Por Edição MMA Brasil | 05/03/2020 23:57

O UFC começa o mês de março com o UFC 248, que contará com duas disputas de cinturão encabeçando o evento. Além de boas lutas no topo do card, este é o melhor evento agendado pela organização no ano até aqui, o que vale inclusive para a porção preliminar.

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O prospecto Sean O’Malley retornará após dois anos afastado para enfrentar José Quiñonez. Além disso, o medalhista olímpico Mark Madsen fará sua segunda luta na organização ao encarar Austin Hubbard, Rodolfo Vieira dará seguimento a sua carreira no MMA ao duelar com Saparbek Safarov e o veterano Gerald Meerschaert duelará com Deron Winn.

Peso Galo: Sean O’Malley (EUA) vs. José Quiñonez (MEX)

Por Matheus Costa

Depois de dois anos afastado do octógono, enfim, Sean O’Malley (10-0 no MMA, 2-0 no UFC) está de volta ao UFC. O “Sugar” é um dos melhores lutadores a saírem do Contender Series para a maior organização de MMA do mundo, na qual já enfileirou dois triunfos. Depois de lesões e suspensões com a USADA, ele está de volta para dar sequência a sua ascensão na categoria.

Aos 25 anos de idade, o atleta é muito talentoso, mas precisa de alguns retoques para corrigir erros caso queira chegar a elite da ótima categoria dos galos. Em pé, possui mãos pesadas, mas combinações limitadas e ângulos bem convencionais, tornando-se muito previsível em algumas ocasiões. Ele se movimenta bastante e adora trocar constantemente de base, sempre com alto volume de golpes. Vale destacar que ele não se sai muito bem quando é pressionado e mostra deficiências na luta agarrada, tanto no clinch como na luta de chão.

Vice-campeão do TUF América Latina, José Quiñones (8-3 no MMA, 5-2 no UFC) não consegue emplacar uma boa sequência de lutas dentro do UFC desde que chegou na organização. Depois de somar quatro vitórias no octógono, acabou finalizado por Nathaniel Wood, mas se recuperou ao bater Carlos Huachin no fim do ano que terminou.

A luta em pé do mexicano não é seu forte. Dono de mãos potentes, o ‘Teco’ é lento, previsível e limitado na hora de golpear, sem o menor requinte técnico. Suas estratégias sempre se baseiam em levar suas lutas para o chão na grosseria, onde trabalha por cima de forma segura, embora não tenha um jiu-jítsu muito vistoso para superar seus adversários pela via rápida.

Jose Quinonez vs Sean O'Malley odds - BestFightOdds
 

Este é um bom casamento para o “Sugar” recuperar o momento para prosseguir subindo no ranking da categoria dos galos. O’Malley é muito superior tecnicamente, principalmente na luta em pé, de onde a luta não deve sair. A movimentação do americano deve envolver o mexicano e a aposta fica para um nocaute no segundo assalto.

Peso Leve: Mark Madsen (DIN) vs. Austin Hubbard (EUA)

Por Rodrigo Rojas

Medalhista de prata nas Olimpíadas e quatro vezes medalhista no mundial de wrestling, Mark Madsen (9-0 no MMA, 1-0 no UFC) pode ser considerado um dos mais condecorados wrestlers a competirem no UFC. Estrela dos esportes em seu país natal, o dinamarquês estreou no UFC com muita pompa, passando por cima de Danilo Belluardo.

Apesar de ter começado tarde no esporte, Madsen vem melhorando em seus pontos fracos – principalmente a trocação. Ele conta com mãos pesadas e um bom boxe, utilizado para encurtar a distância e esconder as quedas. Como esperado, tem um bom trabalho exercendo pressão e força no clinch, além de um ground and pound violento. Para esse duelo, Madsen se estabiliza na divisão dos pesos leve, depois de ter problemas com o peso na categoria até 66 Kg.

Cria do LFA, Austin Hubbard (11-3 no MMA, 1-1 no UFC) faz parte da nova geração do MMA. O peso leve tem um jogo completo, com qualidades em todas as áreas, mas sem excelência em uma específica. Hubbard é bastante agressivo em pé, contando com boas combinações de mãos e muita pressão, baseada em um bom condicionamento. Além disso, conta com algumas quedas no clinch e tem qualidade no ground and pound, abrindo caminho para alguns finalizações – especialmente estrangulamentos.

No UFC, Hubbard estreou perdendo para o jiu-jiteiro Davi Ramos, recuperando-se, mais recentemente, ao vencer Kyle Prepolec. No próximo sábado, Austin enfrenta outro grappler de elite, sendo novamente grande azarão.

Austin Hubbard vs Mark Madsen odds - BestFightOdds
 

A luta é casada claramente para mostrar os talentos do dinamarquês. Analisando ambos, o prognóstico mais provável do duelo é bastante claro: Madsen deve encurtar a distância, botar pra baixo e trabalhar o ground and pound. Hubbard tem resistência suficiente para não ser nocauteado, no entanto. Mark Madsen por decisão ou nocaute tardio.

Peso Médio: Rodolfo Vieira (BRA) vs. Saparbek Safarov (RUS)

Por Idonaldo Filho

Um dos melhores lutadores de jiu-jítsu na história recente, Rodolfo Vieira (6-0 no MMA, 1-0 no UFC) chegou ao maior evento do mundo com muito estilo, finalizando o bom Oskar Piechota no segundo assalto com um katagatame. O pentacampeão mundial na arte suave antes de assinar com o UFC foi atleta do ACB/ACA, organização pela qual obteve três vitórias, todas no primeiro assalto. A melhor delas veio contra o russo Vitaliy Nemchinov, invicto na época.

É óbvio que o principal aspecto do jogo de Rodolfo é o grappling. O ótimo jiu-jítsu é uma arma letal e mostra boa adaptação para o MMA, com transições excelentes e cinco finalizações em seis lutas. Excelente buscando a montada e pegando as costas, Rodolfo é ótimo com estrangulamentos, aplicando muito bem o katagatame e o mata-leão. Outro aspecto positivo em seu jogo é o ground and pound, que surpreendentemente é bastante efetivo e uma arma a mais no solo. O wrestling vem evoluindo com os treinos nos Estados Unidos e, como é um atleta muito forte e com passagens pela divisão de cima, com o treinamento correto pode potencializar seu histórico na luta agarrada. A trocação é muito focada em golpes retos, incluindo um jab de bom nível, mas é, no máximo, básica. Ainda há algumas dúvidas sobre seu condicionamento e defesa de golpes.

Se existe um lutador que não passaria no psicotécnico esse é Saparbek Safarov (9-2 no MMA, 1-2 no UFC). O russo, que fez carreira no cenário regional de seu país natal, é mais conhecido por um vídeo no qual provoca e agride seu oponente em uma encarada. Polêmico, Safarov iniciou sua carreira no UFC com duas derrotas, uma para Gian Villante e outra para Tyson Pedro. A recuperação veio contra Nick Negumeranu, em duelo em que agarrou na grade inúmeras vezes no combate e fez jogo sujo na hora da separação.

Safarov vem do sambo de combate, com ampla utilização de quedas e clinch. Não mostrou muito senso de urgência no grappling até hoje no UFC, tem controle posicional duvidoso e também não passa confiança na defesa de submissões. Na trocação é uma loucura total, mostrando desconhecimento da palavra técnica e sempre, sem exceção, buscando a disputa franca, tentando acertar um pombo sem asa. O QI de luta de Safarov também se mostrou reprovável, mas é um lutador nitidamente de bastante garra.

Rodolfo Vieira vs Saparbek Safarov odds - BestFightOdds
 

É a primeira luta de Safarov nos médios. Rodolfo pode até ter algum trabalho contra um oponente grande e com origem no sambo, mas o brasileiro é bastante forte e infinitamente melhor no chão. Até mesmo na trocação Rodolfo parece mais técnico que Safarov, podendo controlar a luta caso mantenha o foco e a defesa em dia. Não vejo outra opção para o russo a não ser uma mão vadia. Rodolfo deve finalizar Safarov na primeira metade da peleja.

Peso Médio: Gerald Meerschaert (EUA) vs. Deron Winn (EUA)

Por Rodrigo Rojas

Buscando afirmar-se no peso médio, o americano Gerald Meerschaert (30-12 no MMA, 5-4 no UFC) figura na lista daqueles lutadores que não vão muito longe na carreira, mas sempre entregam lutas animadas – ainda que pouco técnicas – para os fãs. Ex-campeão da RFA, Meerschaert é o clássico exemplo de competidor com um bom arsenal ofensivo e enormes buracos no âmbito defensivo, situação que impede a evolução de sua caminhada dentro da maior organização do mundo.

No ano passado, Gerald recuperou-se de uma sequência de duas derrotas para finalizar o favorito Trevin Giles. Nessa atuação, surpreendeu ao mostrar um jogo mais comedido, em contraste com sua típica agressividade incessante. Já na luta mais recente, perdeu uma decisão dividida para o favorito Eryk Anders. Seja em pé ou no chão, o americano busca a interrupção a todo momento, sem maiores cuidados defensivos. No solo, o faixa preta ataca finalizações o tempo todo, muitas vezes perdendo posições por causa disso. No jogo em pé, costuma lançar um bom volume de golpes sem grande precisão, abusando de combinações de chutes e cruzados. A defesa de golpes, no entanto, é quase inexistente, e a agressividade faz com que o gás vá embora rapidamente. 

Conhecido por ser pupilo de Daniel Cormier, Deron Winn (6-1 no MMA, 1-1 no UFC) chegou ao UFC com bastante hype, mas acabou não correspondendo às expectativas. Ganhando proeminência ao vencer o veterano Tom Lawlor no bizarro evento Liddell vs Ortiz III, Winn chegou ao UFC vencendo Eric Spicely, quando era grande favorito sobre o “Zebrinha”. Na última aparição, no entanto, acabou derrotado por Darren Stewart, entregando uma atuação pífia depois de não bater o peso.

Como não poderia deixar de ser, Deron é wrestler de carteirinha. O americano foi três vezes All-American, três vezes campeão estadual e duas vezes campeão colegial na modalidade. Sua característica mais marcante, porém, é a de ser basicamente um anão para a categoria e mesmo assim não conseguir bater o peso. Sério. Winn tem 1,66m – menor que boa parte dos pesos galo – e cravou 188 lbs no último duelo, ultrapassando o limite de 84kg da divisão dos médios. Deron usa o background no wrestling principalmente para controlar a luta, defendendo quedas e abusando do jogo no clinch, utilizando algumas quedas para pontuar. Quando consegue levar a luta para o solo, raramente busca avançar posições no chão ou trabalhar golpes contundentes, apesar de ter um bom ground and pound, dependendo, geralmente, de seu boxe. Apesar da grande força física, Winn tem grandes problemas com o condicionamento físico, e não consegue atuar com a mesma intensidade por todos os três rounds.

Deron Winn vs Gerald Meerschaert odds - BestFightOdds
 

A luta de sábado é de difícil prognóstico, já que confronta dois lutadores pouco consistentes e previsíveis. Deron tem o jogo certo para vencer Meerschaert – utilizando o wrestling para defender quedas e controlar o clinch, além de um boxe alinhado para pontuar em pé. Porém, seu QI de luta questionável e, principalmente o (péssimo) condicionamento físico, podem gerar oportunidades para uma vitória de Meerschaert, usando o volume de golpes e eventuais transições e tentativas de finalizações no chão para pontuar rumo à uma decisão ou, quiçá, uma finalização tardia. Ainda assim, apostaremos no lutador mais promissor. Winn tem wrestling e boxe para pontuar com combinações de golpes, quedas e ground and pound para controlar o adversário e levar na decisão, caso não seja vencido pelo condicionamento.