Por Edição MMA Brasil | 08/05/2020 00:26

Os Estados Unidos vivem uma realidade de mais de 75 mil mortes pela COVID-19 -, 1.750 confirmadas só ontem. Ainda assim, o estado da Flórida achou por bem liberar alguns eventos, ainda que sem público. Dana White se aproveitou da situação e foi atrás da VyStar Veterans Memorial Arena, em Jacksonville, para promover três eventos em oito dias. Começamos com o UFC 249, neste sábado.

Pelo menos, a organização montou um card fenomenal, a começar pelo duelo principal. Não há ótica que indique que o encontro entre Tony Ferguson e Justin Gaethje seja menos do que sensacional. O confronto vale o cinturão interino do peso leve, (re)criado depois que Khabib Nurmagomedov não chegou a um acordo com os promotores para defender seu título.

Só a luta principal já valeria o ingresso (que ninguém vai pagar), mas o UFC realmente caprichou. Outra disputa de cinturão traz Dominick Cruz de volta após 40 meses afastado. O “Dominator” vai desafiar a coroa dos galos de Henry Cejudo, no evento co-principal.

Pela divisão dos pesados, um encontro violento entre Francis Ngannou e Jairzinho Rozenstruik deve terminar com um corpo estirado no chão em menos de cinco minutos. Antes deles, os penas Jeremy Stephens e Calvin Kattar devem se socar como se não houvesse amanhã. Abrindo a porção principal do UFC 249, Greg Hardy vai colocar sua asma (pois é) para jogo contra o coronavírus e contra Yorgan de Castro, também pela turma dos grandalhões.

Cinturão interino peso leve: #1 Tony Ferguson (EUA) vs. #4 Justin Gaethje (EUA)

Por Alexandre Matos

Das últimas oito vezes em que subiu ao octógono, Tony Ferguson (25-3 no MMA, 15-1 no UFC) abocanhou igual número de bônus, cinco deles o de melhor luta da noite. Seu rastro de destruição deixou pelo caminho lutadores de toda sorte de estilos em espetáculos brutais e sufocantes. Na última apresentação, Ferguson já deformava o rosto de Donald Cerrone quando o “Cowboy” achou que seria uma boa ideia estourar a pressão aérea. Resultado: o rosto inchou absurdamente, fazendo o médico indicar o término de um combate que já se desenrolava como um massacre.

Wrestler de origem, o “Bicho Papão” não tem usado muito esta ferramenta. Em vez disso, desenvolveu um jogo de socos disparados em volume assombroso, com movimentação intensa, chutes bem tirados e um perigoso jiu-jítsu, inclusive quando se encontra por baixo – e, apesar de ser um wrestler, Ferguson não raramente se encontra de costas para o chão devido a malabarismos nada ortodoxos. Este estilo fez dele um dos lutadores mais empolgantes de todos os tempos, mas isso não aconteceu sem um custo. Tony parece se alimentar de sangue e demora mais do que o desejado para pisar no acelerador. Quando ele pega o ritmo, até hoje não encontrou alguém para fazer frente. Porém, até lá, toma muito susto desnecessário. E é exatamente aí que mora o perigo para este duelo de sábado.

Desde que começou há nove anos no Ring of Fire, Justin Gaethje (21-2 no MMA, 4-2 no UFC) já dava sinais que seria um sujeito para se acompanhar – sua estreia terminou quando ele suavemente cravou o oponente no solo no bate-estaca enquanto o incauto tentava arrumar uma finalização. O reinado de terror continuou no WSOF, quando ele se meteu em alguns duelos épicos. Assim segue no UFC, com sete bônus em seis combates disputados e duas das três melhores lutas de 2017.

All-American da Divisão I da NCAA pela University of Northern Colorado, Gaethje usa o wrestling tão pouco quanto Ferguson, mas a modalidade ainda lhe ajuda defensivamente. Mantendo os combates em pé, Gaethje joga e deixa jogar, justificando o apelido de “Highlight”. Ele tem combinações ferozes, ataca o corpo com muita propriedade e precisa fazer menos esforço para promover o encontro de alguém com o capeta. Nas últimas apresentações, Justin tem se mostrado um pouco mais cerebral, escolhendo melhor os golpes, entendendo um pouco mais a hora de liberar a fera. Isso é um perigo para os oponentes: um cara com o queixo duro e nenhum medo de levar na cara entendeu que não pode se lançar como um louco, sob pena de o reservatório de gás ruir. Esta mudança será posta à prova definitivamente neste confronto.

Justin Gaethje vs Tony Ferguson odds - BestFightOdds
 

Ferguson é um sujeito que não tem o menor pudor em apanhar na face e é capaz de lutar num ritmo sufocante que poucos dão conta. Gaethje é um sujeito que não tem o menor pudor em apanhar na face e é capaz de lutar num ritmo sufocante que poucos dão conta. Chance de dar ruim? Nenhuma. Mas o que acontece quando dois violentos patológicos se encontram?

O gás é a resposta. O de Ferguson dura horrores, mas ele precisa pegar no tranco, igual motor de carro velho. E a cada segundo que esse esquenta precisar, o ex-campeão interino estará em sérios apuros. Ele tem queixo duro, mas apostar nisso num primeiro round contra Gaethje me parece uma alucinação que nem um lunático como Ferguson seria capaz.

Nestes momentos iniciais, os chutes baixos deverão ser usados à vontade por Gaethje, visando atrapalhar a movimentação de Ferguson até encontrar a brecha para soltar os cachorros para cima do oponente. Tony precisará se manter longe do perigo, mas, ao mesmo tempo, forçar Justin a se mexer para desgastá-lo. Trocar força na grade é perigoso, mas Ferguson não é muito ajuizado, então talvez isso passe pela cabeça dele.

No fim das contas, posso escrever por dias imaginando um monte de coisas. Chega no sábado e esses doidos vão deixar os punhos voarem como se estivesse em jogo a salvação da Humanidade. A minha aposta recai na sobrevivência de Ferguson ao inferno do primeiro round e paulatinamente começar a acelerar, chegando ao ponto de nocautear os restos mortais de Gaethje no quarto assalto. Porém, que ninguém se assuste se Gaethje entregar Ferguson na mão do palhaço antes do oitavo minuto.

Cinturão peso galo: C Henry Cejudo (EUA) vs. Dominick Cruz (EUA)

Por Rodrigo Rojas

Henry Cejudo (15-2 no MMA, 9-2 no UFC) vem caminhando a passos largos para se tornar um dos maiores lutadores da história do esporte. Apontado como potencial campeão pelo MMA Brasil desde que estreou no MMA, Cejudo concretizou o feito ao vencer sua revanche contra o maior campeão do UFC, Demetrious Johnson, mas não parou por aí. Henry fez sua primeira defesa de cinturão contra o campeão da categoria de cima – TJ Dillashaw – e venceu com láureas, nocauteando o então rei dos galos em menos de 1 minuto de luta. Então, subiu para a categoria até 61kg e conquistou o cinturão que havia sido tomado de Dillashaw, que falhou no doping, ao sobreviver a uma guerra contra Marlon Moraes para nocauteá-lo no terceiro round, tornando-se um dos poucos lutadores a ostentarem dois cinturões simultaneamente.

Como gosta de lembrar, Cejudo foi campeão olímpico de freestyle wrestling e, como esperado, tem uma vantagem na área contra virtualmente qualquer lutador do UFC. O baixinho brilha em entradas de double leg e inside trips  e knee taps do clinch, que ele usa com maestria para mesclar golpes traumáticos e quedas. No chão, tem usado cada vez mais o ground and pound e as transições, além de algumas tentativas de finalização, mas se diferencia na habilidade nos scrambles, de onde sai com posições de vantagem, quedas, ou golpes através das brechas dadas pelos adversários – vide sua vitória sobre Dillashaw.

Nos últimos anos, adicionou ao jogo de boxe  – que lhe rendeu uma medalha de bronze na tradicional competição da nobre arte Golden Gloves – um karate desenvolvido junto aos irmãos Pitbull, em Natal. Com isso, construiu um jogo de movimentação constante e ativa, com boa defesa de golpes e um jogo ofensivo baseado em blitzes de golpes retos e alguns chutes, como evidenciou ao nocautear Wilson Reis. O mais impressionante sobre Cejudo no MMA é sua evolução de luta para luta, sempre adicionando novas facetas, tornando-se cada vez mais letal e completo.

Adicione à isso um QI de luta e adaptabilidade impressionantes e o condicionamento físico de um atleta olímpico e temos a receita para um triplo campeão e potencial GOAT dos esportes de combate.

Dominick Cruz

Se Cejudo tem potencial para se tornar o GOAT dos galos no futuro, Dominick Cruz (22-2 no MMA, 5-1 no UFC) é o atual detentor do posto. O “Dominator” chegou ao WEC como um wrestler cru e acabou finalizado pelo então campeão dos penas Urijah Faber, mas, ao longo do tempo, desenvolveu um jogo ímpar no MMA que garantiu uma invencibilidade de quase 10 anos, cinturões do WEC e do UFC e vitórias sobre nomes como Demetrious Johnson, Joseph Benavidez, TJ Dillashaw, Brian Bowles e Ian McCall, além de ter se vingado de Faber duas vezes. Cruz acabou perdendo o posto ao ser dominado por Cody Garbrandt em 2016, e não lutou desde então.

A maior praga na carreira do americano são as lesões, que o tiraram de competição em meio a seu auge, entre 2011 e 2014, e, novamente, desde a derrota para Garbrandt. Cruz é tão fora da curva que conseguiu voltar do hiato de 2011 para reconquistar seu cinturão e vencer TJ, mas já completou 35 anos e as lesões se acumulam, além de ter tido pouco mais de um mês para se preparar para sábado.

Saudável, Cruz é um dos mais brilhantes trocadores do MMA. Sua movimentação pouco ortodoxa, inspirada em Willie Pep e Muhammad Ali, é um enigma para a maior parte dos seus adversários. Sua habilidade de entrar, bater e sair em ângulos não tradicionais é um deleite para os fãs da nobre arte, e, embora os socos e chutes possam ser considerados tecnicamente errados, são extremamente efetivos para a filosofia de Cruz de tocar sem ser tocado. O background no wrestling e a movimentação resultam em uma excelente defesa de quedas e em entradas que confundem ainda mais os adversários, ainda que o wrestling ofensivo não deva ser um fator na luta de sábado.

Dominick Cruz vs Henry Cejudo odds - BestFightOdds
 

O grande questionamento desse confronto deve ser a condição física de Dominick, que não luta há quatro anos e teve pouco tempo de preparo. O Dominick Cruz de 2011 teria boas chances de vencer o Henry Cejudo de hoje, mas esse homem já não existe. O duelo confronta dois lutadores virtuosos tecnicamente e afeitos à lutas animadas. Por isso, devemos ter uma exibição das mais belas de MMA. O que provavelmente veremos é o jogo virtuoso de Cruz, tentando entrar batendo e sair sem ser tocado, contra Cejudo buscando cortar ângulos e encurtar a distância, encurralando o adversário para encaixar suas blitzes e entradas de queda. Dominick tem boas chances de vencer os primeiros rounds, mais estudados, enquanto Cejudo se adapta. Porém, a previsão é que o lutador mais jovem e fresco na carreira tome conta da luta conforme o tempo passa, vencendo uma decisão clara, porém apertada.

Peso pesado: #2 Francis Ngannou (RFC) vs. #6 Jairzinho Rozenstruik (SME)

Por Gustavo Lima

O “Predador” Francis Ngannou (14-3 MMA, 9-2 UFC) se encontra muito próximo de uma nova chance pelo cinturão. Desde a lamentável atuação contra Derrick Lewis, o camaronês empilhou três nocautes no primeiro round contra Curtis Blaydes, Cain Velasquez e Junior “Cigano” (totalizando menos de três minutos de luta somados) e carrega talvez o melhor momento dentre todos os atletas da divisão).

Com 33 anos, o ex-desafiante não é um enigma complicado de se solucionar, mas cobra um certo nível de técnica de seus oponentes (algo que anda em falta nesta divisão) para que não padeçam brutalmente pelas suas mãos. Dono de bom boxe para o MMA, movimentação razoável e força que o garante entre o rol de maiores power-punchers dentre a história de nosso jovem esporte, Francis faz um feijão com arroz competente e usualmente (vamos fingir que AQUELA luta não existiu) entrega bons momentos aos fãs.

Do outro lado, Jairzinho Rozenstruik (10-0 no MMA, 4-0 sob o UFC) traz uma das ascensões mais interessantes e inusitadas do MMA nos últimos tempos. Vindo de circuitos regionais obscuros do esporte e conhecido até então por uma atuação comum em um meio de card do RIZIN, o “Bigi Boy” passou com louvor por todos os desafios colocados em sua frente pelo UFC no ano de 2019.

Na reta final do ano, em um período de menos de 40 dias, o surinamês derrotou duas lendas da história do esporte. Após não tomar conhecimento de Andrei Arlovski, despachando o ex-campeão do UFC no primeiro round com um fantástico contragolpe, Jairzinho encarou Alistair Overeem no mês seguinte (dezembro) e virou uma luta que estava claramente perdida (apesar do desempenho decente) com apenas quatro segundos faltando para o gongo final.

Esse combate coloca frente a frente dois dos melhores nomes que temos nesta categoria do esporte hoje fora da dobradinha Miocic/Cormier. Atletas que não nos fazem brilhar os olhos com extensos arsenais técnicos, mas que mostraram grande competência até aqui com o que possuem de vigor físico e solidez nos fundamentos do striking.

Apesar disso, ao fazer a projeção de ambos os atletas frente a frente, fica um pouco clara a impressão de que Ngannou nos deu mais evidências do que é capaz de fazer e de como pode levar perigo a atletas dos mais variados tipos nessa categoria. Outro detalhe relevante é que apenas dois elementos foram capazes de anular o básico e efetivo modus operandi de Francis: Miocic e sua velocidade para disparar golpes/se movimentar e Lewis, num duelo atípico onde o camaronês pareceu temer os diretos igualmente fortes de seu oponente.

Em sua atuação contra o melhor adversário na carreira até aqui, Rozenstruik nocauteou, mas se viu superado por Alistair Overeem na maior parte da luta, sendo vítima da boa movimentação do lendário kickboxer holandês e do forte jogo de clinch quando tentava se aproximar. Apesar da competência em manter um alto nível de competitividade, foi claramente o desgaste técnico do oponente que permitiu que Jairzinho acertasse um belo direto de direita que o levou ao chão.

Francis Ngannou vs Jairzinho Rozenstruik odds - BestFightOdds
 

O mapa da mina para o surinamês é não se expor aos contragolpes de Ngannou para prolongar ao máximo o duelo e diminuir o poder de nocaute dele. A estratégia do “Predador” é bem clara e qualquer erro é fatal; brechas e erros devem ser evitados a todo custo, seja com uma movimentação precisa e inteligente, seja optando por raramente ter iniciativa e manter um combate morno e distante.

A caixa de ferramentas de Jairzinho não me parece suficiente para conter o oportunismo e poder de decisão de Francis, visto que mobilidade – talvez o aspecto mais importante aqui – não é seu forte. Mesmo que possível, acho pouco provável; Ngannou por KO, round 1 ou 2.

Peso pena: #7 Jeremy Stephens (EUA) vs. #9 Calvin Kattar (EUA)

Por Rodrigo Rojas

Jeremy “Lil Heaten” Stephens (28-17 no MMA, 15-16 no UFC) é um dos porteiros mais divertidos do UFC. O veterano americano teve sua carreira marcada pela inconstância, vencendo nomes como Rafael dos Anjos, Renan Barão, Darren Elkins, Gilbert Melendez, Doo Ho Choi e Josh Emmett, mas perdendo sempre que enfrentava a elite da elite na divisão. Agora, o companheiro de Dominick Cruz enfrenta uma sequência de três derrotas – para José Aldo, Zabit Magomedsharipov e Yair Rodriguez. No próximo sábado, Stephens tem a dura tarefa de testar mais um prospecto de elite.

O apelido de “pequeno esquentadinho” é muito propício para o peso pena, que já foi preso no dia de uma luta e tem um estilo de “matar ou morrer” dentro do octógono. Muito grande para a categoria, Stephens é um trocador nato, jogando todos os seus golpes com intenção de nocautear, contando com um bom timing para acertar toda sorte de golpes, incluindo as famosas combinações de uppercuts e cruzados, chutes altos, joelhadas voadoras e violentas cotoveladas. Jeremy tem seus melhores momentos quando consegue atrair os oponentes para o pocket, onde tem facilidade para acertar os queixos alheios. Com esse estilo, conquistou 19 nocautes na carreira e 10 bônus pós luta, apesar das 17 derrotas.

Stephens sofre quando não conseguir atrair seus oponentes para a curta distância, sendo dominado por kickboxers com alguma movimentação e velocidade, e também por grapplers que conseguem mesclar as ações dentro do octógono.

Calvin Kattar (20-4 no MMA, 4-2 no UFC) chegou no UFC com muita pompa, vencendo em sequência os bons Andre Fili e Shane Burgos – este último com um violento nocaute. Depois de uma derrota dominante nas mãos de Renato Moicano e uma vitória sobre o fraco Chris Fishgold, Kattar recebeu a maior luta de sua carreira até então, contra Ricardo Lamas. O americano aproveitou a chance e conquistou um belíssimo nocaute sobre o ex-desafiante. Porém, na última luta, foi pareado contra o monstruoso Zabit Magomedsharipov, saindo derrotado por decisão.

Com origem no wrestling colegial, Kattar desenvolveu um dos jogos de boxe mais limpos da categoria, contando com socos alinhados e precisos e uma excelente defesa na nobre arte. Seus golpes preferidos são combinações de diretos e cruzados, além de bons uppercuts no contragolpe, e o background no wrestling fornece uma boa defesa de queda. Calvin mostrou uma clara fraqueza em defender chutes baixos, brecha explorada com maestria por Renato Moicano e por Zabit. Além disso, pode ser superado por lutadores que usam o volume e combinações de golpes para circundá-lo, controlando a distância – o que não será o caso do oponente de sábado.

Calvin Kattar vs Jeremy Stephens odds - BestFightOdds
 

Não há duvidas de que esse duelo será uma troca de sopapos divertida: Stephens tem 10 bônus pós-luta na carreira e Kattar tem 2 bônus em 6 lutas no UFC, e os dois são trocadores natos e que não fogem de uma briga. Dito isso, Kattar tem todas as condições para controlar Stephens com combinações de jabs e diretos e muita movimentação. Porém, o poder de nocaute de Jeremy nunca deve ser descontado – especialmente caso a luta se estenda na curta distância. O prognóstico é uma vitória por decisão do lutador mais jovem, usando o volume de golpes e a movimentação para conter o adversário. Stephens deve ter seus bons momentos, principalmente nas trocas de golpes no pocket, mas não o suficiente para levar a luta.

Peso pesado: Greg Hardy (EUA) vs. Yorgan de Castro (CPV)

Por Idonaldo Filho

O polêmico Greg Hardy (5-2, 1NC no MMA, 2-2, 1NC no UFC) ainda não teve a ascensão que lhe era esperada, muito disso por causa própria. A estreia foi com derrota, após desferir uma joelhada ilegal. Depois disso, venceu duas lutas em sequência, mas quando encaminhava a terceira foi pego no flagra usando uma bombinha de asma entre os rounds, que fez sua vitória contra Ben Sosoli se tornar um no-contest. Na sua última aparição, foi salvar um duelo de última hora ao enfrentar Alexander Volkov, que mostrou estar em um nível completamente diferente do ex-jogador de futebol americano.

Bastante agressivo, Hardy é um lutador que gosta de definir os combates o mais rápido possível, ainda que tenha o custo do cansaço caso não obtenha a interrupção. A técnica é quase inexistente, como é de se esperar de um atleta que não tem background em nenhuma arte marcial e não tem nem dois anos completos de carreira ainda. As maiores virtudes são o bom atleticismo, poder de nocaute e o tamanho. Falta evolução em vários aspectos para que possa se tornar um perigo para a divisão, ainda que esteja em uma categoria lamentável como é a dos pesados.

O primeiro representante africano dos pesos pesados a lutar no UFC 249 é Yorgan De Castro (6-0 no MMA, 1-0 no UFC). Nascido nas ilhas de Cabo Verde, logo se mudou para Portugal para seguir a carreira de lutador e agora treina nos Estados Unidos. Yorgan conseguiu o contrato com o UFC pelo Contender Series, vencendo o wrestler Alton Meeks na primeira semana quando era considerado bastante zebra. No líder do mercado frustrou a estreia de Justin Tafa na casa do adversário, com um grande nocaute.

Com background no kickboxing, a trocação é onde De Castro se sai melhor. Yorgan tem fortes chutes baixos que são sua principal arma, além de notório poder nos punhos. Falta técnica e noção defensiva, várias vezes entrando em trocas francas de golpes. Também é negativo o fato de carregar muito peso sem necessidade: ele já foi peso meio-pesado. Seu jogo de chão não foi testado, mas nada indica que seja de bom nível. É um lutador limitado que vem surpreendendo até então em sua carreira profissional no esporte, mas que não representa um desafio novo para Hardy.

Greg Hardy vs Yorgan de Castro odds - BestFightOdds

Greg já enfrentou e venceu lutadores melhores que De Castro, que não é nada mais do que um brigão. Há uma clara diferença de atleticismo e o estadunidense é mais agressivo que o lutador cabo-verdiano. Por ser um duelo de pesados com claras limitações técnicas devemos ver uma das opções: ou a luta acaba no primeiro assalto com um nocaute ou dura os três de forma lamentável. A aposta mais segura é em Hardy por nocaute.