UFC Fight Night 107: Manuwa vs. Anderson – Prévia das Principais Lutas

O nocauteador Jimi Manuwa e o ascendente Corey Anderson duelam pelo top 5 do peso meio-pesado na luta principal do UFC Fight Night 107, a primeira vez que o octógono desembarca na Europa em 2017.

O sábado lotado de atrações para os fãs de luta começa cedo – e logo com a maior organização do MMA mundial. A O2 Arena, em Londres, servirá de palco para a despedida de um veterano e vários combates promissores no UFC Fight Night 107.

Liderando pela segunda vez um card no país que o acolheu, o meio-pesado Jimi Manuwa encara Corey Anderson para medir quem segue em frente no top 5 da divisão. No mais promissor duelo da noite, Gunnar Nelson e Alan Jouban fazem um confronto de estilos e personalidades opostas. Antes, Brad Pickett encerra uma divertida carreira diante de seus compatriotas contra o equatoriano Marlon Vera. Abrindo o card principal, outro esperado confronto colocará frente a frente os talentosos Arnold Allen e Makwan Amirkhani. Nossa prévia ainda pinçou das preliminares a tentativa de Vicente Luque chegar à quinta vitória seguida. Para impedi-lo, foi escalado o local Leon Edwards.

Fiquem atentos, pois, como o evento será na Europa, os horários são bem mais cedo que o padrão. O canal Combate, que fará a transmissão de todo o card ao vivo e na íntegra, mostrará a primeira preliminar a partir das 14:30h, enquanto a parte principal do evento deve iniciar às 18:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Meio-Pesado: #4 Jimi Manuwa (NIG) vs. #6 Corey Anderson (EUA)

Por Rafael Oreiro

Jimi Manuwa

Tendo a chance de fazer a luta principal de um card em Londres pela segunda vez, o nigeriano naturalizado inglês Jimi Manuwa (16-2 no MMA, 5-2 no UFC) espera não desapontar o público local dessa vez. Após a derrota por nocaute para Alexander Gustafsson, em 2014 – que acabou com sua invencibilidade na carreira – o “Poster Boy” se recuperou com uma vitória pouco empolgante sobre Jan Blachowicz, somente para ser novamente nocauteado por um integrante da nata da categoria, Anthony Johnson. Mesmo com os resultados ruins contra os melhores, ele consolidou sua posição de top 5 após um nocaute brutal sobre Ovince St. Preux, no UFC 204.

Apesar de ter chegado mais recentemente à parte de cima da categoria, a idade já vai dando sinais de estar surtindo efeito sobre o inglês. Com 37 anos e o queixo já testado contra Gustafsson e Johnson, ainda assim o “Poster Boy” é um lutador mortal em pé – com 14 nocautes em suas 16 vitórias – com ótima base no kickboxing, soltando golpes com as mesmas desenvoltura e potência com as mãos e os pés. Manuwa também possui muita habilidade no clinch, usando bastante as joelhadas, mas normalmente demonstra em todas as suas lutas ter certa deficiência na defesa de quedas, o que pode ser horrível contra um oponente como Anderson. No chão, Manuwa parece saber o suficiente para se proteger e se levantar, mas ainda não demonstrou habilidade o suficiente para justificar sua faixa roxa de jiu-jístu.

Corey Anderson

É um grande mentiroso quem diz que não fica empolgado quando vê Corey Anderson (9-2 no MMA, 6-2 no UFC) entrar no octógono. O antigo “Beastin 25/8” e atual “Overtime” foi um raio de luz no esquecível TUF 19, o único do elenco do programa a ainda ter emprego no UFC. Depois de vencer o TUF e ser rotulado como uma grande promessa da categoria, Anderson conseguiu uma série de vitórias pouco animadoras por decisão intercaladas por derrotas devidas a erros dele mesmo, contra Gian Villante e Maurício Shogun. Após a derrota polêmica para a lenda brasileira, o americano voltou ao caminho das vitórias ao conseguir sua primeira interrupção no UFC no nocaute sobre Sean O’Connell.

A qualidade principal do jogo de Anderson é seu wrestling, com ótimas entradas de queda e controle posicional, mas costuma ser muito pouco efetivo com as posições que conquista no chão, o que costuma tornar suas lutas não tão emocionantes. O americano também tem boa habilidade no boxe, utilizando muito sua envergadura para marcar a distância com jabs, mas ainda comete muitos erros principalmente ao aceitar trocar golpes na curta distância, onde foi nocauteado por Gian Villante e derrubado por Mauricio Shogun.

Jimi Manuwa vs Corey Anderson odds - BestFightOdds

Se Anderson aceitar a troca de golpes em pé por tanto tempo quanto aceitou contra Shogun, a chance de acabar nocauteado novamente é grande, já que Manuwa tem potência e experiência suficientes para aproveitar as brechas que o americano dá em pé. Mas esse perigo deve decair de acordo com o passar dos rounds, aumentando a facilidade com a qual Anderson deve impor seu jogo de quedas e controle posicional.

Em resumo, o prognóstico de uma luta de cinco rounds é bastante positivo para Anderson, que é mais jovem, tem condicionamento físico melhor e é excelente no ponto fraco do adversário. Ainda assim, acho que inicialmente Manuwa deve conseguir se manter de pé pelo tempo suficiente para conseguir um nocaute em um dos dois primeiros rounds.

Peso Meio-Médio: #9 Gunnar Nelson (ISL) vs. Alan Jouban (EUA)

Por Alexandre Matos

Gunnar Nelson

Tudo corria bem na carreira de Nelson (15-2-1 no MMA, 6-2 no UFC), invicto no MMA, até sucumbir a uma zebra chamada Rick Story. Desde então, entrou numa gangorra de resultados: venceu Brandon Thatch com uma espetacular finalização antecedida por um knockdown, levou um passeio no chão por cortesia de Demian Maia e afastou Albert Tumenov do topo dos meios-médios com mais um triunfo por submissão.

Filho pródigo da simpatica Reykjavík, na Islândia, Nelson é um faixa-preta de jiu-jítsu dos mais respeitados no MMA. O medalhista do ADCC encontra-se provavelmente num ponto muito abaixo de Demian e muito acima do resto da divisão quando falamos de arte suave aplicada ao MMA. Pupilo de John Kavanagh e principal parceiro de treinos de Conor McGregor na SBG Ireland, Gunni também tem a graduação preta no caratê. Porém, se no chão ele é um dínamo, seu estilo é bem mais comedido quando luta de pé, embora seja capaz de lançar uma gama versátil de chutes. Como não produz ofensivamente com muita intensidade, Nelson acaba dando brecha para oponentes pressioná-los, aproveitando da desvantagem física que o islandês tem para a maioria da categoria.

Alan Jouban

A carreira de Jouban (15-4 no MMA, 6-2 no UFC) no octógono segue um caminho oposto à de Nelson, embora o retrospecto seja idêntico. A gangorra ficou no começo, quando ele venceu três e perdeu duas. A derrota para Tumenov, num nocaute brutal, parece que colocou algumas coisas em ordem e o americano finalmente desabrochou, vencendo três vezes consecutivas, parando os prospectos Belal Muhammad e Mike Perry. Agora é a hora da verdade para saber se Alan vai em frente ou se seu lugar é pelo meio da tabela.

Numa prévia anterior, eu disse que, se não fosse tão maluco, talvez Jouban pudesse vislumbrar um futuro no top 10. A chance apareceu agora. Ele ficou conhecido como um daqueles lutadores que se protegem com a cara e que mandam um mim acher para a defesa. Não vou dizer que, perto de completar 36 anos, Jouban se tornará um lutador defensivamente cerebral, mas pelo menos contra o perigoso Perry, os riscos já foram menores em parte da luta. O lado positivo é que ele tem exatamente o estilo de pressão para incomodar Nelson. E, caso a luta vá para o chão, o faixa-marrom de Eddie Bravo no jiu-jítsu talvez consiga se defender. Talvez.

Alan Jouban vs Gunnar Nelson odds - BestFightOdds

Caso Nelson comece a luta no cerca-lourenço, jogando golpes espaçados, vai correr um risco enorme de ser engolido pelo olho do furacão. Para Jouban, desgastar o adversário no clinch é uma boa pedida para que seu condicionamento e força física façam a diferença no passar do tempo. Porém, uma possibilidade grande é que, numa das investidas de Jouban, Nelson consiga transportá-lo para o chão e encaixar uma finalização.

Peso Galo: Brad Pickett (ING) vs. Marlon Vera (EQU)

Por Diego Tintin

Brad Pickett

Quando o árbitro atender ao announcer e levantar o braço de um dos atletas, chegará ao fim uma longa e bonita carreira nas artes marciais mistas. Brad Pickett (26-13 no MMA, 5-8 no UFC) deixará como legado 14 anos de história, 39 lutas – a maioria delas com alto grau de insanidade – e um dos apelidos mais legais, com seu “One Punch” baseado no personagem do quase xará Brad Pitt no filme “Snatch – Porcos e Diamantes”.

Em seus bons tempos, Pickett era um lutador incansável, com boxe muito bem ajustado e poder de fogo para um peso galo. Na luta agarrada, tinha qualidade suficiente para disputar de igual para igual com gente do nível de Demetrious Johnson e Scott Jorgensen, rivais em duas das melhores lutas no saudoso WEC, evento que apresentou o inglês ao MMA americano após brilhar nas organizações de seu país natal e rápida passagem pelo PRIDE.

No entanto, o mais cruel dos adversários não deu trégua para Pickett: o tempo. Com a idade chegando, a velocidade desapareceu, o queixo o abandonou e apenas um rascunho daquele bom lutador costuma pintar no octógono ultimamente. Para completar a miséria, passou a fazer lutas monótonas, o que é quase inacreditável para quem o viu por muitos anos deixando as plateias enlouquecidas com grandes espetáculos da mais pura pancadaria.

Marlon Vera

O adversário original de Pickett seria o mexicano Enrique Briones, que se machucou na preparação e cedeu o lugar para o equatoriano Marlon Vera, que nocauteou o próprio Briones com uma pedalada na rodada inicial da primeira temporada do TUF Latino. Com apenas uma semana de preparação, Vera provavelmente só teve tempo para cortar peso e assistir a alguns vídeos do inglês de modo a tentar implantar alguma estratégia para o duelo.

Marlon começou no jiu-jítsu, arte na qual é graduado com a faixa marrom e adicionou alguns bons chutes no seu repertório, mas tem dificuldades no boxe, o que pode ser bem explorado pelo oponente deste sábado. O começo no UFC não foi muito animador para o equatoriano, com a desistência no TUF por conta de um furúnculo quando disputaria a semifinal. Já na organização, alternou derrotas para Marco Beltrán e David Grant com vitórias sobre Roman Salazar e Ning Guangyou (esta luta como peso pena).

Brad Pickett vs Marlon Vera odds - BestFightOdds

O cenário é o ideal para Pickett: oponente pouco experiente, limitado tecnicamente e com pouco tempo de preparação. Como o inglês deve ter feito um esforço extra para se despedir com dignidade junto ao seu povo, fica muito difícil apostar em algo que não seja uma vitória do “One Punch”.

Peso Pena: Arnold Allen (ING) vs. Makwan Amirkhani (KUR)

Por Gabriel Carvalho

Abrindo as ações no card principal em Londres, um duelo na divisão dos penas entre os prospectos Makwan “Mr. Finland” Amirkhani e Arnold “Almighty” Allen.

Arnold Allen

Amirkhani (13-2 no MMA, 3-0 no UFC) só impressionou desde que pisou dentro do octógono do UFC. Um nocaute relâmpago sobre Andy Ogle, uma finalização sobre Masio Fullen e uma decisão unânime sobre Mike Wilkinson aproximaram o curdo naturalizado finlandês do top 15. A especialidade de Amirkhani é o wrestling, arte marcial onde foi campeão nacional em seu país natal. Com a adaptação ao MMA, Makwan também descobriu o jiu-jítsu, se tornando ótimo na parte de transições e busca de finalizações. O controle posicional ainda pode melhorar e a parte em pé ainda apresenta lacunas, podendo ser problema no sábado.

Com 22 anos de idade, Arnold Allen (11-1 no MMA, 2-0 no UFC) ainda não fez o mesmo barulho que o oponente dentro do Ultimate, mas definitivamente é um nome para ficar de olho. Com uma curta carreira no boxe amador, Allen tem punhos rápidos e alinhados, capazes de causar certo dano. A parte defensiva é interessante, já que Arnold sempre escapa da troca de tiros, mas tem problemas em defender alguns golpes retos. Faixa-roxa de jiu-jítsu, utiliza a luta agarrada como uma escapatória em situações difíceis, mas não é superior à Amirkhani neste aspecto.

Arnold Allen vs Makwan Amirkhani odds - BestFightOdds

Estou ansioso para ver como o combate deve se desenrolar. Amirkhani normalmente é confiante em pé no início de seus combates, sempre tenta largar uma joelhada ou chute frontal, mas acaba deixando o rosto totalmente desprotegido, uma deficiência que pode ser bem aproveitada por Arnold. Levando para o chão, Makwan tem condições de controlar no solo, não acredito em finalização, mas o domínio posicional deve desequilibrar a favor do finlandês. Apesar da superioridade no solo, acredito que o hype de Amirkhani será freado com um nocaute de Allen no segundo round.

Peso Meio-Médio: Leon Edwards (JAM) vs. Vicente Luque (BRA)

Por Anderson Cachapuz

Pinçada do card preliminar, o confronto entre esses dois prospectos promete agitar o público em Londres.

Leon Edwards

O “Rocky” Leon Edwards (12-3 no MMA e 4-2 no UFC) treina na AKA, a maior carniceira do UFC, a mesma de Cain Velasquez, e tem 25 anos, vindo em uma sequência interessante (e levemente gangorrenta – desculpem o neologismo) de perder uma vez para vencer duas. Foi assim que estreou no UFC em um roubo descarado uma decisão controversa contra Claudio Hannibal para em seguida “tratorizar” Seth Baczynski em apenas 8 segundos e dominar Pawel Pawlak rumo à decisão. Nova derrota para Kamaru Usman e vitórias contra Dominic Waters e, surpreendentemente, Albert Tumenov.

Edwards é um trocador nato. Striker talentoso e explosivo, ex-campeão da organização britânica BAMMA, Leon é muito atlético, possui movimentação de pernas bastante decente e aplica boas combinações. Suas habilidades no solo ainda não apareceram tanto quanto gostaríamos, mas o jamaicano que cresceu na Inglaterra não é bobo no chão, como mostrou na vitória sobre Tumenov. Em seu sistema defensivo, ainda leva dificuldades contra wrestlers, risco que pode aparecer no sábado.

Vicente Luque

Também com 25 anos, o brasileiro mais americano do plantel Vicente Luque (11-5 no MMA e 4-1 no UFC) definitivamente evoluiu, não só tecnicamente, mas também deixou para trás a gangorra que era a sua carreira – chegou ao UFC através do TUF 21 com 7-4 no cartel. Aparecendo nos holofotes após o reality show, quando acabou virando uma boa arma na Blackzillians no programa, estreou no UFC com derrota para o “Caninha” (alô, pessoal que acompanhou minhas resenhas!) Michael Graves. A seguir, o que se viu foi um rastro de destruição do brasileiro e uma evolução notória a cada luta, já com boa sequência de quatro vitórias. Ok, os nomes não são tão importantes assim, mas ficou com moral ao pegar Hayder Hassan em uma anaconda, despachar Alvaro Herrera com um triângulo de mão invertido, mandar Hector Urbina para a vala (e para o RH) e surpreendentemente brutalizar Belal Muhammad em sua última luta. Nas quatro lutas, não gastou 10 minutos somados, ou seja, fez o que se espera de um prospecto que quer dar o passo além.

Luque é um garoto muito bem condicionado, atlético, com ousadia e alegria na ponta das luvas. Não é excepcional em nenhuma área, mas é decente em tudo. Tem como base a tradicional escola americana: um boxe volumoso de boas combinações, controlando bem a distância e um wrestling que se encontra cada vez mais bem adaptado ao MMA, servindo para manter a luta em sua zona de conforto, seja em pé ou no solo, onde se vira bem com a faixa marrom de jiu-jítsu e roxa de luta livre esportiva. Vicente tem facilidade de fazer transições e pega muito bem a guilhotina (ou outro estrangulamento qualquer). Como se esse conjunto de qualidades já não fosse suficiente, ele é um moleque inteligente, com coração enorme e queixo duro.

Leon Edwards vs Vicente Luque odds - BestFightOdds

Dois prospectos se encontram para decidir quem vai além na escalada rumo ao ranking. Edwards, até por propensão, deve preferir a luta em pé, já que tem dificuldades contra wrestlers. Luque não é um exímio wrestler, mas a estratégia mais óbvia para o brasileiro é colocar para baixo e tentar a finalização. Porém, não me surpreende se ele decidir trocar porradas no octógono até o amanhecer. Trata-se de dois lutadores resistentes, mas, como Edwards é mais técnico e preciso, a balança pende para o seu lado.

Como eu prefiro acreditar na evolução do brasileiro, que ele não sentirá a pressão de lutar contra a torcida da casa e que será inteligente o suficiente para aplicar um plano de jogo decente visando algo além de um bônus, acredito que Luque insistirá até conseguir derrubar o jamaicano e poder trabalhar uma finalização, que deve acontecer na segunda metade do combate.

  • James sousa

    Tirando a luta principal esse card tem lutas bem interessantes

    • Gabriel Carvalho II

      Vdd. O card preliminar está legalzinho.

  • Mαykon Douglαs

    Gostei bastante da última atuação do Jouban, lutou de forma inteligente contra um oponente perigoso, vamos ver se realmente ele se tornou um lutador mais maduro e menos afobado, a conferir.

  • Deivisson Teixeira

    É legal ver (KUR) ao lado do nome de Makwan Amirkhani, no site do UFC também tem como nacionalidade Curdistão/Finlândia, como o Curdistão não e reconhecido como um estado independente, fica complicado saber se ele nasceu na Turquia, Iraque, Síria ou Irã KK, se ele nasceu em Kirkuk como indicado em alguns sites, complica ainda mais, é uma cidade iraquiana, em litígio territorial com o Irã, pra quem gosta de história esse Amirkhani é um sujeito legal pra caramba.