Por Edição MMA Brasil | 21/02/2020 16:30

O hype do MMA na Oceania é real, senhoras e senhores. O UFC está de volta a Nova Zelândia para mais um bom evento, não tão grandioso como o UFC 243, mas que traz um card competente para aqueles que estarão presentes na Spark Arena, na capital da Nova Zelândia, para o UFC Auckland.

Na luta principal da noite, o prata da casa Dan Hooker recebe o americano de descendência irlandesa Paul Felder em duelo válido pela categoria dos leves. Logo antes, o promissor Jim Crute encara o polonês Michal Oleksiejczuk pela divisão dos meios-pesados.

O evento ainda traz mais dois bons confrontos para os fãs de MMA. Pela categoria dos palhas, a ex-desafiante Karolina Kowalkiewicz enfrenta a promissora Xiaonan Yan ainda no card principal, enquanto Jake Matthews enfrenta Emil Meek pela categoria dos meios-médios.

O UFC Auckland será transmitido com exclusividade pelo Canal Combate a partir das 18h com a porção preliminar, enquanto o card principal tem início previsto às 21h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Leve: #6 Paul Felder (EUA) vs #7 Dan Hooker (NZL)

Por Matheus Costa

Se você gosta de violência, você gosta de Paul Felder (17-4 no MMA, 9-4 no UFC). Se você gosta de porradarias, você gosta de Paul Felder. E se você gosta de trocação na curta distância, sim, você gosta de Paul Felder. O “Dragão Irlandês” é um dos lutadores mais divertidos de uma das melhores categorias do mundo, portanto, sempre proporciona lutas que chamam a atenção dos telespectadores. E o ótimo confronto principal do UFC Auckland é mais um deles.

Nocauteador nato, o atleta de 35 anos é um striker por vocação. Afinal, Felder é um faixa-preta de segundo dan no taekwondo e também possui grande influência do caratê, que influenciam diretamente na versatilidade do arsenal de golpes, ângulos e movimentações. A postura de Paul é agredir no contra-ataque, sempre com muita precisão e volume, misturando boas combinações de socos e chutes letais, e vale destacar o poderio do uso de suas cotoveladas, que já nocautearam uma boa sequência de adversários.

Quando chegou ao UFC, o americano sofria com os erros defensivos, já que sua guarda era constantemente vazada, e embora seu queixo tenha boa resistência, acabava lhe custando alguns momentos bons na luta. Hoje, aos 35 anos de idade, Felder já passa longe de sofrer com tais buracos. Enquanto isso, a luta agarrada costuma ser frequentemente evitada pelo atleta, que possui uma boa defesa de quedas o suficiente para deter a maioria daqueles que tentam derrubá-lo. Com seis vitórias em suas últimas sete lutas, Dan Hooker (19-8 no MMA, 9-4 no UFC) botou a categoria dos leves em aviso de que sua hora chegou. O “The Hangman” vive o auge de sua carreira e enfileirou diversos bons oponentes em suas últimas lutas, tais como James Vick e Al Iaquinta.

E se Felder é bastante violento, Hooker também não fica devendo nesse quesito. O jogo do neozelandês se consiste em pressionar, pressionar e nocautear. Um dos grandes problemas de Hooker era a falta de variedade na hora de golpear e o excesso de confianças em suas potentes e avassaladoras mãos. Isso mudou, e hoje o arsenal de golpes do atleta é vasto o suficiente para sobressair diante da maioria dos opositores que entram no octógono com ele. E assim como o americano, sim, Hooker tem um excelente queixo e uma excelente absorção de golpes. Um ponto a ser ressaltado é o grappling de Dan, que hoje é o ponto negativo do jogo do neozelandês. De fato, o atleta passa longe de ser considerado um bom grappler e nem sempre toma decisões inteligentes quando está no solo.

Dan Hooker vs Paul Felder odds - BestFightOdds
 

É garantido afirmar que o combate de cinco rounds será excelente para quem gosta de uma boa trocação. E, sinceramente, tenho minhas dúvidas se chegará de fato a durar a totalidade do tempo previsto. Mais novo e mais explosivo, a aposta fica com um nocaute de Dan Hooker no terceiro round, que deve minar a resistência de Felder ao longo do embate e protagonizar uma boa luta.

Peso Meio-Pesado: Jim Crute (AUS) vs Michal Oleksiejczuk (NZL)

Por Idonaldo Filho

O australiano Jim Crute (10-1 no MMA, 2-1 no UFC) chegou no UFC através do Contender Series americano, onde venceu um atleta de nível duvidoso para adentrar no líder do mercado. Com apenas 23 anos, Crute ainda não foi até a decisão dos juízes no UFC, finalizando Paul Craig no terceiro round – coisa que o escocês costuma fazer -, além de nocautear o duro Sam Alvey. Em sua última aparição no octógono, foi frustrado pelo melhor Misha Cirkunov, que o finalizou com uma bela gravata peruana.

Crute é um lutador em evolução, que é verde em vários aspectos importantes – o que é aceitável pela pouca idade. Treinado pelo kickboxer Sam Greco, Crute ao contrário de seu mestre tem preferência pelo grappling. Agressivo no chão, Jim sempre busca boas transições focando em chegar na montada, tendo como boas armas o ground and pound e algumas finalizações como o katagatame e a kimura. Agora, defensivamente, ainda precisa melhorar bastante. Crute entrega facilmente quedas e não se defende bem em pé, sendo acertado com muita frequência.

Também jovem, Michal Oleksiejczuk (14-3, 1NC no MMA, 2-1, 1NC no UFC) foi pego no doping logo em sua primeira luta no UFC em 2017, retornando somente em 2019. No ano passado realizou três combates e mostrou que é um lutador perigoso, nocauteando Gian Villante e Gadzhimurad Antigulov no primeiro assalto, o último em confronto cômico. Contra Ovince St.Preux, era a hora de mostrar que tinha nível para chegar ao ranking, mas foi vítima do golpe pega trouxa: o estrangulamento Von Flue.

O polonês de nome complicado não tem um porte físico parrudo e poderia muito bem estar atuando nos médios, mas utiliza isso em vantagem por ser mais rápido do que os adversários, demonstrando também vantagem na movimentação e condicionamento que são acima da média. O boxe de Oleksiejczuk é muito eficiente e como mostrou nas lutas que fez, tem boa potência e timing. Outra virtude de Michal são os golpes no corpo, que se bem utilizados são arma letal nessa categoria. O principal problema é que o chão foi testado e reprovado contra St.Preux, assim como sua inteligência por cair em um golpe tão previsível. Por ser menor que muita gente, também não costuma levar vantagem em disputas de força no clinch.

Jimmy Crute vs Michal Oleksiejczuk odds - BestFightOdds
 

Crute é maior e se fizer um jogo pragmático focando em grudar o polonês na grade, tentar derrubar e finalizar, pode se sair bem. A movimentação de Michal deve dificultar bastante a tarefa, assim como a vantagem na trocação é toda do polonês. Os caminhos são claros para ambos, só que Oleksiejczuk mostrou mais no evento e é a aposta, vencendo a luta na decisão dos juízes.

Peso Palha: #14 Karolina Kowalkiewicz (POL) vs Xiaonan Yan (CHN)

Por Gabriel Fareli

Karolina Kowalkiewicz (12-5 no MMA, 5-5 no UFC) está mais perto de ter sua carta de demissão assinada pelo RH do que disputar o cinturão novamente como fez no UFC 205 contra a sua compatriota Joanna Jedrzejczyk. A polonesa começou bem no evento e somou três vitórias seguidas. Após a derrota para Joanna, emendou um cartel de 2-4, vindo de três reveses consecutivos para Jéssica Andrade, Michelle Waterson e Alexa Grasso. A luta deste sábado pode ser a última de Karol pelo maior evento do mundo.

Kowalkiewicz tem como ponto forte o seu muay thai, que é baseado em bastante volume, muitas combinações de mãos e movimentação constante. Usa bastante os chutes para marcar distância e o jogo de clinch. O que pesa contra a atleta de 34 anos é a falta de potência nos golpes, pois apesar de seu forte ser o jogo em pé, tem apenas um nocaute na carreira e muitas vitórias por decisão.

Xiaonan Yan (11-1-1 NC no MMA, 4-0 no UFC) teve um grande adversário para enfrentar antes de Kowalkiewicz: o coronavírus, doença que está causando muitas mortes na China (país natal da lutadora) e no resto do mundo. Para poder entrar no país onde será realizado o evento deste sábado, a chinesa teve que ficar duas semanas na Tailândia em “quarentena” para poder provar que não estava infectada pelo vírus e que não causaria riscos a nenhuma pessoa envolvida no evento.

A chinesa de 30 anos tem sido uma grata surpresa da barca de lutadoras chinesas que o UFC tem contratado com a intenção de expandir mais sua marca no país mais populoso do mundo. Yan tem quatro vitórias no evento contra, Kallin Curran, Viviane Sucuri, Syuri Kondo e Angela Hill e busca a quinta vitória consecutiva para finalmente se firmar de vez no ranking da categoria.

A atleta asiática tem preferência pela luta em pé, faz uso de boas combinações, tem mãos rápidas e usa bastante os chutes para surpreender as adversárias. Tem boa esquiva apesar de não se movimentar tão rapidamente, a defesa de quedas não é das melhores já que foi derrubada (e quase finalizada) pela Angela Hill. O jogo de chão também não é dos melhores, tendo muita dificuldade nas transições e até mesmo quando está por cima no ground and pound.

Karolina Kowalkiewicz vs Yan Xiaonan odds - BestFightOdds
 

Aqui temos uma luta que dificilmente não transcorrerá em pé. Provavelmente teremos um combate bem animado e com boas e interessantes trocas de golpes. A chinesa é melhor, mais rápida e com golpes mais potentes e eficientes. Apesar de ser o primeiro grande desafio de Yan, Karolina está numa fase complicada e difícil da carreira. A aposta aqui é por uma vitória por decisão da atleta asiática.

Peso Meio-Médio: Jake Matthews (AUS) vs Emil Meek (NOR)

Por Rodrigo Rojas

Outrora conhecido como um talentoso, porém muito jovem prospecto, o australiano Jake Matthews (15-4 no MMA, 8-4 no UFC) inicia seu sexto ano na maior organização do mundo no ano em que completa 26 primaveras. Competidor do TUF Nations, em que acabou eliminado ainda na primeira rodada, o “Celtic Kid” chegou ao UFC com apenas 20 anos, alternando resultados no mais alto nível desde então.

Matthews chegou a finalizar o brasileiro Vagner Rocha, faixa preta de altíssimo nível na arte suave, além de ter vencido bons lutadores como Li Jingliang e Johnny Case. Porém, passou longe do sucesso em todas as vezes em que subiu de nível, tendo sido derrotado por James Vick, Kevin Lee e Tony Martin, além da derrota bizarríssima para Andrew Holbrook. Na aparição mais recente, recebeu um presente da organização, dominando o fraco Rostem Akman.

Parte da nova geração do esporte, Jake é um artista marcial completo, com habilidades em todas as áreas do jogo. Porém, inegavelmente, tanto suas maiores forças quanto as maiores fraquezas estão na luta agarrada: Matthews tem talento ofensivo para finalizar gente do nível de Vagner Rocha, mas acaba dando mole quando a luta no solo não está a seu favor, como mostrou em todas as suas derrotas. Não à toda, foi finalizado por Vick e Martin, além de ter sido nocauteado pelo ground and pound de Kevin Lee. Ofensivamente, conta com boas transições, com especial talento para estrangulamentos, e habilidade no ground and pound. O mesmo se repete no wrestling, já que o australiano tem capacidade de levar a maioria dos oponentes para o solo, mas não tem tanta qualidade na defesa de quedas.

Ex-campeão do Venator FC, Emil Weber Meek (9-4 no MMA, 1-2 no UFC) ganhou notoriedade ao derrotar o brasileiro Rousimar Toquinho, que estava invicto após ser expulso do UFC. Em luta válida pelo cinturão da organização italiana, o escandinavo, grande azarão, nocauteou o adversário em menos de 1 minuto, vendo sua fama explodir e recebendo o chamado da maior organização do mundo em seguida.

Na estréia, venceu o ressurgente Jordan Mein, que voltava de uma breve aposentadoria do esporte. Então, foi casado com um certo nigeriano chamado Kamaru Usman, que fez o norueguês de pano de chão, dominando-o em uma luta chatíssima. Na última aparição, em 2018, acabou derrotado por Bartosz Fabinski.

Ainda bastante cru para a maior organização do mundo, o grande trunfo de Meek está no atleticismo. O europeu é forte como um cavalo, o que se traduz em potentes golpes em pé – especialmente os overhands e alguns chutes, no clinch, e nos scrambles. Além disso, o ground and pound é violento e oportunista, quando cai por cima. O estilo extremamente agressivo é um prato cheio para contragolpes e contraquedas, além de provocar cansaço em lutas mais longas. Em suma, Emil Meek é um lutador talentoso que entretém pela atitude e pelo carisma, mas não deve ir muito longe dentro do UFC, já que peca bastante nos aspectos técnicos.

Emil Meek vs Jake Matthews odds - BestFightOdds
 

Dados os talentos de ambos os lutadores, podemos esperar um combate muito movimentado com bons momentos dos dois lados. Ainda que Matthews tenha mostrado lapsos de inteligência em lutas anteriores, confiamos que ele evitará a luta em pé contra o poderoso europeu, buscando se embolar com o adversário e levar a luta para o solo. Lá, caso não dê algum mole, ele deve levar a melhor, pontuando com transições, ground and pound e tentativas de finalização rumo a uma vitória por decisão unânime. Porém, não se pode descartar uma vitória de Meek, capitalizando em algum erro do adversário para conquistar uma interrupção.