Por Edição MMA Brasil | 18/01/2019 02:06

A temporada 2019 da maior organização do MMA mundial tem início no próximo sábado com uma novidade: a estreia na ESPN americana. O UFC Brooklyn, que leva o octógono de volta ao estado de Nova York, traz uma disputa de cinturão que pode coroar mais um campeão duplo e diversos combates empolgantes para construir uma nova base de fãs.

No duelo principal, Henry Cejudo coloca o cinturão dos moscas em jogo pela primeira vez num desafio espinhoso. Ele vai encarar o campeão dos galos, TJ Dillashaw, que fará seu primeiro corte para abaixo de 57 quilos.

Uma estreia controversa vem no segundo combate mais importante da noite. Ex-jogador da NFL, enxotado da liga após agredir a ex-mulher, Greg Hardy encara Allen Crowder pelo peso pesado. Eles sucederão o retorno do promissor peso leve Gregor Gillespie, que terá pela frente um Yancy Medeiros voltando ao peso leve.

Dois ex-desafiantes estão escalados na porção principal do evento. Joseph Benavidez luta com Dustin Ortiz, pelo peso mosca, enquanto Glover Teixeira tem encontro com Karl Roberson, pelo meio-pesado. Completa o card o retorno de Paige VanZant contra Rachael Ostovich, pelo peso mosca.

O UFC Brooklyn terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate – o acordo com a ESPN não vale para o Brasil – com o card preliminar estando marcado para se iniciar as 21:30h, enquanto a porção principal irá ao ar as 1:00h da manhã, no Horário de Brasília.

Cinturão Peso Mosca: C Henry Cejudo (EUA) VS. C BW TJ Dillashaw (EUA)

Por Alexandre Matos

Nada como um dia após o outro. Henry Cejudo (13-2 no MMA, 7-2 no UFC) conseguiu se recuperar do par de derrotas na primeira disputa do cinturão contra Demetrious Johnson e de uma controvérsia diante de Benavidez. Henry nocauteou Wilson Reis e passou por Sergio Pettis para ter novo encontro com o campeão Johnson. Mostrando enorme evolução, “O Mensageiro” superou o melhor lutador do mundo em seu auge e se tornou o primeiro campeão olímpico e do UFC.

As vitórias recentes, especialmente contra o Mighty Mouse, mostraram um Cejudo diferente. O wrestling extraclasse segue lá firme, no mínimo para decidir em que nível os combates seguirão. Porém, ele incorporou em seu jogo uma bela mistura de muay thai com caratê que incomodou Johnson demais, fazendo o então campeão pagar por toda tentativa de investida. Quando precisou de uma cartada para definir uma luta muito parelha, Cejudo soube alterar o padrão e se tornar o primeiro a manter Demetrious com as costas no chão.

Cejudo não será o único em ação a ter mostrado poder de recuperação. TJ Dillashaw (16-3 no MMA, 12-3 no UFC) superou a dura derrota para Dominick Cruz batendo em sequência Raphael Assunção e John Lineker em duas atuações sólidas. Em seguida, recuperou o cinturão e o defendeu com dois nocautes espetaculares sobre o ex-parceiro de treinos e agora arquirrival Cody Garbrandt.

Poder de recuperação não será a única semelhança entre os dois campeões. Bem antes de Cejudo adquirir novas armas, Dillashaw já havia chocado o mundo. Ele passou de um wrestler unidimensional para um dos strikers mais dinâmicos do MMA, somando poder de decisão com uma versatilidade no muay thai, fruto do sensacional trabalho com o técnico Duane Ludwig – eles formam uma das melhores duplas de lutador-técnico do MMA. Esta soma faz de TJ um dos lutadores mais imprevisíveis e muito difícil de ser marcado. Além de tirar combinações do além, Dillashaw muda de nível com enorme facilidade com quedas muito bem orquestradas em sua movimentação nada ortodoxa.

Henry Cejudo vs T.J. Dillashaw odds - BestFightOdds
 

Há quem diga que eu apliquei três cambalhotas em sequência quando este combate foi anunciado. Não confirmo nem nego. A verdade é que qualquer fã de MMA que se preze ficou contando os dias para este encontro.

Dillashaw é mais dinâmico, forte e com mais ferramentas que Cejudo. Isso justifica a vantagem nas odds para o campeão dos galos, mas está longe de garantir uma vitória a ele. Afinal, ninguém vence o número um peso por peso na sorte. Ainda há contra TJ a dúvida quanto à resposta ao corte de peso – em algumas imagens, ele pareceu bastante desgastado, apesar de afirmar que fez uma redução de peso científica. Talvez uma possível vantagem na velocidade vá por água abaixo para Dillashaw.

Na hora que as portas do octógono fecharem, Cejudo poderá adotar uma estratégia parecida com a que lidou com a movimentação de Johnson: aguardar a aproximação de Dillashaw e retaliar toda e qualquer ação ofensiva do desafiante. Ainda que seja um monstro ofensivamente, TJ deixa brechas nítidas para contragolpes quando avança para golpear. Além dessas retaliações, Cejudo deve usar o wrestling para cansar o rival.

Tudo isso posto, o modo como Dillashaw vai superar o corte de peso será o fiel da balança. Para Cejudo, será interessante prolongar a luta até que a velocidade esteja garantida ao seu lado e o desgaste, com TJ. Se o campeão dos galos não sentir o corte, ele é capaz de vencer uns quatro rounds e abocanhar mais um título. No entanto, minha aposta é num confronto intenso e tenso, com Cejudo mantendo o título numa decisão bem apertada.

Peso Pesado: Greg Hardy (EUA) vs. Allen Crowder (EUA)

Por Rafael Oreiro

Mesmo ainda sem ter feito uma luta pelo UFC, o nome de Greg Hardy (3-0 no MMA, 0-0 no UFC) já vem trazendo expectativa e criando polêmicas antes de sua estreia. Ex-profissional no futebol americano com passagens por times como Carolina Panthers e Dallas Cowboys, Hardy viu sua carreira na NFL ruir após ser preso após agredir sua ex-namorada. Em 2016, ele anunciou que iria iniciar carreira nas artes marciais mistas, mesmo sem nenhuma experiência prévia com lutas. Depois de menos de um ano, fez sua estreia no circuito amador, impressionando ao conquistar três rápidos nocautes. Rapidamente chamando a atenção do UFC – por ser um nome conhecido nos Estados Unidos, tanto pela carreira na NFL quanto pelas polêmicas – Hardy rapidamente foi encaixado na primeira edição do Contender Series em 2018.

Fazendo sua primeira luta profissional no programa revelador de talentos para o UFC, Greg impressionou novamente ao nocautear o também ex-NFL Austen Lane em menos de um minuto, ganhando um contrato de desenvolvimento – pois Dana White ainda não o considerarava pronto para o nível de competição da organização. Ele ainda fez mais uma aparição no Contender Series antes do final da temporada de 2018, nocauteando Tebaris Gordon em apenas 17 segundos. Então, bastou somente mais uma vitória – mandando Ray Jones para a vala em menos de um minuto no Xtreme Fight Night – e Hardy recebeu o chamado do UFC para finalmente fazer sua estreia na organização.

Já elevado ao posto de uma luta coprincipal em um evento importante como este, isso demonstra como Dana White está apostando no ex-jogador de futebol americano para o futuro – ou quer atrair audiência com sua fama. Ainda assim, Hardy ainda é um lutador bastante cru, que basicamente usa de seu atleticismo e explode para cima de seus adversários, soltando golpes muito potentes buscando o nocaute, mas também deixando brechas gigantes. Esse atleticismo que faz ele se destacar tanto em uma categoria como a dos pesados, com velocidade e condicionamento diferenciados para a divisão. O americano vem evoluindo a passos largos desde que se mudou para Coconut Creek para treinar na American Top Team, onde tem sido tutelado por Din Thomas e King Mo Lawal, que vem tentado melhorar seu nível principalmente na luta agarrada – área na qual não chegou a ter que demonstrar quase nenhuma habilidade até agora em seus combate.

Se Hardy foi um destaque no Contender Series, o mesmo não pode ser dito de Allen Crowder (9-3 no MMA, 0-1 no UFC). O “Pretty Boy” participou do programa em sua temporada de estreia, em 2017, nocauteando Dontale Mayes após uma performance sem grande brilho e, para bastante surpresa dos presentes, conquistando um contrato com o UFC. Desde então, Crowder fez somente uma luta na organização, sucumbindo para um direto de Justin Willis em menos de três minutos, no UFC 218.

Crowder também já teve paixão pelo futebol americano, tendo competido no esporte por boa parte do colegial e da faculdade, mas desistiu do esporte para migrar para o fisiculturismo e, posteriormente, para o MMA. Ele se destacou no cenário regional americano por ser um peso pesado mais atlético e móvel – aguentando lutar mais de um round sem cansar miseravelmente – principalmente por ser menor do que a maioria dos seus colegas de divisão. Porém, isso vira um problema gigante quando ele passa a enfrentar oposição mais qualificada com tal desvantagem física – serão quase dez centímetros de diferença de altura para Hardy.

Na troca de golpes em pé, pode se dizer que Allen não é um lutador muito habilidoso. Tendo o costume de deixar a guarda baixa, ele solta um volume baixo de golpes e com pouca potência. No wrestling, pode se dizer que ele não é nada especial, tendo certa técnica mas faltando o timing e a imposição física para se conseguir quedas. No chão, pode se dizer que ele possui um nível razoavelmente deplorável, conseguindo perder posições inexplicavelmente e trazendo quase nenhuma ameaça quando raramente consegue terminar por cima de algum oponente.

Allen Crowder vs Greg Hardy odds - BestFightOdds
 

Ainda se viu muito pouco do desempenho que Greg pode ter atualmente, principalmente na luta agarrada, e isso poderia preocupar caso ele fosse enfrentar algum adversário com maior capacidade técnica. Porém, em Crowder, ele terá um oponente de poucas habilidades e que terá que superar uma grande desvantagem física. Aproveitando a guarda baixa que Allen costuma apresentar, a expectativa é que Hardy acerte um pedradão ainda no primeiro assalto e inicie sua carreira no UFC com o pé direito.

Porém, fica aqui a torcida para que a luta dure um pouco mais, para que possamos ter material para analisar o atual estágio técnico do ex-jogador de futebol americano no MMA.

Peso Leve: #15 Gregor Gillespie (EUA) vs. Yancy Medeiros (EUA)

Por Alexandre Matos

Um dos mais promissores lutadores da mais profunda divisão do UFC pouco a pouco vai deixando o status de prospecto para se consolidar no peso leve. Gregor Gillespie (12-0 no MMA, 5-0 no UFC) já superou cinco adversários, terminando por uma das vias rápidas em todas, menos na primeira. Em sua última aparição, pegou Vinc Pichel num katagatame que lhe garantiu o terceiro bônus da carreira.

Campeão da Divisão I da NCAA por Edinboro University e antigo dono do cinturão do Ring of Combat, um dos melhores celeiros de talento do MMA norte-americano, o parça de Josh Koscheck já mostrou que não vive só do wrestling. Além do forte jogo de quedas e submissões, que ele tira proveito aplicando o pandemônio no solo em giros e transições, o boxe de Gregor jamais pode ser subestimado, não só pela potência nos golpes e pelas rápidas combinações, mas também pela capacidade de encaixe dos socos dos oponentes. Se a defesa de striking precisa de ajustes, a de quedas é sólida demais, graças ao enorme senso de equilíbrio e força de tronco.

Yancy Medeiros

Apesar de viver numa gangorra de resultados, dificilmente Medeiros (15-5 no MMA, 6-5 no UFC) perderá seu emprego. Isso porque suas lutas são animadas e com possibilidades para todos os lados. Ele parecia ter se encontrado no peso meio-médio depois de finalizar Sean Spencer e nocautear Erick Silva e Alex Cowboy. Porém, o duro nocaute sofrido diante de Donald Cerrone fez com que o havaiano parça dos irmãos Diaz voltasse ao peso leve.

Medeiros não é tão talentoso quanto Gillespie, mas o cabra se vira em qualquer situação. Ainda que o wrestling defensivo seja podre, o jiu-jítsu já o salvou de algumas situações que poderiam ficar difíceis. Em pé, Yancy aplica volume de golpes intenso e varia as combinações usando chutes, socos e joelhadas. Porém, sua destreza em se defender no striking é só um pouco menos lamentável que a sua de evitar quedas. Em sua defesa, Medeiros mostra condição cardiorrespiratória acima da média e boa capacidade de absorver pancadas.

Gregor Gillespie vs Yancy Medeiros odds - BestFightOdds
 

Este duelo é maravilhoso não só por confrontar dois maníacos, mas por um ser o antídoto dos problemas defensivos do outro. Se Gillespie não aprender a se defender melhor, pode sofrer com o ritmo intenso de socos e a resistência de Medeiros. Por outro lado, dificilmente o havaiano melhorou a ponto de negar as investidas de queda de um wrestler tão talentoso.

Apostamos aqui em pelo menos um minuto de anarquia até as brechas defensivas de Medeiros falarem mais alto. Depois de engolir algumas pancadas em pé, ele será derrubado, terá seus botes anulados, levará mais couro na cara no ground and pound e verá Gillespie coletar mais um pescoço antes que o cronômetro alcance a metade do segundo assalto.

Peso Mosca: #2 Joseph Benavidez (EUA) vs. #8 Dustin Ortiz (EUA)

Por Diego Tintin

O histórico Joseph Benavidez (26-5 no MMA, 13-3 no UFC) é um daqueles integrantes de uma elite de lutadores que jamais conquistou o cinturão de um grande evento. Um dos melhores do mundo na época do WEC e da transição para o UFC, foi barrado duas vezes por Dominick Cruz como peso galo. Com a adição do peso mosca na principal organização do mundo, Benavidez era o favorito à coroa, mas ali também foi duplamente superado por um baluarte: Demetrious Johnson. Entre as cabeças penduradas em sua sala de estar, estão grandes nomes como Miguel Torres, Eddie Wineland, Jussier Formiga, Ian McCall, Ali Bagautinov e o atual campeão Henry Cejudo.

Nos seus bons tempos, Joe apresentava um alto nível na luta olímpica, ritmo infernal e alta velocidade de movimentação e de combinações. Ele aproveitou como poucos o período de Duane Ludwig no comando do Team Alpha Male para aprimorar a luta em pé em todos os seus aspectos. A arte suave, desenvolvida nos treinos com Fabio Pateta, também é de alto nível, com oportunismo no ataque e segurança defensiva. O problema é que o desgaste de uma carreira longa e intensa, combinado com seus 34 anos de idade, já cobra um preço em desempenho. O pequenino descendente de mexicanos já não vem conseguindo sustentar um ritmo intenso em lutas mais longas. Contudo, se não é mais um dos chefões da turma, ainda é um desafio dos mais respeitáveis.

Dustin Ortiz (19-7 no MMA, 8-5 no UFC) pintou como um bom prospecto, mas ainda persegue uma regularidade que o destacaria do pelotão intermediário. Sempre que foi desafiado a vencer uma luta para colar na elite da divisão, saiu derrotado por feras como Benavidez, Wilson Reis, Jussier Formiga e Brandon Moreno. Neste momento está, pela primeira vez desde que assinou com o evento, em uma sequência de três vitórias. As duas últimas foram sobre as promessas brasileiras Matheus Nicolau – em uma virada, com um nocaute espetacular – e Alexandre Pantoja.

Ortiz começou a treinar wrestling no ensino médio e tem na luta agarrada sua maior virtude. Isso porque o atleta da Roufusport também tem habilidade no jiu-jítsu, modalidade na qual foi graduado com a faixa marrom pelo mestre Daniel Wanderley. Normalmente, é uma ameaça nas quedas, mas contra Benavidez não parece ter futuro neste campo, assim como nem chegou perto de derrubar no primeiro encontro entre eles. Para azar de Dustin, a sua trocação é ainda muito rudimentar, baseada em potência, mas com algumas dificuldades técnicas, principalmente defensivas.

Mas nem tudo é notícia ruim para Ortiz. O seu condicionamento atlético é claramente superior ao de Benavidez neste momento e aí reside sua maior chance neste duelo. Além disso, é resistente, tem bom poder de finalização por qualquer uma das vias rápidas e tem muito coração.

Dustin Ortiz vs Joseph Benavidez odds - BestFightOdds
 

Caso Benavidez não tivesse apresentado uma queda considerável de velocidade em seus últimos combates, esta peleja seria uma provável cópia daquela realizada em novembro de 2014. Todavia, além de Ortiz ser hoje um sujeito mais experiente e traiçoeiro, Joe-Jítsu não baila mais na ponta dos pés por três longos assaltos como aconteceu há quase meia década. As chances de Ortiz devolver o revés para o alphamale é real, mas, de forma conservadora, vamos palpitar aqui em Benavidez por decisão.

Peso Mosca: Paige VanZant (EUA) vs. Rachael Ostovich (EUA)

Por Thiago Kühl

Paige VanZant (7-4 no MMA, 4-3 no UFC) explodiu rapidamente no peso palha. Preterida do plantel do TUF 18 por ter apenas 20 anos,ela  estreou no evento ainda em 2014, conseguindo três vitórias em suas três primeiras lutas, até ser parada pela atual campeã Rose Namajunas em uma surra inapelável. Desde então, uma vitória em três lutas e uma séria lesão no braço colocaram Paige no pior momento de sua carreira. Agora no peso mosca – categoria na qual faz sua segunda luta – a “12 Gauge” tentará voltar ao caminho das vitórias.

Agressiva e com um jogo de muita pressão, VanZant se notabilizou por sempre fazer lutas muito animadas. Partindo para cima das adversárias sem pensar muito no lado defensivo, ela conseguiu fama e dois bônus de performance. O problema é que essa mesma agressividade muitas vezes exagerada trouxe derrotas acachapantes. Além da surra sofrida contra Namajunas, ela acabou nocauteada por Michelle Waterson e controlada por Jessica-Rose Clark. VanZant, que iniciou sua carreira na Team Alpha Male, saiu da equipe e se mudou para o Oregon para treinar junto de Chael Sonnen desde sua última luta, o que em um primeiro momento não surtiu o efeito esperado. Para o combate desse sábado, Paige buscou também treinos com Jason Parrilo na Califórnia, o que pode ser bom para cobrir um dos seus buracos no jogo: o imenso desperdício de golpes e as brechas na trocação.

Rachael Ostovich (4-4 no MMA, 1-1 no UFC) conseguiu uma vaga para o UFC após uma não tão boa passagem no TUF 26, onde perdeu em sua segunda luta. No evento, protagonizou duas finalizações: uma para vencer Karine Gervorgyan e a outra sofrida contra Montana De La Rosa. Oriunda do Havaí, Rachael fez quatro lutas no Invicta FC antes de conseguir entre no reality show, construindo um cartel de 2-2.

Se podemos dizer que Ostovich tem um destaque em seu jogo, este é o grande coração. Mesmo em situações bastante complicadas, a havaiana é muito aguerrida, na parte técnica. Sua melhor área de atuação é o wrestling, que é muito calcado na força física. Rachel consegue levar as adversárias ao solo muitas vezes, porém tem dificuldades em manter posições, seja na busca por finalizações ou mesmo no ground and pound. São incontáveis as vezes que perdeu a dominância no solo em seus combates por agir de forma estabanada. Sua trocação tem potência, mas é muito rudimentar, tal qual sua defesa de golpes, cheia de buracos.

Paige Vanzant vs Rachael Ostovich odds - BestFightOdds
 

A fase de Paige de fato não é das melhores: com duas derrotas seguidas, uma lesão grave e tendo mudado de academia, a americana parece ter se perdido um pouco na promissora carreira. Isso faz com que Rachel seja uma adversária na medida para a sua recuperação. A chance da havaiana residiria em fazer um jogo de pressão e quedas. Se isso acontecer, eventualmente VanZant achará uma brecha para finalizar a luta. Caso vejamos uma luta na trocação, a maior técnica da loira deve fazê-la chegar ao nocaute. De uma forma ou de outra, não acredito que teremos leitura de papeletas no combate, com Paige voltando as vitórias com uma interrupção no segundo round.

Peso Meio-Pesado: #3 Glover Teixeira (BRA) vs. Karl Roberson (EUA)

Por Pedro Carneiro

Depois de uma longa jornada até conseguir entrar no UFC, já se foram sete anos desde que Glover Teixeira (27-7 no MMA, 10-5 no UFC) finalizou Kyle Kingsbury no UFC 146. Desde entã,o o mineiro construiu uma carreira sólida no maior evento do mundo, chegando até a ser um desafiante de título.

Glover é um lutador completo, sendo um dos poucos lutadores brasileiros que tem um nível razoável de wrestling, ele pode escolher onde a luta vai transcorrer quando pega atletas sem experiência na arte de derrubar pessoas. A luta em pé é tecnicamente de bom nível, composta principalmente por um boxe alinhado e com bastante potência. As combinações são bem-feitas e até velozes para um sujeito desse tamanho, assim como o senso de distância e de timing para usar os golpes mais explosivos. Há uma dificuldade no uso dos chutes, que não pouco frequentes, embora dotados de muita força quando utilizados, o que torna o brasileiro em alguns momentos previsível. Seu jiu-jítsu também é bom, podendo surpreender os oponentes tanto quando está em cima com katagatames ajustados, quanto quando está embaixo usando a guilhotina que é potencializada com a força equina do brasileiro. Todavia, apesar do excelente lastro de treinamentos em diferentes estilos, o que mais complica a vida é que todas essas valências são aplicadas com lentidão. Este problema foi o impeditivo para Glover não ter chegado mais longe na carreira e a passagem do tempo tende somente a piorar a situação.

Glover já dá sinais de que está na reta final de seu tempo como lutador. Perto de completar 40 anos, o retrospecto recente é de alternância entre vitórias e derrotas. É importante salientar que derrotas para Alexander Gustafsson e Anthony Johnson não são um demérito para ninguém, mas também acabaram por situá-lo em um porteiro de elite da categoria. O sobraliense vem de derrota para Corey Anderson em agosto do ano passado e iria enfrentar Ion Cutelaba, que infelizmente teve que se afastar do evento por conta de uma lesão.

Karl Roberson (7-1 no MMA, 2-1 no UFC) garantiu seu emprego no UFC com um nocaute acachapante no Contender Series e, por conta da substituição, recebe a oportunidade de pular alguns degraus na carreira enfrentando um adversário com carreira consolidada. O americano estreou vencendo Darren Stewart, foi derrotado pela experiência e jiu-jítsu de Cezar Mutante e reencontrou a vitória contra o galês Jack Marshman.

Com um passado no kickboxing, o ex-lutador do Glory é um lutador que gosta de controlar a distância, usando os ângulos como ferramenta para os contragolpes. Usa bem as pernas, com chutes e joelhadas, e sabe bater enquanto se movimenta com a intenção de capitalizar nas brechas que o ataque do adversário abre. A principal dificuldade do americano ainda é a luta agarrada, precisando melhorar nesse aspecto para ir mais longe na carreira.

Glover Teixeira vs Karl Roberson odds - BestFightOdds
 

Glover gosta de uma boa pancadaria e essa é justamente a proposta de Roberson que, por estilo, deseja que os adversários tomem a iniciativa do ataque, fazendo com que o cenário onde a chinela cante ardida seja possível. Um questionamento é como o americano irá reagir enfrentando um atleta de elite com uma semana de antecedência para se preparar para esse salto de qualidade. Caso a porradaria ocorra, Glover possui um bom encaixe de golpes para poder lançar socos com força e receber os contragolpes enquanto retorna lentamente seus braços para a guarda. A questão é que Karl Roberson tem capacidade de bater no local certo e, em algum momento, fazer o queixo do brasileiro ruir, principalmente se a luta se esticar. Por outro lado, o poder de nocaute e a experiência do brasileiro podem fazer uma aliança para presenteá-lo com um nocaute.

O melhor cenário para Glover Teixeira é usar a ferramenta que o americano não possui, a luta agarrada, para controlar o combate e buscar uma finalização. É de conhecimento de todos que o brasileiro é um lutador inteligente e sabe mesclar sua agressividade com seu jogo de chão para garantir a vitória em situações mais complicadas. A aposta aqui é de que Glover irá derrubar após um início trocando golpes e conseguirá uma finalização no segundo round ou uma vitória por pontos.