Por Idonaldo Filho | 17/07/2020 11:25

Cinturão peso mosca: #1 Deiveson Figueiredo (BRA) vs. #2 Joseph Benavidez (EUA)

Por Idonaldo Filho

Na primeira ele venceu, mas não levou. Deiveson Figueiredo (18-1 no MMA, 7-1 no UFC) é conhecido por “Deus da Guerra”, traduzindo o apelido também em seu desempenho costumeiro dentro do octógono. O lutador da Ilha de Marajó teve a oportunidade da vida na primeira luta contra Benavidez, tendo a chance de conquistar o título negada quando não conseguiu bater o peso da divisão até 56,7kg. Mesmo assim houve combate, onde Deiveson nocauteou seu adversário. Além dessa, outras vitórias relevantes do brasileiro são contra John Moraga e Alexandre Pantoja.

Um lutador de boa envergadura, Deiveson é para o peso mosca um atleta com alto índice de interrupções. Bastante agressivo, o paraense tem um dos punhos mais pesados da categoria, atacando muito bem quando avança e também contragolpeando. A movimentação de Figueiredo é um ponto forte, mostrando capacidade de desviar dos golpes adversários com certa facilidade. Com alguns treinos na Team Alpha Male, Deiveson mostra qualidade ao variar o jogo, com evolução no wrestling – chegou a derrubar Benavidez na primeira luta -, aliado a faixa preta de jiu-jitsu e estrangulamentos perigosos. Nunca tendo lutado cinco rounds na carreira feita no UFC, contando com um corte de peso sempre pesado, é uma dúvida se o brasileiro consegue manter um ritmo suficiente por 25 minutos mas, geralmente isso não é necessário para ele.

O eterno desafiante, Joseph Benavidez (28-6 no MMA, 15-4 no UFC) vai para quinta tentativa de obter um título em uma organização de grande expressão. No UFC foram três chances, entregou luta na primeira e foi nocauteado nas outras duas. Mesmo que não tenha obtido o ouro da divisão, Benavidez sempre se colocou como segunda força da categoria e é um dos poucos que pode falar que venceu Henry Cejudo, ex-campeão do evento. Nessa revanche, busca conquistar o cinturão que pode premiar uma grande carreira, que já dá sinais de esgotamento.

Lutador com mais lutas no peso mosca, Benavidez sempre mostrou competência em todos os aspectos do MMA, sofrendo por ser contemporâneo de um dos maiores gênios que o esporte já viu na mesma faixa de peso. Com background no wrestling, Benavidez executa quedas com facilidade, tem um ground and pound excelente e se desempenha muito bem nos scrambles. O boxe é técnico e poderoso, aplicado em alto ritmo e auxiliado por ocasionais chutes baixos. Já com 35 anos e muito tempo de luta nas costas, Benavidez mostra alguma piora natural pela idade e o queixo o deixou na mão em algumas oportunidades.

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Antes de tudo, é muito bacana ver que a categoria dos moscas vem tendo uma renovação adequada nos últimos tempos, cada vez mais se distanciando dos momentos em que imaginávamos que o pior aconteceria. Sobre a luta, não acredito que vamos ter muita diferença do que aconteceu no primeiro duelo. É melhor que Deiveson consiga dessa vez bater o seu primeiro adversário, que é corte de peso, mas uma vez que tenha vencido essa etapa deve conquistar o nocaute contra Benavidez ainda na primeira metade da peleja.

Peso médio: #6 Jack Hermansson (SUE) vs. #7 Kelvin Gastelum (EUA)

Por Gabriel Fareli

Jack Hermansson (20-5 no MMA, 7-3 no UFC) estava numa excelente fase: pela primeira vez tinha vencido mais de duas lutas consecutivas no UFC (quatro) e também estreou no top-5 da categoria até 84 kg. Mas após vencer Thales Leites, Gerald Meerschaert, David Branch e Ronaldo Jacaré sendo os três primeiros pela via rápida, Hermansson teve uma derrota doída para Jared Cannonier  que o tirou do grupo dos cinco primeiros e que o fez adiar o sonho de uma disputa de título.

O sueco é um brutamonte de pressionar os adversários na grade usando seu boxe potente e rápido, as vezes varia usando as quedas, o que o torna um oponente perigoso. Também causa preocupação quando está por cima do adversário com um ground and pound que já lhe trouxe muitas vitórias e também uma perigosa guilhotina que já causou muitas vítimas.

Kelvin Gastelum (16-5 no MMA, 10-5 no UFC) tem tido uma carreira inconstante no evento de Dana White, desde o UFC 200 em 2016, foram vitórias contra Johny Hendricks e Tim Kennedy, No Contest contra Vitor Belfort, revés para Chris Weidman, e dois resultados positivos, contra Michael Bisping e Ronaldo Jacaré que o levaram a disputar o cinturão interino contra Israel Adesanya no UFC 236.

Após a derrota para Adesanya, Gastelum sofreu mais um revés, dessa vez para Darren Till. Agora na sétima colocação no ranking, Kelvin tenta uma remontada rumo a mais uma disputa de título. O aluno de Rafael Cordeiro, é um wrestler de origem que usava sua força fisíca para distribuir quedas e tentar finalizações. Porém sobre as ordens do treinador brasileiro, melhorou consideravelmente o seu nível de trocação. Vale destacar também a sua capacidade de aguentar pancadas e seu queixo de alta resistência.

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Temos aqui, dois atletas de estilos um pouco parecidos. Deveremos ver uma troca interessante de golpes, com Hermansson esperando para botar pra baixo e Gastelum tentando manter a luta em pé com jogo de pressão, combinação e velocidade de golpes. E a aposta aqui é justamente que o aluno de Rafael Cordeiro consiga manter a peleja de pé para pontuar e levar a vitória por decisão.

Peso mosca : #4 Alexandre Pantoja (BRA) vs. #7 Askar Askarov (RUS)

Por Idonaldo Filho

“O Canibal” Alexandre Pantoja (24-4 no MMA, 6-2 no UFC) é mais um entre os brasileiros que fazem parte da divisão peso mosca, se firmando como um dos principais atletas da divisão após a sua contratação através do TUF 24. Conhecido pelo jiu-jítsu, Pantoja tem como principais vitórias no evento o compatriota Wilson Reis, além de Brandon Moreno – lutador que está perto de uma disputa de título. Na última vez que pisou no cage do UFC, Alexandre derrotou Matt Schnell com um belíssimo overhand, fazendo com que o americano caísse de cara no chão.

Cada vez mais Alexandre Pantoja se torna mais completo, adicionando uma trocação poderosa e agressiva -mas descuidada – a seu conjunto, que já é muito bom. Em pé Pantoja é um insano, aceitando trocas francas de golpes, mostrando muita resiliência e geralmente se saindo melhor no confronto. O brasileiro tem no mata-leão a sua principal submissão, levando bastante risco quando está nas costas do adversário. Mostrando desenvolvimento constante, é questão de tempo para o 4º colocado do ranking estar em uma disputa  de título.

Ex-campeão do ACB, o russo Askar Askarov (11-0-1 no MMA, 1-0-1 no UFC) foi uma das primeiras contratações dessa “reconstrução” dos moscas. Deficiente auditivo, Askarov conquistou o ouro no wrestling disputando as Surdolímpiadas em 2017. No MMA russo sempre foi um dos principais atletas que faziam parte dessa faixa de peso, sempre encarando oposição de grande nível. Pelo líder do mercado estreou com um empate, num duelo divertido contra Brandon Moreno. A primeira vitória na empresa aconteceu em janeiro, vencendo Tim Elliot na decisão.

Como é de se esperar, o principal aspecto do jogo de Askarov é o wrestling. Uma máquina, Askar sempre está em busca de pressionar o adversário, deixando poucos espaços e atacando com contundência. Bem forte, o clinch de Askarov é sufocante e suas quedas são plásticas. O ground and pound do russo é volumoso, contando também com uma capacidade de scramble sensacional para movimentações na luta de solo. É bom adicionar que Askar é um brucutu quando estamos falando de finalizações, já tendo até mesmo encaixado um twister em seus tempos de ACB.

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Não tem como essa luta ser chata, isso é garantido. Pantoja é mais agressivo em pé, mas não deve achar que Askarov irá respeitar seu grappling pois é muito provável que o russo busque derrubar, lá aumentando as chances de uma interrupção via ground and pound. Em um duelo equilibrado, que deve ser disputado em trocações francas e muito scrambling, acredito em vitória de Pantoja na decisão dos juízes.

Peso leve: Davi Ramos (BRA) VS. Arman Tsarukyan (RUS)

Por Idonaldo Filho

Faixa preta de jiu-jítsu, campeão do ADCC e de vários outros torneios importantes na arte suave, Davi Ramos (10-3 no MMA, 4-2 no UFC) tem currículo de sobra para estar no UFC.  Contratado em 2017 com pouca experiência no novo esporte, Davi fez uma luta apertada de estreia contra Serginho Moraes, perdendo a peleja. Logo mais, emendou quatro vitórias consecutivas contra adversários de nível menor, parando no excelente Islam Makhachev.

Um peso leve parrudo, Davi tem uma trocação rudimentar muito baseada em pombos sem asa que dificilmente acertam o alvo. A defesa de golpes não é muito boa e, em alguns momentos quando avança com algumas sequências deixa brechas gritantes para ser contragolpeado. O wrestling é baseado na força, se mostrando efetivo nas castas mais baixas. O jiu-jítsu é refinadíssimo, ofensivamente impecável e sempre objetivo, com muita agilidade na hora da definição. Ainda não se mostra pronto para o top 15, mas é um bom lutador para se manter no plantel, fazendo duelos divertidos.

O prospecto Arman Tsarukyan (14-2 no MMA, 1-1 no UFC) veio credenciado por um nocaute sensacional contra o ex-UFC Felipe Olivieri, no S-70 Platforma Cup. Uma vez contratado, entregou um duelo muito encardido para o mesmo Islam Makhachev. O UFC não deu moleza na segunda luta, mas Tsarukyan passou por Olivier Aubin-Mercier. Com apenas 23 anos, o armeno que representa a Rússia é um nome para ficar de olho no futuro.

Tsarukyan é mestre no sambo e wrestling, treinando na Tiger Muay Thai na Tailândia ocasionalmente, assim como com os irmãos Harut e Marat Grigorian, kickboxers credenciados. O estilo de luta de Arman é baseado em muita pressão, agarrando chutes, buscando a perna sempre para derrubar o adversário e desferir golpes no chão. Em pé o lutador é bom atacando na distância com chutes, mas ainda um pouco descuidado defensivamente. Na luta contra Makhachev, Arman se destacou muito pelo uso da força em disputas no clinch enquanto teve energia.

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O melhor lutador de MMA é Tsarukyan, que é mais completo e representa mais riscos na trocação. Há também uma certa vantagem no estilo de pressão que ele utiliza em relação ao jiu-jítsu de Davi Ramos, uma vez que Arman costuma derrubar os adversários perto da grade e atacando com bom volume de golpes no ground and pound, o que complicaria a atuação do brasileiro na guarda. Não acho que Davi conquiste uma finalização, o desfecho deve ser Tsarukyan conquistando uma vitória nos pontos.