Por Edição MMA Brasil | 04/06/2020 18:17

Depois de duas semanas, o UFC volta a ter um evento numerado. Desta vez, o UFC Apex recebe o UFC 250, que traz card um pouco mais modesto em relação aos eventos no formato de pay-per-view.

No card preliminar, três lutas se destacam entre todas. Pela categoria dos penas, o conhecido Alex Caceres enfrenta Chase Hooper em um confronto promissor. Já pela categoria dos galos, Cody Stamman encara Brian Kelleher em duelo que promete ser animado e garantir o entretenimento dos fãs. Por fim, o brasileiro Herbert Burns encara Evan Dunham, que fará sua primeira luta desde 2008.

O início do card preliminar está previsto para 19:00h, com transmissão exclusiva do Canal Combate.

Peso Pena: Alex Caceres (EUA) vs. Chase Hooper (EUA)

Por Idonaldo Filho

Irregular mas sempre presente no UFC, Alex Caceres (15-12 no MMA, 10-10 no UFC) está há quase 10 anos no UFC, sempre se mantendo no evento com desempenhos pouco ortodoxos como um porteiro de meio de tabela, que busca provar se os lutadores com pouca experiência no UFC estão prontos ou não para um desafio maior. Em 2019, fez duas lutas, perdendo para o jiujiteiro Kron Gracie e, em sua última luta, derrotando Steven Peterson na decisão – método pelo qual venceu quase todos os combates que fez no evento.

O “Bruce Leeroy” sempre teve preferência pela trocação, mas nunca leva perigo e não é nada contundente nos golpes que solta, muitas vezes lutando como um personagem de videogame, com vários golpes plásticos, porém lançados no ar ou com pouca força. O volume que aplica é bom e com grande variedade de golpes, como chutes plásticos e socos, geralmente ao contragolpear. A movimentação de Caceres é outro ponto positivo em seu jogo. Os problemas são todos na parte defensiva, onde Alex mostra ineficiência em todas as áreas, seja defendendo golpes, queda e submissões. A falta de potência e também de estratégia acaba atrapalhando também.

Com apenas 20 de idade, Chase Hooper (9-0-1 no MMA, 1-0 no UFC) é um lutador que chamou a atenção de Dana White no Contender Series ainda em 2018, quando tinha apenas 18 anos. Após vencer um oponente acessível, recebeu um contrato de desenvolvimento do líder do mercado, que colocou Hooper para lutar em eventos satélite do UFC que fazem parte do UFC Fight Pass. Ele acabou empatando uma luta contra um oponente deplorável, mas vencendo posteriormente outros dois combates. Quando chegou definitivamente para o UFC, Hooper derrotou Daniel Teymur por nocaute técnico no primeiro assalto.

Chase ainda é bastante cru, sem demonstrar estar pronto nem mesmo fisicamente para avançar na categoria. O americano tem preferência quase que total para levar a luta ao solo, mostrando muito desconforto em pé. No chão, Hooper é bastante habilidoso e também muito flexível, possuindo bons scrambles e levando perigo com finalizações. O problema é que o wrestling é muito fraco, colocando Hooper em situações pouco comuns em busca da queda, como puxar para a guarda ou tentar subir no adversário. Defensivamente o lutador está em evolução. A impressão que tenho é que Hooper ainda precisa de muita maturação para se tornar um ativo importante do UFC esportivamente.

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Dana White sempre tem algumas escolhas estranhas quando falamos de prospectos. Não que Hooper não possa ser um bom lutador no futuro, mas o problema é que ele atualmente não é bom o suficiente e deveria estar lutando em ligas menores. O casamento é até favorável ao jovem lutador, uma vez que Caceres não é conhecido por bater forte e dá brechas gritantes para ser levado ao solo e pode ser finalizado. Entretanto, ainda parece cedo para Hooper. Alex deve fazer seu tradicional jogo de soltar quinhentos golpes no ar, acertar alguns, movimentar bastante e garantir a segunda vitória consecutiva na decisão dos juízes.

Peso Pena: #12 BW Cody Stamann (EUA) vs. Brian Kelleher (EUA)

Por Matheus Costa

Em busca de garantir seu retorno ao top 10 de uma das melhores categorias do UFC, o americano Cody Stamman (18-2-1 no MMA, 4-1-1 no UFC) vem somando desempenhos competentes em sua trajetória na organização.

Simples e eficiente, Stamman possui o estilo da clássica combinação entre boxe e wrestling. Com estilo bem físico, força e explosão são os pilares de suas qualidades, principalmente na hora de levar a luta para o chão. Entretanto, o fato do atleta ser um Golden Gloves não pode ser diminuído, já que Cody é um boxer bem agressivo, com boa defesa e capacidade de encurtar a distância para o seu oponente com maestria.

Entre altos e baixos, Brian Kelleher (21-10 no MMA, 5-3 no UFC) sempre entrega duelos divertidos no octógono, mas não consegue alcançar a elite da categoria dos galos. Caso vença Stamman, o atleta pode dar a amostra necessária para chegar em outro patamar.

Um boxer bem grosso, Kelleher se baseia em força, pressão e agressividade na luta em pé, com boa movimentação para ditar o ritmo. Entretanto, erros defensivos são constantes e o americano acaba virando alvo fácil para atletas de técnica apurada em pé. Na luta agarrada, o wrestling é decente, mas sua capacidade de finalizar lutas no chão se destaca como uma das principais qualidades de seu jogo.

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Essa é uma das melhores lutas do card preliminar e promete ser uma bela porradaria. Imagino que Stamman consiga dominar as ações e acabe levando a luta para o chão com seu bom wrestling para neutralizar as ações de Kelleher. Por isso, a tendência é uma vitória por decisão unânime de Cody Stamman e uma vaga no top 10.

Peso Mosca: #4 Jussier Formiga (BRA) vs. #9 Alex Perez (EUA)

Por Gustavo Lima

Jussier Formiga (23-7 MMA, 9-6 UFC) buscar retomar o caminho das vitórias, vivendo sua pior situação no UFC em algum tempo. Depois de uma boa sequência de vitórias que o colocou na ponta da categoria, o potiguar amargou duas derrotas consecutivas para Jospeh Benavidez e Brandon Moreno.

Com as derrotas para bons adversários, mas de pedigree decrescentes na ordem em que ocorreram, é plausível que Formiga encare um desafio de nível mais modesto. Com 35 anos de idade e 15 de carreira, Jussier pode ter atingido aquele plateau na carreira que precede o estágio final. Nas últimas atuações, apesar das derrotas, o brasileiro mostrou que continua com sua qualidade técnica afiada, sob o teto do que mostrou ao longo da carreira.

Do outro lado, temos o ascendente Alex Perez (23-5 MMA, 5-1 UFC) buscando adentrar o grupo mais alto do top 15 da divisão. Hoje na nona posição, o atleta volta a ter uma chance contra um atleta de ponta, algo que não acontecia desde 2018 quando perdeu para Joseph Benavidez.

Perez tem 28 anos e já vem de uma safra um pouco mais moderna do MMA. Com a velocidade e vigor físico que se espera de um peso-mosca de ponta, o estadunidense tem um jogo bem completo, conseguindo atuar satisfatoriamente em todas as áreas do combate. Um dos grandes diferenciais de Alex está no quão ofensivo ele consegue ser, tanto em pé, quanto no chão.

Podemos notar algum contraste neste casamento ao pontuar o fato de que Formiga costuma ser considerado um dos atletas menos explosivos e mais cadenciados dentre os tops dessa divisão. Entretanto, quando tratamos do conjunto de habilidade de ambos, a vantagem de Perez não soa tão imponente assim.

Formiga tem um excelente boxe e só deixou a desejar quando confrontado pelo que a categoria tinha de melhor a oferecer. Usualmente compensa a falta de volume com seu bom sistema defensivo e sendo muito oportuno nos contragolpes. Em termos de trocação, este será um bom teste para a capacidade de Perez.

No chão, o estadunidense mostra um jiu-jitsu muito agressivo, sendo muito incisivo em todas as suas ações e com sete vitórias por finalização em sua carreira. Apesar disso, Jussier tem habilidade de luta agarrada muito superior e deve sair no lucro nos momentos em que o combate for parar no chão.

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Perez é “sangue novo” para a ponta dessa divisão e é um lutador muito empolgante, com algumas atuações muito interessantes em sua carreira no UFC. Apesar de merecer este novo teste contra a nata dos moscas, entra com muito a provar contra um dos atletas mais bem estabelecidos da categoria. O estilo agressivo pode empolgar, mas eu não colocaria em descrédito a capacidade técnica e experiência de Formiga. Acredito em vitória do brasileiro por finalização ou decisão.

Peso Casado (68 kg): Evan Dunham (EUA) vs. Herbert Burns (BRA)

Por Matheus Costa

Veteraníssimo e detonado, o interminável Evan Dunham (18-8-1 no MMA, 11-8-1 no UFC) retorna ao octógono após menos de dois anos de sua aposentadoria do esporte. Pois é, a gente sabe que aposentadorias no MMA duram menos que o seguro desemprego. Mas será que voltar ao esporte aos 38 anos de idade é uma boa ideia? Provavelmente não.

Faixa preta de jiu-jítsu, Dunham já estava distante de seus melhores dias quando decidiu pendurar as luvas. Com uma trocação bem normal, com destaque para o jab e a boa defesa de golpes. Todavia, a luta agarrada é a especialidade da casa: wrestling bastante competente, bom controle posicional e, sobretudo, boas tentativas de finalização. A parte física será um dos grandes problemas para o inglês, já que o lutador é bem lento e pouco ágil.

Outro atleta forjado no tatame, o brasileiro Herbert Burns chegou ao UFC através do Contender Series, e impressionou tanto em sua estreia no reality como em sua primeira aparição no octógono, somando uma finalização e um nocaute no primeiro round, respectivamente.

Aos 32 anos, Burns é um faixa-preta de alto nível e muito agressivo, técnico e sagaz, sendo bastante completo na arte suave. O irmão de Gilbert Durinho mostrou uma certa evolução na luta em pé, principalmente no muay thai, usando bem o clinch para golpear. Em sua estreia, usou joelhadas para nocautear Nate Landwehr de forma brutal.

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Mesmo após (quase) dois anos, Dunham é um bom porteiro na categoria para testar novos valores e creio que seja um ótimo teste para o brasileiro, que é melhor no chão e tem tudo para vencer. Portanto, aposto na vitória de Burns por decisão unânime.