Por Edição MMA Brasil | 12/02/2021 17:10

Está chegando a hora. Faltam apenas um dia para o UFC realizar o esperado UFC 258, diretamente do UFC Apex em Las Vegas, Nevada (EUA). E assim como o evento se aproxima, o MMA Brasil traz as tradicionais prévias sobre as principais lutas do evento.

Na luta principal da noite, o campeão dos meios-médios Kamaru Usman coloca o cinturão em jogo contra o seu ex-companheiro de treinos Gilbert Durinho. Enquanto o nigeriano busca aumentar seu reino dominante na divisão, o brasileiro quer continuar sua ascensão e provar que pertence à elite da divisão.

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Outra luta que chama atenção no card principal é o retorno do ex-desafiante do cinturão interino da categoria dos médios Kelvin Gastelum, que tenta recuperar a boa fase após três derrotas consecutivas em atuações ruins. Seu adversário será o compatriota Ian Heinisch, que por sua vez tenta provar que pode lidar com os tubarões da divisão no top 10.

Outra luta que completa o card principal são entre os experientes Bobby Green e Jim Miller na categoria dos leves, enquanto no card preliminar, Rodolfo Vieira encara Anthony Hernandez nos médios e Ricky Simón enfrenta Brian Kelleher pela categoria dos penas.

O UFC 258 será realizado no próximo sábado (13) com transmissão exclusiva no Brasil pelo Canal Combate. O evento tem início previsto para 20:15h pelo horário oficial de Brasília.

Cinturão Peso Meio-Médio: C Kamaru Usman (NIG) vs. #1 Gilbert Durinho (BRA)

Por Pedro Carneiro

Kamaru Usman (17-1 no MMA, 12-0 no UFC) é uma força da natureza. No início da carreira, o nigeriano era um wrestler promissor no MMA e que dependia da força física e do condicionamento físico. No entanto, o campeão acrescentou ao wrestling imponente e domínio de posições uma cavalar dose de ground and pound, um clinch sufocante, uma força hercúlea e uma troca de golpes forjada por seu ex-treinador Henri Hooft que é marcada pela movimentação eficiente, o discernimento de quando usar os golpes mais potentes com a mão de trás e como se virar enquanto arma a arapuca de grudar e abafar os incautos.

O histórico de Usman é impressionante e deixou nomes como Leon Edwards, Warlley Alves, Serginho Moraes, Demian Maia, Rafael dos Anjos, Tyron Woodley, Colby Convigton e, mais recentemente, Jorge Masvidal no UFC 251, para trás. O que todos eles tiveram em comum? Não viram a cor da bola. Antes disso Kamaru foi campeão nacional e três vezes All-American da Divisão II da NCAA. Do circuito universitário passou por eventos relevantes, como RFA e Legacy, e recebeu a oportunidade de lutar no UFC através do TUF 21, que venceu, e foi subindo cada degrau enquanto evoluía e foi se transformando no campeão dominante que vemos hoje. Apesar de estar indo apenas para a terceira defesa de cinturão, a impressão que Usman deixou na categoria é a de que o nigeriano está um passo a frente de todos e de que estamos diante de um daqueles lutadores que tem aquele “algo a mais”, seja pela força física, seja pela capacidade técnica, seja pelo condicionamento acima da média e mais provavelmente pela capacidade de misturar tudo isso e entregar em forma de desempenho.

Gilbert “Durinho” Burns (19-3 no MMA, 12-3 no UFC) segue em um momento especial na carreira que já conta com impressionantes seis vitórias consecutivas. Na placa com o nome das vítimas se encontram os nomes de Olivier Aubin-Mercier, Mike Davis, Alexey Kunchenko, Gunnar Nelson, Demian Maia e Tyron Woodley. Chama a atenção que todo esse rastro de destruição ocorreu em um curto período de um ano e meio e o salto de qualidade ocorreu quando o brasileiro subiu de categoria e agora segue a carreira lutando no peso meio-médio.

Além da mudança de peso, é nítida a melhora de Durinho como um lutador, tanto na sua mentalidade quanto no jogo em pé que também foi lapidado por Henri Hooft, com a diferença de que o brasileiro segue treinando na Stanford MMA. A dupla tem funcionado bem e a troca de golpes de Gilbert é baseada em um muay thai bastante ofensivo que é capitalizado pelo poderoso poder de nocaute. Recentemente, os treinamentos realizados na Cerrado MMA acrescentaram um bom equilíbrio entre ímpeto e cautela, situação vista na última luta contra Woodley e que revelaram aos que ainda tinham dúvidas que brasileiro é um dos melhores lutadores da categoria.
Como se não fosse suficiente, Durinho foi campeão mundial de jiu-jitsu com e sem kimono e conseguiu fazer uma excelente adaptação da arte suave ao MMA, investindo em transições rápidas, controle posicional e o conhecido gosto de conquistar as costas dos adversários, tudo isso visando sempre a oportunidade de acabar o confronto por finalização. Apesar do confronto ser contra um wrestler gabaritado, o jogo de quedas de Gilbert não deve ser subestimado, já que tem evoluído bastante e é reforçado pelo seu atletiscismo.

Gilbert Burns vs Kamaru Usman odds - BestFightOdds

A peleja do próximo sábado é entre dois ex-companheiros de equipe, que já se digladiaram diversas vezes durante os treinos e certamente conhecem os pontos fortes e fracos um do outro. Em virtude disso, é razoável imaginar que o respeito entre eles faça com que o nível de cautela seja um pouco acima do usual. Usman provavelmente respeitará o jiu-jitsu do brasileiro e, caso o derrube, usará do seu jogo posicional para se colocar em posições que minimizem os riscos, assim como Durinho respeitará o wrestling do nigeriano e não tentará quedas sem que tenha plena convicção do tempo e da distância para a empreitada.

Isto posto, o prognóstico é de que a luta seja intercalada entre momentos de troca de golpes e momentos de clinch e briga de posições em pé encostados na grade, onde ambos usam e abusam de golpes curtos e joelhadas. No cenário onde ocorre a troca de golpes, temos uma disputa um pouco mais parelha, já que ambos têm uma boa troca de golpes, queixo e poder de nocaute, embora o campeão leve alguma vantagem na área. No segundo cenário, onde os dois fazem um confronto grudados na grade e no clinch, a vantagem é de Usman, que é mais experiente nesse tipo de jogo e leva vantagem no gás descomunal. Além disso, Kamaru pode usar essa estratégia para cansar os braços de Durinho e minimizar o seu poder de nocaute.

Para o brasileiro, as chances estão em conseguir se impor na troca de golpes, conseguir encurralar Usman e dominar a distância, ou em uma situação de queda usar o seu mortal jogo de finalizações para submeter o campeão. Tudo isto é um cenário difícil, mas Gilbert já provou que não é impossível.

Colocando todos esses pontos na mesa, a aposta aqui é a de que o cinturão continue nas mãos de Kamaru Usman.

Peso Médio: #9 Kelvin Gastelum (EUA) vs. #15 Ian Heinisch (EUA)

Por Pedro Carneiro

Robert de Niro nos ensinou no fantástico filme “Desafio na Bronx” que a pior coisa que existe é talento desperdiçado, e é esse o maior receio em torno da carreira de Kelvin Gastelum (15-6-1 no MMA, 10-6-1 no UFC). Pela primeira vez na carreira, o vencedor do TUF 17 vem com um retrospecto de 3 derrotas em sequência, além de mais uma suspensão por doping (pelo uso de THC). Apesar de não ter tido nenhuma apresentação que possa ser objetivamente apontada como ruim, há a impressão de que Kelvin poderia fazer um pouco a mais pela própria carreira. Não é novidade para os que acompanham a trajetória de Gastelum que os resultados não são compatíveis com o talento e potencial do americano.

Kelvin é um tanque de guerra. Forte, resistente e ambientado a situações de combate, o americano ficou conhecido através da sua participação e posterior vitória no TUF 17, onde venceu sistematicamente todos os adversários que eram apontados como favoritos contra ele. Depois de uma severa briga com a balança na categoria meio-médio, Kelvin parecia que se estabelecera entre um dos melhores médios do planeta. A trajetória no novo peso começou com uma vitória sobre Nate Marquadt e se estendeu com os triunfos contra Tim Kennedy e Vitor Belfort (luta transformada em no-contest, porque Gastelum não se segurou e esqueceu que pra fazer a cabeça tem hora). A dificuldade contra adversários maiores foi revelada na derrota contra Chris Weidman, e demonstrou correções nas vitórias contra Michael Bisping e Ronaldo Jacaré. E aí vieram as derrotas em sequência; vencido em um espetáculo de pancadaria e dor no confronto com o atual campeão Israel Adesanya, foi superado pela diferença de força física contra Darren Till e finalizado com uma chave de calcanhar por Jack Hermansson no último compromisso em julho do ano passado.

No que se refere ao seu arsenal como lutador, Kelvin Gastelum já apresentou um robusto jogo de quedas e imposição física, apoiado por finalizações oportunistas. Contudo, debaixo da tutela do lendário treinador Rafael Cordeiro o americano evoluiu muito o seu jogo de troca de golpes. Ali o ponto forte é a pressão e velocidade dos golpes, que mesmo com combinações simples se revelam com grande eficiência. O queixo de granito é outro destaque, e permite a aproximação contra os adversários mais altos da categoria.

Ian Heinish (14-3 no MMA, 3-2 no UFC) é um sujeito peculiar. Diagnosticado com TDAH na infância, os pais acreditaram que os treinos de wrestling ajudariam a criança a melhorar o foco e gastar energia. A estratégia deu certo e o menino além de campeão estadual enquanto estava na escola, foi duas vezes All-American no circuito universitário. Contudo, em meio a problemas familiares e financeiros, abandonou os estudos para vender drogas e acabou vendo o sol nascer quadrado após ser flagrado pela polícia com 2.000 pílulas de ecstasy. Fugiu para a Europa, seguiu aprontado mundo afora e acabou reencontrando o xadrez nas Ilhas Canárias. Após um tempo preso na Espanha, onde foi cumprir a pena, Ian resolveu dar um rumo na vida e voltar a treinar wrestling e começar uma carreira no MMA.

Após dez vitórias, uma derrota, e o cinturão do LFA, veio a oportunidade de participar do Contender Series quando Heinisch nocauteou Justin Sumter. Logo depois, 2 vitórias contra Cezar Mutante e Antônio Cara de Sapato e 2 derrotas contra Derek Brunson e Omari Akhmedov. Na sua luta mais recente, nocauteou Gerald Meerschaert no primeiro round e agora recebe o maior desafio da carreira.

Dentro do octógono, Ian tem por principais características a explosão e o condicionamento físico em dia, qualidades que usa para pressionar os adversários, fazendo pressão contra a grade, buscando quedas e desaguando em um ground and pound furioso. Em pé, seu estilo é marcado pela preferência pela curta distância e o uso e abuso da potência da sua mão de trás para nocautear nas outras distâncias. O ponto fraco está na fortaleza defensiva, já que o excesso de ímpeto o coloca em situações de vulnerabilidade.

Ian Heinisch vs Kelvin Gastelum odds - BestFightOdds

Se Gastelum não tiver nenhuma queda de rendimento por qualquer motivo que seja e se apresente como em seus melhores dias, ele é o favorito para a luta. Gastelum já enfrentou adversários melhores em todas as valências do jogo sem fazer feio para ninguém. A situação que pode complicar é a diferença física, principalmente se Kelvin não vier na ponta dos cascos. Ian pode tentar colocar suas fichas na mão vândala, mas concorrência melhor que ele já tentou e não conseguiu. Logo, se Gastelum vier bem preparado, a aposta é nele, mas se não estiver 100% não será nenhuma surpresa se Heinish quebrar a banca.

Peso Leve: Jim Miller (EUA) vs. Bobby Green (EUA)

Por Pedro Carneiro

Jim Miller (32-15-1 no MMA, 21-14 no UFC) já foi um dos melhores lutadores do mundo da sua categoria. Fazendo uma simbiose entre wrestling eficiente e jiu-jitsu oportunista, Miller chegou a ter uma sequência de sete vitórias seguidas, lá entre os distantes anos de 2009 e 2011, e conseguiu se manter relevante em boa parte da década passada. Mas o tempo passou e a explosão muscular e o encaixe de golpes o abandonaram e atualmente a sequência é irregular, intercalando derrotas com vitórias contra veteranos como ele ou incautos que fornecem as brechas que a experiência não deixa de aproveitar. Defensivamente, não consegue resistir as investidas mais fortes e o condicionamento físico não o permitem esticar as pelejas por muito tempo.

Mas apesar da idade, não se enganem, Miller conseguiu vitórias nos últimos anos contra Jason Gonzalez, Clay Guida e Roosevelt Roberts, cada um com uma finalização diferente, o que mostra que o “A-10” ainda tem um restinho de lenha para queimar e se não for tratado com o devido cuidado, ainda pode trazer surpresas indigestas para quem vacilar. Não é a primeira, nem a segunda vez que o fim da linha parece claro para o veterano, e mesmo assim, diferente do seu xará, o famoso fora da lei do velho-oeste americano, ele consegue mais um tempinho extra.

O adversário também é um veterano, já que Bobby Green (27-11-1 no MMA, 8-6-1 no UFC) vai para a 15ª luta no UFC. Mas ao contrário de Miller, Bobby vinha de vitórias convincentes contra Clay Guida, Lando Vannata e Alan Nuguette, até ser freado por Thiago Moisés. Antes disso foi também derrotado por Drakkar Klose e Massaranduba, mas lutando bem e vendendo caro a derrota que poderiam até mesmo ter sido marcada a favor de Green, inclusive. Isso revela que apesar dos 34 anos e quase 40 lutas, Green ainda é um bom ativo para a categoria.

“King Green” tem um estilo diferenciado, investindo em movimentação lateral e nos reflexos para se defender e ofensivamente usando alto volume de golpes e uma boa visão para desferir contragolpes certeiros. O americano também é bom no clinch e desfere boas joelhadas dali graças as pernas longas. Para sustentar um estilo assim, é necessário um bom condicionamento e além de ser bom nesse quesito, Bobby consegue dosar bem o ritmo, acelerando e aumentando o volume quando o oponente dá sinais de cansaço ou de que está ferido. O aspecto defensivo é um problema, já que quando os reflexos ou movimentação não são suficientes, os golpes acertam um alvo totalmente desprotegido, e esse detalhe sempre o impediu de dar um salto de qualidade.

Bobby Green vs Jim Miller odds - BestFightOdds

Se essa luta tivesse sido marcada dez anos atrás teríamos um excelente casamento e confronto de estilos, com um favoritismo para Jim Miller. Todavia, estamos em 2021 e Green está mais preservado pela ação do tempo, e por isso é o favorito na luta. Miller tem chances de conseguir derrubar e aproveitar a oportunidade para finalizar Bobby, mas a maior probabilidade é de que Green controle o ritmo abusando do volume de golpes e reencontre o caminho das vitórias.

Peso Médio: Rodolfo Vieira (BRA) vs. Anthony Hernandez (EUA)

Por Rodrigo Rojas

Rodolfo Vieira é um dos melhores – se não O melhor – lutador de jiu-jitsu a migrar para as artes marciais mistas. Rodolfo foi cinco vezes campeão mundial na faixa preta, além de campeão do ADCC, do Pan Americano, da Copa Pódio, do Mundial de Abu Dhabi…

O “Caçador de faixa preta”, como ficou conhecido, sempre foi um lutador extremamente forte, conhecido pela pressão e pela agressividade nos tatames. Na arte suave, tem um cartel registrado de 100 vitórias e apenas nove derrotas (além de um empate) em alto nível. No MMA, estreou em 2017 e, desde então, venceu todas as sete lutas em que competiu, com seis finalizações e um nocaute.

Na luta agarrada, Rodolfo dispensa comentários. Quando a luta atinge o solo, não há lutador mais habilidoso do que o carioca dentro do UFC. O wrestling, apesar de acima da média para lutadores oriundos do jiu-jitsu, ainda não é de elite. Na trocação, há pouco o que se falar, já que Rodolfo – corretamente – busca a luta agarrada incessantemente. Quando forçado a trocar na distância, Vieira tem uma defesa muito esburacada e, ofensivamente, conta apenas com a mão pesada. Ainda que seja muito resistente, a enorme quantidade de massa muscular cobra seu preço e pode levar à fadiga cardiorrespiratória em lutas mais longas.

Ex-campeão do LFA, Anthony Hernandez chegou ao UFC através do Contender Series, onde teve uma vitória por nocaute transformada em no-contest ao testar positivo para a erva do diabo. Na estreia na maior organização do mundo, acabou finalizado pelo brasileiro Markus Maluco e, na luta seguinte, descontou em Jun Yong Park, pegando-o com a finalização pela qual havia sido vitimado. Na aparição mais recente, foi tratorizado por Kevin Holland.

Assim como Rodolfo, “Fluffy” é um grappler. Sua especialidade é a guilhotina, que já finalizou quatro adversários na carreira profissional. Na trocação, é agressivo e tem bom poder de nocaute, especialmente com golpes cruzados e uppercuts. Apesar da pouca técnica, Hernandez ainda é melhor do que Rodolfo na luta em pé. Ele tem tendência a levar a luta para o clinch, onde tem facilidade para catar pescoços e busca levar a luta para o chão.

Anthony Hernandez vs Rodolfo Vieira odds - BestFightOdds

Quando um grappler do calibre de Rodolfo Vieira entra no octógono, a questão é se a luta vai para o chão. Uma vez lá, pouquíssimos lutadores têm capacidade de sobreviver ao seu grappling. Infelizmente para Hernandez, o americano não é exatamente conhecido pela defesa de queda e, muito menos, pelo grappling defensivo. Em cima disso, ainda há uma grande discrepância no atleticismo. Dados esses fatores, o prognóstico mais provável é o brasileiro aproveitando uma das investidas do adversário para derrubar e, uma vez lá, avançar posições até conquistar mais uma vitória por finalização. Apostamos em um katagatame ainda na primeira metade da luta.

 

Peso Pena: Ricky Simón (EUA) vs. Brian Kelleher (EUA)

Por Gustavo Lima

Ricky Simón (17-3 MMA, 5-2 UFC) vem de duas vitórias consecutivas e está de volta aos trilhos em sua jornada rumo ao sucesso no UFC. Prestes a fazer sua primeira luta como pena dentro da organização, o ex-campeão do LFA é mais uma das provas vivas de como o peso galo do UFC é uma coisa sinistra: para um atleta desde calibre não ser nem top 15, é sinal de que a disputa é bem acirrada.

Dentre os nomes com quem já foi trancado no octógono estão Merab Dvalisvhilli (V), Montel Jackson (V), Urijah Faber (D) e Rob Font (D). Com origem no wrestling, Ricky possui em seu conjunto de habilidades toda a sustentação necessária para ser um competidor de bom nível na modalidade (boxe decente, bom jiu-jitsu, grande capacidade de evitar quedas e derrubar). Ao longo de sua passagem no UFC, o atleta tem mostrado boa capacidade de adaptação dentro do cage, transitando bem entre técnicas e estratégias de acordo com o que as circunstâncias pedem.

Do outro lado, Brian Kelleher (22-11 MMA, 6-4 UFC) vai para sua quarta aparição consecutiva na divisão até 66kg, ostentando cartel de 2-1 desde que fez a mudança. Assim como Simón, o novaiorquino não tem problemas em matar grandes pedreiras no peito: logo em sua segunda luta como pena encarou Cody Stamann, atipicamente lutando na categoria de cima, numa circunstância onde podemos discutivelmente alegar que Brian tinha muito mais a perder do que a ganhar.

Kelleher também é um all-arounder puxado para a luta agarrada, mas não demonstra a mesma perícia no wrestling e nem transpira a mesma confiabilidade que Ricky Simón. Beirando as 35 lutas profissionais com uma carreira prestes a completar 10 anos, o “Boom” já passou por alguns testes interessantes ao longo de sua jornada, mostrando um teto bem delineado quando encara strikers e uma propensão a cometer erros contra grapplers competentes. Neste combate aqui, entretanto, estou propenso a dizer que Brian é o melhor trocador.

Esta é a terceira vez em que essa luta é marcada, tendo caído nas outras duas ocasiões por conta de problemas relacionados ao vírus da covid-19. De um ponto de vista mais geral, é um bom casamento, dada a adaptação de Kelleher aos penas, a boa sequência de Simón na categoria debaixo, as características dos atletas etc. Minha perspectiva é de que por conta do encaixe entre os estilos e suas relativas similaridades, o combate terá seus contornos ditados pelos detalhes.

Brian Kelleher vs Ricky Simon odds - BestFightOdds

Simón pode se virar bem em pé, mas é melhor não correr riscos, recorrendo ao seu jogo de pressão. Kelleher precisa resistir a essas investidas com precisão e astúcia, caso contrário, se tornará dependente de uma mão entrando ou de uma finalização cuja brecha não pode aparecer tão facilmente. Dentro desse cenário, vejo Ricky com uma probabilidade maior de sair com o braço levantado, coisa de 70-30, numa luta muito intensa e parelha.