Por Edição MMA Brasil | 23/11/2020 16:31

Depois de inúmeros eventos em formato de fight night, o UFC retorna a fazer um evento em formato de pay-per-view e traz consigo duas grandes disputas de cinturão para entreter os fãs. O UFC 255 chega com um card recheado de entretenimento e lutas bem casadas para o UFC Apex, em Las Vegas, Nevada, Estados Unidos.

Na luta principal da noite, o brasileiro Deiveson Figueiredo fará sua primeira defesa de cinturão na categoria dos moscas. O “Deus da Guerra” terá a dura missão de despachar o habilidoso Alex Perez, número 4 do ranking da divisão e que substituiu Cody Garbrandt, que deixou a luta após sofrer uma lesão que precisou de cirurgia.

A luta coprincipal do evento traz também destaque para a divisão dos moscas, mas a feminina.  A implacável campeã Valentina Shevchenko tenta aumentar seu reinado do terror na categoria de até 57kg. Desta vez, ela recebe a desafiante Jennifer Maia, que surpreendeu ao receber uma oportunidade de conquistar o ouro na maior organização do mundo.

card principal também traz ótimas lutas que prometem entregar diferentes formas de entreter o público. Nos meios-médios, Mike Perry retorna ao octógono para enfrentar o experiente Tim Means. Nos moscas, a ex-desafiante Katlyn Chookagian tenta provar que ainda pertence ao topo contra Cynthia Calvillo. Nos meios-pesados, Mauricio Shogun dá os últimos passos de sua gloriosa trajetória no esporte e reencontra Paul Craig em um segundo duelo entre ambos. Por fim, Brandon Moreno e Brandon Royval fazem a luta principal do card preliminar e prometem entregar uma das principais lutas da noite e, quem sabe, definir o próximo desafiante do cinturão masculino dos moscas.

O UFC 255 será realizado neste sábado (21) e contará com transmissão exclusiva do Canal Combate no Brasil. O evento começa com seu card preliminar às 20:30h, enquanto a porção principal do evento deve iniciar às 23:30, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Cinturão peso mosca: (c) Deiveson Figueiredo (BRA) vs. #4 Alex Perez (EUA)

Por: Bruno Costa

O campeão Deiveson Figueiredo (19-1 no MMA, 8-1 no UFC) chega em busca da primeira defesa do cinturão do peso mosca após duas vitórias muito dominantes sobre um dos melhores lutadores da história da divisão (e provavelmente um dos melhores a finalizar a carreira sem ter conquistado um título no UFC), Joseph Benavidez.

O “Deus da Guerra” é um finalizador de combates violento, muito potente e oportunista. Quando chegou ao UFC, primava muito mais pela potência dos seus golpes do que pelo volume, mas melhorou significativamente o ritmo e hoje busca pressionar os oponentes com ameaças incessantes. Mesmo não tendo boa defesa na troca de golpes, confia na resistência física e queixo de titânio para buscar o ataque ao longo de todo o combate, sendo os ganchos com a mão esquerda e diretos os principais golpes utilizados para machucar os adversários.

O campeão já teve problemas para defender quedas em momentos distintos quando enfrentou especialistas no grappling, num passado pouco mais distante contra Jarred Brooks e depois contra o brasileiro Jussier Formiga na única derrota da carreira. Além de ser muito forte fisicamente, Deiveson é especialista em guilhotinas, que se não com tanta frequência são utilizadas para finalizar seus combates no mais alto nível, servem ao menos para se livrar das tentativas de quedas dos oponentes e provocar scrambles, um cenário em que se sai bem.

Alex Perez (21-5 no MMA, 7-1 no UFC) chega ao posto de desafiante após uma vitória contra o único algoz da carreira de Deiveson. Não era a primeira opção para enfrentar o campeão, mas a lesão de Cody Garbrandt abriu espaço para o lutador que chegou ao UFC causando ótima impressão com atuações agressivas e unilaterais até ser parado por Benavidez em sua quarta aparição no otógono.

A derrota aconteceu num momento delicado de reconstrução do plantel do UFC no peso mosca, com especulações envolvendo inclusive o fim da categoria. Mas Perez deu a volta por cima demonstrando potencial para ocupar as primeiras posições do ranking e com o diferencial do ótimo poder de interromper os combates, tanto por finalização quanto por nocautes, como demonstrou contra Jussier Formiga aplicando chutes baixos até que o adversário não apresentasse mais resistência.

Desde a derrota para Benavidez em que parecia muito mais passivo do que o normal, talvez sentindo a escalada rápida demais no nível de oponentes, Perez tem demonstrado novamente agressividade na busca por ações ofensivas, dominando os oponentes com potência incomum para um peso mosca.

Para o duelo de sábado não devemos esperar menos do que uma luta empolgante do início ao fim do combate entre dois dos pesos mosca fisicamente mais potentes do mundo, sendo o combate desde já um dos favoritos à luta da noite. Um cenário ideal para Perez seria manter o combate na distância dos chutes para não ser punidos com os punhos mais potentes de Deiveson e evitando a troca de golpes no pocket. Se possível fosse, o desafiante deveria inclusive tentar levar o brasileiro ao solo para pontuar e garantir rounds a seu favor, mas muito provavelmente a vantagem no wrestling seja de Deiveson.

Alex Perez vs Deiveson Figueiredo odds - BestFightOdds

A aposta é que o campeão completará com sucesso a primeira defesa de cinturão com uma abordagem agressiva, segurando o ímpeto de Perez e impondo pressão a partir do segundo assalto buscando uma interrupção antes dos 15 minutos de combate.

Cinturão peso mosca:  (c) Valentina Shevchenko (KGZ) vs. #4 Jennifer Maia (BRA)

Por: Rodrigo Rojas

Se você não coloca Valentina Shevchenko (19-3 no MMA, 8-2 no UFC) entre os melhores lutadores em atividade no mundo – independente de gênero -, você está errado. No UFC, a loira só tem derrotas para Amanda Nunes, dupla campeã da categoria dos penas, ambas lutas disputadíssimas. Na última, inclusive, muita gente marcou vitória para a peso mosca. Após seu triunfo sobre Joanna Jedrzejczyk, quando conquistou o cinturão vago da categoria, Valentina instaurou um reinado de terror na divisão. O mais impressionante é o nível de disparidade técnica entre “Bullet” e suas adversárias, o que deixa a impressão de que ela nunca será tocada.

Com mais de 50 vitórias no kickboxing (com três campeonatos mundiais ao longo do caminho), invicta no boxe profissional, faixa preta de taekwondo e nove medalhas de ouro no muay thai, a quirguiz é provavelmente a melhor striker em atividade no MMA. Seus contragolpes são no estado da arte, como demonstrou na aula ministrada contra Holly Holm. As fintas também são impressionantes, unidas à movimentação e às combinações mesclando socos e chutes, que criam um jogo em pé dos mais mortais. Além disso, a faixa preta de judô garante um trabalho de clinch dos mais efetivos no esporte e quedas muito acima da média.

Valentina é tão boa que, mesmo sendo especialista na trocação, já mostrou que pode vencer lutas contra grapplers condecoradas no mais alto nível utilizando apenas a luta agarrada. O condicionamento físico se mostra perfeito na categoria dos moscas, assim como a capacidade de aproveitar qualquer brecha apresentada pela oponentes.

Quando o UFC organizou o TUF 26 para definir a campeã da recém-criada categoria das moscas, a lutadora que mais fez falta foi Jennifer Maia (18-6-1 no MMA, 3-2 no UFC). Na época, a brasileira era a campeã da divisão no Invicta FC, tendo defendido o cinturão do evento em duas oportunidades, até receber o chamado da maior organização do mundo. Na estreia, foi derrotada por Liz Carmouche. Depois, problemas com a USADA e com a balança esfriaram seu hype e diminuiram sua importância dentro da categoria. A brasileira credenciou-se para a disputa de cinturão de sábado com apenas uma vitória – uma finalização sobre Jojo Calderwood, em um vacilo absurdo da escocesa, que tinha o title shot garantido.

Faixa preta de jiu-jitsu e de muay thai, Jennifer tem seus melhores momentos na trocação, quando emprega sequências curtas de golpes pouco precisos. Ela tem a péssima tendência de andar para frente e engajar em clinches desnecessários, o que certamente será um problema contra a campeã. Além disso, as sequências de golpes são pouco preparadas e a deixam muito exposta a contragolpes e tentativas de queda. Maia ainda se destaca pela agressividade e força na luta agarrada, apesar da pouca potência nos golpes traumáticos. O jiu-jitsu tem qualidade, mas os outros aspectos da luta agarrada não acompanham.

Jennifer Maia vs Valentina Shevchenko odds - BestFightOdds

Hoje, praticamente qualquer lutadora que entrar para enfrentar Valentina será como um cordeiro sacrificial. A quirguiz não tem falhas em seu jogo, e está anos-luz acima de qualquer uma de suas adversárias em todas as áreas do MMA. Em suma, ela pode fazer o que quiser dentro do cage. Com Jennifer, não será diferente. A brasileira terá muitas dificuldades em encontrar o alcance pros golpes em pé e, no clinch, será dominada pela adversária mais técnica. A aposta é em um nocaute técnico da campeã lá pela metade da luta, provavelmente através de ground and pound.

Peso meio-médio: Mike Perry (EUA) vs. Tim Means (EUA)

Por: Matheus Costa

Muito longe de ser um primor técnico numa ótima categoria,  Mike Perry (14-6 no MMA, 7-6 no UFC) retorna ao octógono com a mesma dúvida de sempre: o patamar que ele possa alcançar em sua carreira. Sempre alternando em vitórias, derrotas e polêmicas, o americano tem um ponto a provar em seu próximo compromisso contra um veteraníssimo da divisão.
Tim Means

Forjado no boxe e no muay thai, Perry possui um estilo explosivo e rápido na luta em pé, aliados com mãos pesadas e um bom senso de oportunidade que resultaram em alguns bons nocautes ao seu currículo. A parte defensiva, no entanto, é um convite ao caos aos seus adversários, já que defender não é uma expressão que faz parte de seu vocabulário. No chão também, já que é bem limitado na luta agarrada.

Em um bom confronto casado pelo UFC, Tim Means (30-12-1, 1NC no MMA, 12-9, 1NC no UFC) chega para mais uma luta cercada de expectativas para uma verdadeira porradaria. Daquelas que eu, você e principalmente ele sempre gostamos. Entre idas e vindas, o “Dirty Bird” vem de uma boa vitória sobre Laureano Staropoli para o duelo de sábado.

Adepto pela trocação na curta distância, Means também está longe de ser um primor técnico e sempre foi conhecido pela grosseria em suas pelejas. Com base no muay thai, Tim gosta de pressionar, mas quando seu jogo não funciona, ele fica praticamente entregue, principalmente por sua fraca defesa e pouca capacidade de se adaptar. Assim como seu adversário, o experiente atleta também não tem muita familiaridade com a luta agarrada, e só costuma se entrelaçar no clinch para golpear usando joelhadas e cotoveladas. No chão, é totalmente entregue contra oposição que seja minimamente decente, que não é o caso deste sábado.

Mike Perry vs Tim Means odds - BestFightOdds

A expectativa do público para essa luta não pode ser outra: briga de baile durante três rounds. A tendência é que os dois troquem bastante golpes na curta distância e protagonizem um dos melhores golpes da noite. A aposta fica para o triunfo de Mike Perry por decisão dos juízes em uma batalha sangrenta.

Peso mosca: #2 Katlyn Chookagian (EUA) vs. #4 Cynthia Calvillo (EUA)

Por: Matheus Costa

A boa Katlyn Chookagian (14-4 no MMA, 7-4 no UFC) sofreu o primeiro atropelo da carreira para alguém que não se chama Valentina Shevchenko ao ser tratorizada por Jessica Andrade e seu poder de nocaute assustador na estreia da ex-campeã dos palhas. Por isso, o confronto contra a promissora Cynthia Calvillo é importante para ver a resposta da atleta e sua capacidade de seguir em frente.

Forjada no kickboxing, Chookagian costuma optar pelo volume de golpes que chega a ser interessante, mas a pressão quase que inexistente acaba diminuindo a eficiência de sua estratégia. É o famoso feijão com arroz: bate e sai, bate e circula. Facilidade para tocar suas adversárias, mas com a mesma potência de um soco da minha filha de quatro anos. Seu jogo de chão é bastante interessante. Cria de Renzo Gracie, ela possui uma guarda bastante traiçoeira e criatividade na hora de raspagens e finalizações.

Em uma nova fase de sua carreira, Cynthia Calvillo (9-1-1 no MMA, 5-1-1 no UFC) desistiu do extremo corte de peso para o peso palha e migrou para os moscas. E chegou em grande estilo, batendo a ex-desafiante Jessica Eye com uma boa atuação. Agora, uma vitória contra outra ex-desafiante pode lhe garantir uma futura disputa de cinturão na nova categoria.

Se Chookagian não costuma aplicar muita pressão em suas adversárias, Calvillo é exatamente o contrário. Bem decente no boxe e sempre andando para frente em busca da curta distância, entretanto, seu objetivo é diferente: o chão, sua zona de conforto. Muito talentosa na luta agarrada, Cynthia tem bastante facilidade nas transições e se destaca por achar caminhos para chegar nas costas de suas oponentes, sua posição favorita.

Cynthia Calvillo vs Katlyn Chookagian odds - BestFightOdds

Em um confronto interessante de estilos, Chookagian e Calvillo vivem narrativas distintas no atual momento de suas carreiras, mas com o mesmo objetivo: provar seus valores na divisão. Acho que a luta agarrada de Calvillo pode ser o diferencial desta luta, por isso aposto em uma vitória por decisão da atleta.

Peso meio-pesado: #14 Mauricio “Shogun” Rua (BRA) vs. #15 Paul Craig (ESC)

Por: Israel Silveira

Na luta que abre o card principal do UFC 255, teremos a peculiar revanche entre Maurício Shogun Rua e Paul Craig. Os dois lutadores lutaram em novembro de 2019 no UFC São Paulo e a luta terminou em um empate muito controverso, num combate emocionante em que muitos viram vitória do brasileiro. Maurício “Shogun” Rua (27-11-1 no MMA, 11-9-1 no UFC) é o último remanescente no UFC da lendária classe de lutadores da Chute Boxe que fizeram história no PRIDE FC.

Profissional desde 2002 e com 38 anos, está claro que a carreira de Shogun está em seus passos finais. Mesmo assim, o curitibano vem em uma sequência de apenas uma derrota nas últimas cinco lutas, se aproveitando de um matchmaking favorável na rasa divisão dos meios-pesados. Se valendo cada vez mais de seu grappling, Shogun claramente mudou sua abordagem sobre as lutas, já que a absorção e o gás claramente não são mais os mesmos.

Além disso, Shogun teve uma clara queda em sua velocidade, o que ajuda a explicar a nova versão de Shogun, que tem em seu jiu-jítsu (faixa preta sob Nino Schembri) uma valiosa arma, já que mesmo contra Minotouro Nogueira, o curitibano sofreu em pé. Shogun esteve próximo de ser nocauteado por Paul Craig no primeiro round, mas conseguiu leva-lo para o chão no segundo e terceiro round, e o controlou totalmente por lá, além de aplicar duro ground and pound enquanto esteve por cima.

Paul “Bearjew” Craig (13-4-1 no MMA, 5-4-1 no UFC) vem em sua melhor fase no UFC, acumulando duas vitórias e um empate nas últimas três lutas. O escocês traz como principal arma o jiu-jítsu (faixa marrom sob Marcos Nardini), especialmente seus triângulos: Gadzhimurad Antigulov, Kennedy Nzechukwu e Magomed Ankalaev foram todos vítimas do triângulo mais perigoso do mundo.

Mesmo sendo um basicamente um grappler, Paul Craig está cada vez mais confiante em sua trocação. Fato é que o escocês foi melhor em pé que Maurício Shogun, mostrando ser o lutador mais rápido entre os dois. O “Bearjew” tem sete centímetros a mais de altura e teve bastante sucesso com golpes retos no primeiro combate. No chão, porém, onde teoricamente Craig é mais perigoso, ele simplesmente não achou nada. Afinal, mesmo estando longe de seu auge, Shogun é um craque quando o assunto é jiu-jítsu.

Paul Craig é um adversário completamente “vencível” para Shogun. Francamente, o curitibano deveria ter vencido o primeiro combate. As últimas derrotas do brasileiro envolveram ou um wrestler de elite (Sonnen) ou bons punchers (Hendo, Saint-Preux, Smith).  Paul Craig não se encaixa em nenhuma destas categorias. Mauricio vem mostrando uma absorção cada vez pior, mas deve ser capaz de aguentar as estranhas investidas em pé de Craig e eventualmente superá-lo utilizando seu muay thai.

Mauricio Rua vs Paul Craig odds - BestFightOdds

Não descarte também Shogun investindo em quedas, momento em que Craig terá suas maiores chances, já que Shogun normalmente tenta suas quedas quando já está cansado e pode acabar sendo finalizado da forma mais inacreditável possível, bem ao estilo Paul Craig. De qualquer forma, os cenários do combate indicam vitória de Maurício Shogun por decisão unânime.

Peso mosca: #6 Brandon Moreno (MEX) vs. #6 Brandon Royval (EUA)

Por: Gustavo Lima

Brandon Moreno (17-5-1 no MMA, 5-2-1 no UFC) vem de grande sequência, mas acabou não sendo o escolhido para substituir Cody Garbrandt na luta contra o campeão Deiveson Figueiredo. Se Alex Perez herdou o posto de desafiante, o “Bebê Assassino” arrumou um duelo que pode acabar sendo um enorme rabo de foguete.

Com cartel de 2-0-1 desde que retornou ao UFC, o mexicano é o primeiro no ranking do UFC e vem de vitória maiúscula sobre Jussier Formiga. Inicialmente, Moreno iria lutar contra o mesmo Alex Perez, que acabou sendo escolhido para pegar a luta de cinturão muito provavelmente por ter vencido o mesmo Formiga de maneira ainda mais contundente. De certa forma, o duelo continua sendo um title eliminator para Moreno, dadas as circunstâncias.

No outro corner, o xará Brandon Royval (12-4 UFC, 2-0 MMA) apareceu comendo pelas beiradas e já está na parte de cima da tabela, na sexta posição do ranking da categoria dos moscas. Com duas vitórias via finalização sobre Tim Elliott e Kai Kara-France, o atleta do Colorado tem em suas mãos a chance de tomar a via rápida para encostar na nata da divisão e quem sabe até mesmo herdar uma oportunidade de disputar o cinturão, dependendo do que irá acontecer com Deiveson/Perez/Garbrandt nos próximos capítulos.

Além do bom e oportuno jiu-jitsu, o “Raw Dawg” chama a atenção por ser extremamente alto e esguio para um peso mosca. No último combate, o uso inteligente de sua maior envergadura fez com que Kai Kara-France se visse num completo mato-sem-cachorro, tendo dificuldades de se aproximar sem engolir um grande volume de golpes contundentes que foram o início de seu fim no combate.

Todavia, Moreno não é só maior que Kara-France, como também é mais forte e tem excelente grappling. O mexicano também é mais rápido e troca melhor que Tim Elliott, por exemplo. Este combate é interessantíssimo justamente por isso: Royval terá seu primeiro teste contra um atleta redondinho, capaz de fazer tudo em alto nível.

Ao analisar as vantagens que o estadunidense teve a seu dispor nos últimos dois duelos, explorando fraquezas específicas dos adversários e vantagens que os casamentos forneciam, fica difícil especular o quão longe ele consegue ir contra Moreno. Além do bom nível técnico, o “Assassin Baby” também é muito intenso e imprevisível, sendo capaz de se criar em diversas situações. Royval poderá ser bem exigido em scrambles ou trocando no pocket contra um adversário que pode encurralá-lo fazendo uso do bom mix-up que é capaz de colocar em prática.

Custo a acreditar que Brandon Royval conseguirá construir ampla vantagem na luta em pé contra Moreno, especialmente pela amplitude de ferramentas e dinamismo que o mexicano traz em seu jogo, suficientes para evitar uma situação de desvantagem imposta pelo adversário. Em contrapartida, Moreno também não leva vantagem no grappling ou no clinch para ter uma válvula de escape garantida ao seu dispor.

Brandon Moreno vs Brandon Royval odds - BestFightOdds

Boa parte da “magia” deste casamento é ver como Royval irá se sair subindo um degrau acima em termos de competição. É uma subida de barra interessante contra um adversário que é favorito, mas também tem fragilidades e exposições a serem exploradas. Ganha o fã de MMA ao poder ver dois talentosos atletas colidindo. Veredito: Brandon Moreno por decisão