Por Edição MMA Brasil | 20/09/2019 14:15

Seguindo sua longa jornada fora dos Estados Unidos, o UFC volta ao México, em sua capital, para mais um evento que tem em sua luta principal um combate explosivo e com muito talento envolvido. O local Yair Rodríguez volta à sua terra natal para tentar adentrar no top 5 contra Jeremy Stephens. Antes deles, outro combate envolvendo um local e um americano pode também servir para colocar mais um lutador mexicano no topo dos rankings. A talentosa Alexa Grasso busca nova vitória contra a ex-campeã Carla Esparza.

No card principal ainda teremos outras três lutas interessantes e com locais envolvidos. Pelo combalido peso mosca masculino Brandon Moreno enfrentará o russo Askar Askarov, Irene Aldana tentará voltar às vitórias contra a brasileira Vanessa Melo, que ficou 2kgs acima do limite do peso galo. Ainda, no peso pena masculino, Martín Bravo enfrentará Steven Peterson. Também teremos um ótimo combate no card preliminar, entre Sergio Pettis e Tyson Nam.

O UFC Cidade do México terá transmissão nesse sábado, pelo canal combate, o card preliminar inicia às 18h00 e o principal às 21h.

Peso Pena: #7 Yair Rodríguez (MEX) vs. #8 Jeremy Stephens (EUA)

Por Thiago Kuhl

Yair “El Pantera” Rodriguez (12-2 no MMA, 6-1 no UFC) vai evoluindo a cada luta, impressionando cada vez os fãs e deixando-nos bastante ansiosos pelo futuro do mexicano que vai já se posicionando para integrar a elite do seu peso. Após alguns problemas com a organização que acabou com que Yair fosse demitido e readmitido e fazendo com que lutasse apenas uma vez em 2018, em novembro, vencendendo com um nocaute literalmente no último segundo de luta contra Korean Zombie.

Faixa preta de taekwondo e com ótima experiência do kickboxing, o mexicano se tornou o fenômeno que é em razão dos movimentos plásticos, com chutes e cotoveladas que chegam sem avisar dos mais variados ângulos. O grappling é bem interessante em sua parte ofensiva e a boa capacidade cardiorrespiratória o mantém por 5 rounds sem problema. Há algum tempo era evidente a baixa produção ofensiva, principalmente por não ter um boxe tão desenvolvido. O wrestling defensivo também tinha buracos. Há algum tempo buscou treinamentos especializados e se mudou com o técnico Mike Valle para Vegas, treinando no UFC PI. Em sua última luta ficou clara a evolução no boxe, afiado agora pelo grande treinador Robert Garcia. Se conseguir o mesmo sucesso no wrestling, o teto para Yair não será outro, se não uma eventual disputa pelo título.

Jeremy Stephens (28-16 no MMA, 15-15 no UFC) parecia acabado há algum tempo para o MMA, mas um dos mais longevos lutadores do plantel do UFC conseguiu se reinventar e chegou a conseguir uma eliminatória contra José Aldo após três vitórias seguidas. O problema é que o ex-campeão ainda estava em um nível acima do que o americano, ainda que respirando novos ares, podia resolver. Depois disso, em nova oportunidade para se manter na elite, enfrentou o ascendente Zabit Magomedsharipov, ficando para trás novamente, agora Jeremy se coloca novamente como um porteiro para o topo da categoria.

Dono de um poder de nocaute enorme para categoria, Stephens conseguiu aumentar muito a movimentação e melhorar as combinações para conseguir a sequencia de vitórias que lhe deu a possibilidade de lutar uma eliminatória contra Aldo, o problema é que mesmo evoluindo, Jeremy tem um teto limitado pelo seu próprio talento e gênios do esporte como o brasileiro e Magomedsharipov não são acessíveis do seu nível.

Jeremy Stephens vs Yair Rodriguez odds - BestFightOdds

 

Assim como nas suas duas últimas lutas, Stephens terá que sobrepor o maior talento de seu adversário, que, assim como Zabit, está subindo rumo a elite do esporte. O que talvez o ajude seja que Yair não está tão pronto como seus últimos oponentes, ainda tem alguns buracos e pode sofrer com essa nova versão do americano.

Entretanto, essa não será nossa aposta. Esperamos que a evolução de Rodriguez seja ainda maior do que em sua última luta e o permita adentrar ao topo da divisão com um nocaute pelo meio do combate.

Peso Palha: #8 Carla Esparza (EUA) vs. #9 Alexa Grasso (MEX)

Por Thiago Kuhl

Entra dia e sai dia e continuamos falando o mesmo de Carla Esparza (14-6 no MMA, 5-4 no UFC), primeira campeã da categoria, espancada sem qualquer cerimônia em sua primeira defesa. Sempre se recuperou contra lutadoras de bom nível apos suas derrotas, mas acabava sucumbindo quando encontrava alguém mais talentosa que conseguia evitar seu jogo, que nessa altura do campeonato está mais que manjado.

All-American, forte e tenaz, conseguia fazer o cão com suas adversárias. Quedas, pressão no solo e controle posicional deram a toada da carreira da “Cookie Monster” até cruzar com uma certa polonesa. O problema é que a idade chega e falta de variação no seu arsenal, que perdeu muito com a diminuição de sua condição física, acaba deixando a situação de carreira da ex-campeã complicada. À parte do wrestling, pouco se vê no jogo de Esparza que possa vir a ser uma virada na carreira, porém, de toda forma, ainda há gás para queimar contra gente abaixo da elite.

Alexa Grasso (11-2 no MMA, 3-2 no UFC) finalmente parece ter atingido o nível que dela se esperava quando assinou com o maior evento do mundo. Na época, venceu bons nomes no Invicta FC e até chegou a ter uma vitória na sua estreia no octógono contra Heather Jo Clark, desde então, não repetiu mais resultados. Foi derrotada por Felice Herrig, venceu Randa Markos, perdeu para Tatiana Suarez e, em sua última aparição, em junho, não tomou conhecimento da ex-desafiante Karolina Kowalkiewicz, na maior atuação de sua carreira.

Como boa mexicana, é especialista no boxe, o que ficou mais que evidente contra Karolina em sua última luta. Com um ótimo uso de contragolpes e jabs, soube manter uma perigosa striker sob controle, seja na distância ou no clinch. É importante dizer que mesmo com os resultados inconstantes, a única luta em que realmente não viu a cor da bola foi contra Tatiana Suarez (e quem viu?), pois mesmo na derrota para Felice Herrig, entregou luta difícil. Aliada à capacidade técnica em pé, Grasso possui um coração enorme, boa condição cardiorrespiratória e um queixo dos bons. O problema para Alexa é o grappling, onde tem sua pior faceta, talvez uma boa notícia seja que a sua advsersária não tenha mais a tenacidade de outrora.

Alexa Grasso vs Carla Esparza odds - BestFightOdds

 

Aqui temos um combate onde a imposição do próprio estilo vai fazer toda a diferença, para deixar a coisa mais interessante, sabemos que tanto Carla, quanto Alexa, já tiveram problemas quando enfrentaram desafios parecidos com o que terão nesse final de semana. Alexa sofre contra grapplers que façam pressão no chão. Carla sofre quando fica presa no meio do caminho e não consegue agarrar a adversária.

Nesse jogo de imposição de estilo, vou ficar do lado da mexicana. Acredito que a vitória sobre Karolina disse mais sobre Alexa do que sobre o atual estágio da polonesa. Dito isso, apostamos em um nocaute tardio ou decisão tranquila para Grasso.

Peso Mosca: #9 Brandon Moreno (MEX) vs. Askar Askarov (RUS)

Por Gustavo Lima

Brandon MorenoA estabilização do peso-mosca trouxe Brandon Moreno (15-5 MMA, 3-2 UFC) de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído. O mexicano de apenas 25 anos fez barulho quando estreou no UFC há 3 anos após participar do TUF: Tournament of Champions. Apesar do cartel irregular, o mexicano se mostrou extremamente promissor e entregou lutas empolgantes na categoria.

Cortado após dois revezes seguidos (Sergio Pettis e Alexandre Pantoja, respectivamente) em um momento em que a divisão dos moscas já parecia estar no bico do corvo, a impressão geral foi de que o UFC tomou decisão equivocada ao deixar o jovem prospecto mexicano ir – sequer testando-o no peso-galo. Pouco mais de um ano depois e com apenas uma luta realizada pelo LFA, Moreno é recontratado pela organização, endossando a opinião de boa parte da esfera do MMA e escancarando a falta de planejamento da alta cúpula da companhia.

Se Moreno faz sua reestreia no evento lutando em casa, Askar Askarov (10-0) se prepara para pisar pela primeira vez na jaula do UFC e seguindo o exemplo do oponente, o russo também é um grande prospecto e ótimo grappler. A magnitude das credenciais do “Bullet”, todavia é consideravelmente maior.

Além do cartel irrepreensível, outros dados que pesam são o fato de nunca ter deixado uma luta ir para a decisão dos juízes, duas defesas de título no ACB e finalizações sobre nomes como Rasul Albaskhanov e José Maria No Chance, além da medalha de ouro representando a Rússia no wrestling estilo-livre nas Olimpíadas para Surdos de 2017 – Askarov já nasceu com parte da audição comprometida, tendo dificuldades para ouvir seu corner durante as lutas, por exemplo.

Askar tem um estilo de luta agarrada extremamente agressivo e divertido de se assistir, mostrando grande ímpeto na aproximação e nas quedas, aplicadas com precisão ímpar. O russo é um finalizador nato, explorando com excelência oportunidades de finalização em meio ao ground and pound e controle posicional. Talvez o ponto mais divertido e empolgante para esse casamento seja a similaridade entre o estilo de ambos os atletas. Brandon também é marcado por ser um atleta agressivo, que nunca foge da trocação franca, mas tem como principal diferencial a arte suave, vez ou outra presenteando os espectadores com scrambles divertidos e/ou finalizações.

Askar Askarov vs Brandon Moreno odds - BestFightOdds

Enquanto a anatomia do jogo de MMA de ambos tem suas similaridades, o que vimos até aqui torna Askarov um sério candidato a bicho-papão do “novo peso-mosca” do UFC, em contraste com um Brandon Moreno que ainda parece verde em alguns aspectos e precisa trabalhar especialmente sua luta em pé para trazer perigo a atletas um pouco mais tarimbados.

No chão, apesar do mexicano ser cascudo e dotado de grande qualidade técnica, Askarov soa favorito por conta da dominância imposta sobre seus oponentes anteriores nas ocasiões em que resolveu levar a luta pra baixo. Negar as quedas para tentar ganhar uma boa posição ou tentar o scramble com Askar seriam as principais estratégias para Brandon – a primeira parece inviável e a segunda, loucura.

O futuro da divisão dos moscas está em boas mãos e este combate tem todos os motivos para ser uma prova objetiva disso. Alta probabilidade de um duelo empolgante e quase tão alta de vitória para Askar Askarov (via decisão ou finalização).

Peso Mosca: #5 Sergio Pettis (EUA) vs. Tyson Nam (EUA)

Por Gustavo Lima

Sergio Pettis (17-5 MMA, 8-5 UFC) está longe de viver a melhor fase da carreira e retorna ao peso-mosca após tentativa falha de regressar aos galos. A derrota sofrida para Rob Font, claramente maior e mais forte, aliada a quase-ressurreição que o peso-mosca viveu nos últimos meses, trataram de colocar Pettis de volta no que parece ser sua trilha natural.

Vindo da primeira e única sequência de duas derrotas consecutivas na carreira até aqui, Sergio tem a possibilidade de recomeçar sua caminhada na divisão dos moscas com uma desafio mais modesto e acessível. Já com treze lutas pelo UFC nas costas e 26 anos de idade, Pettis tem a chance de aliviar um pouco a pressão que o segue ao longo da carreira. De sombra do irmão à promessa, eventualmente se tornando realidade e por fim, contestado, espera-se do atleta da Roufusport um amadurecimento que pode leva-lo ao alto escalão da categoria em definitivo.

No outro corner estará o interminável Tyson Nam (17-9-1), que faz sua estreia no octógono mais famoso do mundo do alto de seus trinta e cinco anos de idade. Com passagens por WSOF, Fight Nights Global e King of the Cage, o havaiano se sagrou campeão peso-mosca do X1 World Events, resultado que o levou a ser contratado pelo UFC para substituir – de última hora – o lesionado Alex Perez.

Nam possui retrospecto um tanto quanto irregular em sua carreira, mas possui em seu cartel algumas vitórias sobre bons valores. As mais memoráveis são, sem dúvidas, o nocautes sobre Dudu Dantas no Shooto (quando o mesmo ainda era campeão peso-galo do Bellator) e sobre Ali Bagautinov (na época recém-saído do UFC) no Fight Nights Global.

Embora a experiência de Nam não possa ser ignorada, o nível técnico de Pettis o torna amplamente favorito em praticamente todos os aspectos do jogo. Apesar de algumas atuações decepcionantes nos últimos cinco ou seis combates, com ênfase na carência de ajustes estratégicos, o “Fenômeno” (possivelmente o apelido menos original e mais usado no MMA) é um poço de habilidades e um dos atletas mais perigosos do peso-mosca.

Independente das expectativas colocadas sobre Pettis a priori, é inegável a evolução técnica vista no jogo de artes marciais mistas do irmão caçula do “Showtime”. Ao longo de seus últimos combates, houve melhora substancial no grappling, tal como ajuste de aspectos defensivos em sua trocação. A vantagem de tamanho e envergadura que Nam possui não parecem suficientes para fazer frente a habilidade, velocidade e explosão de Sergio na luta em pé.

Sergio Pettis vs Tyson Nam odds - BestFightOdds

Tyson, azarão por margem relativamente larga, precisará tirar um grande coelho da cartola e sua principal chance de vencer este duelo é colocar mais um nocaute improvável em sua prateleira. Enquanto não é impossível explorar eventuais falhas de Pettis e levar perigo, a lógica é que o estreante saia derrotado em um combate que promete ser, no mínimo, divertido.