UFC e USADA anunciam mudança em política antidoping

Por Gustavo Lima | 01/10/2018 12:31

O UFC – em decisão conjunta com a Agência Antidoping dos Estados Unidos (USADA) – tomou a decisão de mudar o procedimento nos casos de notificação de violações da política anti-doping.

Desde que a USADA passou a ser a escolha da organização para realizar e auditar os testes anti-doping os atletas da organização, o protocolo era de que toda e qualquer violação em potencial seria anunciada imediatamente.

Todavia, na metade de julho, foi tomada a decisão de que as violações só serão anunciadas após a resolução completa do caso. Hunter Campbell, responsável por tratar de assuntos legais do UFC, falou sobre essa situação para a ESPN.

“Eu tenho o máximo calibre de respeito pela USADA, mas seria obtuso da nossa parte não olhar pra trás depois desse período de três anos e questionar o que aprendemos e quais mudanças devem ser feitas ao programa.

Se um atleta testa positivo, não iremos marcar ele pra uma luta até que o caso seja resolvido – mas podemos dar ao atleta a oportunidade de lidar com esse problema sem a pressão publica do julgamento. Anunciar os resultados do teste cria essa narrativa em volta do atleta antes que as pessoas entendam os fatos.” – disse Campbell.

Uma estatística divulgada por Jeff Novitzky, vice-presidente de saúde e performance dos atletas do UFC, aponta que dos 62 casos de testes falhos pela USADA, 21 culminaram em absolvição após as violações serem provadas como não intencionais. Cerca de um terço de todos os casos, um número bastante relevante.

Campbell alega que tanto ele quanto Novitzky receberam dos atletas um feedback de que seria muito melhor ter um tempo para apurar o caso e anunciar posteriormente que com a investigação conduzida, já se tem a informação de que a contaminação foi acidental.

“É uma história bem diferente de dar uma janela de seis meses pra alguém enquanto eles estão tentando se defender de acusações sobre serem trapaceiros.”

Outra mudança relevante que o UFC tem estudado implantar, mas ainda não bateu o martelo, diz respeito ao tratamento dado a violadores reincidentes do programa anti-doping. Atualmente, alguém nessa situação pode enfrentar uma sentença maior em seu segundo problema com a USADA – caso de Jon Jones, por exemplo, que poderia ter pegado quatro anos de gancho com o teste falho na última luta contra Daniel Cormier.

Campbell advoca por mudança em casos como o de Jones pois, usando “Bones” como exemplo prático, sua primeira violação foi considerada não intencional.

“Um dos motivos pra um cara como Jon Jones estar encarando quatro anos é o fato dele ser um ofensor múltiplo do programa. Minha questão com o Jon Jones é que ele não fez nada de intencional na primeira ofensa. Ele foi julgado por um dado grau de irresponsabilidade.

Eu não acho que duas violações não intencionais deveriam culminar numa suspensão de quatro anos. A punição não está a par do crime. Você tem – e nós continuaremos tendo – que aumentar a pena para violações intencionais.”

O principal problema com violações não-intencionais do sistema anti-doping da USADA é claramente o uso de suplementos contaminados. Enquanto o programa se mostra eficiente na capacidade de identificar casos acidentais de doping, o UFC tem cada vez mais desencorajado o consumo de suplementos por parte dos atletas.

O Instituto de Performance do UFC em Las Vegas oferece suporte e conselhos nutricionais aos atletas e reitera que o uso de tais suplementos pode resultar em consequências indesejadas, mesmo que não intencionalmente. Jeff Novitzky, todavia, reconhece que as consequências podem ser um pouco desproporcionais dentro da atual política.

“Esse programa é feito pra pegar e punir trapaceiros intencionais. Ninguém está dizendo que não existirá responsabilidade quando se trata de uso não intencional, mas punir alguém com essa responsabilidade da mesma maneira que alguém que estava conscientemente violando a política não é o que esse programa deveria fazer.”