Por Edição MMA Brasil | 19/01/2021 15:21

No segundo evento do UFC no ano de 2021, o UFC Fight Island 8 chega com o esquema de dobradinha semanal que a organização promove nesta semana, segundo o segundo dos três shows em um espaço de uma semana em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Na luta principal da noite, os embalados Michael Chiesa e Neil Magny se enfrentam por cinco rounds em um confronto de estilos e momentos similares, válido pela categoria dos meios-médios.

Outros combates destacados pela Prévia do MMA Brasil são os duelos entre Warlley Alves e Mounir Lazzez pela categoria dos meios-médios, que ocupa o posto de luta coprincipal, além do encontro entre Lerone Murphy e Douglas D’Silva nos galos.

O UFC Fight Island 8 será exibido com exclusividade pelo Canal Combate, com as duas primeiras lutas sendo exibidas de forma gratuita no SporTV 3. O evento tem início marcado para 11:00h da manhã, pelo horário oficial de Brasília.

Peso Meio-Médio: #8 Michael Chiesa (EUA) vs. #9 Neil Magny (EUA)

Por Matheus Costa

Embalado e mostrando evolução a cada luta, é justo afirmar que Michael Chiesa (17-5 no MMA, 10-4 no UFC) encontrou sua categoria de peso no UFC e vem tirando proveito disso. Desde que subiu para os meios-médios, o americano encaixou três triunfos consecutivos, incluindo uma grande atuação em que anulou, até que de forma surpreendente, o ex-campeão dos leves Rafael dos Anjos.

Dono de um boxe decente que vem mostrando melhora nos últimos anos, Chiesa geralmente utiliza sua trocação para impor pressão e encurralar seus adversários na grade. Wrestler de origem, o “Maverick” costuma levar seus oponentes para o chão, com o aditivo da maior força física que ganhou na nova categoria. Agressivo, o americano sempre busca pelas finalizações, especialmente pelas costas.

Um dos porteiros mais confiáveis do UFC, o experiente Neil Magny (24-7 no MMA, 17-6 no UFC) voltou a respirar bons ares e engatou três vitórias consecutivas contra bons nomes. Magny superou Jingliang Li, Anthony Rocco Martin e Robbie Lawler, mostrando que não só ainda possui bom nível mesmo com tanta rodagem na carreira, mas que acaba sendo subestimado por não conseguir competir com os melhores da categoria.

Melhor em pé do que seu adversário, Magny sempre usa a sua enorme envergadura de 2.03m para golpear seus adversários com jabs, diretos e combinações, sempre num alcance confortável. Considerado um grappler decente, o americano sempre se sai bem quando está por cima. No entanto, seus problemas defensivos sempre são um ponto relevante.

Michael Chiesa vs Neil Magny odds - BestFightOdds

Em um confronto de estilos bem similares, a vantagem física será um ponto bastante relevante para este confronto. Será interessante ver como a força de Chiesa reage com Magny, que é maior e já enfrentou adversários de nível superior. Nenhum dos dois destoa em uma qualidade que possa ser destacada, mas os defeitos podem ser essenciais. Portanto,  a aposta fica para uma vitória de Neil Magny em um confronto equilibrado na decisão dos juízes.

 

Peso Meio-Médio: Warlley Alves (BRA) vs. Mounir Lazzez (TUN)

Por Rodrigo Rojas

Warlley Alves chegou no UFC após vencer o badalado TUF Brasil, começando sua carreira com uma excelente trinca de vitórias sobre Alan Jouban, Nordine Taleb e – pasmém -, Colby Covington. Depois disso, um par de derrotas para o medíocre Bryan Barberena e (totalmente compreensível) para Kamaru Usman, desencadearam a fase marcada pela inconsistência na qual o brasileiro se encontra.

Entre 2016 e 2019, Warlley obteve vitórias sobre competição de nível baixo intercaladas com derrotas sofríveis para lutadores de pouco gabarito como James Krause e Randy Brown, em sua última apresentação.

Alves tem como base o jiu-jitsu e o kickboxing, modalidade na qual foi campeão brasileiro em três oportunidades. Sua trocação é potente e alinhada, apesar de relativamente lenta e pouco técnica. Ele trabalha bem combinações de chutes e socos, geralmente buscando encurtar para o clinch, onde tem talento para controlar o combate e causar danos.

Sua principal arma é a mortal guilhotina, um perigo constante quando os oponentes tentam derrubá-lo. O wrestling, apesar de ter bom nível se comparado a outros brasileiros, ainda é fraco para a categoria. A maior fraqueza de Warlley é o condicionamento físico, protagonista de suas últimas derrotas. Quando não consegue causar muito impacto nos primeiros minutos, Alves acaba cansando e se tornando presa fácil para seus oponentes, oferecendo pouquíssima resistência. Além disso, lutadores mais prendados tecnicamente – seja em pé, seja no grappling – conseguem evitar com facilidade as investidas do brasileiro, exacerbando ainda mais o problema na parte física.

Mounir Lazzez é um dos vários prospectos interessantes na categoria até 77kg, apesar de já ter passado dos 31 anos. O ex-lutador do Brave chegou no UFC com uma vitória impressionante contra Abdul Hazak Al-Hassan, dominando o explosivo adversário com trocação técnica e precisa. Em sua carreira, só foi derrotado pelo excelente (e, possivelmente, dopado) Eldar Eldarov, que acaba de conquistar o cinturão dos super-leves do Brave, na semana passada.

O apelido de “The Sniper” é extremamente justo para o lutador de Dubai. Seus atributos mais impressionantes são na luta em pé, onde ele aplica uma miríade de chutes e socos, acompanhados de boa habilidade na movimentação. O golpe mais utilizado é o chute frontal, aplicado quase como um jab, no início de combinações. Além disso, ele tem muito talento para acertar joelhadas enquanto encurta a distância, além de bons chutes semi-circulares e combinações curtas de socos.

O grappling defensivo foi testado e reprovado pelo monstruoso Eldar Eldarov, mas o ofensivo rende bons frutos, com entradas de queda precisas e ground and pound potente. Por baixo, Mounir se defende bem, mas sofre muito para defender quedas ou tirar as costas do tablado. O condicionamento até hoje não demonstrou problemas, mas também não foi testado em combates mais extenuantes.

Mounir Lazzez vs Warlley Alves odds - BestFightOdds

O casamento parece favorável para testar Lazzez e apresentá-lo a um público maior. Warlley é um lutador muito mais conhecido, mas tem brechas claras a serem explorados pelo adversário. O mineiro tem chances de vitória caso consiga encurtar a distância e engatar sua mortal guilhotina, mas nada muito além disso. Mounir é muito mais técnico em pé e deve apostar na movimentação e nos golpes da distância para se manter afastado e pontuando, possivelmente conquistando um nocaute técnico na segunda metade do duelo.

 

Peso Galo: Lerone Murphy (EUA) vs. Douglas D’Silva (BRA)

Por Bruno Costa

Terceiro compromisso no octógono e mais um duro desafio para Lerone Murphy (9-0-1 no MMA, 1-0-1 no UFC), que chegou ao UFC enfrentando Zubaira Tukhugov e Ricardo Carcacinha, subindo muito o nível de competição a que estava acostumado.

Murphy já demonstrou bom nível de força e resistência física nos dois embates pelo UFC. Contra Tukhugov, numa estreia duríssima contra um adversário qualificado e experiente, além do nervosismo pela estreia, apresentou algumas falhas técnicas principalmente na defesa, tanto na trocação quanto no wrestling.

A luta em pé é a base do jogo do canhoto Murphy, que utiliza muitos chutes no corpo, com troca constante de base, e boa precisão e velocidade de mãos para o MMA. Contra Carcacinha acabou derrubado, mas teve competência no grappling defensivo para não ser finalizado por um adversário de boas habilidades. Ainda, demonstrou boa capacidade para utilizar wrestling ofensivo e um ground and pound de muita violência.

Douglas D’Silva (26-3 no MMA, 4-3 no UFC) é um veterano paraense de uma carreira recheada de violência enquanto esteve no cenário regional, e no UFC não mudou muito o estilo.

Um lutador duro e dependente do privilegiado físico, muito forte e explosivo, Douglas se caracteriza como sujeito agressivo e que gosta de trocar porrada no pocket, sem grande volume de golpes, e pouco mais do que isso.

O brasileiro tem como coincidência com o próximo oponente o fato de ter estreado no UFC (cinco anos antes) com pouco tempo de preparação contra Zubaira Tukhugov no peso pena. Quando desceu ao peso galo, venceu lutas que o levaram rapidamente a adversários de bom nível e saiu derrotado nas oportunidades que teve de subir ao top 10 da categoria. Além do pouco refino técnico e variação tática, Douglas sofreu com os longos períodos de inatividade que prejudicam ainda mais um lutador com suas características.

A superexoposição de D’Silva pode colocá-lo em maus lençóis contra adversários com boa técnica nos golpes retos e controle de distância eficiente, além de boa diversidade ofensiva.

Douglas Silva de Andrade vs Lerone Murphy odds - BestFightOdds

D’Silva tem potência, velocidade e mira boa o suficiente para ser um adversário digno para Murphy, mas o britânico se sobressai mesmo na força física, uma das principais qualidades do brasileiro. O combate deve ter um início equilibrado e provavelmente seja disputado na trocação. A aposta para o combate é que Murphy vá aos poucos tomando conta da luta com chutes no corpo até ficar mais confortável para encher o rosto de Douglas de golpes retos, saindo vencedor em uma decisão ao final dos três rounds.