Por Edição MMA Brasil | 15/01/2021 16:52

Depois da folga de eventos após uma sequência que parecia interminável, o UFC está de volta e dará o pontapé inicial no ano de 2021. Para a reestreia, o UFC Fight Island 7 traz um card interessante e uma luta principal de alto nível.

O destaque da noite fica para o estelar confronto entre o ex-campeão dos penas Max Holloway e contra o ascendente Calvin Kattar, que será válido por cinco rounds em duelo válido pela categoria de até 66kg.

Outros bons confrontos do evento ficam para o duelo de veteranos entre Matt Brown e Carlos Condit nos meios-médios, o espetacular confronto de strikers entre Santiago Ponzinibbio e Li Jingliang e, por fim, Joaquin Buckley contra Alessio Di Chirico nos médios.

O UFC Fight Island 7 será transmitido com exclusividade pelo Canal Combate e terá início às 14h pelo horário oficial de Brasília.

Peso Pena: #1 Max Holloway (EUA) vs. #6 Calvin Kattar (EUA)

Por Idonaldo Filho

Já consolidado entre os maiores pesos penas de todos os tempos, o ex-campeão Max Holloway (21-6 no MMA, 17-6 no UFC) pode ser praticamente considerado cria do UFC, uma vez que assinou com o evento muito novo, estreando contra um também jovem Dustin Poirier. A trajetória de Holloway até o posto de campeão é conhecida, com uma grande sequência de vitórias, vencendo José Aldo por duas oportunidade quase que de maneira idêntica. Depois de fazer sua primeira defesa, uma aventura no peso leve não deu certo, perdendo a revanche para Poirier ao tentar obter a cinta interina dos leves. Voltando aos penas defendeu seu título ao vencer o duro Frankie Edgar, porém foi destronado por Alexander Volkanovski, não conseguindo posteriormente vencer a revanche, em luta bastante apertada.

É sempre prazeroso assistir Max Holloway lutando. O kickboxer havaiano não tem lá uma envergadura tão grande se levarmos em conta sua altura expressiva pra divisão, porém atua muito bem com golpes retos na longa distância. O volume de golpes que Holloway costuma imprimir é algo de outro mundo, com um condicionamento cardiorrespiratório que está entre os melhores no esporte. O que impressiona em Max é a habilidade para entender o que está acontecendo na luta, se adaptando e sempre aumentando o ritmo com o decorrer do tempo de luta, engolindo o oponente que praticamente se vê impossibilitado de tomar alguma atitude diante de tanta atividade ofensiva de Holloway. Mesmo que certamente não vá precisar usar, Max é bom defendendo quedas e sabe se virar no chão, como um lutador de elite deve ser.

Calvin Kattar (22-4 no MMA, 6-2 no UFC ) foi um acerto completamente aleatório da equipe de matchmakers do UFC. Profissional há 14 anos (desde 2007), Calvin tinha um bom cartel no cenário regional da Nova Inglaterra, atuando inclusive em seu próprio evento, o Combate Zone. Quando assinou com o líder do mercado, Kattar, que também é treinador de striking de sua academia, estava inativo há quase um ano. Sua duas primeiras lutas contra Andre Fili e Shane Burgos impressionaram bastante, logo o colocando em posição de destaque na promoção. Atualmente, Kattar vem de duas vitórias seguidas, derrotando Jeremy Stephens e Dan Ige.

Eu falo com a maior tranquilidade que o boxe de Calvin Kattar é o mais lindo de se acompanhar em todo o UFC. O estadunidense é simplesmente impecável ofensivamente, aliando velocidade, poder de nocaute e muita técnica nas suas sequências de socos. A movimentação também impressiona, assim como a habilidade de impor pressão, contragolpear e variar com cotoveladas, como a que vitimou Stephens. A defesa de quedas está sempre em dia, só sendo derrubado duas vezes em toda carreira no UFC. Seu wrestling ofensivo apareceu em algumas oportunidades, com a aparente intenção de surpreender o outro lutador. O ground and pound também é ótimo, sendo uma ferramenta para definição de combates após aplicar o knockdown. Um problema que existe em Kattar é a falta de atenção em defender as pernas, deixando-as muito expostas para chutes baixos.

 

Calvin Kattar vs Max Holloway odds - BestFightOdds

Chegou a parte em que constato que entrei em uma fria. É uma luta de difícil prognóstico, são dois excelentes lutadores que tem na luta em pé o seu melhor nível.

No volume de golpes mesmo que Kattar seja excelente, é impossível ser melhor que um sujeito que soltou quase QUINHENTOS golpes como fez Holloway enfrentando Ortega, acertando 290 destes. Quanto a possibilidade de nocaute, Max costuma nocautear os demais atletas já desgastados e com a cara moída, já Kattar assusta mais com knockdowns e tem mais potência nos golpes singulares.

Os dois se mostraram capazes de lutar cinco assaltos perfeitamente. Não dá para apontar um favorito claro de modo algum, a única certeza é que é uma das melhores lutas que o UFC casou nos últimos tempos sem sombra de dúvidas. Para não ficar em cima do muro aposto em Max Holloway na decisão.

Peso Meio-Médio: Carlos Condit (EUA) vs. Matt Brown (EUA)

Por Gustavo Lima


Carlos Condit (31-13 MMA, 8-9 UFC) é uma lenda das artes marciais mistas, tendo conquistado uma enorme quantidade de fãs ao longo dos quase vinte anos que já acumula dentro do cage. Ex-campeão meio-médio do WEC e ex-campeão interino do UFC na mesma faixa de peso, o “Natural Born Killer” é indiscutivelmente um dos grandes atletas de sua geração na categoria até 77kg. Todavia, o tempo pode ser bem ingrato, especialmente num esporte como o MMA. Do alto de seus 36 anos e com toda a rodagem acumulada, já faz um tempo que a jornada do atleta do Novo México parece estar chegando ao fim.

Desde a lendária luta contra Robbie Lawler em janeiro de 2016, Condit carrega um cartel parcial de 1-5. Não só isso, aquela foi a última vez que pudemos ver AQUELE Carlos Condit: agressivo, explosivo e com ferramentas bem polidas em todos os aspectos de seu jogo, até mesmo no grappling, que nunca foi seu carro chefe. A única vitória da sequência supracitada ocorreu justamente em sua última aparição dentro do cage contra um decadente Court McGee, atleta que nem ao mesmo em seu auge era capaz de causar grandes estragos.

No outro corner, também teremos um interminável do octógono. Matt Brown (22-17 MMA, 15-11 UFC), o Imortal, dono de umas histórias de vida mais bonitas deste esporte. Também fan-favorite por sua agressividade, coração e belos nocautes que aplicava outrora, se encontra atualmente numa situação bem diferente. O estadunidense, hoje quarentão, chegou até mesmo a anunciar uma aposentadoria no final de 2017, mas assim como quase todos que o fazem nesse esporte, acabou voltando. Desde o retorno deste hiato traz um balanço de 1-1 em seu retrospecto: vitória via TKO sobre Ben Saunders (outro highlander em franca decadência) e derrota por nocaute para o garotão Miguel Baeza, cria do Contender Series e nome para ficar de olho na divisão.

A parte mais difícil de traçar um prognóstico para esta luta reside em conseguir encontrar uma régua adequada para analisar o que ainda sobra das valências de ambos os atletas nesse estágio de suas carreiras com base em suas últimas atuações. Em todas as situações onde foram testados contra atletas de nível médio-alto, tanto Condit quanto Brown passaram por maus bocados.

Desempenho físico, capacidade de absorção, punch, qualidade/ritmo dos treinamentos e afins são equalizadores fortes aqui. De certa forma, todos estes são subservientes ao corpo e ao contínuo relógio do mundo. Nessa altura do campeonato, o aparato biológico já não funciona mais da mesma forma. Anos de lesões, desgaste e pancadas recebidas vão se aliando ao fato de que todos nós envelhecemos. Nessas horas, seria maravilhoso ter uma fonte da juventude, pois na melhor forma de ambas as partes envolvidas, essa luta seria espetacular. Este embate deveria ter acontecido lá em 2013, mas uma lesão por parte de Brown acabou por evitar que se concretizasse.

Não tenho dúvidas de que, naquele tempo, Carlos Condit mataria essa bomba no peito, mesmo que ainda pudesse ter alguma dificuldade. O background técnico do atleta da Jackson-Wink costumava ser bem mais profundo e polido que o do “Immortal”. Hoje eu já não tenho tanta certeza. Carlos parece que desaprendeu tudo que sabia de luta agarrada. Já não se movimenta como outrora. Já não desfere golpes com a mesma velocidade. Esses dois últimos aspectos, inclusive, apontam pra uma exposição ainda maior do queixo: mesmo em seu auge, Carlos apresentava muitos alguns defensivos no striking. Pelo menos a resistência daqueles tempos ainda parece estar ali.

Se Condit não consegue ser convincente, Brown também não vai muito além disso. Os últimos oponentes que Matt bateu não são muito parâmetro e a derrota para Baeza foi um pouco deprimente e fruto de uma luta totalmente desnecessária. De qualquer forma, se tem uma coisa que Brown provou que ainda tem é o peso das mãos e isso pode ser relevante aqui. Em menor grau, eu vejo todo o conjunto de luta agarrada de Brown bem justo e preservado, podendo fazer diferença sobre um Condit que tem passado por momentos desagradáveis quando levado ao chão.

Quando olho pra todas as variáveis possíveis, confesso que fico tentado a apostar em Brown, mas não sei se o queixo e o físico do Imortal ainda aguentam muita coisa. Neste tipo de circunstância, é quase sempre mais seguro ir para a dominância técnica a longo prazo em detrimento de acontecimentos esporádicos que possam ditar o fim da luta, mas a coisa aqui está tão complicada que é difícil botar fichas em qualquer um dos dois atletas.

Eu odeio ser aquele cara xarope que fica querendo aposentar lutador, mas sinceramente, esses dois já fizeram bastante pelo esporte e eu particularmente não tenho mais interesse em vê-los correndo estes riscos. Esta semana o MMA Fighting publicou uma matéria de cortar o coração sobre a condição atual de Spencer Fisher, popular peso leve do UFC no meio dos anos 2000. Confesso que fiquei balançado, especialmente em uma parte onde ele diz algo do tipo: “seria bom se eu pudesse evitar que outros passassem por isso, mas não acho que eles vão ouvir, eu mesmo acho que nunca ouvi”.

Não é ser mensageiro da desgraça. O risco existe e ele é real. Sem muita convicção eu vou de Carlos Condit aqui nessa luta, esperando que seja um confronto maneiro e que, de preferência, seja o último dessas duas lendas viva que irão dividir o octógono no sábado.

Carlos Condit vs Matt Brown odds - BestFightOdds

Peso Meio-Médio: Santiago Ponzinibbio (ARG) vs. Li Jingliang (CHN)

Por Gabriel Fareli

Apesar de ter se destacado no TUF Brasil 2, poucas pessoas esperavam que Santiago Ponzinibbio (27-3 no MMA e 9-2 no UFC) fosse evoluir a ponto de se tornar um legítimo integrante da categoria até 77kg. Suas sete vitórias consecutivas o alçaram ao top 10 dos meio-médios, porém, os mais de dois anos sem entrar no octógono o atrapalharam e fizeram Santiago dar alguns passos pra trás na corrida pelo cinturão. O atleta natural de La Plata venceu nomes importantes como: Gunnar Nelson, Mike Perry e Neil Magny.

O “Argentino gente boa” teve uma nítida evolução após sua mudança para a American Top Team, seu muay thai ficou mais polido, com golpes mais seletivos e menos afobados. Seu cardio também melhorou bastante e Ponzinnibio consegue aplicar socos rápidos e ao mesmo tempo potentes e com bom ritmo de luta. Vale observar como ele estará fisicamente e de ritmo de luta após tanto tempo de inatividade.

Li Jingliang (17-6 no MMA, 9-4 no UFC) vinha num bom momento no octógono mais famoso do mundo: três vitórias consecutivas, a última sobre o explosivo Elizeu Capoeira, que vinha de sete resultados positivos em sequência, e mirando o ranking dos meio-médios. Porém, o atleta da China Top Team foi freado por Neil Magny com uma derrota por decisão unânime em Março de 2020. Agora, o atleta de 32 anos, tentará vencer Santiago Ponzinnibio para voltar ao trilho das vitórias.

Jingliang é um lutador bastante agressivo, com um wrestling bastante sólido e boa habilidade no jíu jitsu. Também usa bastante a combinação entre jabs e diretos e os chutes baixos. Tem o costume de tentar encurralar os seus adversários na grade usando a sua luta agarrada e ser bastante confiante na potência dos seus golpes, isso faz com que Li mesmo tendo base no wrestling, goste de trocar socos na luta em pé.

Jingliang Li vs Santiago Ponzinibbio odds - BestFightOdds

A luta promete uma batalha em pé de alta qualidade e com promessa de ser bastante animada. A principal dúvida da luta é sobre a condição em que Ponzinibbio retornará depois de tanto tempo de inatividade. Sua condição física já foi motivo de preocupação a algum tempo atrás, dificuldade que foi bem trabalhada na ATT. Como Santiago é mais lutador, a aposta aqui é de vitória do argentino por decisão mas com contornos de dramaticidade no último round.

Peso Médio: Joaquin Buckley (EUA) vs. Alessio Di Chirico (ITA)

Por Israel Silveira

Dono do provável nocaute da década, Joaquin Buckley (12-3 no MMA, 2-1 no UFC) vem recebendo muito mais atenção do que se esperava quando foi contratado. Ex-atleta do LFA e Bellator, “New Mansa” estreou no UFC dando de frente contra Kevin Holland. Buckley teve uma performance justa, mas eventualmente foi vítima da envergadura e trocação mais polida de Holland. Talvez seja esta a principal brecha no jogo do “New Mansa” que é capaz de bastante violência, porém de forma atabalhoada em alguns momentos, além de investir em combinações longas demais que o levam a ser contragolpeado ou a cansar. No entanto ele vem conseguindo compensar os principais defeitos em seu jogo com sua potência, tendo nocauteado de forma brutal Impa Kasanganay e Jordan Wright. É um lutador que deve evoluir em vários aspectos, mas seus nocautes impressionantes vêm criando para ele bastante hype e atenção dos fãs.

Alessio Di Chirico (12-5 no MMA, 3-5 no UFC) vem em sequência bastante diferente de Buckley, acumulando três derrotas consecutivas e um retrospecto nada impressionante de 3 vitórias e 5 derrotas. No entanto o italiano não é “frango” quanto seu cartel no UFC faz parecer. O italiano é um bom kickboxer, tem um wrestling razoável e bom contragolpeador. É o caso de um lutador que é “ok” em tudo, mas não é excelente em nada. Além disso, ele tem uma defesa bastante questionável, apesar de ter bom queixo para compensar os golpes que ele constantemente recebe. Kevin Holland conseguiu aproveitar com tranquilidade as brechas defensivas do italiano, enquanto Makhmud Muradov e Zack Cummings simplesmente tiveram um plano de luta superior ao de Di Chirico. A luta contra Buckley pode salvar seu emprego no UFC ou então sacramentar sua ida juntamente com a infame “barca dos 60”.

Alessio Di Chirico vs Joaquin Buckley odds - BestFightOdds

Di Chirico claramente é uma “oferenda” para Buckley se manter ocupado e aumentar seu hype. Ele tem ferramentas para complicar o jogo para o New Mansa, principalmente seu grappling. Buckley é um lutador previsível: ele vai entrar para o pocket, lançar diversas combinações de três ou quatro cruzados e com sorte um deles encontra o queixo do adversário. Di Chirico por vezes tenta lutar como contragolpeador, mas ele não se defende bem e essa é uma péssima brecha para se ter no jogo contra um lutador tão potente como Joaquin Buckley. Portanto a aposta é para Joaquin Buckley por nocaute.