Por Edição MMA Brasil | 09/10/2020 13:49

Dando sequência a interminável sequência de eventos do UFC, a maior organização segue na famigerada Ilha da Luta, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para realizar mais um evento. Desta vez, trata-se do UFC Fight Island 5, que traz algumas lutas interessantes em um card, de fato, menos atrativo.

Na luta principal da noite, o ex-desafiante Marlon Moraes tenta mais uma chance pelo cinturão da divisão após a vitória sobre o lendário José Aldo Júnior. Desta vez, seu adversário será o empolgante Cory Sandhagen, que busca se recuperar de seu primeiro revés na organização.

Já na luta coprincipal do evento, Edson Barboza tenta provar que ainda merece uma vaga na maior organização do mundo depois de cinco derrotas em seis lutas. Em busca de um recomeço na divisão dos penas, o brasileiro enfrenta o perigoso Makwan Amirkhani, que pode oferecer riscos ao jogo experiente atleta.

Por fim, Ben Rothwell tenta uma última corrida na carreira ao top 15 da péssima categoria dos pesados. Embalado por duas vitórias consecutivas, o experiente lutador enfrenta o ex-campeão do M1-Global Marcin Tybura, que terá mais uma chance de testar seu nível no evento.

O UFC Fight Island 5 será realizado no próximo sábado e terá transmissão exclusiva do Canal Combate. O evento tem início previsto para às 18h, enquanto o card principal deve começar às 21h pelo horário oficial de Brasília.

Peso galo: #1 Marlon Moraes (BRA) vs. #4 Cory Sandhagen (EUA)

Por: Matheus Costa

Se Marlon Moraes pisa no octógono, o entretenimento é garantido. O “Magic” fez seu nome no cenário regional norte-americano ao enfileirar corpos no extinto WSOF, batendo todos os nomes que a organização lhe oferecia. O hype, é claro, chegou de forma natural. Não só pela forma como o carioca natural de Nova Friburgo vencia seus adversários, mas pela técnica e pela inteligência que demonstrava em seus compromissos no evento de Ray Sefo. Naturalmente, o UFC ligou. E ele atendeu.

Ex-lutador de muay thai, Marlon Moraes é um trocador feroz e muito, mas muito técnico. Rapidez, agilidade e (muita) agressividade são as chaves do seu jogo, que possui um arsenal bastante vasto de golpes, com combinações e criatividade na hora de criar ângulos para golpear. A principal arma da casa são os chutes, que possuem uma potência assustadora – especialmente os que atingem as pernas dos adversários. A força dos golpes do brasileiro chega a ser tanta que dá pra esquecer que estamos falando de um peso galo. Entretanto, ele tratou de se adaptar ao esporte e virou faixa-preta de Ricardo Cachorrão, deixando de ser um striker unidimensional para um oportunista no chão. Dois pontos que podem preocupar são a parte defensiva e a precisão de seus golpes, mas nada muito gritante.

Dono de uma das histórias mais interessantes dos últimos tempos no UFC, Cory Sandhagen (12-2 no MMA, 5-1 no UFC) surgiu do nada na divisão dos galos e foi ganhando seu espaço com grandes atuações. Nocauteou Austin Arnett, aplicou uma virada brilhante contra Iuri Marajó e finalizou Mario Bautista. Quando o sarrafo subiu, bateu no peito e derrotou John Lineker. O sarrafo subiu de novo e aconteceu o mesmo: dominou o experiente Raphael Assunção na decisão unânime. Tudo isso em menos de dois anos. O revés veio contra Aljamain Sterling em um atropelo, mas que não apaga tudo o que foi feito até o momento.

Sempre muito empolgante, Sandhagen possui combinações de potência e volume, com destaque para os golpes na curta distância e outros mais plásticos, como joelhadas voadoras. Na luta agarrada, Cory é muito oportunista e sorrateiro, mas não é dos lutadores mais técnicos na arte suave que a categoria dos galos pode oferecer. Raçudo e com coração gigante na hora da luta, o norte-americano acaba se empolgando demais em algumas situações e entra em porradarias. Aí o problema aparece: a parte defensiva, que é quase inexistente. Ele não se preocupa em movimentar a cabeça, esquivar ou ter uma guarda boa. Contra Marlon, é quase garantido que isso será um problema enorme.

Cory Sandhagen vs Marlon Moraes odds - BestFightOdds

Este confronto de cinco rounds é realmente complicado de se opinar por tamanho equilíbrio do embate. Marlon é melhor em pé, mas a discrepância física é tanta que isso pode sim atrapalhar, já que Sandhagen tem uma vantagem de mais de 10cm a mais em altura e em envergadura. Partindo desse princípio, Moraes deve ter problemas para encurtar a distância sem ser atingido.

Com a estratégia correta, o brasileiro deveria jogar na longa distância e no clássico “bate e sai”, mirando as pernas do americano. Enquanto isso, Cory deve usar sua longa envergadura para golpear o ex-desafiante e controlar a distância contra o perigoso adversário. A aposta fica para a vitória de Marlon Moraes em uma luta tensa e apertada na decisão dos juízes.

Peso pena: Edson Barboza (BRA) vs. Makwan Amirkhani (FIN)

Por: Israel Silveira

Fazendo sua segunda luta no peso pena, Edson Barboza (20-9 no MMA, 14-9 no UFC) tentará se recuperar de sua muito polêmica derrota para Dan Ige. A maior parte da mídia e dos fãs viram vitória para o brasileiro em sua estreia na nova categoria. De qualquer forma, o ex-peso leve tem grandes aspirações de título na divisão e pelo seu status no peso leve uma vitória o impulsionaria ao top 10.

Barboza conseguiu cortar bem o peso para a divisão e seus principais problemas na luta contra Ige não foram por conta de um severo corte de peso. Na verdade, Edson apresentou os mesmos problemas que mostrou em suas derrotas no peso leve: problemas ao ser pressionado.

O brasileiro tem muay thai de elite e capacidade de desferir rápidos e potentes chutes, principalmente os baixos. Ficar parado na frente dele  é morte certa e por isso seus adversários fazem de tudo para pressionar e levá-lo ao chão. Enquanto tiver gás, o lutador é capaz de defender quedas contra wrestlers que não são de elite e isso se potencializa no peso pena, já que ele traz 1,80m e bastante força para os 66 kg. É um combate crucial para sua carreira, que vem de cinco derrotas em suas últimas seis lutas.

Makwan Amirkhani (16-4 no MMA, 6-2 no UFC) é um especialista em grappling, mas que gosta de se arriscar bastante em pé. O finlandês tem boas vitórias contra Jason Knight e Chris Fishgold, todas obtidas usando seu bom jogo de luta agarrada. Jason Knight, porém, mostrou que o atleta tem diversas brechas em pé e Shane Burgos reforçou ainda mais essa tese nocauteando o finlandês no terceiro round após repetidas tentativas de quedas do europeu. Quando faz seu arroz com feijão, o Amirkhani tem sucesso utilizando um agressivo jiu-jítsu e obteve três vitórias por finalização no UFC. Ele vem de vitória recente sobre Danny Henry, precisando de apenas 40 segundos no chão com seu adversário para conseguir a finalização.

Edson Barboza vs Makwan Amirkhani odds - BestFightOdds

A luta tem tudo para correr de maneira semelhante ao embate entre Makwan Amirkhani e Shane Burgos. O finlandês é bom wrestler e deve conseguir levar Edson para o chão em algumas oportunidades. Porém, Barboza não é uma adversário fácil de se controlar no chão e só foi finalizado duas vezes no UFC.

Se Amirkhani quiser bancar o boxeador contra Barboza, ele deve sofrer com os duros chutes baixos e o thai clinch do brasileiro. Se quiser fazer seu jogo de wrestling de transição, Makwan deve eventualmente se esgotar fisicamente e virar alvo fácil para o oponente em pé. Os dois cenários fazem Edson amplo favorito para a vitória. A aposta vai para nocaute de Edson Barboza no segundo round.

Peso pesado: Ben Rothwell (EUA) vs. Marcin Tybura (POL)

Por: Matheus Costa

Analisar o estilo de Ben Rothwell (38-12 no MMA, 8-6 no UFC) não é muito fácil. Não porque o americano é um primor técnico (acredite, longe disso), mas porque o experiente lutador é bem… estranho (?). Com o clássico físico acima do peso de um peso pesado, o veterano possui um currículo de respeito, com vitórias impactantes sobre Alistair Overeem e Josh Barnett. Depois de ser suspenso por doping e ficar dois anos de molho, voltou perdendo para Blagoy Ivanov e Andrei Arlovski e se recuperou contra Stefan Struve e Ovince St. Preux, sempre em lutas horrorosas.

Dono de mãos potentes, Rothwell é bruto e nem um pouco técnico. É forte, mas não tem volume. Possui poder de nocaute, mas é lento e previsível. Uma de suas vantagens é o uso do clinch, área que costuma lhe dar superioridade com o dirty boxing. Outro ponto a se destacar é capacidade de absorver golpes com certa facilidade, já que o único a conseguir a façanha de lhe apagar foi um tal de Cain Velasquez.

Marcin Tybura

Quando Marcin Tybura (19-6 no MMA, 6-5 no UFC) foi contratado pelo UFC em 2015, o ex-campeão do M-1 Global chegou com muita expectativa. O famoso hype. Hype que nunca se justificou. Depois de três vitórias consecutivas, o polonês encontrou muita dificuldade contra o nível de topo da divisão e somou apenas uma vitória em cinco lutas, sendo nocauteado em três delas. Com a demissão se aproximando, o atleta respirou e conseguiu duas boas vitórias sobre Sergey Spivak e Maxim Grishin, que lhe dão um fôlego extra na pior categoria da organização.

Especialista na área de grappling, Tybura é faixa preta de jiu-jítsu e costuma utilizar o wrestling para anular o jogo de seus adversários e jogar no clinch. Suas transições no chão são interessantes e se destaca por uma certa facilidade em chegar na montada, embora não tenha finalizado ninguém no UFC ainda. Em pé, é preocupante. Não tem muita absorção de golpes com o famoso queixo de vidro, o preparo físico é bem limitado e seu arsenal de golpes se limita aos chutes.

Ben Rothwell vs Marcin Tybura odds - BestFightOdds

Este confronto tem tudo para ser altamente tedioso e não ter muita emoção, como toda luta de Tybura. Vejo vantagem para Ben Rothwell, que tem pontos defensivos para evitar o jogo do polonês, que por sua vez deve ter problemas com a luta em pé. A aposta fica para a vitória de Ben Rothwell por decisão dos juízes em um confronto com muito, mas muito uso de clinch na grade.