Por Edição MMA Brasil | 11/12/2020 18:01

O último mês do ano chegou e um dos grandes eventos também. O UFC realiza no próximo sábado (12) o empolgante UFC 256, que será realizado no UFC Apex na cidade de Las Vegas, Nevada, Estados Unidos. O card do evento chega recheado de brasileiros, com um para cada luta da porção principal do evento.

21 dias depois de finalizar Alex Perez em sua primeira defesa de cinturão, o brasileiro Deiveson Figueiredo faz um retorno relâmpago ao UFC para colocar sua cinta em jogo. Agora, ele irá enfrentar o número um do ranking Brandon Moreno, que também venceu na mesma noite, há três semanas, no UFC 255.

Na luta coprincipal da noite, o ex-campeão interino Tony Ferguson retorna ao octógono após seu revés para Justin Gaethje com a missão de afastar a má impressão e provar que ainda tem lenha para queimar na divisão dos leves. Seu adversário será o brasileiro Charles do Bronx, que também quer provar que merece pertencer ao topo da categoria e, quem sabe, alçar voos maiores.

Outro combate intrigante do card principal do UFC 256 será o encontro entre Kevin Holland, americano que vive grande ascensão na boa divisão dos médios, contra o experiente Ronaldo Jacaré, que retorna ao peso-médios depois de uma frustrada experiência na categoria dos meios-pesados.

O UFC 256 será transmitido exclusivamente pelo Canal Combate e terá suas duas primeiras lutas do card preliminar transmitidas pelo SporTV 2. O evento tem início previsto para 20h, enquanto o card principal deve começar às 23h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Cinturão peso mosca: (c) Deiveson Figueiredo (BRA) vs. #1 Brandon Moreno (MEX)

Por: Idonaldo Filho

Vindo da Ilha de Marajó, o campeão Deiveson Figueiredo (20-1 no MMA, 9-1 no UFC) vem cada vez mais se tornando popular, inclusive internacionalmente. O brasileiro se tornou detentor do título após duas surras sobre Joseph Benavidez, duas pois na primeira oportunidade Deiveson perdeu a luta contra a balança, que era mais importante. Uma vez campeão, sua primeira defesa aconteceu a menos de um mês, contra Alex Perez, que foi vencido em pouco menos de dois minutos. Com uma vitória sobre Moreno, muito se fala em uma possível subida para os galos, ou de Figueiredo enfrentar Cody Garbrandt, ex-campeão dos galos.

Não é atoa que o sujeito se coloca a alcunha de “Deus da Guerra”, adotando inclusive um penteado em homenagem a Kratos. Deiveson é um lutador muito acima da média. Muito violento, o brasileiro ataca constantemente e tem mãos muito pesadas para a categoria, não atoa acumulando knockdowns em várias lutas, nocauteando quatro oponentes. Cada vez mais Daico vem mostrando também sua qualidade no jiu-jítsu, com estrangulamentos oportunistas e aproveitando do atleticismo para se sobrepor fisicamente ao adversários. Muito versátil, atualmente Deiveson mostra poucas brechas, mas sua defesa de quedas no passado já foi vazada (muitas vezes contra Jarred Brooks) e, mesmo evoluíndo bastante nesse aspecto, um wrestler competente pode oferecer algum risco.

 

Do México só sai lutador duro, Brandon Moreno (18-5-1 no MMA, 6-2-1 no UFC) é mais um deles. Pouco conhecido, era campeão de um evento regional em seu país natal e foi convocado para o TUF 24. Na casa deu azar, perdendo para o ótimo Alexandre Pantoja. Mesmo assim, Moreno recebeu uma chance e surpreendeu o até então badalado Louis Smolka, o finalizando. Daí em diante manteve um nível muito bom, até que acumulou duas derrotas seguidas e foi cortado em meio a crise na categoria pós troca Askren-Johnson. Foi contratado pelo LFA, ganhou o título logo de cara e, após marcar evento no México, o UFC decidiu assinar novamente com Brandon. Agora, o “The Assassin Baby” vem de vitórias sobre Kai Kara France, Jussier Formiga e Brandon Royval.

Um atleta muito aguerrido, Moreno é insano em pé, possuindo punhos rápidos, aceitando a troca de golpes tranquilamente e sempre realizando lutas extremamente animadas, com muita resiliência. Mas é conhecido por todos onde Moreno melhor atua: o mexicano é um grappler de alto nível. Brandon é faixa marrom de jiu-jítsu, muito competente nos scrambles, se movimentando bastante no solo, seja estando por cima ou fazendo guarda. Muito dinâmico, Moreno costuma se adaptar muito bem aos combates, com facilidade para transições de jogo. Pode ser motivo de preocupação a defesa contra um nocauteador contra Deiveson, já que Brandon costuma ser muito atingido nas lutas que faz.

Brandon Moreno vs Deiveson Figueiredo odds - BestFightOdds

Uma luta excepcional, que foi marcada logo no último card PPV, onde ambos tiveram desempenhos impressionantes. Moreno é muito bom, porém vejo que a luta é mais para consolidação do reinado de Deiveson, com mais uma defesa sobre um membro merecedor e que conquistou dignamente a vaga de desafiante na categoria, para buscar superlutas no futuro. A aposta é em nocaute do brasileiro, que pode demorar um pouco devido a dureza e o coração do ex-TUF.

Peso leve: #3 Tony Ferguson (EUA) vs #7 Charles do Bronx (BRA)

Por: Gustavo Lima

Tony Ferguson (25-4 MMA, 15-2 UFC) é um dos nomes mais temidos no peso leve do UFC e em qualquer lugar do mundo há um bom tempo. Conhecido como um atleta que é capaz de fazer tudo muito bem, o “Cucuy” foi um dos bichos papões (rs) da divisão por um longo tempo. Marcado diversas vezes pra lutar contra Khabib Nurmagomedov e especulado em outras contra Conor McGregor, Ferguson viveu uma fase que todo esportista sonha em viver em qualquer seja a modalidade.

No último mês de maio, Ferguson foi derrotado por Justin Gaethje, outro mago das artes marciais mistas e que, para o azar de Tony, se encontrava em uma das noites mais inspiradas de sua carreira. Após 12 vitórias e quase 7 anos sem saber o que era sair da jaula do UFC derrotado, o californiano deu seu primeiro passo atrás em um longo tempo. E este pode ser um momento delicado para a carreira do lutador – chegaremos lá nos próximos parágrafos.

No corner oposto estará o grande Charles “Do Bronx” Oliveira (29-8, 1 NC no MMA, 17-8, 1 NC no UFC), vindo de sete vitórias consecutivas e com cartel 8-1 desde que retornou ao peso leve. Ainda que desacreditado por muitos pela rota que o levou ao top 10 e garantiu esta chance contra um dos tops da divisão, é inegável que o desempenho do brasileiro nos últimos anos tem sido muito bom. Desde que se estabilizou na faixa de peso e parou de ter problemas com o corte, o atleta da Diego Lima tem aparecido mais forte, mais rápido, trocando melhor e com melhor QI de luta.

Para sacramentar sua evolução (contestada por muitos), faltava justamente uma vitória sobre um bom nome ranqueado. Esta veio contra Kevin Lee no último mês de março, ocasião em que Charles anotou uma finalização no terceiro round e meteu o pé na porta da parte de cima da categoria. Muito experiente e relativamente novo (31 anos, soa até estranho por Do Bronx estar fazendo isto há tanto tempo), é interessante ver o que o brasileiro é capaz de fazer contra os adversários mais cascudos da divisão.

Este é um bom casamento para que a divisão andar e bem oportuno pelas circunstâncias, mas fazendo uma análise técnica, dá pra dizer que Tony Ferguson é melhor em todos os aspectos do jogo de MMA. Ou melhor, isto é o que deveríamos dizer nas CNTP, o melhor Ferguson possível, o destruidor de mundos que conhecemos há alguns anos atrás e que dominou a divisão escalando degrau a degrau a base de técnica e violência.

Há uns 4 anos atrás, quando Charles subiu para 155lbs, eu diria que essa luta seria um mismatch absurdo caso alguém levantasse a hipótese. Hoje eu já diria que é um duelo que apenas possui um favorito claro. Charles não é o mesmo, evoluiu em diversos aspectos. Ferguson é o mesmo? Essa é a minha grande dúvida e que não sai da cabeça desde o último duelo do estadunidense

De qualquer forma, Ferguson ainda possui todas as ferramentas para ser superior a Charles mesmo com uma atuação “underperforming”. Em pé, Ferguson é rápido, durável, sabe amplificar a vantagem de envergadura, possui repertório rico, bate forte e de tudo que é jeito que você possa imaginar. O wrestling é excelente, muito eficiente e complementado por um BJJ justo, inventivo e perigoso. No próprio jiu-jitsu, que é teoricamente o carro-chefe de Charles, é difícil fazer uma projeção de que ele seja capaz de sair por cima de Tony. Entretanto, luta não é matemática e o todo pode ser mais que a soma das partes. Isso me leva a acreditar que algumas circunstâncias específicas neste duelo podem equalizar todo o background técnico e tornar a peleja um pouco mais interessante.

Existe um consenso de que Ferguson é um slow-starter, talvez seria o exemplo mais clássico deles dentre a nata do MMA. Tomou um calorzinho de Lando Vannata naquela luta memorável, começou perdendo pra RDA e tudo mais, até aí OK. Na luta contra Gaethje, Ferguson também começou assim, um pouco mais devagar. E apanhou. Apanhou. Apanhou mais um pouco e se cansou. Quando deveria começar a crescer, já estava completamente combalido, machucado e exausto.

Isso me ligou uma luz de alerta: No final de 2018, Anthony Pettis levou Tony Ferguson ao inferno em um duelo onde o sistema defensivo do “Cucuy” pareceu estar funcionando na bateria de 9V. Desligado, vazado, imprudente, lento. Com todo o respeito ao ex-campeão dos leves, mas um atleta que é tido como um dos grandes colossos desta categoria não pode tomar calor do “Showtime” nessa altura do campeonato.

Charles Oliveira vs Tony Ferguson odds - BestFightOdds

Onde eu quero chegar? Talvez esse Tony Ferguson que vai lutar no sábado não seja aquele mesmo lutador que estávamos acostumados a ver tocar o terror no octógono. As inúmeras guerras, lesões, problemas pessoais e outros inúmeros detalhes que permeiam sua vida podem estar começando a cobrar um preço. Reitero o favoritismo, mas é bom se atentar para alguns detalhes. O poder de absorção de golpes de Ferguson ainda é o mesmo? Charles tem capacidade de tocá-lo e não estou falando de “mão entrar”. E o físico? Charles já não é o peso-pena que tinha gás pra 6 ou 7 minutos de luta, será que Ferguson ainda entra no quinto round dando risada e brincando de trocar sopapos como se tivesse a respiração de um traqueado?

Meu palpite é numa vitória do americano. O Ferguson que conhecemos tem capacidade para cozinhar essa luta e golpear bastante sem sofrer riscos, cansar o oponente e conseguir dar cabo no combate antes do quarto round. Tentando me embasar ao máximo em dados e fatos para não mirar num exercício de futurologia descabido, não acho que esse é o cara que vai subir no cage neste final de semana, mas mesmo assim, terá nas mãos as cartas que precisa para ser melhor. Charles, em contrapartida, não é um completo franco atirador e não me surpreenderá tanto assim caso saia de braço erguido. Olho nessa luta.

Peso médio: #15 Kevin Holland (EUA) vs. Ronaldo Jacaré (BRA)

Por: Idonaldo Filho

Um legítimo funcionário do UFC, Kevin Holland (20-5 no MMA, 7-2 no UFC) já vai para a quinta luta no líder do mercado neste ano, vencendo todas as que fez. A fase ótima havia dado a chance de disputar uma luta principal contra Jack Hermansson – marcada para semana passada -, porém, o diagnóstico de COVID-19 atrasou um pouco, mas recebendo um oponente bastante relevante para essa semana. As vitórias mais relevantes foram sobre os bons Anthony Hernandez e Joaquin Buckley, mas também derrotou Darren Stewart e por último, o substituto Charlie Ontiveros.

Holland tem um estilo pouco ortodoxo. Muitas vezes utiliza golpes plásticos, mas também sabe aproveitar bem a envergadura de 2,06m, atacando preferencialmente na longa distância, contando com potência nos golpes. O americano chuta bastante, costuma muitas vezes usar uma base de carateca, usando a esquiva como defesa principal. No chão costuma se movimentar muito, ainda que o wrestling para chegar até lá seja mais na insistência que na técnica. Versátil, acontece que Holland não é expert em nenhuma dessas áreas, sendo nota 7 em tudo, tendo um teto nítido, mesmo em uma divisão só mediana. A defesa também inspira melhores cuidados.

Ronaldo Jacaré (26-8 no MMA, 9-5 no UFC) chega para a 15º luta de sua carreira no evento presidido por Dana White, atualmente mostrando estar no final de carreira, mas podendo ser um bom teste para atletas em crescimento como Holland. A lenda do jiu-jítsu vem de uma tentativa frustrada de subir para os meios-pesados, porém, a derrota em luta HORROROSA foi contra o atual campeão Jan Blachowicz, que faz ficar menos feio. De qualquer forma, é uma luta muito importante para Jacaré encerrar a sequência de reveses, principalmente meio a situação de corte de atletas que o UFC atualmente está, que vitimou por exemplo Yoel Romero, um de seus antigos adversários.

Nem é preciso muita explicação para o fã de MMA sobre Jacaré. O brasileiro é um dos melhores jiujiteiros a pisar no cage do UFC, mortal no solo, mas que costuma preferir a trocação em seus combates, o que já garantiu alguns belos nocautes a favor e contra. O boxe sempre foi meio “duro”, mas Jacaré bate muito pesado, impõe pressão constante, e leva perigo na curta distância e no clinch. Ocasionalmente chutes altos são efetuados também, sendo mais uma arma de Ronaldo. Atualmente passando dos 40 anos, o queixo já não é o mesmo, a velocidade diminuiu bastante, assim com os reflexos. Logo, Jacaré é um alvo um pouco mais fixo e contra um lutador rápido e ágil como Holland, isso pode ser um problema.

Kevin Holland vs Ronaldo Souza odds - BestFightOdds

Holland tem condições de vencer a luta insistindo em golpes na distância, efetuados de ângulos pouco ortodoxos e superando Jacaré no volume e velocidade. Só que eu ainda acho que Jacaré consegue levar essa luta. Mais experiente, o brasileiro é forte e em um duelo de três rounds pode conseguir um controle do duelo no clinch e, caso decida levar para o chão, finalizar. Jacaré na decisão dos juízes é o prognóstico.