UFC Fight Night 106: Belfort vs. Gastelum – Prévia das Principais Lutas

Doze ranqueados estarão em ação no retorno do UFC a Fortaleza, quando será usado pela primeira vez o legado olímpico a favor do MMA. Vitor Belfort e Maurício Shogun lideram o exército brasileiro.

Pela primeira vez o legado olímpico brasileiro servirá ao MMA. No próximo sábado, o Centro de Formação Olímpica do Nordeste, anexo à Arena Castelão, em Fortaleza, será palco do UFC Fight Night 106, evento com um card acima da média recente desse tipo de show em território nacional. Serão 12 raqueados em ação, média de um por luta.

O segundo atleta mais importante da história do esporte no Brasil encabeça o evento. Vitor Belfort receberá a indigesta visita de Kelvin Gastelum, que tenta repetir no peso médio o sucesso que experimentava na categoria de baixo. Outro ídolo veterano, Maurício Shogun virá logo antes para bater de frente com Gian Villante.

Em duelo de enorme relevância na divisão mais encardida do MMA, Edson Barboza e Beneil Dariush tentam avançar na selva dos pesos leves. Valendo posição privilegiada no cenário dos moscas, Jussier Formiga encara Ray Borg. Abrindo o card principal, Alex Cowboy e Tim Means acertam as contas de duelo que acabou sem resultado na primeira vez. Puxado das preliminares, Francisco Massaranduba segue na caça ao top 10 contra Kevin Lee.

Como de costume, o canal Combate fará a transmissão ao vivo e na íntegra do UFC Fight Night 106. O card preliminar está marcado para iniciar às 21:00h, enquanto o principal deve ir ao ar a partir da meia-noite, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Médio: #9 Vitor Belfort (BRA) vs. #10 Kelvin Gastelum (EUA)

Por Alexandre Matos

Vitor Belfort

A vida pós-TRT não tem sido fácil para o velho leão. Belfort (25-12) amarga três derrotas nas quatro últimas lutas, com atuações tristes em todos os reveses. Ele teve alguns segundos de competitividade antes de ser atropelado por Chris Weidman e não teve momento algum de brilho diante de Ronaldo Jacaré e Gegard Mousasi. Desde o mágico 2013, apenas Dan Henderson sucumbiu ao carioca, duas vezes nocauteado com chute alto.

O tempo e a falta de hormônios foram crueis com o estilo de luta de Vitor. O “Fenômeno” sempre foi conhecido pela incrível explosão e os punhos dos mais rápidos que o MMA já viu. Devendo na praça da testosterona, Belfort virou um rascunho de si próprio. Sem a ajuda do hormônio exógeno, Vitor tem tido dificuldade de executar as combinações de socos que marcaram sua carreira, assim como os chutes que fizeram parte da última fase de brilho. Defensivamente, não tem mais queixo para aguentar muito tempo de pressão, não tem capacidade física para impedir quedas de gente gabaritada e, verdade seja dita, nunca foi dos mais confiáveis com as costas no chão. Hoje resta um cidadão que aparenta a idade que tem (39 anos) e que vai encarar um oponente 14 anos mais novo e faminto.

Kelvin Gastelum

Situação completamente diferente vive Gastelum (14-2). Incapaz de bater dignamente o limite da categoria meio-médio, ele foi jogado para cima como castigo. A ideia talvez fosse deixar que alguém o maltratasse no peso médio para o menino se assustar e parar de comer hambúrguer com fritas. Para isso, foi convocado Tim Kennedy, que estava aposentado, caçando Hitler. Pois o sargento das Forças Especiais do exército americano simplesmente não deu nem para a saída e foi obliterado pelo descendente de mexicanos.

Houve um tempo em que Gastelum era apenas força física, ímpeto e vontade. Tudo isso segue lá firme, mas ele cada vez mais adiciona talento ao seu jogo. Hoje ele mistura muay thai, wrestling e jiu-jítsu com uma intensidade pouco comum. Quando a técnica fica equilibrada, ele aumenta o volume e torna as coisas mais difíceis para o oponente. Foi assim que Johny Hendricks foi surpreendido no UFC 200. Esta pressão inclusive esconde os vários problemas defensivos que ele ainda apresenta.

Kelvin Gastelum vs Vitor Belfort odds - BestFightOdds

A expectativa no desfecho da noite cearense é sombria para a torcida brasileira. Gastelum tem volume e potência para pressionar Belfort em pé, situação que seria impensável quatro anos atrás. Para piorar, tem pujança e técnica para explorar a maior vulnerabilidade do ex-campeão, que é derrubá-lo e marretá-lo no chão.

Se Gastelum colar Vitor na grade, o brasileiro terá seu gás, que já é curto, rapidamente drenado. Se Gastelum botar para baixo e cair por cima no ground and pound, pode contar o tempo. Se Gastelum ligar o motorzinho, tipo como fez contra Hendricks, Belfort terá dificuldade de abrir espaço para atacar. Esta terceira opção seria a melhor para Vitor encontrar uma brecha defensiva, mas mesmo ela é complicada, visto que o carioca não tem mais a explosão de outros tempos. A aposta é que o americano não levará mais de sete minutos para pegar as costas e finalizar.

Peso Meio-Pesado: #6 Maurício “Shogun” Rua (BRA) vs. # 12 Gian Villante (EUA)

Por Guilherme Pontes

Vocês se colocam em cada situação, hein? Olha só o que aconteceu agora: Maurício Shogun vai enfrentar Gian Villante e nenhum de nós sabe exatamente o que dizer sobre isso, por mais que as casas de apostas hoje, enquanto eu escrevo este texto, digam que Shogun é favorito. Como fazer uma prévia deste combate?

Maurício Shogun

Vou começar pelo final, dizendo: ou Shogun vence por decisão sofrida ou perde tristemente, nocauteado. Bom mesmo seria vê-lo vencendo ainda no primeiro round, com pisões na cabeça de Villante, mesmo que isso o desclassificasse. Porque no mundo das entidades, a da qual nós mais sentimos falta é aquela chamada Shogun do PRIDE, o homem incansável, imbatível, inexcedível, invulnerável, que esmagava crânios como a minha esposa esmaga baratas. Os mais novos não vão acreditar, mas por essas bandas, quando era tudo mato, Shogun era o melhor do mundo. Isso foi uma década atrás. Uma década, realmente, visto que a última luta do curitibano no PRIDE foi em fevereiro de 2007, contra, vejam vocês, Alistair Overeem, que foi nocauteado.

Depois deste combate, Shogun estreou no UFC e levou um atraso de Forret Griffin (risos) e, a partir dali, sua carreira foi dramaticamente oscilante. Sofreu para vencer um decrépito Mark Colemann. Venceu com brilho um semiaposentado Chuck Liddell. Foi o Shogun mais técnico já visto lutando, em sua primeira vez contra Lyoto Machida. Perdeu. Foi o Shogun mais Shogun desde que foi contratado pela então Zuffa, ganhou: revanche contra Lyoto. Entrou de salto alto para enfrentar um jovem pra lá de promissor: Jon Jones. Perdeu, perdeu feio, e passou a coroa dos meios-pesados para o americano. Maurício não acertou um soco sequer naquela luta. Em seguida, respirou por um minuto numa fácil vitória em cima do seu antigo algoz Forrest Griffin. Ainda bem que respirou, porque logo depois fez uma das melhores lutas de todos os tempos, o primeiro encontro com Dan Henderson. Perdeu.

Em seguida, suou um bocado com uma estratégia toda errada contra Brandon Vera (Rua tentou a queda várias vezes, um sinal de que já não confiava na sua trocação contra outro trocador originário do muay thai), para no quarto round aproveitar enquanto Vera arrumava o protetor bucal para nocauteá-lo. Subestimou dois adversários seguidos, Alexandre Gustavo e Chael Sonnen. Perdeu, perdeu. Na primeira derrota, mais uma estratégia estranha: passou a luta inteira perseguindo um soco matador; na segunda, foi guilhotinado, para surpresa geral, inclusive do próprio Sonnen (sua melhor vitória na carreira). Mais um respiro, desta vez um bom respiro, veio na vitória contra James Te Huna, um nocautaço brilhante, que, visto rapidamente, nos lembra até do próprio Shogun. Mas como as coisas obedecem a uma certa ordem na carreira dele dentro do UFC, em seguida ele foi solapado por mais duas derrotas: nocaute para Dan Henderson, no terceiro round, outro nocaute para Ovince Saint Preux, ainda nos trinta segundos iniciais de luta. Nunca mais veremos aquele Shogun. O tempo, os nocautes, as cirurgias, as escolhas, a entidade Shogun do PRIDE foi soterrada por tudo isso.

Quase todas as vitórias do paranaense elencadas no parágrafo anterior levam um asterisco. As derrotas, não. Pensem nisso.

Gian Villante

O que podemos esperar é um outro Shogun. Que, na verdade, já conhecemos. É o Shogun das suas duas últimas vitórias. Duas decisões, uma dividida e outra unânime, e esta, é claro, sofrida. Shogun não vencia duas lutas seguidas há oito anos! Este Shogun experiente e menos iluminado, mais cauteloso e esperto, é o que pode vencer Gian Villante no próximo sábado. Foi o que lutou contra Rogério Minotouro e venceu, tendo digerido um knockdown, sofrido um monte de torpedos no primeiro round e administrado os seguintes com quedas. Foi também o que venceu Corey Anderson, conseguindo reverter os dois primeiros rounds aplicando knockdowns nos últimos segundos e resistindo a pancadas no assalto final. Se repararem bem, há asteriscos nessas vitórias também. Por causa do Shogun do PRIDE, qualquer vitória do Outro Shogun será com asterisco?

Percebem que as características do Outro Shogun dizem respeito a mudanças de mentalidade e não exatamente de habilidade? Porque, como Dan Henderson já o disse, Shogun continua fazendo tudo igual ao que fazia no PRIDE, ou tentando, visto que perdeu o vigor e a mobilidade. É o mesmo estilo de lutar, só que numa versão esmaecida.

Gian Villante vs Mauricio Rua odds - BestFightOdds

Sinto que eu deveria falar alguma coisa sobre Gian Villante, obviamente. Mas o pouco que eu disser já será o suficiente para deixar qualquer shogunzete fiel assustado: é mais jovem, mais forte, menos rodado, mais doido, resistente, wrestler de origem; tem três lutas da noite no currículo e um bom queixo. Pronto, o batimento cardíaco da Nação Rua causa estrondos Brasil afora…

Para a marca jamais vista de três vitórias seguidas no UFC, oremos ao Shogun do PRIDE, para que ele ilumine o Outro Shogun e este saia do octógono com um olho roxo e uma vitória por decisão unânime.

Peso Leve: #5 Edson Barboza (BRA) vs. #9 Beneil Dariush (IRN)

Por João Gabriel Gelli

Edson Barboza

Com a categoria dos leves aberta após a conquista do cinturão por parte de Conor McGregor, o brasileiro Edson Barboza (18-4) e o iraniano Beneil Dariush (14-2) tentam o terceiro triunfo consecutivo para se colocar na rota de colisão do título. Assim, se desenha um combate com elevado potencial de entretenimento e com repercussões interessantes.

Desde meados de 2015, Edson está em boa fase. Naquele ano, superou Paul Felder e levava vantagem sobre Tony Ferguson até ser finalizado, saindo com o bônus de luta da noite em ambas as ocasiões. Em 2016, o brasileiro conseguiu emendar os dois maiores nomes de seu cartel ao vencer o ex-campeão da categoria Anthony Pettis e o antigo dono do cinturão do Strikeforce e duas vezes desafiante no UFC, Gilbert Melendez. As vitórias o alçaram ao top 5, posição que deseja confirmar no sábado.

Com seu muay thai clássico, Barboza é capaz de aplicar chutes de violência extrema contra qualquer parte do corpo de seus adversários – ele foi o primeiro a conquistar nocautes distintos com bicas nas pernas, tronco e cabeça e o único a interromper dois combates após tanto magoar a base do oponente. Além disso, a cada apresentação, demonstra uma melhora no boxe, atuando de maneira fechada, procurando esconder o queixo, que já lhe deixou na mão em outras oportunidades. Com a confiança elevada, Edson se torna um lutador agressivo e muito perigoso, capaz de encerrar a luta com qualquer golpe. Por fim, também avançou tecnicamente na defesa de quedas, conseguindo impor seu estilo e levando vantagem dessa maneira.

Beneil Dariush

Depois de perder para Ramsey Nijem em sua segunda aparição no octógono, Dariush emendou uma sequência de cinco vitórias que o levou até uma posição entre os 15 melhores da categoria. Seus avanços foram freados pela malandragem de Michael Chiesa no solo, que conseguiu finalizá-lo no segundo round, após levar um passeio em pé no primeiro. O atleta da Kings MMA se recuperou ao aplicar um nocaute brutal em James Vick e impor a primeira derrota de Rashid Magomedov no UFC, se reposicionando no top 10 dos leves.

O forte do jogo de Dariush é a luta agarrada. O iraniano é um talentoso faixa preta de jiu-jítsu de Romulo Barral, especialmente mortífero quando consegue efetuar sua especialidade e pegar as costas do adversário. Além disso, tem evoluído no wrestling ofensivo e integrando melhor a modalidade ao seu estilo. Quando consegue cair por cima, exerce bom controle posicional, com um ground and pound forte e que abre espaços para constantes transições e tentativas de finalizações. Na luta em pé, está cada vez mais confiante com os treinos de muay thai de Rafael Cordeiro. Muito agressivo, ele usa bem a envergadura e tem bom poder nos golpes, mas deixa espaços para contragolpes.

Beneil Dariush vs Edson Barboza odds - BestFightOdds

Este é um confronto que apresenta algumas variáveis. Quando a luta estiver na trocação, a vantagem técnica estará do lado de Barboza, que deve usar os chutes para manter o oponente afastado e se aproveitar das brechas defensivas. No entanto, Dariush tem talento suficiente para conseguir enxergar alguma falha no sistema de proteção do brasileiro e a potência necessária para botá-lo para dormir.

Entretanto, a estratégia mais sensata para o iraniano consiste em tentar abafar o brasileiro, limitando o impacto dos chutes e gerando a oportunidade de buscar as quedas. Caso o brasileiro não seja passivo em sua defesa, deve ser capaz de se desvencilhar de Dariush e trabalhar de forma metódica na distância, superando alguns momentos de dificuldade rumo a uma complicada vitória por decisão.

Peso Mosca: #3 Jussier Formiga (BRA) vs. #8 Ray Borg (EUA)

Por Alexandre Matos

Jussier Formiga

Chegar no UFC com expectativa elevada pode colocar o lutador numa rota complicada. Isso aconteceu com Formiga (19-4), que perdeu duas das três primeiras no octógono, nocauteado por John Dodson e Joseph Benavidez. Depois de três vitórias seguidas, outro revés quando o nível subiu novamente, agora para Henry Cejudo. Sem ter a chance de enfrentar o campeão, o potiguar precisa reverter o quadro de ter sido derrotado por todos os integrantes da elite da divisão.

O cartel de Formiga dá uma boa ideia de seu estilo de luta. Até hoje, de suas vitórias, foram oito lutas finalizadas às custas da faixa preta de jiu-jítsu e as demais vencidas na decisão dos juízes. O primeiro knockdown aconteceu apenas em 2015, contra Wilson Reis. O pupilo de Jair Lourenço na Kimura Nova União tem quedas providenciais, tanto atacando as pernas como aquelas que saem de oportunidades no clinch. Quando chega ao chão em posição de domínio, dificilmente é removido dali e tem calma e técnica para realizar transições para buscar a chance de encaixar uma finalização.

Ray Borg

Borg também chegou ao UFC com expectativa, mas em outro nível em relação a Formiga. O brasileiro já fora o número um do mundo, enquanto o americano era um prospecto a se ficar de olho. As quatro primeiras lutas reforçaram a ideia, mesmo a derrota da estreia, de última hora, dando muito trabalho a Dustin Ortiz. Quando estava na hora de ocupar um espaço privilegiado no ranking, Borg perdeu para Justin Scoggins, em fevereiro do ano passado, mas se recuperou no último evento de 2016 batendo Louis Smolka, a principal vitória de sua carreira.

Ray evolui a cada luta, embora ainda tenha uma estrada a percorrer. Porém, já é possível notar talento em todos os ramos do jogo. Ele lembra o estilo de Matt Hughes na luta agarrada, misturando bem as quedas potentes com finalizações mortais, especialmente o mata-leão, além de ser versátil, veloz e volumoso no boxe. Como ele não teve experiência anterior em outras modalidades de luta, suas transições são executadas sem vícios, moldadas diretamente no MMA. Com a defesa de quedas em dia, ele poderá definir onde a luta vai transcorrer, minimizando potenciais problemas que o estilo de Formiga venha a oferecer.

Jussier Formiga vs Ray Borg odds - BestFightOdds

As odds mostram o equilíbrio desta disputa. Se Formiga levar a luta ao chão, Borg estará encrencado. Por outro lado, se o potiguar encontrar dificuldade para derrubar, é difícil supor que ele dará conta do jogo de pernas e volume de golpes lançados pelos punhos do americano.

Jussier tem que estar preparado para uma estratégia parecida com a que Cejudo lhe impôs. Ele terá que encontrar saídas caso as quedas não funcionem, sob pena de passar 15 minutos sendo golpeado e contragolpeado. Como Borg não é um wrestler do naipe do ex-campeão olímpico, acredito que o brasileiro vai conseguir derrubar pelo menos uma vez. E aí quem deverá estar preparado para escapar é Borg. Este cenário é o grande ponto de equilíbrio do combate. Em dados momentos, é possível que cada um consiga impor sua estratégia. A aposta é que Borg vença numa decisão apertada, mas um resultado oposto é totalmente plausível.

Peso Meio-Médio: Alex Cowboy (BRA) vs. Tim Means (EUA)

Por Diego Tintin

Duelo remarcado, após a frustrada tentativa no UFC 207 de largar esses dois dentro do octógono, para entregar o mais puro suprassumo do entretenimento violento. Nesta oportunidade, o americano deu fim na boa atuação do brasileiro com duas joelhadas ilegais que deveriam ser punidas com a desclassificação, mas o árbitro assinalou um polêmico no contest.

Alex Cowboy

Alex Oliveira é um sujeito daqueles que fãs de MMA veneram, porque ele tem o que se costuma chamar de “espírito de lutador”. Aceita lutas em cima da hora, contra qualquer um e em qualquer lugar, mesmo que tal costume não seja compatível com um gerenciamento de carreira mais oportunista. Mas quem se importa? Esse entrerriense curte mesmo é trocar pancadas com outro cidadão dentro de uma jaula. O único arranhão em sua imagem veio quando ficou longe de bater o peso contra Will Brooks, o que foi solucionado com a subida em definitiva para o peso meio-médio.

Kickboxer de habilidade e boa potência, Cowboy aprendeu a se virar bem quando a luta agarrada é trazida à mesa. Já conseguiu nocautes contundentes, como contra Piotr Hallmann, e finalizações animadoras, como contra KJ Noons. Depois da derrota contra o “xará” americano Donald Cerrone, Alex passou a dosar melhor as energias e adotar uma postura menos suicida, dando uma atenção maior ao seu jogo defensivo. Está ainda viva na memória a atuação inteligente e madura contra Brooks quando, a despeito do problema com a balança, levou terror ao ex-campeão do Bellator, castigando severamente as suas costelas. Os fãs do boa-praça brasileiro estão ansiosos para ver um salto de qualidade do promissor atleta.

Tim Means

Tim Means já peregrinou por diversos eventos, duas categorias de peso, enfrentando todo tipo de gente no caminho para chegar no atual ponto de sua carreira: transformar-se naquele típico porteiro do top 15. Vence a turma limitada e alguns aspirantes ao ranking, mas entrega a carne para um dos nomes acompanhados de #xx sempre que solicitado.

O “Pássaro Sujo” é um modelo em desuso no MMA atual: muito forte, carrega mais peso que o necessário, que o leva a ter problemas de condicionamento físico. Tem combinações precisas e poder de nocaute alto; contudo, torna-se uma presa em potencial sempre que o combate visita a posição horizontal.

Convém ainda a lembrança de que Means já honrou a metade adjetiva de seu apelido por diversas vezes, como nas joelhadas proibidas contra Alex e também no doping pouco antes do combate em que estava agendado contra o Cowboy original de fábrica, Donald Cerrone.

Alex Oliveira vs Tim Means odds - BestFightOdds

No duelo interrompido em dezembro, Means levou vantagem quando chegou ao clinch, enquanto o brasileiro prevaleceu na média para a longa distância. Não houve tanto tempo assim para drásticas mudanças e a tendência é uma espécie de continuação de onde a luta parou. Com a vantagem da luta agarrada, aposto que o brasileiro consegue dar cabo da força bruta de Means com uma submissão.

Peso Leve: #11 Francisco Massaranduba (BRA) vs. Kevin Lee (EUA)

Por Anderson Cachapuz

Francisco Massaranduba

Se existe um cara no mundo que sabe aproveitar as oportunidades que a vida oferece, este homem é Francisco Massaranduba (21-4 no MMA e 11-3 no UFC). Desde que saiu do TUF Brasil 1, o simpático e carismático homem que nasceu para bater em outro homem, como todo elenco do programa, recebeu uma chance. E não desperdiçou. Depois do início em gangorra, Massaranduba está numa improvável sequência de sete vitórias, enfileirando nomes como Norman Parke, Chad Laprise e Ross Pearson. Até um “nocaute” contra Paul Felder em sua última luta ele conseguiu (ok, interrupção médica, mas no cartel está escrito TKO) e agora bate na porta do top 10 dos pesos leves. Ou seja, não duvide nunca desse piauiense cheio de “sangue no zóio”.

A evolução de Trinaldo é notória. Desde o TUF, passou a treinar com André Dida na Evolução Thai, em Curitiba. Refinou seu boxe, evoluiu consideravelmente seu striking e agora possui muito mais segurança para se aproximar e tentar a queda para trabalhar o jogo de solo. E não tem mais medo de se arriscar em qualquer área que seja. Francisco possui um bom jogo de pernas, melhorou o condicionamento cardiorrespiratório e agora se aproxima com inteligência e bastante estratégia, algo que ninguém imaginou que fosse acontecer aos 38 anos (há cinco no UFC).

Kevin Lee

Também vivendo um bom momento, o jovem prospecto americano de 24 anos Kevin Lee (14-2 no MMA e 7-2 no UFC) vem ao Brasil para tentar frear o hype do veterano brasileiro. Depois de estrear no evento na fogueira contra Al Iaquinta, viu sua sequência de quatro vitórias ser interrompida por um nocaute contra o também brasileiro Léo Santos. Nova sequência de três vitórias e aqui está ele novamente tentando crescer na categoria.

Lee baseia seu jogo na típica escola americana, com um condicionamento físico destacável, wrestling sufocante e um boxe muito alinhado, variando bem os golpes e controlando a distância com precisão, ainda sabendo se defender de maneira decente, mas não impecável, em todas as áreas. Os buracos defensivos, principalmente na troca de golpes em pé, existem e são normais para alguém jovem ainda e com um longo percurso no caminho da evolução. Porém, já devem servir de alerta, visto que podem ser muito bem explorados pelo brasileiro.

Francisco Trinaldo vs Kevin Lee odds - BestFightOdds

Massaranduba evoluiu bastante desde a derrota para Michael Chiesa. O brasileiro já não é mais o mesmo da ocasião. Lee também evoluiu, mas ainda não foi experimentado contra oponentes de elite, apenas vaga no “meio da tabela”. Sinceramente, ainda não sei dizer se este é o caso do brasileiro, mas o fato é que hoje Trinaldo é um lutador muito mais seguro para bater de frente com um jovem prospecto desses.

Vejo este combate começar muito cauteloso por parte do brasileiro, que deve se aproximar com calma para controlar a distância com jabs a fim de maltratar o queixo do americano e, quem sabe, até abrindo brecha para a sua forte esquerda. A despeito da lei da “mão que entra”, o brasileiro deve fazer um jogo inteligente e estratégico para controlar e levar na decisão. Se o duelo chegar ao chão, Massara deve saber se defender, assim como Lee. Em pé, não vejo o brasileiro nocauteado.

Então, meus amigos, podem preparar a festa da criançada porque vai ter vitória do brasileiro, sim. E digo mais: se fosse ele, ainda pedia um top 5 na próxima luta com eliminatória para o título em jogo. Já que é para sonhar, sonhemos direito, então.

Massaranduba por decisão.

  • Franklin Stein

    Cara, que parágrafo sensacional! “Shogun do PRIDE, o homem incansável, imbatível, inexcedível, invulnerável, que esmagava crânios como a minha esposa esmaga baratas. Os mais novos não vão acreditar, mas por essas bandas, quando era tudo mato, Shogun era o melhor do mundo.”

  • James sousa

    Edson barboza vs Dariush pra mim e a principal candidata a luta da noite e a que eu estou mais empolgado em ver desse card

  • Sexto Empírico

    Belfort é um fenômeno. Em todos os sentidos. Dos incríveis aos infames. É capaz de ser vanguarda, estar à frente do pensamento tacanho da maioria dos lutadores e praticantes de arte marcial brasileiros pra, num outro momento, estragar tudo com alguma idéia estranha, ou contradições e suas filosofias chatas de igreja.
    Não gosto dele, mas isso é pessoal. Sou rabujento. Porém, não tem como não ter respeito e admiração à sua extraordinária carreira, não tão gloriosa como poderia ter sido, mas extraordinária pela forma q ele a administra e chegou até aqui. Apesar de ter deixado o doping e o auge já há algum tempo, consegue motivação para estar ali no topo e ainda ser relevante. Tivesse a cabeça de hoje (me refiro àquela parte do cérebro motivada, profissional e super focada na carreira, não à outra que dita frases feitas e prega pensamentos que aborrecem), a juventude e o TRT de outrora, com certeza teria sido um dos maiores de todos os tempos, junto a Fedor, Anderson, GSP…

    • Sexto Empírico

      Continuando… Gastelum é pequeno pra categoria. Tem tanto talento quanto preguiça e fome. E isso pode custar caro para a carreira.
      Falando em fome, aqui vamos mais uma vez torcer pro super desmotivado Shogun. É aquilo: se vencer, pride, chute-boxe, talento, ts… e todo o hype tá de volta, pelo menos pros brasileiros. Se perder: ” Se aposenta!” Um dia já achei que o Shogun seria o melhor de todos os tempos. Passou o bastão naquela fatídica luta contra o (futuro GOAT se ele ainda quiser) Jon Jones.
      Edson Barbosa é um Eric Silva mais robusto. Tem talento, a hype brazuca, mas falta ambição e aquele “q” de Campeão. Nível intermediário.
      Formiga é ótimo. Já deveria ter disputado o título. Circunstâncias. Tomara q tenha evoluído.
      Cowboy tem que ficar ligeiro. Luta bem e, muito importante no show business, tem carisma. Só q, ultimamente, só faz cagar. Precisa voltar a vencer de verdade.

  • Yuri

    pensei q a luta da Beth era card principal e a do Massara preliminar…