 15 de minutos de luta, mas perderá por decisão.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Caramba, nem lembrava direito dessa vitória do Madadi no Johnson (top 10 atual), se não tivesse roubado a joalheria lá poderia ter tido mais sucesso na carreira…

    • Beto Magnun

      Johnson é uma ameba de costas pro Chão.

      • Idonaldo Gomes Assis Filho

        Mas ainda sim é uma vitória sobre o 6º do ranking atual, não vi a luta, mas é impressivo no recorde do Madadi hehe

    • O problema do Madadi é o QI de luta limitado. Ele é meio maluco, é fácil tirá-lo da estratégia.

  • James sousa

    se o Glover não conseguir usa seu wrestling com o Gustafsson vai ter problemas na luta vejo o Sueco levando vantagem em pé até pelo estilo mais parado do Brasileiro

  • Binho Vianna

    Estão subestimando demais Stasiak (O Demian Maia polonês), apesar do favoritismo do Munhoz ser correto, de dez luta Stasiak levaria três, portanto essas odds estão bem exageradas. Acredito que Madadi pode surpreender, tem bem mais experiência de luta e pode aguentar bem porrada, aliás, vai se aproveitar disso para derrubar o brasileiro.

    • Gabriel Carvalho II

      Coitado do Demian Maia.

      • Hahahaha

        • Binho Vianna

          haha tá legal, eu disse polonês, pois é o mais próximo o que eles tem lá de um Maia. Stasiak tem um oportunismo de grappler que lembra o Demian.

    • João Gabriel Gelli

      Não consigo ver o Stasiak vencendo sem ser em uma finalização oportunista, sendo que o Munhoz é ainda melhor que ele nisso.

    • Não ignore o baixo QI de luta do Madadi.

  • Weslei Alvarenga

    Vamos mandar a real, o Madadi vai cair no dibre do Neto de qualquer jeito, maluco como ele é, vai pra porrada de baile funk desde o primeiro segundo !

    • Sexto Empírico

      ???

      • Cair no dibre do Netto é achar que ele atua mais como grappler e não striker.

        • Weslei Alvarenga

          Outro bom exemplo é a Ju Thai, pelo nome você pensa que é uma striker, mas chega na hora a mulher só quer saber de botar pra baixo.

    • Certeza que a porrada vai estancar nessa luta.

  • Sexto Empírico

    Glover, 37, ta feliz com o seu green card, seu status no UFC e plantando beterraba no fundo do quintal.
    Gustafsson, idolo em seu pais, disse q não está mais motivado e q gosta da carreira de modelo.

    Irão fazer uma lutaca, pq é do feitio deles. Porém me aborrece o tanto que eles não querem mais lutar. Sem vontade. Parece q chegam pra bater o cartão, dar desculpas e seguir para o próximo combate.
    Depois reclamam do Mcgregor…