Por Edição MMA Brasil | 16/10/2019 09:21

Depois de um bom evento na sua volta aos Estados Unidos, a maior organização do MMA mundial continua em sua terra natal, desta vez na região da Nova Inglaterra, no UFC Boston. O emblemático e histórico TD Garden, casa do time mais vitorioso da NBA, o Boston Celtics, receberá um card com duas grandes lutas em seu topo, mas que terá um punhado de desconhecidos para os mais desatentos no restante do card

Na luta principal, o top 10 do futuro Dominick Reyes busca continuar sua série de onze vitórias recepcionando no peso meio-pesado o ex-campeão da categoria de baixo, Chris Weidman, que tentará espantar a série ruim de 1-4 nas últimas cinco lutas e buscar vida nova na divisão.

Antes, uma luta remarcada após menos de um mês do anti-clímax que aconteceu no combate principal do UFC México. Yair Rodriguez e Jeremy Stephens tentarão, finalmente, entregar o excelente combate que prometiam em meados de setembro passado. Eles sucederão a luta dos pesos pesados Greg Hardy e Ben Sosoli, que esperamos que termine em nocaute.

Ainda teremos no card principal o interminável Joe Lauzon contra Jonathan Pearce no peso leve, Maycee Barber e Gillian Robertson prometendo pancadaria no peso mosca feminino e, abrindo o card, Deron Winn contra Darren Stewart.

O UFC Boston terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate nesta sexta-feira. O primeiro combate preliminar acontece às 19:00h, enquanto o card principal vai ao ar a partir das 22:00, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Meio-Pesado: #4 Dominick Reyes (EUA) vs. #8 MW Chris Weidman (EUA)

Por Thiago Kühl

Dominick Reyes

Um dos grandes acertos do Top 10 do Futuro foi Dominick Reyes (11-0 no MMA, 5-0 no UFC), desde jovem treinou wrestling, porém na faculdade jogou futebol americano, sem ser draftado, passou a se dedicar ao MMA. Chegou no UFC com seis vitórias e teve atuações excelentes, com três nocautes nas três primeiras lutas e um espancamento contra St. Preux. Em seu último combate teve uma atuação com nível um pouco mais baixo, vencendo Volkan Oezdemir em luta apertada, mas ainda assim mostrou bom condicionamento e boa capacidade defensiva.

Reyes é enorme para a categoria dos pesos meios-pesados. Com 1,93 de altura e 1,98 de envergadura deixará Chris pequeno. O kickboxing é de grande potência, principalmente os chutes, fazendo dele um trocador muito perigoso. A origem no grappling é vista principalmente do lado defensivo e na habilidade de clinch, o jogo de chão ainda nao foi testado efetivamente, uma vez que, quando sofreu quedas, se levantou rapidamente.

Se existe um lutador que terá a carreira marcada por momentos impressionantes, este é Chris Weidman (14-4 no MMA, 10-4 no UFC), esteve presente em lutas com muitos desfechos que marcaram cenas de highlights do UFC. As vitórias sobre Anderson Silva e as grandes atuações contra Lyoto Machida e Vitor Belfort o colocaram num patamar altíssimo, do outro lado da mesma moeda os nocautes sofridos para Rockhold, Mousasi e Jacaré – o primeiro e terceiro ocorreram em decorrencia de decisões pouco inteligentes do All-American e o segundo em uma sequência de eventos bastante constrangedora – colocaram em cheque a continuidade da carreira como um membro da elite do peso médio, fazendo-o subir para a combalida categoria até 93 quilos.

O Weidman que chegou ao título talvez tivesse a característica mais importante para um esportista: ser clutch, ou seja, quando está nos momentos decisivos se sobressai, com atuações inclusive acima daquilo que suas capacidades inicialmente demonstram. O jogo do novaiorquino é o bê-a-bá do MMA americano, wrestling de altíssimo nível e bom boxe. O que diferenciou Chris da média, no entanto, foi um ótimo senso de defesa, bom kickboxing defensivo – Anderson que o diga – e uma qualidade acima da média no jiu-jitsu, nunca é demais lembrar do trabalho que ele deu para André Galvão no ADCC, reputadamente o maior competidor de competições de grappling sem pano.

Quando as derrotas chegaram, cinco nas últimas seis lutas, o que se viu foi uma diminuição na capacidade cardiorespiratória, tomadas de decisão duvidosas e, talvez, uma diminuição na capacidade de absorver castigo, porém, convenhamos que Rockhold, Jacaré e, principalmente, Yoel Romero, são lutadores com poder acima da média. Sem cortar muito peso pode ser que consiga endereçar dois destes três problemas, mas certamente encontrará mãos muito pesadas na sua frente.

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A subida de peso de Weidman era algo que eventualmente aconteceria, talvez tenha ocorrido até com certo atraso, já se esperava que o americano explorasse o peso meio-pesado desde sua derrota para Mousasi, os efeitos do menor corte de peso podem ser interessantes para que volte a ter atuações como aquelas de seu reinado.

Deixando de lado os efeitos da estreia de Weidman em uma nova categoria, o casamento se mostra muito interessante. Do lado do novaiorquino há boa vantagem no grappling e no boxe, porém as aproximações do ex-campeão já não são as mesmas e, caso tome alguma decisão precipitada contra um nocauteador como Reyes, pode acabar sofrendo o quinto nocaute em seis lutas. Do lado de Dominick, o importante é evitar a aproximação de Weidman e apostar em golpes longos e na manutenção da luta na distância, esperando algum erro de Chris, ou mesmo de uma queda de rendimento do seu adversário no final da luta.

Sem muita certeza, apostarei que Weidman conseguirá fazer um jogo conservador, buscando o grappling e chegando a uma vitória por finalização.

Peso Pena: #7 Yair Rodríguez (MEX) vs. #8 Jeremy Stephens (EUA)

Por Thiago Kuhl

Yair “El Pantera” Rodriguez (12-2, 1NC no MMA, 6-1, 1NC no UFC) ia evoluindo a cada luta, impressionando cada vez os fãs e deixando-nos bastante ansiosos pelo futuro do mexicano que se posicionava para integrar a elite do seu peso. Após alguns problemas com a organização que acabou com que Yair fosse demitido e readmitido e fazendo com que lutasse apenas uma vez em 2018, em novembro, venceu com um nocaute literalmente no último segundo de luta contra Korean Zombie. Há pouco mais de um mês teve a chance de entrar de uma vez por todas na elite da divisão enfrentando o mesmo adversário desta sexta feira, mas um triplo dedo no olho que impossibilitou Stephens de continuar, fez com que a luta fosse adiada.

Faixa preta de taekwondo e com ótima experiência do kickboxing, o mexicano se tornou o fenômeno que é em razão dos movimentos plásticos, com chutes e cotoveladas que chegam sem avisar dos mais variados ângulos. O grappling é bem interessante em sua parte ofensiva e a boa capacidade cardiorrespiratória o mantém por 5 rounds sem problema. Há algum tempo era evidente a baixa produção ofensiva, principalmente por não ter um boxe tão desenvolvido. O wrestling defensivo também tinha buracos. Há algum tempo buscou treinamentos especializados e se mudou com o técnico Mike Valle para Vegas, treinando no UFC PI. Em sua última luta ficou clara a evolução no boxe, afiado agora pelo grande treinador Robert Garcia. Se conseguir o mesmo sucesso no wrestling, o teto para Yair não será outro, se não uma eventual disputa pelo título.

Jeremy Stephens (28-16, 1NC no MMA, 15-15, 1NC no UFC) parecia acabado há algum tempo para o MMA, mas um dos mais longevos lutadores do plantel do UFC conseguiu se reinventar e chegou a conseguir uma eliminatória contra José Aldo após três vitórias seguidas. O problema é que o ex-campeão ainda estava em um nível acima do que o americano, ainda que respirando novos ares, podia resolver. Depois disso, em nova oportunidade para se manter na elite, enfrentou o ascendente Zabit Magomedsharipov, ficando para trás novamente, agora Jeremy se coloca novamente como um porteiro para o topo da categoria. O episódio do dedo no olho da primeira luta com Yair enfureceu Stephens, inclusive tendo repercussões até no dia seguinte, com uma quase-briga entre ambos no lobby do hotel onde estavam hospedados.

Dono de um poder de nocaute enorme para categoria, Stephens conseguiu aumentar muito a movimentação e melhorar as combinações para conseguir a sequencia de vitórias que lhe deu a possibilidade de lutar uma eliminatória contra Aldo, o problema é que mesmo evoluindo, Jeremy tem um teto limitado pelo seu próprio talento e gênios do esporte como o brasileiro e Magomedsharipov não são acessíveis do seu nível.

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A aposta que o maior talento de Yair fosse prevalecer na primeira luta, imaginando que ele tenha endereçado ainda mais as deficiências apresentadas em seu jogo durante a carreira ainda permanece. Entretanto não podemos deixar de fora dois aspectos importantes que surgem em decorrência do anti-climax da última luta. O primeiro estaria ligado a um possível overtraining de um dos dois, que pode ser agravado com dois cortes de peso praticamente seguidos. Além disso, no dia seguinte após o primeiro combate, os lutadores se estranharam no hotel, o que pode acabar influenciando a postura dentro do octógono dos lutadores.

Porém, considerando que não temos condições de determinar com precisão que os casos acima aconteçam, manteremos a mesma aposta: Esperamos que a evolução de Rodriguez seja ainda maior do que em sua última luta e o permita adentrar ao topo da divisão com um nocaute pelo meio do combate.

Peso Pesado: Greg Hardy (EUA) vs. Ben Sosoli (AUS)

Por Tiago Paiva

O problemático ex-jogador da NFL e ex-contraventor (esperamos) Greg Hardy (5-1 no MMA, 2-1 no UFC) irá enfrentar um estreante, mostrando que a organização ainda não confia o suficiente no atleta para atender seu pedido de enfrentar alguém ranqueado. Indo para seu quarto combate neste ano, Hardy é uma aberração da natureza. Com quase 2 metros de altura e 120 quilos, o “Príncipe da Guerra” fez seus oponentes acordarem com a lanterninha do médico no olho em todas suas vitórias. O lutador de 31 anos depende totalmente de seus atributos físicos, caminhando sempre para frente e lançando todo tipo de golpe com potência cavalar.

Porém, seu sistema defensivo é inversamente proporcional ao ataque, embora tenha demonstrado alguma mínima evolução em seu último combate, em que nocauteou Juan Adams após fazer um sprawl com sucesso. Hardy se expõe mais que o necessário e até o momento não apresentou um QI de luta acurado.

Quantos lutadores pesos-pesados vem na sua cabeça quando o conceito “gordinho porradeiro” lhe é apresentado? Imagino que muitos. Eis mais um no UFC que se encaixa perfeitamente nessa definição. O australiano Ben Sosoli (7-2 no MMA, 0-0 no UFC) finalmente foi contratado pela maior organização de MMA do mundo após perder na primeira fase do TUF: Heavy Hitter para o futuro campeão do programa Juan Espinono; e, no Contender Series, onde sua luta acabou sem resultado após uma dedada acidental no olho.

“Seki” treina com o lendário (risos) Daniel Kelly na Resilience Training Centre, porém ao contrário do seu professor, a luta agarrada não é o plano A, nem B, nem C. Sosoli entra para matar ou morrer, lançando toda sorte de overhands e mata-cobras que conseguir enquanto seu parco gás durar.

O lutador de 29 anos tem boa potência e queixo resistente, porém peca em todo seu sistema defensivo, especialmente na luta agarrada. Em seu combate no TUF contra Juan Espino, Sosoli foi mantido sistematicamente no chão, chegando até a tomar uma queda de grande amplitude.

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A forma que este combate irá acabar é quase que óbvia: nocaute no primeiro assalto. Porém para qual dos lados? Entre dois lutadores com dinamites nas mãos e que gastam mais gás do que caminhonete rodando na cidade na primeira marcha, iremos optar pelo que apresenta mais explosão e um físico mais condizente a um atleta profissional: Greg Hardy pela via rápida dolorosa.

Peso Leve: Joe Lauzon (EUA) vs. Jonathan Pearce (EUA)

Por Gabriel Fareli

O veterano Joe Lauzon (27-15 no MMA, 14-12 no UFC) é um lutador que sempre merece nossa atenção quando entra em ação. Com 26 lutas no maior evento do mundo, Lauzon dificilmente entrega uma luta ruim para o público, porém a melhor fase do lutador natural de Boston já ficou no passado. Vindo de três derrotas seguidas e 18 meses sem atuar, “J-Lau” tenta ainda se manter relevante na categoria mais difícil do MMA.

O experiente atleta ostenta um retrospecto recente de quatro derrotas nas últimas cinco lutas. Perdeu para Jim Miller, teve um breve encontro com a vitória, quando venceu o combate contra Marcin Held e desde então acumulou três reveses, contra Stevie Ray, Clay Guida e Chris Grueztmacher. O finalizador não sabe o que é vencer duas seguidas desde 2014, quando ganhou de Mac Danzig e Michael Chiesa.

Joe tem um excelente jiu-jítsu, graças a seus braços e pernas tão longos, consegue nas transições e chega com frequência em finalizações. Não a toa, é recordista de prêmios de finalização da noite (seis). A trocação é bem decente, usada quase sempre com o intuito de abrir espaço para a luta mudar de nível e ir para o chão. Quando não consegue colocar pra baixo, Lauzon costuma ter problemas, como na sua última luta contra Grueztmacher.

Jonathan Pearce (9-3 no MMA, 0-0 no UFC) é mais um contratado via Contender Series. A excelente vitória sobre Jacob Rosales na terceira temporada do reality garantiu ao lutador de 27 anos a oportunidade de lutar no principal palco de lutas de MMA do planeta. O lutador da MMA Lab é um striker, tem boa movimentação e mãos rápidas que trabalham muitas combinações. Ataca bastante com perigosos uppercuts e cruzados, no clinch se vale de um bom jogo de cotoveladas e joelhadas.

“JSP” (sim, esse é o apelido dele) precisa melhorar justamente no ponto forte do seu adversário. Foi derrubado sem muita dificuldade em sua última luta e esteve por perto de ser finalizado duas vezes, quase sofreu duas guilhotinas nos dois primeiros rounds e ainda quase foi surpreendido por uma chave de braço enquanto golpeava seu adversário por cima, chegando bem próximo da derrota.

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Como toda luta começa em pé, creio que Jonathan levará vantagem no início, com boa movimentação e usando socos e chutes para pontuar e manter seu adversário na distância. Entretanto, a tendência é que o cenário mude entre o final do segundo e o terceiro round, com o desgaste do estreante somado a experiência do veterano. Assim, Lauzon deve achar espaço para derrubar, conseguir um mata-leão para fugir da má fase recente.

Peso Mosca: #12 Maycee Barber (EUA) vs. #15 Gillian Robertson (CAN)

Por Rodrigo Rojas

Lutadora mais jovem do plantel do UFC, Maycee Barber (7-0 no MMA; 2-0 no UFC) vem ganhando notoriedade rapidamente na rasa categoria dos moscas, muito por conta de seu carisma, estilo de luta agressivo e sua aparência atrativa. Com apenas 21 anos, a americana está invicta na carreira e venceu todas suas adversárias na maior organização do mundo por nocaute. Parte da nova geração do MMA, a lutadora teve um caminho clássico até o UFC: fez toda sua carreira no LFA, grande celeiro de talentos, até que chegou ao Contender Series, quando impressionou com uma vitória dominante por nocaute técnico.

Versada em todas as áreas das artes marciais mistas, mas sem maiores traquejos em alguma específica, Barber conta muito com seu atleticismo para encurtar a distância, onde faz a maior parte de seu trabalho dentro dos cages. Seja no clinch ou caindo por cima, Maycee aplica pressão constante, buscando quebrar as adversárias. O condicionamento e a força física permitem a manutenção do ímpeto por três rounds, apesar dela receber muitos golpes por conta da defesa pouco refinada. Seu maior ponto fraco está na trocação na média para longa distância, já que Barber não é das mais técnicas no jogo em pé.

Se Maycee ganhou grande destaque em pouco tempo, Gillian Robertson (7-3 no MMA; 4-1 no UFC) vem silenciosamente ganhando espaço dentro da categoria. No UFC desde 2017, a canadense tornou-se a maior vencedora da jovem categoria dos moscas, com quatro vitórias.

Advinda do TUF 26, por onde teve passagem pouco marcante, Robertson é outra que começou a treinar diretamente nas artes marciais mistas. Por isso, a canadense, que costumava lutar como peso palha, conta com habilidades em todas as áreas do jogo, mas sem grande qualidade em nenhuma. No UFC, conta com três finalizações e um nocaute técnico, além de ter sido derrotada por finalização.

Gillian conta com uma trocação bastante rudimentar, que usa principalmente para embolar-se com as adversárias buscando a luta agarrada. Apesar de ter a maior parte das vitórias por submissão, Robertson não é das mais técnicas, e pode sofrer com lutadoras mais refinadas, como foi o caso contra a brasileira Mayra Bueno. Além disso, as quedas não são muito técnicas e ela pode cair por baixo ao tentar levar a luta para o solo.

Gillian Robertson vs Maycee Barber odds - BestFightOdds
 

A luta casada entre duas das lutadoras mais promissoras da categoria foi pensada claramente como um teste para a americana. Porém, no caso de duas lutadoras jovens e talentosas, é difícil prever o quanto ambas evoluíram entre suas apresentações. Ainda assim, o cenário mais provável é uma vitória de Maycee Barber, mais atlética e consciente tecnicamente, com uma interrupção na metade final da luta, que deverá ocorrer quase inteiramente na curta distância.