Por Alexandre Matos | 01/02/2009 10:09

Dois shows individuais incríveis e uma grata revelação foram vistos ontem no MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, pelo UFC 94. Na terceira luta do evento principal, o jovem Jon Jones, de apenas 21 anos, fez sua estréia num card principal do UFC contra Stephan Bonnar. No duelo dos brasileiros invictos, um show solo de Lyoto Machida contra Thiago Silva. E na luta principal, Georges St-Pierre dominou B.J. Penn de modo tão inconteste que certamente está fazendo com que pessoas repensem a questão do melhor pounf-for-pound do MMA mundial.

No undercard, o brasileiro Thiago Tavares se reencontrou com a vitória ao superar o duro Manny Gamburian e Jon Fitch passou por Akihiro Gono, ambos por decisão unânime dos juizes.

Jones vs Bonnar

Com apenas 21 anos e já world-class wrestler na greco-romana, Jones conseguiu uma belíssima vitória sobre o duro Bonnar. Com um arsenal incrível de takedowns, quedou o adversário como quis. Parecia que o experiente era ele. Além das belas quedas, mostrou ter talento no standup, com joelhadas e cotoveladas que minaram o experiente e raçudo Bonnar.

Se o garoto melhorar seu condicionamento atlético e a luta no chão (uma temporada no Brasil treinando jiu-jitsu seria excelente), certamente vai entrar para o rol dos lutadores aptos a tentar o cinturão na divisão mais dura do UFC, junto com Quinton Jackson, Forrest Griffin, Mauricio Shogun e outras feras.

Lyoto vs Thiago

Criticado por algumas pessoas, que não devem entender seu estilo de lutar, Lyoto ontem calou-os com uma vitória massacrante por nocaute clássico no primeiro round, em luta de apenas um lado, contra Thiago Silva. O resultado deixou Lyoto como o único invicto entre eles e apto a lutar pelo cinturão, hoje de posse de Rashad Evans (que estava presente ao evento e certamente saiu preocupado com seu futuro). A diferença entre os brasileiros é abissal.

Machida teve mais uma atuação como as anteriores. E isso é o suficiente para amealhar vitórias. Thiago Silva ontem virou estatística: entrou para o rol dos lutadores que tentam e não conseguem encontrar Lyoto no octógono. O estilo não-ortodoxo de luta, baseado no Karate Shotokan, deu (como sempre) a vantagem de não ser um alvo visível para Lyoto. Seu “Machidatê” incomoda os adversários e faz a alegria daqueles que gostam de um espetáculo baseado em inteligência e técnica. Perfeito na luta, Lyoto acertou a grande maioria dos golpes conectados e praticamente não foi atingido, por conta de seu estilo de bater e girar o tempo inteiro. Com fintas e bons chutes, manteve Thiago longe. Com um domínio total da luta no clinch, conseguiu dois takedowns. E para calar os que dizem que ele não tem pegada, o baiano radicado em Belém conseguiu dois knockdowns poderosos e fechou a luta com um nocaute clássico. Isso tudo em apenas um round. Triste fim para a marra de Thiago Silva, que falou que caçaria e bateria em Lyoto por quinze minutos. Não cumpriu nem em 10 segundos.

É bom Rashad realmente se preocupar. Melhor treinar no escuro, para ver se consegue enxergar melhor e acertar aquilo que não vê. Na divisão mais equilibrada e dificil do MMA mundial, Machida mostrou que vai tomar o cinturão e mantê-lo em Belém por um bom tempo. Quem vê apenas as lutas de Lyoto deve achar que é fácil ser lutador de MMA. O UFC devia lançar um livro estilo Wally: “Onde está Machida? Procure o paraense no octógono e ganhe um nocaute”.

GSP vs Penn

É comum dizermos que um lutador “passou o carro” quando vence de modo incontestável. Ontem GSP passou o carro em Penn. O carro, a pickup, o caminhão, o trator e a escavadeira. O Rush deu um show incrível de técnica, preparo atlético e estratégia e venceu o Prodigy por nocaute técnico, no intervalo do quinto round. Se na primeira luta restou dúvidas sobre o resultado, ontem não ficou nenhuma.

Assim como na luta anterior do evento, o que vimos foi um monólogo estrelado por St-Pierre. O canadense não queria apenas vencer, queria dissipar quaisquer dúvidas que restaram sobre quem ganhou o primeiro confronto entre eles. GSP provou sua imensa superioridade saindo do octógono completamente ileso depois de quatro rounds. E vale ressaltar que Penn não é um lutador qualquer, é o rei dos leves. St-Pierre foi melhor em pé, conseguiu encaixar várias quedas, dominou a luta no chão, com um ground’n’pound afiadíssimo, passadas de guarda e tudo o que temos direito. Em todas as posições do MMA, GSP tinha uma carta na manga, para desestruturar qualquer plano de luta de B.J., que mostrava sua flexibilidade assombrosa, mas que não era páreo para conter um atleta muito superior. Apesar de ter tido várias oportunidades de finalização, GSP queria mesmo era provar que podia vencer B.J. do jeito que quisesse. Bateu tanto no havaiano, que apenas se defendia enquanto conseguia, que obrigou o médico a interromper a luta antes de começar o quinto round, em decisão acatada pelo staff de Penn. “Na última vez que lutei com ele, venci na decisão. Desta vez eu realmente queria derrubá-lo e estou feliz por ter conseguido. Ele é muito duro”, declarou o campeão dos meio-médios ao final da luta.

O canadense agora se prepara para enfrentar o brasileiro Thiago Alves na próxima luta. Pitbull entrou no octógono durante as entrevistas finais para confirmar o duelo. Ainda este ano, caso passe também por Pitbull (alguém duvida?), o UFC está pensando em escalar GSP contra Anderson Silva, numa sensacional disputa pelo cinturão dos médios (e talvez pela coroa de melhor pound-for-pound do mundo). Já estamos contando os minutos!

O evento motivou a antecipação do lançamento, durante a próxima semana, do MMA-Brasil.com Opinião, com um post inaugural especial sobre Machida e St-Pierre, O Artista e o Atleta. Aguardem para segunda e terça. Mas vá dizendo aqui na caixinha de comentários suas impressões sobre o UFC 94.